Nesse momento passaram-se mil e uma coisas em minha mente, meu coração bateu tão rápido que achei que iria explodir. Parado no meio da sala encontrava-se um rapaz de aparentemente 17 ou 18 anos com uma tocha nas mãos, ele tinha uma beleza estonteante, sua voz parecia musica a meus ouvidos e sua postura era tão perfeita quanto à de um guarda real. Eu queria dizer alguma coisa, mas minha voz parecia ter sumido.

-Perdão, mas acho que te assustei... Essa não foi minha intenção senhorita.

Com muito esforço eu consegui balbuciar algumas palavras...

-Quem... Quem... Quem é você?

-Ora, mas que grosseria a minha, sou Jon.

-Bem Jon, eu estava numa festa com umas amigas e acabei me entediando, resolvi dar uma volta nos arredores e acabei caindo aqui.

Dentro de mim havia um misto de desespero, desejo, alivio e algumas coisas a mais. Quando dei por mim o “estranho” encontrava-se a alguns centímetros de mim e a tocha que ele antes segurava estava num suporte pendurada na parede, senti minhas bochechas correram ao mesmo tempo em que ele disse:

-Claro apenas siga-me. Mas a senhorita ainda não me disse seu nome...

-Meu nome é Allice, mas todos me chamam de Ally.

Ele pegou minha mão entre as suas e depositou ali um suave beijo, seu halito era tão frio quanto à brisa da madrugada, eu congelei, um desejo puro e febril tomava conta de mim.

-Será uma honra poder retira-la daqui. Siga-me.

Ele soltou minhas mãos, o que causou um protesto em meu interior, e pegou novamente a tocha, iniciando assim sua caminhada...

Aquilo era loucura e eu sabia muito bem, eu segui seus passos por entre as vigas do salão, por tuneis e escadarias, pairava entre-nos um silencio mortal, a cada passo, pensamentos insanos passavam por minha mente, algumas perguntas ainda sondavam minha cabeça: “por que confiar em alguém tão estranho?” a resposta veio rápida em minha mente “é claro que não tenho outra opção, mas que mesmo que houvesse eu ainda o seguiria”. Pelo que pude perceber ele não era nem de longe um dos alunos do internato, eu teria sem duvida notado um rapaz tão atraente.

De súbito uma de minhas perguntas saltou por meus lábios antes que eu pudesse dete-las:

-Esse subterrâneo não faz parte da escola não é?

- Antes sim, mas hoje não, essas terras pertence a minha mãe, nos a arrecadamos em um leilão feito há alguns anos atrás.

Senti minha pele corar, e de imediato agradeci ao fato da luz ser pouca no local, assim ele não poderia ver minha patética reação.

-Perdão, minha intenção nunca foi invadir propriedade de ninguém, eu não sabia que existissem propriedades privadas tão perto do campos.

-Na verdade quase ninguém sabe da existência desse lugar, foi uma surpresa para mim vê lá aqui, essa é a primeira vez em anos que encontro alguém nos tuneis...

Sua voz era calma e fria ao mesmo tempo, o que fez meu coração martelar mais forte em meu peito. Eu não tinha resposta então resolvi me calar e apreciar a vista.

Depois disso o silencio pairou mais uma vez entre-nos. Ele seguia a passos firmes por entre os corredores, de tempos em tempos eu tinha a impressão de que ele olhava pra mim, mas pra minha infelicidade, nossos olhos não se cruzavam.

Ele era dono de uma beleza diferente, estonteante, quase sobre-humana... Eu não queria desviar meus olhos, era como se eu precisasse olhar pra ter certeza de que ele estava ali, uma vontade louca de toca-lo, abraça-lo estar perto dele tomava conta do meu ser, eu estava gastando todas as minhas forças para manter uma distancia segura entre-nos. Eu realmente não entendia o porquê de meu corpo reagir assim, afinal ele era apenas um garoto, lindo e muito misterioso.

Seus passos eram precisos, como se ele conhecesse o caminho como a própria palma da Mão, o que eu não duvidaria se me fosse dito.

Subimos mais alguns degraus e pra meu total espanto percebi que estávamos em uma pequena campina cercada por vegetação com apenas um pequeno caminho a vista. Ao longe eu ouvia uma musica soar, presumi que fosse da festa que ainda rolava...

Eu olhei pra ele espantada e ao mesmo tempo tentada de desejo, aqui a luz do luar ele parecia ainda mais lindo, se é que era possível. Seus lábios carnudos se abriram em um sorriso, o que fez me esquecer de respirar.

-Esta tudo bem com você?

Deixei que o ar entrasse em meus pulmões antes de responder

-Sim, graças a você. Eu não sei como poderei te agradecer se não tivesse me ajudado eu passaria o restante da noite tentando sair dali sozinha.

Nesse instante ouvi gritos mais a frente, parecia que alguém chamava pelo meu nome, eu me virei pra ver de onde vinham as vozes que me atrapalharam em meu discurso a meu Deus Grego, quando voltei meu olhar pra porta da cripta ele já não estava mais lá, eu me vi sozinha...