Shalom - As Memórias de John Sigerson
21 Capítulo 21: O Penúltimo a Cair
Notas iniciais
Postarei dois capítulos, que poderia izer que são praticamente um.
Agora, Holmes está sozinho, sem Esther, e volta para Montpellier, já que não tem motivo nenhum para ficar em Paris. Sobra tempo para acabar com seus inimigos. Veremos um pouco das artimanhas dele.
Montpellier. 12 de Fevereiro de 1894.
Holmes sabia que seu irmão estava certo. Esther estaria muito mais segura na Inglaterra, sem dúvida vivendo sob outra identidade e... Se casando com um inglês respeitável.
Bah! Ele resmungou, enquanto tentava fazer um experimento mais uma vez. Eu preciso ter foco! Desde que ela se foi, há mais de dois anos, ele vêm tentado conseguir provas para derrubar Clarence Chevalier, o segundo na sua lista, atrás apenas de Sebastian Moran. Holmes, que agora trabalhava como pesquisador na Universidade de Paris, no ramo da Química, se aproveitou para se aproximar do irmão dele, Edmond Chevalier, um entusiasta de novas descobertas do ramo da Química. Os dois se conheceram em Montpellier, lugar onde Holmes tinha se mudado para trabalhar como pesquisador químico e também vigiar seu inimigo. Acabou aproximando-se de Edmond. Ele tinha vinte e cinco anos, e gastava altas fortunas ao Centro de Pesquisa da Universidade, e por essas e outras, tinha alta estima com o corpo de docentes. Embora tivesse pouca idade, ele era um gênio da Ciência, e tinha um dos laboratórios mais avançados do país, que fazia os olhos de Holmes brilharem com tamanha tecnologia.
Dessa maneira, aproveitando-se de uma bem-sucedida pesquisa sobre alcatrões, Holmes retornou à Paris, e conseguiu livre acesso à Mansão Chevalier, que dava vistas à Torre Eiffel. Um belo palacete que, em questão de dias, já estava na palma de sua mão.
Mas seu verdadeiro inimigo, no entanto, estava muito ocupado, comandando seu esquema fraudulento de roubo à mansões. O golpe era simples. De maneira sorrateira, apenas as obras de arte eram levadas, sendo trocadas por perfeitas falsificações. Os donos levavam anos para descobrir, tempo o bastante para Chevalier já estar com os bolsos cheios. Ele era muito esperto, mas também ambicioso. Assim constatou Holmes, quando desvendou o roubo para um cliente, mas sem ter provas concretas que o colocassem na cadeia. Chevalier, entretanto, o ameaçava a anos, e já tinha preparado emboscadas contra si, um pouco antes do caso Moriarty começar. Além disso, Chevalier tinha ajuda do Napoleão do Crime, que cobrava uma porcentagem polpuda do lucro, oferecendo respaldo para jamais ser pego. Mas agora, Chevalier estava atuando sozinho, e Holmes sabia que ele não era tão esperto e nem tinha ajuda de nenhum criminoso poderoso para se safar.
Atento a tudo, Holmes percebeu que Chevalier estava para executar um roubo à um nobre francês, e que tudo ocorreria durante uma viagem. Os empregados eram subornados, e os bandidos faziam a festa. Se esse crime fosse descoberto, a queda seria feia. E Holmes precisava aproveitar a oportunidade.
Holmes era o único que sabia como o esquema funcionava, em todos os seus detalhes. Mesmo se a polícia fosse acionada e prendesse a quadrilha em flagrante, ninguém delataria Chevalier. E uma quadrilha daquele porte era facilmente montada, dada a quantidade de criminosos que havia nos becos de Paris. Ele precisava agir com precisão, para deter Chevalier.
Em uma de suas visitas sociais como o pesquisador químico John Sigerson, Holmes conheceu a próxima vítima de Chevalier: o Duque de Loyola.
Acompanhado de Edmond, Holmes explicou ao Duque, durante um chá em seu suntuoso jardim, os avanços de seu experimento. O Duque, também um apreciador da ciência, ouvia com atenção. Até que, com esperteza, Holmes inseriu a Arte na conversa.
-Minha coleção de arte é bastante vasta, Mr. Sigerson. Você iria apreciá-la. Venha ver.
Edmond, que detestava Artes e achava exposições entediantes, não quis acompanha-los, alegando que estava com dores na perna. Que grande ironia, o irmão de um dos maiores assaltantes de Arte odiar exposições, pensou Holmes.
Holmes viu que o acervo do Duque era bem extenso, repleto de obras valiosas.
-Por acaso, o senhor tem um Vernet? – perguntou Holmes. Ele era, afinal, um descendente de Vernet, um pintor francês de grande prestígio.
-Oh, que me dera... Um Vernet seria um item que eu gostaria muito de ter em minha coleção, mas é algo tão raro de se ver, e também valiosíssimo... Ficaria bem na minha coleção, mas creio que ninguém com sã consciência iria se desfazer de um Vernet.
Mais tarde, quando estavam dentro de um cabriolé, Holmes comentou com Edmond sobre o que viu. Edmond parecia entediado. A menos em um tópico.
-Ele me contou que tem um Vernet... Aquisição bem recente... — mentiu Holmes.
-Um Vernet?! – exclamou o jovem.
-Sim. Ele me mostrou. Um belíssimo quadro. Disse que fui o primeiro visitante a vê-lo. Está vendo no que acontece quando você decide flertar com a empregada ao invés de acompanhar-nos?
Edmond parecia assombrado. Ele nunca se acostumava com a mania de seu amigo, de parecer sempre adivinhar o que as pessoas faziam.
-Uma pena que eu não o tenha visto. Eu já lhe expliquei que o sonho de meu irmão é ter um Vernet, pouco se importando no quanto esse quadro custa uma fortuna. Se ele não consegue, é porque há poucos no mercado.
Holmes ficava orgulhoso, sempre que alguém falava com tanta adoração do talento de seu descendente, mas sabia o motivo de Chevalier querer o quadro: era uma maneira de ferir Holmes. Moriarty, por exemplo, também tinha um Vernet. De certa maneira, a idéia de um dos quadros de seu descendente estar nas mãos de seus inimigos era um tanto desagradável.
Certamente, Edmond comentaria com o irmão a “nova” aquisição do Duque.
E certamente, confiante do jeito que era, Chevalier iria querer vê-lo com seus próprios olhos.
-O quadro fica na biblioteca. – comentou Holmes.
Sim. O peixe iria morder a isca.
Notas finais
Chevalier é seu penúltimo inimigo... Claro, ainda falta "aquele", não é? O segundo mais perigoso da Europa... Diria que Chevalier é o terceiro, mas não deixa de ser uma ameaça.
Obrigada pela atenção.
PS: Agradecimentos à Anne Holmes pela paciência e carinho.
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