Shall Never Surrender

24 Chapter XXIII - United


Notas iniciais
Heeeeeeeeeey demons! Aqui estou eu de novo, com mais um cap da série! Então, este é o último cap de hoje. Por isso, aproveitem bem! É neste cap que as coisas começam a ficar mais tensas e decisivas! Mas espero que vocês gostem. Sem mais delongas, boa leitura a todos :)

Eu estava sem movimentos. Encarava o chão com tamanha força que eu poderia ter aberto uma cratera ali.

Fiquei um tempo sem falar nada, aparentemente absorvendo tudo.

Vergil me deixou em silêncio por um momento. Estávamos bem escondidos, mas não totalmente longe do castelo. Logo, as tropas chegariam a nosso alcance.

- Kyrie...?

- Está tudo bem, Vergil.

- Mesmo? Você parece que vai desmaiar. Quer vomitar de novo?

Fiz uma careta.

- Não, estou bem. É que... É muita coisa para absorver.

- Eu sei. Qualquer um se sentiria assim. Seu irmão... Bem, ele também sabia. Por isso, achei que você tinha o direito de saber.

Fechei meus olhos. A dor da perda de Credo ainda era recente, como uma faca rasgando uma ferida em meu coração.

- Quem mais sabe...?

- Apenas eu, Dante, Credo, Sanctus e agora você.

De repente, a áurea do castelo ficou mais intensiva. De vermelho-sangue foi para o bordô. Sanctus estava realmente muito furioso. Ele deve ter descoberto que Vergil havia me ajudado... Sem eu lá, Nero não poderia mais sucumbir a ele.

Mas ainda assim, precisávamos tirar Nero de lá...

- Vergil... Acho que não temos mais tempo.

Ele suspirou.

- Eu sei. É por isso que eu trouxe você aqui. Precisamos descobrir onde Nero está antes da meia noite de amanhã.

Eu o encarei.

- E por acaso você pensa que sei sobre onde Nero está?

- Eu pressuponho que você tenha uma ideia, sim?

- Bem... Na verdade, eu o vi. Uma vez. Mas foi no Salão do Submundo, onde Sanctus fica. Ele surgiu do subterrâneo. Mas pode estar em qualquer lugar.

Ele suspirou cansado. Aparentemente, as coisas estavam mais difíceis do que imaginávamos.

- Bem, já é um começo. Mas se voltarmos ao castelo, estaremos aniquilados.

- É o único jeito, Vergil! – Exclamei. – Você pode até estar certo, mas ainda assim, não temos outra escolha. E não podemos ficar aqui para sempre. A hora está passando. Tenho certeza de que Nero não sabe que escapei. E Sanctus, se tiver amor a vida, com certeza não vai deixar que ele saiba.

- Então, como pretende voltar, Kyrie?

- Deixe-me pensar.

- Tudo bem. Mas não temos muito tempo. Os demônios já saíram em nossa busca.

Fechei meus olhos e me concentrei. Como faríamos para voltar? Se voltássemos... Teríamos que enfrentar Sanctus e sua tremenda horda de demônios. Estaríamos encrencados, pois seríamos só dois contra um milhão. Nem mesmo Vergil poderia passar por eles.

Foi aí que aconteceu.

O chip em minha cabeça novamente deu um solavanco e eu senti que meus olhos começaram a turvar. Um zumbido alto surgiu em meus ouvidos e eu percebi que eles estavam perto. Talvez... Perto até demais.

A solução perfeita. Não seria somente Vergil e eu. Seria eu, Vergil, Dante, Lady, Trish e talvez até alguns reforços.

- Vergil, vamos! – Exclamei. – Precisamos achar um lugar seguro.

- Alguma ideia?

Eu ri triunfante.

- Mais do que isso. Na verdade... Eu tenho a solução perfeita!

E contei-lhe a verdade sobre tudo. Sobre como eu localizara Dante e as meninas, como lutamos para podermos chegar até aqui e sobre o chip rastreador.

- Por Sparda! – Ele exclamou. – Isso é perfeito. Tudo bem, sei que ver meu irmão não vai ser tão perfeito assim, mas... Ainda assim, é melhor do que nada.

Assenti em resposta e me coloquei em pé. Com certa dificuldade, já que eu estava completamente exausta e machucada. Mas isso poderia esperar. Precisávamos ir até um local onde Sanctus não imaginaria que fossemos.

- Precisamos atrai-los. Eles estão quase aqui. Se conseguirem entrar, virão atrás de mim.

Vergil assentiu com um aceno rápido.

- Sei de um lugar perfeito. Vamos.

Vergil segurou a minha mão e correu na velocidade da luz. Fechei meus olhos para não ter náuseas novamente, respirando sempre pela boca.

Quando abri os olhos, não vi mais o Castelo. Na verdade, não vi mais nada. Tudo era negro ali. As estradas, as árvores e... Uma mansão.

Uma mansão totalmente negra, do chão até o telhado. A sua volta era totalmente envolta em sombras, distinguindo-se com a paisagem.

- A mansão de Sparda. – Vergil anunciou. – Quando eu não estava preso, visitei este lugar algumas vezes. Eu e meu irmão nascemos aqui. Eu a mantive longe do conhecimento de Sanctus, pois ele pensou que Mundus a destruiu.

- Mas Dante o destruiu primeiro.

- Parece que sim. – Ele franziu as sobrancelhas. – Tem certeza de que eles virão até você?

- Eu pressuponho que sim, Vergil. O zumbido do chip está mais alto, o que significa que eles estão me rastreando avidamente. A menos que algo aconteça, eles virão. Mas...

- Mas...?

- Se eles não chegarem a tempo, vamos ter que improvisar.

Ele riu. A mesma risada sarcástica de sempre.

- A vida é cheia de improvisos, certo?

***

Vergil chegara à frente da mansão, aparentemente tenso. Não estávamos certos de que eles poderiam chegar a tempo, por isso, estávamos tramando um Plano B.

Não era concreto e nem complicado. Mas eu tentaria invadir, enquanto Nero distrairia os demônios. Se conseguíssemos, passaríamos por Sanctus. Aí era questão de sorte.

As grandes portas duplas da mansão se abriram.

Elas nos revelaram um salão quase escuro, com uma tapeçaria divina.

A Mansão de Sparda era totalmente em linóleo preto, mas era com uma decoração de um gosto atraente. Os tapetes eram revestidos com as cores vermelho e dourado, e os móveis eram de couro puro.

Havia lustres com braseiros, a escadaria de linóleo puro e a expansão do Salão Principal eram quase do mesmo tamanho que o de Fortuna.

Impressionada com o gosto de Sparda, entrei timidamente, apreciando cada objeto ou decoração.

Vergil olhou sem muito interesse, entrando e se acomodando rapidamente.

- Faz muito tempo que não volto a este lugar – Ele comenta. – Bom, não nos resta nada a não ser esperar, certo?

Assenti, ainda distraída com a decoração. Eu era meio fútil às vezes.

Quando voltei a mim, e parei de observar, a impaciência me tomou conta. Não nos restava nada esperar até o dia seguinte. Se eles não aparecessem, bem... Teríamos que nos virar como podíamos.

- Kyrie... – Vergil murmurou. – Acho melhor você cuidar desses ferimentos. Eles parecem um pouco sérios.

Envergonhada, esfreguei os braços. Ele tinha razão. Eu precisava me cuidar. Afinal, fora um milagre eu sobreviver até ali. Se eu não estivesse melhor... Bom, acho que Nero não conseguiria contar com a minha ajuda.

E isso não poderia acontecer.

- Eu... Eu posso me limpar, também?

Ele sorriu.

- Claro que sim, Kyrie. É essencial para curar. Agora, vejamos... Sente-se aqui.

Obediente, fiz o que pediu. Vergil veio e me olhou. Com as sobrancelhas franzidas, ele se ajoelhou ao meu lado.

- Com licença, posso?

Assenti, timidamente. Eu confiava em Vergil, por isso, deixei que ele cuidasse de meus ferimentos.

- Bem... Primeiro, precisamos limpar tudo isso. Desculpe-me, mas você está um poço de sujeira.

Revirei os olhos.

- Andei tendo muito tempo, ultimamente.

Ele riu.

- Seu senso de humor está bom, pelo visto. Agora, vamos. Não temos muito tempo. Vá se lavar.

Vergil me indicou uma suíte sutil e decorada em vermelho, dourado e preto, onde eu poderia tomar um banho e descansar um pouco. Logo, ele estaria ali, para tratar de meus ferimentos.

Ele saiu do quarto e eu entrei no banheiro. Havia uma grande banheira depositada no centro, com sais de banho e essências de todas as espécies.

Cheguei timidamente perto da banheira e liguei a água. Por um momento retardado, eu tive medo de que a água saísse negra. Depois, eu castiguei a mim mesma.

A água saiu quente (e transparente, lógico) e confortável. Logo, me despi e entrei na banheira, dando um grande suspiro de alívio.

Os cortes ardiam um pouco, mas eu não liguei. Fazia dias que eu não tomava um bom banho. Em alguns minutos, eu estaria completamente revigorada.

Depois de um bom tempo relaxando, eu comecei a me limpar com os sais de banho. Aparentemente, uma hora depois, eu estava limpa e revigorada. Penteei meus cabelos molhados e vesti a mesma roupa, mas ainda assim, eu estava mais limpa.

Olhei meu reflexo no espelho e definitivamente ele estava bem melhor. Meus cabelos emolduravam meu rosto e meu corpo parecia mais saudável.

Estava certo que eu estava mais magra, mas ainda assim, estava bem.

Coloquei meus tênis e entrei no quarto. Imediatamente, uma batida soou na porta.

- Kyrie? Posso entrar?

- Claro. Entre.

Vergil entrou com uma maleta de primeiros socorros. Aparentemente, até isso Sparda tinha.

- Nunca se sabe – Ele riu. – Afinal, minha mãe era humana.

E foi aí que eu percebi. A casa era decorada daquela forma por causa de Eva. Sparda queria que tudo fosse mais confortável para ela, para sua esposa não sofrer tanto.

Por isso, o ambiente era tão agradável.

- Kyrie, deite-se, por favor.

Obedeci ao que ele me disse, deitando-me na vertical.

- Tudo bem. Agora, eu quero que levante sua blusa até a base de seu tórax, por favor. Isso. Perfeito.

Ele colocou a mão delicadamente na minha barriga e percorreu até as costelas. Eu mal sentia seu toque, mas estava tremendo.

- Tudo bem, mocinha. – Ele riu. – Vou precisar que faça uma coisa para mim. Olhe, sei que vai doer, mas é preciso. Como não temos como tirar uma radiografia, vou ter que observar normalmente. Apesar de isso ser mais fácil para mim, lógico.

Assenti, apertando minhas mãos nos lençóis. Ele iria cuidar de minhas costelas primeiro.

- Preste atenção, Kyrie. Vai precisar inspirar fundo até que eu mande você soltar. Preciso ver qual costela está fora do lugar.

Assenti. Quando ele deu o sinal, eu contei até três e inspirei, abafando um grito. Um fogo ardente passou por minhas costelas e estava doendo muito. A pressão que eu estava fazendo nelas era tamanha que eu não estava suportando.

Quando ele localizou as costelas quebradas, que eram duas, ele me mandou soltar o ar.

- Olhe... Para colocarmos elas novamente no lugar, é preciso um processo cirúrgico. Posso até tentar fazer isso aqui, mas...

- Mas...?

- Mas eu terei que lhe dar anestesia. Isso não seria problema quanto o remédio, só que... Não temos tempo. Levaria pelo menos algumas horas até eu recolocar a costela e mais ainda até você acordar. E não temos mais tempo. Sinto muito. A menos...

- A menos...?

- A menos que fique aqui se recuperando, enquanto eu vou resgatar Nero.

- De jeito nenhum!

- Sabia que você diria isso. Mas sabe que você está machucada, Kyrie.

Tremi de frustração.

- Vergil, acha que eu ficaria bem, sabendo que você está lá e talvez Dante, Lady e Trish? E se não der certo? E se algo acontecer? Eu não posso ficar aqui. Danem-se as minhas costelas e minha clavícula. Eu posso cuidar delas depois.

Ele sacudiu a cabeça em desânimo. Pelo visto, ele viu que seria inútil tentar discutir.

- Tudo bem, então. Mas eu não vou poder te ajudar na luta, Kyrie. São muitos.

- Eu sei! – Levantei os braços em frustração e me arrependi no mesmo momento. Minha clavícula e minhas costelas protestaram. – Eu posso tentar lutar.

- Eu sei. É que...

Nesse momento, paramos por completo. Um barulho percorreu o andar de baixo. Ele ficou em pé instantaneamente e eu me coloquei junto, mordendo o lábio para não gritar.

Descemos as escadas com cautela, ele armado com a sua pistola e uma espada gigantesca e eu com a minha Glock.

O que quer que fosse, estava próximo. As portas abriram e eu ouvi um reclamar familiar.

- Como ela descobriu isso aqui? A mansão do meu pai...?

Sorri em triunfo. Eles haviam conseguido!

Vergil ficou apreensivo e eu tomei a sua frente.

- Vocês conseguiram! – Exclamei.

Dante, Lady e Trish estavam lá embaixo, com pelo menos uns duzentos membros recrutados. Parei abruptamente na escada, surpresa com todas aquelas pessoas. Muitas delas eram da Ordem, guardas e serviçais. Os que ficaram do nosso lado estavam ali. Alguns eram amigos de Dante e das meninas e outros eu supunha que deviam favores a Dante.

Quando eles olharam em minha direção, o sorriso deles cresceu. Lady e Trish me abraçaram fortemente, e Trish sussurrou em meu ouvido:

- Eu sabia que você iria conseguir.

Mas o olhar de Dante congelou quando avistou Vergil. Aparentemente, o último encontro dos dois não foi lá dos melhores.

- O que ele está fazendo aqui? – Ele sussurrou furioso.

- Bom te ver também, irmão. – Vergil sorriu sarcasticamente.

Eu encarei Dante, ansiosa. Precisava atrair a atenção deles para outra coisa.

- Ele está aqui, Dante, porque ele está me ajudando. Ele me salvou. E estava cuidando de mim até pouco tempo atrás, quando vocês chegaram.

Dante bufou contrariado. Ele, aparentemente, não estava muito feliz com a presença de Vergil.

- Então vejo que não precisa mais de mim, certo?

Revirei os olhos e Lady exclamou:

- Pare de agir como uma menininha mimada, Dante. Seu irmão está vivo! Não pode ver isso?

- Posso. Ele está bem aqui, não está?

Vergil suspirou. Claramente era menos explosivo do que o irmão, mas isso não significava que estava confortável com a presença dele.

- Dante... Eu sei que você me odeia. Mas, estamos aqui por uma causa em comum. Nero. Consegue ao menos pensar nele? Ele é tudo o que me restou, Dante. Não quero perder meu filho de novo.

Ele suspirou, claramente convencido. Eles estavam ali por Nero. Assim como eu e todas aquelas pessoas. Nero era importante na vida delas, já que era sempre ele que mantinha a cidade segura. Agora, era a vez de todos retribuírem.

- Muito bem, Vergil. Mas ainda não vou com a sua cara.

- E muito menos eu com a sua.

- Certo. Agora, Kyrie...?

Assenti. Eles estavam esperando minha versão e o porque daquilo tudo, e eu expliquei. Desde que fora capturada, até os meus momentos com Nero. Contei-lhes os verdadeiros planos de Sanctus e o porque realmente de Nero estar ali. Contei como fui presa e como escapei.

Deixei de fora a conversa com Vergil. Aquilo ainda era muito pessoal. Dante com certeza sabia disso tudo, mas isso não era para ser espalhado para todos.

- Espere. –Dante se dirigiu a Vergil. – Você deu uma Glock nas mãos dela?

- Sim. – Ele sorriu.

- E ela não se matou?

- Ei! – Protestei.

Todos riram, e o clima ficou mais ameno. Depois disso, o que foi discutido era praxe.

Não havia outra forma de invadir a não ser por invasão. Mas como tínhamos um exército (não muito grande), poderíamos ter alguma chance.

Antes que todos saíssem, eu gritei:

- Muito bem! Todos aqui estão de acordo com os riscos que correrão com esta batalha, certo?

Todos assentiram e Dante fez uma cara de “Não me diga”. Ignorei isso.

- Todos sabem que vocês não são obrigados a ir...

- Exceto aqueles que me devem! – Dante ergueu a mão.

- Cale a boca! Bem, o que vocês estão fazendo é histórico. Pela primeira vez na vida, iremos destronar a força que nos controlou por anos e finalmente... Finalmente... Vamos ter paz.

Todos gritaram em uníssono, batendo suas armas.

- Vamos ter de volta nossas vidas! – Exclamou um.

- Chega de demônios nos aterrorizando!

- Vamos resgatar o nosso verdadeiro líder!

- Caralho, por que eu tive que conhecer o Dante?

Sorri diante daquela cena. Finalmente eu podia ver aquela pequena luz de esperança, que agora se tornava cada vez maior.

Eu finalmente poderia revê-lo. E finalmente... Nós poderíamos ser livres.

- Por Nero! – Gritei, como um grito de guerra!

Todos bateram suas armas e gritaram em uníssono.

- Por Nero... E que ele nos traga a liberdade!

Notas finais
Heeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeey! E então? Gostaram do novo cap? Pois é, estamos entrando na guerra final da história, aonde vocês só irão saber amanhã. Vou tentar postar a tarde, mas eu acho que posso colocar de manhã também, dependendo de meus compromissos. Mas o que é oficial é que amanhã tem caps! Mais três, aonde tudo será revalado... E... Bem, vocês vão ter que ler! Hahahahahhaha por isso, até amanhã! Se cuuuidem, pessoal! See ya tomorrow ♥