Shalom - As Memórias de John Sigerson
23 Capítulo 23: East End
Notas iniciais
Pessoal, nosta história está indo para uma nova fase.
Como sabemos, passaram-se dois anos desde que Holmes viu Esther pela última vez.
Esther seguiu para a Inglaterra com Mycroft e Holmes prosseguiu com seu plano de derrubar seus inimigos.
A bola da vez foi Chevalier e, é claro, nosso detetive conseguiu. Falta apenas um agora, que está em Londres...
Hum, Holmes voltando para casa, Esther por ali... Teremos muitas emoções reservadas...
Enjoy!
Londres, Inglaterra. 28 de Fevereiro de 1894.
Era cerca de nove da manhã quando Holmes acordara. Fazia outro dia cinzento em Londres, de modo que a claridade que já invadia seu quarto não era tão forte. Ele levantou-se, ainda sentindo um pouco de dor. Embora tivesse nocauteado Mike, o Grandalhão, ele não escapou da luta completamente ileso. Tinha recebido um soco na altura de seu queixo, e sua barriga tinha alguns hematomas. Mas nada preocupante.
Agora, Holmes morava em East End, um dos bairros mais decadentes de Londres, bem longe de seu antigo lar, mas perto o bastante para correr o risco de ser reconhecido. Ele tomava suas preocupações. Sua barba estava bem espessa, mas ainda longe do tamanho que ela adquiriu quando ele andava pelo Oriente, de modo que a ponta de seu dedo conseguia ficar escondida entre os fios grossos e negros. Seu cabelo, sem um corte definido, pendendo-lhe nas orelhas, com parte rebelde a cair sobre a testa ajudava a dificultar seu reconhecimento. Suas roupas, velhas e bem diferentes das que ele usava quando um próspero detetive, ajudavam a torna-lo mais um errante em East End. Ele mesmo precisava olhar duas vezes no espelho, para ter certeza de que era ele mesmo.
Ele era ali nada mais que um pobre aventureiro que tocava violino como poucos. Claro que seu reconhecimento como químico na Universidade de Paris era neutralizado por aquelas pessoas, que mal sabiam ler. Agora, ele era apenas o John Sigerson, um violinista que lutava boxe nas horas vagas em um pub ali perto.
O boxe dava a Holmes alguns trocados, mas também alguns hematomas, de modo que ele só recorria ao boxe quando o aluguel de seu quarto estava atrasado e a dona passava a azucriná-lo. Ele morava em um edifício velho, onde moravam também outras famílias, de todo o tipo e natureza imaginável. Era um local abafado e barulhento, com crianças correndo pelos corredores e um vai e vem de pessoas de todo tipo de índole. Havia italianos, irlandeses, escoceses e alemães. Alguns sabiam falar o essencial, outros sequer isso.
Sempre que subia ou descia, durante o dia, de seu quarto, Holmes passava por uma moça, que só o que ele sabia era uma prostituta, dessas que trabalhavam em Withechapel. Mesmo com a má aparência de Holmes, ela lançava um sorriso faceiro. Tímido, Holmes se retraía, sem graça.
Por quê as mulheres faziam isso?
Fazia cinco dias que Holmes estava de volta à Londres, e ele já tinha conseguido um emprego tocando (outra vez) em um prostíbulo de Whitechapel. Foi chamado pela cafetina do lugar de Jimmy, por algum motivo que ele não compreendia. Mas estava bom. Quanto mais incógnito ele estivesse, era melhor.
Enquanto tocava mais uma daquelas músicas perfeitas para animar os clientes, Holmes foi notado por uma mulher em especial. Ao olhar de relance pelo recinto, ele percebeu que uma das prostitutas era a mesma que lhe encarava, sempre que ele passava pela escada. Ela tinha o cabelo ruivo, bem vasto, e olhos verdes, que até lhe lembravam o de certa pessoa, que ele não via há algum tempo.
Pare com isso. Esther está feliz, em algum lugar na Inglaterra. Ela não é mais de seu interesse.
Ele lembrava-se de ter pedido por duas vezes notícias sobre Esther em suas cartas codificadas, mas Mycroft era sempre reticente a tudo. Dizia que ela estava feliz, morando na Inglaterra, e só isso. Entretanto, ele andara tão ocupado com Chevalier que tinha cessado a comunicação com o irmão. Até agora, ainda não o tinha visto pessoalmente, e até poderia, mas temia que seu plano viesse por água abaixo. Não. Ele precisava derrubar a última peça primeiro.
Enquanto trocava as partituras, como o restante do quarteto de cordas, entretanto, ele viu a chegada de uma pessoa que ele jamais esperava ver justamente por ali.
Sebastian Moran.
Notas finais
Ele precisa se cuidar para Moran não reconhecê-lo. Se bem que eu acho que vai ser difícil, barbudo e cabeludo.
Rs, se eu pudesse, de alguma maneira, mostrar o Holmes como Sigerson que está na minha mente... Credo, acho que vocês iriam dizer aquela, do tempo da minha avó: "barbeiro tem família, Mr. Holmes!" KKKKKK
Pessoal, deixem seus reviews!
PS: Terei de fazer agora uma leve alteração, por causa do próximo capítulo, nos Avisos da História. Será quase um spoiler.
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