Shalom - As Memórias de John Sigerson
34 Capítulo 34: A Volta de Sherlock Holmes
Notas iniciais
Chegou o dia que todos nós estávamos esperando, rs!
Como o próprio título já sugere, Holmes está de volta!!!
Peço paciência, porque algumas partes estão parecidas - só parecidas, não idênticas - à "Casa Vazia". Vou mostrar o ponto de vista da minha história. Espero não soar cansativo por isso.
Enjoy!
Londres. 04 de Abril de 1894.
Watson estava lendo um inquérito policial, que lhe chegou às mãos pelo próprio inspetor Lestrade. Tratava-se do caso de assassinato de um jovem chamado Ronald Adair. O caso apresentava tantas peculiaridades que, inevitavelmente, despertariam o interesse de Holmes, pensou Watson. Em especial, a total falta de suspeitos, ou mesmo de uma motivação para o crime, uma vez que o jovem não tinha nenhum inimigo. E Lestrade estava tão perdido no caso que cogitou que o médico tivesse aprendido alguma coisa com Holmes, a ponto de conseguir alguma elucidação, mas o bom doutor, mesmo com todo o esforço, nada pode apurar. Não parecia haver qualquer explicação para aquela misteriosa morte.
Por fim, derrotado, Watson deixou o inquérito sobre a mesa, pedindo que entrasse o próximo paciente.
Aquele foi um dia de poucos pacientes, então Watson aproveitou parte daquele dia para dar um passeio pelo Park Lane, as proximidades da residência dos Adair. Pelo caminho, muitos jornais exibiam as matérias intituladas “O Mistério de Park Lane” ou algo similar, e também falavam das dificuldades que a Scotland Yard encontrava para apontar sequer um suspeito. Watson percebia o quanto seu amigo, Holmes, fazia falta.
-Meus senhores, a imprensa está exagerando em dizer que a Scotland Yard está fracassando na resolução deste caso! – bradava um homem de óculos, que Watson percebeu ser um detetive à paisana. – Há evidências o bastante que me fazem concluir que esta foi uma tentativa grosseira de um assaltante!
Watson achou um completo absurdo, e rapidamente se afastou da multidão que se acotovelava em Oxford Street para ouvi-lo. O inquérito que o próprio Lestrade lhe entregou deixava bem claro que nada foi levado, e a possibilidade de invasão à casa era praticamente impossível. Para Watson, aquele crime caracterizava-se como uma execução, cujos fins ainda eram obscuros.
Para se afastar dali, Watson acabou esbarrando em um velho, que carregava um pouco de livros. Alguns exemplares caíram, e Watson rapidamente os ajudou a recolhê-los.
-Desculpe...
Antes que pudesse dizer alguma, o velho ancião deu-lhe às costas, de maneira um tanto ríspida, a ponto de deixar Watson um tanto irritado. Só o que pôde ver foi o velho curvo, completamente grisalho, rapidamente desaparecer na multidão. Watson sacudiu a cabeça, um tanto irritado, e decidiu esquecer o caso, voltando para seu consultório.
No caminho, ainda pôde observar um pouco a casa dos Adair, que ele pôde claramente distingui-la das demais pela presença de um Yarder montando guarda na entrada. Ele percebeu que o relatório apresentado por Lestrade realmente estava certo em descartar a possibilidade de roubo. A casa mostrava-se um tanto inacessível, e a rua, bastante movimentada, impossibilitava qualquer entrada mais ousada pelas janelas. A janela do rapaz, pelo que ele pôde perceber, era também muito alta para ser escalada sem que ninguém percebesse.
Já dentro de seu consultório, Watson aguardava por mais um paciente, até que sua criada apareceu.
-Há um senhor que deseja lhe ver.
-Deixe-o entrar. – ele pediu.
Para espanto de Watson, era o mesmo velhinho que ele tinha derrubado os livros, perto de Park Lane. Watson não conseguia esconder sua surpresa, e acenou para que ele se sentasse.
-Vejo que está surpreso em me ver. – disse, numa voz rouca, bastante condizente com sua idade. Watson confirmou.
-Bem, eu possuo alguma consciência, e quando o vi indo em direção a esta casa, esta falou mais alto e disse: porquê não desculpar-me? Acho que o tratei agora a pouco de maneira um tanto grosseira, quando rejeitei sua ajuda...
-Oh, de forma alguma. – disse Watson.
O velho deu um descanso aos seus longos e magros braços, colocando de maneira nada sutil um de seus volumes sob a mesa.
-Sabe, fiquei surpreso em constatar que você estava seguindo o mesmo caminho que eu. Eu tenho uma modesta livraria aqui perto, na Church Street. Somos vizinhos, ora veja! Pois bem, será que o senhor não estaria interessado em nenhum de meus raríssimos exemplares?
-Senhor, eu...
O velho, então, passou a lista-lo uma série de exemplares de títulos extravagantes, que seriam completamente inúteis ao acervo de um médico. Por pura educação, Watson escutou a tudo, sem qualquer intenção de levar qualquer livro.
-Seria muito bom ter um livro desses, faria uma maior diversificação na sua estante... Aliás, doutor, eu acho que há um livro seu quase despencando...
Watson, que no dia anterior tinha retirado da estante alguns de seus livros para ler, ficou alarmado, uma vez que havia livros de seu pequeno acervo de Medicina que ele os zelava com carinho. Rapidamente, Watson se levantou para checar. Nada havia deslocado ali. Quando voltou-se para o velho livreiro, não mais o encontrou.
Apenas um fantasma.
-Watson, você se importa que eu fume no seu consultório?
Watson ficou em completo silêncio, por uma dezena de segundos, contemplando ninguém menos que seu falecido amigo, Sherlock Holmes, bem diante de si. Não. Ele estava morto. Caiu das Cataratas de Reichenbach, junto com seu maior inimigo, o Professor Moriarty. Não havia qualquer chance de sobreviver à uma queda daquelas, ele lembrava as palavras da Polícia Suíça.
-Watson? – Holmes perguntou, ao ver os olhos de Watson fecharem lentamente, e seu amigo cair ao chão, desmaiado.
-Oh Deus! – Holmes exclamou. Procurou pela sala do consultório onde Watson guardava Brandy, e o colocou em um copo. Abriu-lhe parte do colarinho, deu-lhe dois leves tapas no rosto. Esperou, preocupado, por mais quase um minuto, até que o Doutor voltasse completamente.
-Eu sinto muito, Watson. – ele disse, trazendo o copo de brandy para perto de sua boca. Watson, ainda tonto com o desenrolar dos acontecimentos, deu um gole, voltando a si.
-Holmes?! É realmente você?
-Sim Watson, sou eu. Eu peço desculpas, não imaginei que meu retorno pudesse causar-lhe tamanho choque, a ponto de fazê-lo perder os sentidos...
Watson apertou os braços finos de Holmes, a ponto de sentir seus ossos. Sem dúvida, não era um fantasma ou delírio o que estava diante de si.
-Por que, Holmes?! Por que você fez isso comigo?!
Para completa surpresa de Holmes, Watson recuperou seus sentidos mais rápido do que ele poderia imaginar, não pela emoção de um reencontro, mas pela raiva. Antes que Holmes pudesse argumentar, ele recebeu um soco, que nem sua experiência como lutador de boxe poderia preveni-lo. O impacto do soco fez-lhe cair sentado, para trás. O bom doutor jamais tinha lhe agredido daquela maneira, e Holmes era obrigado a admitir que fez por merecer.
Watson tentou se levantar, mas estava chocado.
-Você está vivo mesmo! Espíritos não sentem dor! – disse, com raiva, ao perceber Holmes massagear a região perto de seu queixo. – Como você pôde fazer isso comigo?! Eu pensei nestes três anos que você estava morto!
-Eu sei, e peço desculpas...
-Desculpas?! – berrou Watson. – Você é capaz de imaginar toda a dor que me fez? Eu não sei como você sobreviveu àquela queda, mas se conseguiu se safar, porquê não me contou? Porquê me deixou acreditar e dizer a todos que você estava morto? Sinceramente, Holmes, você não tem qualquer sentimento! O pouco de esperanças que eu tinha quanto a isso sobre você foi uma grande ilusão!
-Watson, eu tinha meus motivos!
Watson, que ria nervosamente, discordou. Ele tentou se levantar mais uma vez, mas Holmes o forçou a permanecer sentado no chão.
-Agora você irá me escutar.
oooooooo
Esther tinha acabado de chegar ao consultório de Watson. Ela andava se queixando de dores de cabeça e um leve resfriado, e o seu próprio namorado tinha lhe pedido para aparecer em seu consultório, onde ela seria consultada. Ela estava sentada, já há alguns minutos.
-Ele está com um senhor, Miss Evans. – avisou a criada.
-Deve ser um paciente... Curioso, ele me disse que não tinha nenhuma consulta marcada a essa hora.
-E realmente, não tinha. Pode ser um caso de emergência, ainda mais porque se tratava de um senhor de idade...
Esther ficou decepcionada. – Bem, sendo assim, acho que vou embora...
Quando ela já dava meia-volta para sair do consultório, ouviu um grito. De Watson.
-Como você pôde fazer isso comigo?! – foi só o que ela pôde entender nitidamente, no meio daquela conversa, aparentemente entre dois homens, bastante exaltada.
-Meu Deus, eu acho que ele está discutindo com alguém! – exclamou Esther, preocupada. A criada de Watson parecia nervosa.
-Jamais imaginei que aquele pobre idoso poderia entrar com intenções de discutir com o Dr. Watson. E agora, o que faremos? Dr. Watson me proíbe que eu entre durante uma consulta.
-Não, vamos esperar... Parece que a discussão acabou. Mrs. Smith, anuncie minha presença. Isso pode deixar o homem que está com Watson mais temeroso, sabendo que há um conhecido de Watson aqui.
ooooo
Holmes contou como escapou de Reichenbach com vida. Contou também as outras tentativas de assassinato que sofreu durante sua fuga da Suíça, já sendo dado como morto.
Na verdade, ele não falou quase nada.
Ele não falou de Esther. Também não contou tudo o que fez nos últimos três anos. Sua nova identidade, como um norueguês explorador chamado John Sigerson, sua estadia em locais inusitados, e seus estudos no ramo da Química. Limitou-se a explicar que sim, Mycroft era o único que fora avisado de tudo, e lhe mandava dinheiro eventualmente, mas não contou que estivera em algumas cidades da Europa, trabalhando como violinista ou em laboratórios de Química, e que conseguiu derrotar um inimigo perigoso, mas que ainda restava um.
Watson, que ficou furioso num primeiro momento, depois de ouvir um relato extenso e bastante justificável de sua fuga de Holmes, sentiu-se envergonhado pelo mau juízo que fez de seu amigo, e principalmente pela agressão. Já com os sentidos completamente recuperados, e sentado em uma cadeira, ele suspirou.
-Peço perdão, Holmes, por ter agredido você.
Holmes, que fumava seu fiel cachimbo, assentiu.
-Não há o que me pedir desculpas, Watson. Outra pessoa poderia ter me matado de verdade, depois de tudo que fiz.
-Certamente. Mas fico curioso em saber de tudo que você fez nestes três anos...
-Fique tranquilo que irei lhe contar.
Sua fala foi interrompida por uma batida na porta.
-Doutor Watson? – era a voz da criada.
-Sim, Mrs. Smith?
-Miss Evans está aqui.
Notas finais
MEU DEUS!!!! TEREMOS GRANDES REVELAÇÕES AGORA!!!
O que você vai fazer agora, hein? Pular de alguma janela? Creio que não na frente de seu melhor amigo? E qual será a reação de Esther, ao perceber que Sigerson era uma fraude e que, na verdade, ela estava ao lado do famoso Sherlock Holmes o tempo todo? Se eu fosse ela, daria um tapa na cara dele!
Gostaria de agradecer à todos que acompanham a história, desde Ana Holmes até os mais tímidos - não liguem, eu também costumo ler sem deixr review, embora agora eu sinta falta deles, como autora - por sua paciência e retorno. Já estamos em mais da metade da história e em um ponto crucial. Mas sosseguem, ainda há muita coisa para acontecer.
Estou postando rápido assim porque minhas férias estão perto de acabar... AiAi... Logo, estarei ocupada eventualmente, e pode ser que demore mais a postar. Mas o que eu puder fazer para postar, eu posto.
Próximo cap: "A Morte de John Sigerson"...
É, preparem a coroa de flores...
Bjs, e deixem reviews!!!
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