Shake The Pompoms
12 11. Chegando ao fim
Notas iniciais
POV Edward
Dedilhei mais uma vez as notas no violão, e sem prestar atenção no que fazia, saiu um som meio estridente. Rangi os dentes e joguei o violão ao meu lado na cama, passando as mãos no rosto em seguida. Suspirei.
Eu sentia falta daquela garota. E mais do que gostaria.
Lembrei das palavras duras que Tanya me disse, e realmente, eu mereci aquilo. Fui um idiota. Como sempre.
Eu tinha que pedir desculpas para Bella, o mais rápido possível. E descobrir porque tudo isso.
Porque parece que a vontade de ter Bella perto de mim é mais forte do que a vontade que eu tinha de ter Tanya... E isso não é um bom sinal. Não mesmo.
POV Bella
Nessie tocou a campainha e eu mal abri a porta e ela saiu entrando. Suspirei, tentando me equilibrar naquelas muletas do demo. Está para ser inventado algo pior do que muletas.
Fui para a sala e lá estava ela sentada, com as pernas cruzadas e me olhando seriamente.
– Sente-se, Swan. — ela ordenou.
Suspirei novamente e me sentei no sofá.
– Você. Edward. Nathan. Diga tudo o que se passa na sua cabeça em relação a isso.
Olhei para Nessie e suspirei, me encostando melhor no sofá.
– Eu não sei, Nessie. Eu estou confusa com tudo isso. — admiti. — Quero dizer... O Nathan é incrível e tudo mais. E lindo. Mas tem algo na idiotice do Edward que me atrai, e isso me deixa com raiva.
Nessie crispou os olhos para mim.
– Pelo o menos você admite que o Edward é um idiota. — ela suspirou. — Mas pensa direito. Pergunte para si mesma se o Edward merece uma segunda chance, principalmente como amigo. E quanto ao Nathan... Pense melhor, também. Não fique com ele apenas por ficar, ou só porque ele gosta de você.
Pensei em suas palavras e assenti, sorrindo levemente em agradecimento. Nessie sorriu e pegou minha mão, e iria falar mais alguma coisa até que a campainha tocou. Ela ficou de pé rapidamente para atender, enquanto eu pegava minhas muletas. Quando fiquei de pé utilizando o apoio, Nessie apareceu com uma expressão séria na sala. E, atrás dela, estava Edward Cullen.
– Já estou indo. — Nessie falou, dando uma corridinha até o sofá e pegando sua bolsa. — Me liga depois!
Ouvimos a porta da frente logo ser fechada, e o silêncio constrangedor continuou predominando entre eu e Edward.
– Oi. — ele disse, estalando os dedos da mão.
– Oi. — desviei o olhar do dele e voltei a me sentar no sofá. — Pode sentar.
Ele puxou a poltrona até mais próxima de onde eu estava e sentou na minha frente. Ficamos nos olhando até que ele suspirou.
– Me desculpe, Bella. — ele disse, com a expressão triste e cansada ao mesmo tempo. — Não só pela a minha atitude ridícula no dia do jogo, mas também por aquele trato imbecil. Eu usei você, admito, e não me orgulho disso. Durante esses meses eu pensei apenas em mim e não pensei no estrago que poderia trazer à sua vida.
Edward desviou o olhar do meu e olhou para baixo, voltando a estalar os dedos.
Suspirou.
– E também... — ele voltou a me olhar, e sua voz fraquejou. — Eu sinto a sua falta. Muito.
Senti meu coração perder uma batida e engoli em seco. Dessa vez, eu que desviei o olhar do dele, e Edward pegou em minhas mãos. Nossos olhos se encontraram novamente, e ele apertou minhas mãos levemente entre as suas.
– Me perdoe, Bella. Por favor.
(...)
– E você perdoou? Fácil assim? — Rose perguntou, parando de escovar seus cabelos e me olhando atônita.
– Eu não queria prolongar essa novelinha ainda mais, Rose. — suspirei. — Fora que eu também sinto a falta dele, ele é meu amigo. E ele me prometeu que nunca mais iria me usar.
– Eu queria ver você reclamar de ser usada caso ele te pegasse, te jogasse na parede, te beijasse loucamente e... — Alice começou a tagarelar, e eu joguei uma almofada na cara dela. — Não precisa partir para a agressão...
– Eu concordo com a Alice. — Nessie falou, com a boca cheia de sorvete. — E o Nathan? Falta resolver essa parte da novelinha.
Respirei fundo e encarei o teto acima de mim.
Estávamos na casa da — não acredito que direi isso — Tanya. As meninas resolveram fazer uma noite das garotas e me arrastaram, literalmente, para cá. E ainda me chamaram de aleijada. Belas amigas.
Nessa hora, Tanya apareceu com dois potes de pipoca. Sua mãe veio logo atrás, carregando os refrigerantes, logo em seguida saindo.
Rose e Alice resumiram tudo o que eu tinha contado para ela, e Tanya deu de ombros.
– Você fez bem perdoando o Edward, mas... Não dê liberdade para que ele cometa outro erro assim novamente, ok? — ela perguntou.
Eu assenti, e Tanya sorriu.
Logo elas escolheram um filme de romance meloso para assistirmos, e antes da metade, eu dormi.
Estava frio. O local em que eu estava era cinzento. Olhei ao redor, com os olhos meio fora de foco, e tudo o que eu via era neblina. Passei as mãos pelos olhos e, quando olhei para frente, vi apenas a sombra de duas pessoas. Crispei os olhos, tentando ver melhor, e logo a névoa se dissipou um pouco, revelando... Edward e Nathan.
Arqueei as sobrancelhas. Ambos de observavam com a expressão séria. Cada um tinha uma faca em uma mão, e a apontavam uma para o outro.
– O que vocês... — murmurei.
– Escolha, Bella. — Nathan disse.
– Escolher? Como assim? — perguntei confusa.
Edward sorriu tristemente.
– Ou ele, ou eu. — ele disse.
Os observei completamente confusa e senti o ar faltar. Dei um passo vacilante para trás e logo eu estava caindo.
Acordei num pulo, arfando, e me deparei com quatro pares de olhos assustados me olhando.
– Calma! — Tanya falou, passando uma mão na minha cabeça. — Respira!
Tentei respirar fundo, mas meu coralão batia descompassadamente. Minutos depois eu estava mais calma, e Rose buscou um copo de água para mim. Assim que terminei de bebê-la, suspirei mais calma.
– Você teve um sonho ruim? — Alice perguntou.
Apenas assenti, e um tempo depois contei o pesadelo. Elas apenas me ouviam em silêncio, e no fim, o suspiro foi coletivo.
– Você só sonha coisa boa, hein. — Nessie fez careta. — Que coisa mais...
– Assustadora. — Rose falou, pensativa.
– E por que as facas? — Alice crispou os olhos.
– Deve ser porque eles se odeiam. — Tanya deu de ombros.
Elas ficaram pensativas por alguns segundos, e logo em seguida as quatro me olharam ao mesmo tempo.
– Quem você vai escolher? — Nessie perguntou, sorridente.
Gemi e me joguei para trás, caindo com a cabeça no travesseiro da cama. Passei as mãos pelo rosto e elas apenas ficaram me observando em silêncio.
– Vocês falam como se o Edward tivesse se declarado para mim ou algo assim. — reclamei. — Isso não aconteceu, e nunca irá acontecer.
– Mas você o ama. Isso é o suficiente. — Tanya falou.
– Não estou a fim de amar sozinha, Tanya.
Ela suspirou.
– Bella, por que não conversa com ele? Tenta dizer o que sente... — Rose sugeriu.
Assenti, mas só para cortar o assunto. Eu não me declararia para Edward. Ele ainda era apaixonado por Tanya, e eu duvidava que isso fosse mudar, ainda mais por mim.
E quanto a Nathan...
Céus, eu não tenho ideia do que faço. Eu gosto dele. Muito. Mas não passa de amizade. E eu sinto que se eu disser que não quero nada com ele, ele vai ficar chateado e nossa relação pode esfriar. Mas se eu der uma chance à ele sem corresponder aos sentimentos dele, no fim, não vai dar certo e as chances de nunca mais nos falarmos é enorme.
Que bela vida, Isabella Swan. E tudo isso por culpa de quem?
Edward Cullen. Como sempre.
(...)
No dia seguinte teve escola. Eu não via a hora de acabar logo tudo isso. Saí do carro de Tanya com as muletas me suportando.
Tanya havia me dito na noite anterior que me levaria para o colégio, e eu não tive escolha. Ela quer mesmo que voltemos a ser amigas. Suspirei, enquanto ela enlaçava seu braço no meu e me acompanhava até os armários.
Um pessoal virou o pescoço para nos olhar, provavelmente estranhando tanta intimidade, mesmo que agora eu fizesse parte das líderes.
Aliás, eu tenho que conversar sobre isso com Tanya...
– Tanya, precisamos conversar. — falei séria, assim que chegamos ao meu armário.
Ela riu.
– DR? — ela brincou. — Devo ter medo?
– Não.
– Então conversamos depois. Nathan vem aí... — ela disse, olhando disfarçadamente para trás de mim enquanto arrumava meus cabelos sobre os meus ombros. — Abra um sorriso e trate de se resolver, mocinha. Nos vemos após as aulas.
E se foi. Menos de 5 segundos depois, sinto um par de mãos em minha cintura. Olhei para trás e Nathan me envolveu em seus braços. Ele já aproximava seu rosto do meu e no último segundo eu consegui virar meu rosto e seus lábios atingiram minha bochecha delicadamente. Ele não pareceu perceber minha rejeição, e sorriu abertamente.
– Como vai o pé? — perguntou.
O analisei. Alto, porte atlético, olhos claros e aquele sorriso radiante de tão branco e tão bonito... Qualquer garota imploraria pra ser jogada na parede por Nathan. E eu aqui, o rejeitando por causa de um Edward Cullen do jornal da escola, que não sabe nem como chegar em uma garota.
Eu não sei quem é mais patético nessa história: eu ou Edward.
Casal perfeito, não?
– Melhor. — forcei um sorriso. — Mas ainda tenho mais de dois meses com essas belezinhas aqui. — falei, mostrando as muletas.
Nathan riu e me ajudou a pegar meus livros no armário. Teríamos o primeiro tempo juntos, então ele me acompanhou cm meus livros nas mãos.
Mais duas qualidades: companheiro e cavalheiro.
As aulas passaram feito lesmas, e logo o sinal indicando o fim daquele tormento soou. Nathan queria me deixar em casa, mas avisei que teria que ter uma conversa com Tanya e ele me deu um selinho sem eu perceber, indo embora em seguida.
Suspirei, me sentindo uma cobra. Balancei a cabeça para espantar os pensamentos e ao me virei com o apoio das muletas para ir até a quadra à procura de Tanya, me deparo com o Edward praticamente ao meu lado, e encarando.
Pisei em falso devido ao susto e quase caí para trás, mas consegui me segurar nas muletas rapidamente. Ele me ajudou a me firmar de pé, pedindo desculpas pelo susto.
Bufei e revirei os olhos, e ele sorriu fracamente.
– Sua coordenação está ainda pior agora, não é? — ele perguntou.
– Você não tem ideia do quanto. — resmunguei.
Me coloquei a andar para a quadra, e Edward foi me acompanhando.
– Vai ao treino das cheerleaders?
– Não. Eu vou conversar com a Tanya. — suspirei. — Sou sair do grupo.
Ele assentiu.
– Não há mais motivos para você continuar. — ele disse baixo, mais para si mesmo.
– Eu até continuria. — falei, e ele me olhou surpreso. — É divertido, até. Elas são legais. Mas definitivamente não faz meu tipo, sabe? Não é algo a qual eu realmente me dedicaria, e quando vejo o amor que Tanya, Nessie, Alice e Rose nutrem por isso, sei que não é meu lugar.
– Qualquer lugar poderia ser o seu lugar, Bella. — Edward disse.
Parei de andar, olhando para o chão, e ele parou também me olhando. O olhei profundamente nos olhos, e ele me olhou da mesma forma. Parecia querer me dizer algo, e lentamente deu um passo a frente.
Tive vontade de transformar aquela situação em uma cena de algum filme de romance, em que a mocinha pergunta: "Inclusive no seu coração?".
Mas isso não se encaixa aqui. Então apenas ignorei, e desviei o olhar do de Edward, voltando a andar à sua frente. A entrada da quadra já estava a menos de dois metros de distância.
– Nos falamos depois, Edward. — falei por sobre o ombro.
Não tive resposta, e não olhei para trás.
As meninas estavam treinando alguns saltos, enquanto Tanya estava sentada na arquibancada com uma garrafa de água aberta em uma mão, e segurando o celular na orelha com a outra mão. Quando me viu, sorriu e se despediu de quem quer que fosse, logo encerrando a ligação.
– Queria conversar comigo, Bee? — perguntou.
Assenti e manquei até chegar ao banco e me sentar ao seu lado.
– Ainda acho que você devia ter continuado em casa. — ela disse, olhando preocupadamente para o meu pé danificado.
– Já está chegando o período de provas finais, quero me ver livre logo. — suspirei, e ela sorriu.
– E então, o que quer conversar?
Mordi o lábio inferior, observando rapidamente as meninas rindo enquanto rolavam pelo chão, e voltei a olhar para Tanya.
– Vou sair das cheerleaders. — falei.
O sorrisinho de Tanya desmanchou aos poucos, e ela assentiu.
– Eu imaginei que isso fosse acontecer. — ela disse, ficando de pé.
Fiquei de pé também, e fomos até o vestiário em silêncio. Fui até o armário que continha uma plaquinha branca com o meu nome, e o abri. Peguei o uniforme vermelho dobrado dentro da minha mochila e o coloquei dentro do armário, juntamente com o par de tênis brancos.
Os observei por alguns segundos, sentindo um desconforto, e logo tratei de fechar o armário. Virei-me para a saída e Tanya estava encostada na porta me observando. Suspirei e fui até ela.
Tanya sorriu tristemente, e me abraçou apertado. O vídeo caseiro, nós duas vestidas de princesas... Tudo me veio à mente, e eu me senti bem.
Talvez pela primeira vez em muito tempo. E com Tanya.
O mundo dá voltas.
Correspondi ao abraço com dificuldade devido às muletas, mas quando nos separamos, Tanya sorriu abertamente para mim e limpou as lágrimas que ameaçavam cair.
– Sempre estaremos aqui, ok? — ela disse. — Você é ótima, Bella. À sua maneira.
Sorri, e assenti. Alguma das meninas gritou por Tanya e o grito fez eco por todo o local. Nos olhamos, Tanya deu um último sorriso e voltou para a quadra. Dei uma última olhada no vestiário, e logo saí do local.
A história estava chegando ao fim.
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