Shalom - As Memórias de John Sigerson
16 Capítulo 16: Le Misérable
Notas iniciais
Enjoy!
Holmes já estava na estalagem, que ficava em um bairro suburbano de Paris. Havia naquele bairro toda a sorte de gente: desde marginais batedores de carteira a damas meretrizes, ainda a luz do dia. Seu estômago ainda estava revirado, de modo que ele iria dispensar uma refeição, indo direto para o seu quarto.
Ele tirou seu terno, ficando em camisas de mangas e colete. Deitado na cama, começou a refletir no que poderia ter causado seu súbito mau estar na presença de seu irmão. Ele não tinha se alimentado de nada diferente. Comia sempre na estalagem, que tinha refeições modestas, perto do que ele andava consumindo em suas andanças nos últimos tempos.
De olhos fechados, ele tentava se lembrar do que tinha comido de diferente.
Nada.
-Eu só posso ter sido dopado... – ele balbuciava. – Por que e por quem?
Foi então que ele se lembrou de um detalhe aparentemente insignificante.
Holmes e Esther tinham o costume de almoçar juntos. Mas neste dia, tudo tinha sido diferente. Ela ficou fora o dia inteiro, e como ele estava apressado, acabou indo almoçar sozinho. Ora, se ela agora estava trabalhando em um Hotel, certamente teria preferido almoçar lá, que tinha comida melhor. Ou seja, apenas ele tinha almoçado.
Com outra indisposição no estômago, Holmes levantou-se da cama e foi até o banheiro. Mal abriu a porta, foi surpreendido por um homem estranho, que tentou segurá-lo. Holmes viu claramente uma faca em sua mão. O cômodo era apertado, de modo que o combate corporal seria difícil. Holmes o empurrou, então, para fora do banheiro. Com técnica, Holmes tentou imobilizá-lo, mas ele parecia um touro bravo. Derrubou algumas coisas pelo chão, e apenas cedeu quando recebeu alguns socos no rosto e no estômago.
-Qu'est-ce que vous voulez, vous misérable?
Ele balbuciou algumas palavras em uma língua que Holmes não compreendia. Pela entoação das palavras, lembrava russo.
Claro, agora tudo fazia sentido. Estavam atrás de Esther. Na verdade, muita coisa faz sentido ali. Estavam atrás de Esther desde Montpellier. Os homens estrangeiros e mal-encarados que passavam as noites jantando na estalagem, o falso assalto que os dois passaram naquela noite que voltavam do restaurante... O bandido viu que Holmes tinha um relógio de ouro e não o levou, apenas como um pretexto de levar Esther... Ele tinha achado aquele assalto estranhíssimo, mas não quis comentar com ela, para não assustá-la... Mas agora, suas suspeitas se confirmaram. Querem leva-la.
Era uma pena que Holmes não soubesse uma palavra de russo, que não fosse “assassinato”, “vingança”, “morte”, “arma”... Seu escasso repertório de palavras russas era completamente inútil para aquela ocasião. O sujeito, que tinha o cabelo sujo e o bigode ralo, começou a rir, mesmo com sangue na boca.
-O que você quer? Não é possível que você não saiba uma palavra de Inglês, seu verme!
Mais uma sequência de palavras estranhas, dos quais apenas uma se destacou: Katz. Era a confirmação de que ele estava ali por causa dela.
-Eu sei que você está me entendendo! Fale ou eu...
Holmes mal tivera tempo de completar a frase. Sentiu um golpe por trás de sua cabeça, e tudo, então tornou-se obscuro.
Notas finais
Mais no próximo cap, que vai vir rapidinho.
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BadWolf
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