Shalom - As Memórias de John Sigerson

37 Capítulo 37: Uma Suposta Casa Vazia (Parte 2)


Notas iniciais
Olá, olá!!!

Conforme prometido, aqui está a segunda parte.

Agora saberemos direitinho o que diacho Esther estava fazendo ali, na "Casa Vazia", que de Vazia não tinha nada. Garanto que vocês ficarão surpresos.

Fico feliz com a recepção da história e por termos alcançado 30 comentários, e também com as pessoas que favoritaram e que acompanham. Muito obrigada mesmo. É por vocês que continuo essa história.

Esther suspirou. Certamente, ainda estava furiosa pelo último acontecimento. Deu dois passos, ficando bem diante de Holmes, e deu-lhe um tapa, deixando Holmes atordoado, confuso e chocado ao mesmo tempo com tamanha agressão, sentimentos que ele sempre detestou sentir.

–Em primeiro lugar, não se deixa uma dama atracar-se sozinha com o homem mais perigoso da Europa...

–Mas eu estava sem fôlego! – protestou Holmes.

–Em segundo lugar, eu não me esqueci de todas as sua mentiras, e em terceiro lugar, como você pôde colocar Mrs. Hudson no meio de seu plano sortido e deixa-la sozinha, em uma rua cheia de marginais?

Tonto com tantas acusações, Holmes defendeu-se com o mesmo arsenal.

–Ora, mas não me venha com tais coisas! Eu é que faço as perguntas aqui, senhorita! O que estava fazendo aqui, de tocaia? Ou vai me dizer que vigiar assassinos é diversão recorrente de moças londrinas agora?

–Óbvio que não.

Holmes cruzou os braços. – Então?

–Eu estou trabalhando para o Serviço de Inteligência Britânico agora.

–O quê?! – arregalou os olhos.

–Sim, exatamente. Você realmente acreditou que eu aceitaria tantas regalias a troco de nada? Foi a condição que eu impus ao seu irmão. Ele tentou me arrumar um emprego como secretária, mas como eu falo russo fluentemente, me indiquei como agente.

–Uma mulher, como agente?! – Holmes não parecia acreditar.

–Oh, mas você realmente não acredita na capacidade das mulheres, não é Mr. Sherlock Holmes? Saiba que sua amada Inglaterra parece estar começando a reconhecer isso. Os agentes dele falavam russo, mas não tinham o sotaque de um nativo e não conseguiam convencer. Não é algo fácil de ter, e eu tenho. Mas de qualquer modo, estou trabalhando no Serviço de Inteligência há uns sete meses, e esse sujeito aqui... – ele disse, pondo sua perna sobre Moran. – É minha primeira prisão. Meu trabalho costuma ser o de monitorar imigrantes russos, mas quando eu soube deste caso, eu pedi para lidar com minhas próprias mãos.

–E posso saber porquê Moran despertou tanto o seu interesse a ponto de você decidir prendê-lo pessoalmente?

Esther respirou, antes de falar.

–Moran está trabalhando para o Conde Ivanov.

Holmes estava surpreso.

–O Conde Ivanov? Mas como?

–São apenas indícios, é claro; Ainda estou à procura de provas concretas. Moran tem um círculo de amizades bastante seleto e esteve trocando correspondência com gente importante de Moscou. Entre eles, o Conde Ivanov, e isso salientou as suspeitas da Agência.

–E a agência empregou você, sozinha, para lidar com este homem perigoso? Não posso acreditar nisso...

–Não estou tão sozinha assim,há pessoal nosso por todo a rua, inclusive em sua casa, e além de quê... –Esther aproximou-se de uma alavanca perto de uma das portas, que Holmes sequer tinha reparado.

–... Eu tenho os meus métodos. – ela disse, até que com um estampido, o assoalho perto da janela abriu-se, mostrando uma armadilha, uma espécie de alçapão com uma rede, impossível de escapar

–Se não fosse por sua valentia, Sebastian Moran estaria preso nesta rede. Uma armadilha perfeita para o Grande Caçador da Índia, não? – ela disse, rindo.

–Então, eu vejo que você usou seu plano B. – disse Holmes, olhando para a rede que pousava no térreo.

–Eu tenho plano C também, mas admito que é meu último recurso. – ela disse, mostrando uma pistola pequena em sua cintura.

–V-Você sabe atirar? Desde quando?

–Sim, eu sei. Tive treinamento, mas confesso que oro à Adonai todos os dias para não precisar recorrer a este recurso. – de repente, ouviu-se mais barulhos da frente da casa. Esther correu, rapidamente, para fechar a alavanca.

–O-O que foi isso?

Era a voz de Lestrade. Atrasado como sempre, pensou Holmes.

–Hora de ir. – disse Esther, deslocando-se para a janela lateral, onde havia uma escada. Antes que Holmes pudesse dizer alguma coisa, ela já tinha desaparecido pelas sombras daquela noite. Ele ouviu os passos na escada.

Holmes estava certo. Era Lestrade e mais três guardas, além de Watson. Ao vê-lo, Lestrade deu um sorriso largo.

–Quando eu recebi aquele recado, eu não acreditei! Mr. Holmes, você está vivo!

Holmes sorriu, e ambos trocaram um aperto de mão. Holmes aproximou-se de Moran, que àquela altura já havia começado a despertar e ainda assim estava tão furioso que acabou contido por dois guardas da Yard.

–Sim, e já voltei trazendo a ti um presente daqueles.

Sebastian Moran, que agora estava reduzido a um ser que emitia eventuais grunhidos, pronunciou-se.

–Você é mesmo muito esperto, Mr. Holmes, em colocar a polícia contra mim, quando na verdade eu é que fui covardemente atacado aqui. – ele disse, olhando para Watson.

–Uma pena que tenha sido alarme falso, Holmes. Era um Yard à paisana. – disse Watson, decepcionado

Claro. Um dos agentes do Governo, que Esther certamente deslocou para proteger Mrs. Hudson. Aquela rua deveria estar cercada por gente dela também.

–Não há com que se preocupar, meu amigo.

Holmes aproximou-se, e começou.

–Ah, coronel! – disse Holmes, enquanto arrumava o seu colarinho amarfanhado. – ‘As jornadas terminam em colóquios de amantes’, como diz o antigo adágio. Não acho que tive o prazer em vê-lo desde que você começou a me atacar enquanto eu estava em fuga à beira de Reichenbach Fall.

O coronel ainda encarou a Holmes, como se pudesse mata-lo com os olhos.

–Você é um demônio esperto, muito esperto! – era tudo o que ele podia dizer, ainda atordoado por ser pego.

–Ah, mas é claro! Eu ainda não o apresentei. – disse Holmes. – Este, cavalheiros, é o coronel Sebastian Moran, que uma vez foi do Exército de Sua Majestade na Índia, e o melhor perito atirador que o nosso Império Oriental alguma vez produziu. Acredito que é correto dizer que o seu escore de tigres ainda não foi rivalizado, não é mesmo?

O velho feroz nada disse, mas ainda encarou meu companheiro. Com aqueles olhos selvagens e o bigode eriçado, ele estava espantosamente parecido com um tigre, tanto em aparência quanto em fúria.

–Estou surpreso que o meu estratagema simples tenha ludibriado um shikari tão experiente – disse Holmes. – Isso lhe deve ser muito familiar. Você não amarrou uma criancinha sob uma árvore, ficou de emboscada sobre ela com o seu rifle e esperou que a isca trouxesse o seu tigre? Esta casa vazia é minha árvore e você é o meu tigre. Você possivelmente teria outras armas de reserva para o caso de haver diversos tigres, ou na improvável suposição de que a sua pontaria falhasse. Estas, – ele apontou ao redor, – são as minhas outras armas. O paralelo é perfeito.

O coronel Moran pulou para frente com um rosnado de ódio, mas os policiais o arrastaram de volta;

–Não é nada disso... Este homem está mentindo... Quem merece ser preso é ele... Eu é que acabei de ser agredido por este senhor, e agora ele insiste em dizer que eu...

Lestrade virou-se para ele, ainda descrente.

–Sr. Coronel Moran, eu lhe prendo em nome da Rainha pela tentativa de assassinato de Sherlock...

Holmes o interrompeu. – Lestrade, não! Eu não pretendo prestar queixa.

–Mas Mr. Holmes... – Lestrade suplicava, sem compreender. – Se nenhuma queixa for feita, ele...

–Eu entendo sua preocupação, Lestrade, mas peço-te que ainda não faça isso. Não quero aparecer, de forma alguma, na prisão desse homem. Os créditos serão todos para você.

Lestrade parecia cada vez mais atordoado.

–Ora, mas que prisão será efetuada, se não há queixa?

Holmes parecia satisfeito com o efeito que causara em Lestrade e nos demais guardas, e também em Watson.

–Há uma queixa sim, inspetor. Esta noite, o senhor não prendeu o homem que tentou me matar, mas o foragido que deixou a Scotland Yard andando em círculos. Senhores, estamos diante de nada menos que o assassino do Honorável Ronald Adair, o rapaz morto em Park Lane, por esta mesma arma que quase levou minha vida à cabo esta noite. Pelo pouco que pude estudar das redondezas do local do crime, ele usou esta mesma arma no segundo andar da casa da frente. Embora o ângulo fosse dificílimo para qualquer atirador, até mesmo o mais experiente, devemos nos lembrar de que estamos diante de um dos maiores atiradores da Europa. Bem, se quiser, posso entregar-lhe mais detalhes, para rebuscar seu inquérito. Basta me encontrar em Baker Street amanhã. Agora, se me dão licença, senhores, esta noite foi bastante atribulada, e tenciono voltar à minha residência.

Já tínhamos descido as escadas, quando colocaram o Coronel Moran, já algemado, dentro da carruagem da Scotland Yard. Ele apareceu diante de Holmes e Watson, com os olhos enfurecidos, e gritou.

–Você irá pagar, Sherlock Holmes! Mesmo que eu morra pendurado em uma corda, eu vou te levar junto! Levar a você e aquela sua porca judia!

Antes que ele dissesse mais alguma coisa, a carruagem da Scotland Yard saiu à galope, tornando seus xingamentos incompreensíveis. Watson virou-se para Holmes, sem compreender coisa alguma. Holmes trazia em seu rosto a própria neutralidade.

Percebendo que Holmes não iria dizer qualquer coisa a respeito, Watson calou-se, para esperar a oportunidade certa de lhe perguntar. Ele não deixaria isso barato.

Notas finais
Sim, parece que "A Casa Vazia" terminou. Mas os problemas de Holmes e Esther apenas começaram. Ainda há muita coisa solta e que precisa ser revolvida entre eles.

Nossa história está se preparando para a reta final (Ahhhhhh...) mas ainda há muita coisa para acontecer. Veremos o que se passou com a Esther nesses dois anos sem Holmes e os problemas que ela sempre empurra para debaixo do tapete, finalmente, vindo à tona. Vocês verão a verdadeira Esther se revelar (ui!) e se Holmes poderá ajudá-la ou não.

Ainda tem o pobre Watson, sempre fofo e meigo, correndo pela beirada. Terá ele alguma chance com a nossa judia espertinha? E será que Holmes terá coragem de contar toda a verdade para ele? Não sei, não sabemos, mas espero que vocês continuem aqui para saber.

Obrigada pela atenção e reviews, sempre apreciados!!