Shadowrun - Never Look Back

2 2 - Thé et Café Grain d'Or


Notas iniciais
Olá pessoas!!! Esse capítulo demorou um pouco para sair, mas ele tem uma pegada diferente. HAUHUAHU ^-^ Basicamente, ele vai possuir links de músicas no Youtube e, caso você queira ter uma experiência mais completa, leia a história escutando as músicas! Todas as instruções estão na história!!! Bjos, espero que aproveitem :3

[Links: https://www.youtube.com/watch?v=MUQizwosEM8 a partir do 1 minuto e 10 segundos] ou [Links: https://www.youtube.com/watch?v=P_JlVT-svts] (Eletrônica/Parisiense)

[Links: https://www.youtube.com/watch?v=BOhL1wMFyoI] (Chuva)

[Links: http://www.workbook.com/wp/wp-content/uploads/2013/11/salerno1.jpg] (Café Parisiense)

— Ela está atrasada. – Yuzo olhou o relógio analógico que estava preso na parede do café, próximo às fotos da recém destruída Torre Eiffel: quatro horas e dezessete minutos. – Atrasou sete minutos.

Yuzo fitou a rua mais uma vez, esperando a menina dos cabelos brancos. A chuva caía forte e escorria pelo vidro da vitrine do café. Uma luta entre antigo e moderno acontecia na rua onde carros terrestres e flutuantes brigavam por espaço. Do outro lado da rua, uma figura coberta com uma capa de chuva estava incessantemente procurando por alguém, olhando de um lado para o outro. Afinal, não sou a única esperando por alguém. O café estava relativamente vazio, para aquela hora. Deve ser a chuva.

A fumaça branca que subia do café com creme estava começando a desaparecer no ar e o pequeno e fino nariz de Yuzo apreciava cada momento daquela fragrância.

Ela bebeu mais um gole e sentiu o quente líquido encher seu corpo de calor. Yuzo rearranjou o conjunto de fitas e flores que prendiam seu longo cabelo castanho em um rabo de cavalo e chamou um dos garçons que estavam ali.

O homem se aproximou da mesa e Yuzo por debaixo de sua franja castanha, analisou-o antes de falar.

— Por que o café hoje está tão vazio?

O garçom, um homem alto e estranhamente musculoso, de cabelos azulados, olhou desconcertado para a beleza oriental da jovem mulher que não devia ter mais de vinte anos e gaguejou antes de cuspir suas palavras.

— Eu... é... a senhorita nos pagou e disse para que fechássemos o café, não... é... deixando ninguém entrar – o homem falou um tanto temeroso.

Yuzo fechou os olhos e abriu um grande sorriso.

— Ah! Desculpe-me, eu havia esquecido. – ela gargalhou e usando o resquício de divertimento em seu rosto, falou – A pessoa que eu estava esperando não apareceu. – a japonesa olhou para o café espumando – Gomenasai.

...

[Links: https://www.youtube.com/watch?v=maYRUVa4D-8] ou [Links: https://www.youtube.com/watch?v=xW35jDn2RDQ] (Eletrônica/Eletrônica)

[Continuar a chuva]

Às vezes eu me pergunto qual a idade de Lizz1 para se relacionar com esse tipo de pessoa. Ou qual a loucura.

Lá estava eu, Kuný, parada, recostada em um poste, sob uma capa de chuva negra. A chuva caía gelada sob a capa e respingava no meu rosto. A rua estava movimentada o suficiente para que uma cacofonia de sons ao mesmo tempo estressante e familiar.

Lizz1, aquela vadia branca me obrigou a escoltar ela no encontro com a tal mulher japonesa, entretanto ela não apareceu. E já se passaram quase dez minutos desde a hora marcada.

Melhor ir para casa logo, antes que eu tenha que ir para a oficina do 0n1x consertar algumas ferrugens.

Virei meu corpo para continuar andando até a moto que estava guardada em um galpão próximo, quando vi uma pessoa intrigante saindo do café que estava fechado: o Grain D’Or.

Era uma menina pequena, vestida em um kimono vermelho com detalhes alaranjados, segurando uma sombrinha triangular sobre a cabeça para se proteger da chuva. O cabelo era castanho e esvoaçava atrás dela. Ela estava aparentemente estressada e constantemente empurrava a franja para fora do rosto com sopros. Ela andava rápido.

[Links: http://postimg.org/image/howxbwlj7/] (Yuzo)

Continuei olhando para a menina e, posteriormente, guiei meu olhar para olhar o final da rua. No final da rua, vinha Lizz1, estranhamente estressada. Ela pisava forte e espalhava água para todos os lados. Ela usava um peculiar vestido negro, diferente de todas as roupas brancas que ela sempre usava. A chuva caía sobre seus cabelos e escorria pelo rosto. Ela parou e levantou o rosto para o céu, passando as mãos em sua testa e bochechas para espantar a água.

[Links: http://postimg.org/image/dh8iykajh/] (Lizz1 4-Nines)

Quando as duas se encontraram Lizz1 passou pela menina, parando logo em seguida e, como se estivesse se lembrando dela, a chamou.

— Yuzo. – A voz suave e ao mesmo tempo de Lizz1 cortou o som da chuva caindo.

A menina do kimono se virou para Lizz1 e olhou-a de cima a baixo.

— Está muito atrasada, Sagiki.

...

[Links: https://www.youtube.com/watch?v=ysCA-NDyvxs&index=10&list=UUMOgdURr7d8pOVlc-alkfRg] (Eletrônica)

— Está muito atrasada, Sagiki.

A voz rápida da menina oriental cruzou os ouvidos de Lizz1 rapidamente. Saciou sua mente da abstinência que tivera de passar naqueles dois anos. A menina de cabelos brancos amoleceu por um instante. Eu quero derreter. Como se fosse creme, eu quero derreter na sua boca, Yuzo. Logo em seguida ela enrubesceu e retesou seu corpo.

— Não me chame pelo meu nome! – A voz de Lizz1 ecoou na rua. – Idiota! É Lizz1.

Yuzo olhou mais uma vez para o rosto da antiga amiga. Os olhos dela.... Eram castanhos. Estão mais bonitos agora.

— Seus olhos estão prateados, Sagiki. E seu cabelo cresceu muito. – A menina se inclinou a fim de olhar os cabelos brancos de Sagiki. – Você está linda, mas infantil como sempre, Sagiki.

Lizz1 ou Sagiki, como preferir, olhou para os olhos castanhos, frios e impassíveis da antiga amante. Ela estava praticamente a mesma, fora que tinha crescido e já estava quase mais alta que a própria Lizz1.

— Quantos anos você tem hoje, Yuzo? – Sagiki perguntou um tanto acanhada.

— Sinto-me até mal por você me dizer isso. Parece que nunca fiz parte da sua vida. Não sentiu minha falta? – A japonesa abaixou o rosto e suspirou.

Sagiki jogou os cabelos para trás. O rosto dela era pálido, como a neve ou como as nuvens.

— Não íamos nos encontrar no Grain D’Or?

— Você sabe que eu te esperei lá. – Dessa vez a impaciência de Yuzo era aparente em sua voz.

— Eu imaginei. – Sagiki respondeu.

— Bem, de qualquer modo, não faz muito tempo que eu sai do café. Aliás, você acabará doente com toda essa chuva caindo sobre você, apesar de que fica bem mais.... Deixe isso para lá. — Yuzo passou a sombrinha por cima da cabeça de Sagiki e segurou seu braço, ignorando a umidade que encharcava seu kimono. — Venha comigo.

Lizz1, sem muita opção, teve de seguir a menina. "Tão quente.... O toque dela é muito quente."

...

A rua não estava movimentada. Somente alguns carros passavam ali e faziam um ruído surdo, afinal, nenhum carro terrestre passava pelo bairro nobre de Paris. Do outro lado da rua, uma figura com uma capa de chuva negra sobre a cabeça verificava constantemente o seu deck, provavelmente rastreando alguém.

Sagiki e Yuzo caminhavam juntas sob a sombrinha alaranjada. Os cabelos brancos da primeira estavam molhados e colados às suas costas, exatamente no decote que o vestido não cobria. Já Yuzo, tinha os cabelos longos presos em um rabo de cavalo com flores e fitas, porém continuava caindo sobre suas costas.

O passo de Yuzo era rápido e de certa forma irritado, à medida que Sagiki ia mais calma, forçando a outra a desacelerar às vezes.

Elas chegaram na porta do Grain D'Or e entraram.

O ambiente estava quente e confortável. Meia dúzia de mesinhas de vidro escuro estavam espalhados por sobre o piso de madeira marrom. Um relógio estava pendurado na parede à esquerda da porta, juntamente com algumas fotografias da Torre Eiffel, que fora demolida há poucos dias. Oposto a porta, do outro lado do café, um armário antigo, uma relíquia do século XVI, servia como balcão. Muitas variedades estavam dentro de uma estufa lindamente elaborada com arabescos e alguns doces estavam na vitrine do balcão.

A porta ficava em uma plataforma elevada, então as meninas tiveram de descer um pequeno lance de escadas até chegarem ao local onde ficavam as mesas. Yuzo pediu a Lizz1 que se sentasse e esperasse por um minuto enquanto se dirigia ao balcão.
Um homem careca e de pele branca a esperava atrás do balcão. Ele tinha a barriga protuberante e um rosto bonachão, simpático como poucos outros nessa região da cidade.

— Olá senhorita. O que a traz de volta ao Grain D'Or? — Ele puxava os "r" de uma forma engraçada e muito mais acentuada que os parisienses comuns enquanto falava. — Esqueceu alguma coisa? Como eu posso ajudar?

— Não é nada disso, Lorrane. Eu preciso que feche o café novamente para mim. — Yuzo sorriu um pouco constrangida. — Não se preocupe. Eu pagarei por todos os clientes que não vais atender, mas é que a minha relação com aquela garota é um tanto íntima. Não gostaria de ser vista assim. Nem mesmo pelos seus homens.

Yuzo parecia realmente envergonhada. Tanto que sua pele clara estava levemente rosada e ela não olhava para cima enquanto conversava com Lorrane.

— Não se preocupe, cher. — Lorrane sorriu por baixo de seu bigode hirsuto e gritou. — Vous tous! Todos para o bureau. Émill, me traga alguns pacotes do chá que a senhorita gosta e Jean, feche o café para mim, após isso, todos para o bureau.

Todos os seus garçons (serveurs como ele gostava de chamar), oito no total, rapidamente cumpriram as tarefas que lhes foram designadas.

Arigato, Lorrane. — Yuzo fez uma reverência profunda para o homem gordo.

Calme, garota. Está tudo bem. — O homem sorriu mais uma vez o seu sorriso acolhedor e virou-se para uma pequena cozinha. — Irei preparar o seu café, do jeito como gosta! Ah!, vocês orientais. Sempre com todo esse recato! Nunca saberão o que é une relation épicé' de verdade!

Yuzo olhou mais uma vez para o homem e voltou para junto de Sagiki, se sentando de frente para ela.

Ficaram ali por alguns minutos até que Yuzo resolveu quebrar o silencio.

— Não me respondeu como devia, Sagiki. — Yuzo parecia chateada, entretanto estava decidida a conseguir tirar a resposta que queria. — Não sentiu minha falta?

— Yuzo... — Sagiki fitou a chuva escorrendo pela janela e viu a figura de capuz negro ainda mexendo em alguma coisa, com toques estressados e rápidos. A chuva parecia estar caindo um pouco mais branda.

— Não vai me responder. — Ela então se dirigiu ao dono do café. — Lorrane, faça uma xícara de chá para mim! Você sabe como eu gosto!

O homem soltou um oui acolhedor de dentro da cozinha e logo o som da prataria encheu o ambiente.

— Por que está fazendo isso comigo, Yuzo? — Sagiki ainda estava fitando a figura de capuz do outro lado da rua. — Nao viemos falar sobre isso. Temos coisas muito mais importantes parar tratar.

— De qualquer modo. Fazem dois anos.

O silêncio pairou por alguns momentos sobre elas. Então foi quebrado. O som de uma cadeira se arrastando na madeira e então Yuzo já estava deitada sobre a mesa. Sagiki sentiu a mão quente da companheira entrelaçar-se em seus cabelos molhados. As bocas das garotas se tocaram por um breve momento e então se desgrudaram com um estalo.

Yuzo voltou a sentar-se, levemente enrubescida, enquanto Sagiki estava pasma em sua cadeira.

— Émill! Traga para mim a farine! — Lorrane gritou da cozinha e um dos seus homens passou com um pacote, completamente sujo de farinha.

— Melhor não fazermos isso. Eles podem nos descobrir. — Yuzo parecia séria, mas Sagiki sabia que ela estava envergonhada. – Na verdade, só mais um pouco. Por favor.

E então Yuzo já estava mais uma vez sobre a mesa e pegou o rosto de Lizz1 nas mãos. A boca das meninas se encontraram mais uma vez e quando a língua de Yuzo encontrou a de Sagiki, ela estremeceu, soltando um baixo gemido. 'Yuzo.... Quero me derreter na sua boca. Igual o creme, me derreta Yuzo.'

E o café se encheu com os sons e gemidos surdos das meninas.

...

— Aqui está seu thé à la cannelle et la crème. – Lorrane colocou uma xícara sobre a mesa. – E você, menina dos cabelos brancos. Não vai querer nada.

Sagiki negou com a cabeça, ainda envergonhada pelo que havia acontecido há dez minutos. Ela ainda conseguia sentir o doce gosto de Yuzo em sua boca, coisa que despertava ainda mais o desejo.

— Vamos, Sagiki. Peça algo. – Yuzo insistiu.

— N-Não. Obrigada.

Lorrane deu de ombros e voltou para a sua cozinha, a fim de preparar mais alguns empanados para sua vitrine.

— Tudo bem. Já que quer tanto falar sobre isso, vamos. Comece a falar. – Yuzo incentivou Sagiki enquanto tomava elegantemente um gole do chá.

— Bem... eu preciso de sua ajuda para invadir o prédio da Onto. – Sagiki falou rapidamente e por um momento Yuzo pareceu não entender.

— Você está dizendo a empresa produtora de alta tecnologia, que fundou praticamente a nossa geração?

— Eu sei. Parece loucura. É loucura. Mas você vai entender tudo depois. – Sagiki estava com algumas lágrimas nos olhos enquanto falava. – Se não for fazer pelo serviço, faça por mim e por tudo aquilo que passamos.

Yuzo parou a xícara a meio caminho da boca, finalmente olhando para Sagiki.

— Está tentando me convencer a invadir uma megacorporação por causa de nossos sentimentos? – Ela perguntou, seriamente.

— Claro que não. Eu realmente preciso disso.

— Eu irei pensar, Sagiki. – Yuzo bebeu mais um gole de seu chá, levantou-se e beijou Sagiki na bochecha. – Arigato, Lorrane!

Notas finais
Espero que tenham gostado! Esse capítulo não foi voltado para a ação, porém aguardem pelo próximo! Dommo Arigato, Sayonara!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.