Shadows Of The Soul- Livro 2
10 Capitulo 10 - Uma surpresa
Acordei morrendo de sede, levantei e fui até uma mesinha colocada no canto do quarto onde uma jarra estava depositada, no minibar encontrei o gelo. Depois de satisfazer minha sede caminhei até a sacada, a vista era linda, de tirar o fôlego. Fiquei ali parada por algum tempo até que Janny acordou e se juntou a mim.
–Bom dia!–Bom dia, como se sente Janny?–Péssima, parece que um rolo compressor amassou minha cabeça. Sorri gentilmente pra ela demonstrando minha solidariedade e disse.–Talvez uma tarde na praia melhore seu humor.–Praia nem pensar, talvez uma piscina...–Ok, melhor que ficar trancada nesse quarto! Vá acordar a Ju enquanto eu preparo o restante das coisas. Fui até minha mala e escolhi um biquíni preto com bolinhas e uma canga branca, peguei um protetor solar afinal não queria passar os próximos dias me curando de queimaduras em minha pele altamente branca, um óculos de sol totalmente da moda e um par de rasteirinhas prateadas que Janny jurou ser minha cara quando a vimos na vitrine de uma das lojas onde passamos no dia anterior. Voltei ao quarto e encontrei Janny sacudindo Jully na cama. Resolvi me juntar ao comitê.–Preguiçosa, levanta, o sol está mais que perfeito para um dia na beira da piscina, anda ou vamos te deixar aqui sozinha. Jully ergueu a cabeça abrindo um olho em nossa direção e disse com voz embargada de sono e preguiça.–Vão se ferrar.–Sim, nos iremos, mas você vem com a gente. Agora trate de levantar.–Nem morta.– Ju para de ser chata e levanta.–Não. Fui ate a cama e me posicionei ao lado de Janny que olhava desanimada para a irmã que por sua vez continuava imóvel.–Por favor, por favor, por favorrrr. Enquanto implorava eu a empurrava de um lado pro outro. Com um salto ela se ergueu carrancuda, me fuzilando com os olhos enquanto eu batia palminhas pela vitoria eminente.–Ally alguém já te disse que você é a pessoa mais chata do mundo?–Eu te amo também, agora trate de colocar um biquíni que vou te ajudar a passar o protetor e desceremos para piscina! Enquanto Jully se trocava Janny me ajudou com o protetor, poucos minutos depois estávamos às três prontas, embora Jully ainda mostrasse uma carranca gigante no rosto. Enquanto descíamos o elevador resolvi ligar para o Jon, pra minha surpresa tocou até que caísse na caixa postal, tentei mais umas vezes, mas deu no mesmo. Percebendo minha inquietação Jully resolveu deixar o mau humor de lado e perguntar.–Qual o problema?–Estranho, o Jon não está atendendo...–Relaxa, ele deve ter ido até a floresta, você sabe caçar o “almoço”...–Não, ele nunca anda sem o celular.–Querida ele deve ter esquecido, agora sossega, afinal foi você quem me arrastou até aqui então trate de ficar bem quietinha e curtir o dia, te garanto que mais tarde ele te liga. O saguão já estava lotado de turistas sorridentes e falantes, nos esprememos por entre os corpos até a porta giratória, meus pés se moviam no automático, a empolgação que a alguns minutos tomara meu corpo agora havia se esvairado de vez, minha ligação com Jon me garantia que algo estava totalmente fora da normalidade. O lado de fora do hotel estava tão lotado quanto o interior. O sol da manha aquecia cada metro quadrado, as plantas emanavam vida, as crianças emanavam pureza, enfim, a vida continuava mesmo quando o meu mundo parecia despedaçar aos poucos, num momento de extremo desespero pensei em voltar correndo pra casa mas logo descartei a idéia com desanimo, a partir desse ponto decidi que manteria a calma e voltaria a ligar pra ele após o almoço... A piscina era uma perfeita ilustração de uma cachoeira, com quiosques dentro d’água e canteiros de flores silvestres em volta. O local já estava totalmente lotado, um dos funcionários apareceu correndo se prontificando a arrumar espreguiçadeiras para nos, em poucos segundos estávamos deitadas lindas e maravilhosas sob o sol quente. Três coquetéis sem álcool e com muito gelo foram servidos em uma bandeja de prata. Eu dispensei a espreguiçadeira e me joguei em uma toalha, enquanto ambas conversavam animadamente sobre um grupo de garotos que vez ou outra lançava olhares galanteadores em nossa direção. Janny querendo fazer charme se dirigiu a piscina dando um elegante mergulho que foi altamente aplaudido pelos atentos “telespectadores”. Balancei a cabeça em descrença e tratei de colocar meus óculos escuros, fechei meus olhos e deixei o calor me invadir, foi após alguns minutos que de uma hora pra outra o sol sumiu e me senti coberta por uma sombra, retirei os óculos pronta para expulsar o idiota que ousara me privar do calor. Paralisei no mesmo instante, pois o que vi era mais que impossível e improvável, era surreal.
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