Eu não agüentava mais o silencio que se instalara no carro, Miguel dirigia com os olhos fixos na estrada enquanto eu me encolhi no banco de passageiro a seu lado.

Depois de algumas horas decidi ligar o radio, escolhi uma musica de piano, o toque era suave e me lembrava de momentos felizes ao lado de Jully e Janny, quando eu era apenas uma estudante órfã de mãe e louca pela atenção do pai... Em algum momento cai no sono...

Acordei assustada, notei no mesmo instante que havíamos parado e que Miguel já não estava a meu lado.

Com dificuldade abri a porta do carro e pulei pra fora atenta a todos os barulhos a meu redor.

Caminhei dois passos e fui parada por um toque em meu ombro que me fez pular instantaneamente.

–Quer café?

–Miguel, mas que droga, quer me matar de susto?

Ele abriu um sorriso torto e me esticou um copo descartável.

Respirei algumas vezes tentando controlar minha respiração, e disse entre dentes.

–Você sabe que não tomo café.

Ele deu de ombros e virou as costas caminhando em direção ao carro.

Apressei o passo e o segui.

–Ei ainda falta muito?

–Mais 2 horas até o heliporto.

–Hum, OK.

–Vai querer beber alguma coisa?

–Acho que vou ao Toalete...

Ele indicou o caminho e dei um aceno em agradecimento.

No banheiro aproveitei para me molhar, eu não havia percebido o quão quente eu estava até aquele momento.

Na saída passei pela pequena loja de conveniência e comprei um suco de maracujá e um pedaço de bolo de banana com canela.

Quando voltei Miguel estava sentado sobre o capo do carro já me esperando.

–Mais alguma coisa?

–Acho que não.

Ele foi até a porta do passageiro e a abriu para mim.

–Então vamos.

–Obrigada.

Sentei com as pernas cruzadas e coloquei o cinto, depois comecei a mordisca pedaços pequenos do bolo.

Miguel sentou a meu lado e voltou para estrada.

–Quer um pedaço?

–Não.

–Tudo bem.

Durante as duas horas seguintes ninguém falou mais nada, só se ouvia o barulho do motor e de nossas respirações...

No heliporto Miguel pediu que eu ficasse no carro enquanto ele encontrava um piloto disposto a nos levar.

Cerca de vinte minutos depois já estávamos acomodados em um jatinho particular a caminho do colégio