Shalom - As Memórias de John Sigerson

26 Capítulo 26: Conversas em Pall Mall


Notas iniciais
Mais um capítulo saindo!

Claro, Holmes está desnorteado, e com quem ele vai procurar conselho? O mano Mycroft, lógico! Veremos o que o nosso amável Mycroft pensa de toda essa bagunça.

Ah, e preparem-se, ele será brecha para um capítulo importantíssimo! Aguardem!

-Por Júpiter, Sherlock, você não se sente incomodado com esta barba?

Mycroft já estava recuperado do susto de encontrar Sherlock, depois de dois anos sem se ver e com escassas notícias. Ele percebeu que o irmão estava mais magro e mais pálido. Sinal que os tempos saudáveis em Montpellier tinham se dissipado. A única coisa que ele torcia era que o irmão, ao menos, estivesse longe das drogas. Londres era sempre uma tentação para este tipo de coisa, disso ele sabia muito bem. Embora Holmes tenha conhecido a cocaína na Universidade, Mycroft sabia que o vício de seu irmão piorou, graças ao fácil acesso que Londres oferecia para as coisas mais ilícitas e mundanas. Coisas ilícitas que, inclusive, seu irmão combatia com fervor, embora fosse prostrado a um perigoso vício em entorpecentes.

Agora, estava servindo dos copos de xerez, para os dois.

-Coça como um quê.

Mycroft riu.

-Era o que eu imaginava. Você nunca ostentou um pêlo que fosse em seu rosto, nem mesmo uma costeleta.

-Meu caro irmão, você não faz ideia do quanto este sacrifício me ajuda. Dia desses, encontrei Wiggins, um dos Irregulares, você sabe, e ele não me reconheceu. Creio porque realmente acredita que eu estou morto.

Mycroft riu de novo. Ele era muito risonho, depois de umas taças de xerez.

-Pudera. Doutor Watson fez um bom trabalho. Ou você já leu “O Problema Final”? Não tenho o costume de ler o Strand, mas não resisti e li. Deveras muito tocante.

Holmes ficou sério. – Sim, eu li. O que mais dói em mim é causar tanta dor a ele. Você não deve imaginar quantas vezes eu peguei em uma pena para começar uma carta, revelando minha real situação. Só não prossegui porque... — Holmes não continuou.

-Sim Sherlock, eu entendo. Você teve motivos fortes, e eu tenho certeza de que o bom doutor irá entender quando chegar a hora. E ele nem desconfia porquê eu ainda mantenho seus aposentos intactos. – Mycroft riu de novo. – Quando você voltar para Baker Street, irá ver com seus próprios olhos que o seu apartamento está do jeito que você deixou, graças ao árduo trabalho de Mrs. Hudson. Ainda bem que aquele patético incêndio que o professor Moriarty causou em seu apartamento foi rapidamente controlado.

Depois de dar um gole em seu xerez, Holmes riu outra vez. – Você sabia que eu vi Mrs. Hudson perto do Regent’s Park?

-Sherlock... Acho que você está se arriscando demais! O quê você estava fazendo ali, tão perto de sua casa?

-Quis ver Watson. O consultório dele ficava ali perto, na Mortimer Street, mas eu soube que ele se mudou para Kensington. – Holmes suspirou. – Talvez tenha sido melhor assim.

-Tome cuidado, Sherlock. Uma aparição sua, de maneira repentina, pode causar um susto de morte!

Holmes se levantou. – Eu só vou aparecer na hora certa, Mycroft. Pode ficar sossegado. Estou vigiando os passos de Moran, conhecendo sua rotina, seus hábitos... Para na hora certa, pegá-lo.

–Ah... O Sebastian Moran... — disse Mycroft, circunspecto.

–Ele é um criminoso, Mycroft, é de sua estranha natureza o crime, e uma hora, acabará fazendo alguma coisa. Tenho de aproveitar a oportunidade, quando ela aparecer.

Mycroft se levantou de sua poltrona, de maneira lenta.

-Folgo em ver que sua mente está centrada neste objetivo, meu irmão.

Holmes tornou a andar de um lado a outro.

-Devo dizer que até eu estou feliz de ver minha mente ocupada com isso, Mycroft, e não... Com as ocupações da carne.

Ocupações da carne?! Mycroft jamais vira seu irmão falar sob esses termos, ainda mais referindo a si mesmo.

-O-O que você está querendo dizer?

Holmes suspirou, resignado. – Uns problemas que passei esta noite. Você não pode imaginar, meu caro irmão, da natureza dos meus atuais problemas, do quanto minha vida têm se tornado uma bagunça, graças a este distanciamento das minhas ocupações, aquelas ocupações, das quais eu sempre objetivei, me empenhei e que me tornaram o que eu sou. Agora, que não posso exercê-las, sem que acarrete em perigo real a mim ou a qualquer um de meus próximos, eu me sinto perdido, fazendo coisas que nunca fiz antes, dando brechas a sentimentos que jamais senti, ou que sempre desprezei em meus semelhantes...

Diante do desabafo do irmão, Mycroft abandonou o copo de xerez, e tentou confortá-lo. – Fique calmo, Sherlock. O que você está sentindo é natural. Nestes últimos anos, você mudou sua vida radicalmente. Eu compreendo que se sinta confuso... Mas o que aconteceu a ponto de abalá-lo desta maneira?

Holmes corou. – Nada que seja digno de sua preocupação, Mycroft. Mas me diga: tem alguma notícia de Esther?

-Depois de todos esses anos, você ainda pensa nela?

-Não pense que estou apaixonado ou qualquer coisa do tipo, Mycroft, porque essa vocação para o senso romântico não combina com você e nem comigo, e sim com meu amigo Watson. Eu só quero saber como ela está.

-Bem, ela está bem. Arranjamos um bom lugar pra ela aqui, na Inglaterra...

-Na Inglaterra?! Ora, Mycroft, a Inglaterra é muito grande!

Mycroft ficou assustado com a revolta de Holmes, por conta de suas notícias, sempre rasas.

-Você quer que eu descubra pela maneira mais difícil e trabalhosa onde ela está? Ou irá colaborar e me dizer?

-Ora esta, Sherlock, deixe a moça. Eu já arranjei uma identidade para ela. Ela está vivendo uma vida nova e confortável...

-Onde, Mycroft?

-Sherlock...

Ao perceber o irmão irredutível, Mycroft cedeu.

-Está certo, está certo... Ela está vivendo aqui, em Londres! – desabafou Mycroft.

Holmes ficou radiante. – Há! Eu sabia que você iria aloca-la aqui!

-Ela está vivendo, aliás, bem perto de Baker Street, em Shagford Street. Está trabalhando como professora de Francês em uma Escola para Meninas. O novo nome dela é Sophie Evans agora. Ei, nem pense em ir atrás dela, você entendeu?!

-Oh, e por que eu faria isso?

-Quer mesmo que eu diga? Sei como você é ardiloso e não irá sossegar enquanto não ver essa moça, assim como fez com Mrs. Hudson e Dr. Watson. Além do mais, não seria bom sua aparição, nem mesmo como Sigerson, porque ela está... Sendo cortejada por outro homem.

Holmes ficou abalado, mas rapidamente se recompôs como se fosse uma notícia banal. – É mesmo?

-Sim, e eu acho que você não vai gostar de saber quem é.

Notas finais
Iiiiiiiiiihhhh... Quem será, hein? Só o que eu posso dizer é que eu, uma autora muito má, não gostaria de estar na pele da Esther... #Mistério

Façam suas apostas... Eu diria que Esther, sem querer, irá atrapalhar muitos planos de Holmes por causa disso...

Chega de spoiler, rs. Até a próxima, e reviews, como sempre, são bem-vindos!