CAPITULO 04

Meu corpo tremia por todo caminho ao lado de Kate, o silencio era bom e ruim ao mesmo tempo, eu não entendia o que havia dado em mim ao aceitar o pedido de Kate assim logo de cara, será que eu estava realmente preparada? Esta pergunta não parava de rodar em minha cabeça, o que já estava me deixando enjoada, respirei fundo algumas vezes e olhei de soslaio para Kate no volante, ela por sua vez se mantinha concentrada na estrada a sua frente.

Apesar de não passar das 10 da manhã o caminho se encontrava escuro e até um pouco assustador, isso porque haviam arvores gigantes dos dois lados que se uniam em cima impedindo qualquer penetração de luz.

Eu já não fazia ideia de onde estava sendo levada, havíamos passado reto pela entrada que levava a mansão e aos prédios abandonados.

De repente Kate rompeu o sagrado silencio, o que me fez pular no banco ao seu lado.

–Não precisa ficar tão nervosa. Vocês dois precisam muito disso.

–An.... é só que... que... eu...

–Eu entendo que faz muito tempo, mas mesmo assim, relaxa, tudo vai se acertar, eu sempre sei!

Revirei os olhos involuntariamente, o que a fez soltar um leve riso, Katherine era a mulher mais altruísta, verdadeira, sincera e bonita que eu havia conhecido, por isso me encantei por ela desde o primeiro instante, ela conseguia fazer todos a seguirem sem esforço algum, ela sem dúvidas era única.

Antes que eu pudesse responder algo Kate finalmente parou, encarei um a cabana a alguns metros do carro, tão escura quanto a estrada. Me senti sufocar, medo e euforia travavam uma batalha em meu interior, eu não podia me mexer, não conseguia falar, o tempo parou, nem mesmo os pássaros cantavam, só havia silencio. Após alguns segundos que mais pareceram horas Kate tocou gentilmente meu braço me tirando do transe.

–Vá!

–Eu... eu...

Ela me olhou esperançosa sacudindo a cabeça de modo encorajador. Por um momento me imaginei implorando para que fossemos embora, para que esquecêssemos de tudo, pra que não tocássemos no assunto, porem ali olhando nos olhos de Kate me senti impossibilitada de desistir, ela contava comigo...

Respirei fundo algumas vezes acalmando assim meus batimentos cardíacos, assenti levemente tentando esboçar um sorriso. Abri a porta do carro e sai. Quando já tinha dado 2 passos Kate voltou a pôr o carro em movimento, saindo pela estrada por onde havíamos chegado, vi seu olhar divertido no retrovisor segundos antes do carro sumir de vista. “Ótimo” pensei com amargura “isso é o que ganha por acreditar em uma bruxa desesperada, parabéns”.

Uma leve brisa passou por mim me causando arrepios, me encolhi um pouco dentro de minha jaqueta, determinada me virei mais uma vez para a cabana. Respirando fundo controlei meus sentimentos, não havia volta, agora era pra valer.