Shadowrun - Never Look Back
1 1 - Meus nomes e o Velho, Gordo e Careca Timmy
Notas iniciais
Espero que gostem, pois tenho muitos planos para essa nova fic ^^
Divirtam-se
Eu não dormia assim há dias, sem ter pesadelos, sem acordar, sem os demônios atormentando minha noite. Eu dormi de verdade pela primeira vez em semanas.
Aliás, desculpe a minha falta de educação. Meu nome ainda é um mistério para mim, mas costumo me chamar Kuný. K-i-u-n-a-i, é assim que se fala se está se perguntando. Porém, não precisa me chamar sempre assim, possuo outros nomes, apenas me diga qual você prefere. Mindy, para meus pais e família. Kuzaký, para aqueles que me conhecem da Matrix (ah! Mais uma vez, lê-se K-i-u-z-a-k-a-i). O Corvo, para aqueles que precisam de minha ajuda. Kuný, para meu bel-prazer. E, desculpa esquecer de mencionar, mas ainda existem vários nomes que os que me odeiam usam, como Pirralha, Diaba, Maldita, Imprestável, além dos que eu não gosto de mencionar.
Você deve estar se perguntando, o que você faz Kuný? Como você é Kuný? Respondo isso da maneira mais simples possível: eu sou e faço aquilo que você não pode ver. Caso queira mesmo saber (isso pode trazer um risco altíssimo para a saúde e eu não costumo pagar o seguro de vida dos avisados) o que eu faço, sou uma Shadowrunner. É bonito o nome, né? Soa bem, e, particularmente, gosto de usar esse nome também. Tá aí outro nome que eu esqueci de mencionar.
Ei, Kuný, ainda quero saber como você é! Eu sabia que você iria falar isso e eu já estava preparada para isso, porém não é algo que eu vá falar assim abertamente, então me descubra por si só.
Voltando à história. Acordei ainda meio grogue. Aquelas doses extras no Timmy Tacos não me fizeram bem. Acho que eu desmaiei lá mesmo, no balcão do bar, na frente do velho, gordo, careca e chato Timmy. Talvez tenha sido 0n1x (lê-se O-n-i-x, para quem ia me perguntar sobre isso) quem tenha me trago para casa, em seus braços musculosos e insinuantes. Ou talvez Bomb Bee (preciso falar como se pronuncia?) em sua Kawazaki super veloz. Não, sem chance. Nem mesmo Bomb Bee conseguiria me equilibrar sobre aquela moto. Acho realmente que foi De4th Cl4w (quer saber, leiam como bem entenderem) quem me trouxe para casa. Se bem que Vynce não ia gostar disso.
Não importa muito quem foi que me trouxe por que aquela noite éramos mais, pois Vynce e Light 1-2-3 Boom também estavam conosco. Todos bêbados e malucos no Timmy Tacos. Acho que eu gostaria de relembrar dessa noite.
Vynce estava do meu lado direito enquanto Boom e Bomb, as gêmeas Faísca e Pólvora (como costumávamos chamar elas na época do colegial), estavam a minha frente. Eu estava escorada no balcão e o velho, gordo e careca Timmy continuava a esfregar seus copos. 0n1x estava desafiando qualquer um que passasse para uma queda de braço e naquele exato momento ele lutava contra uma mulher que possuía quase a mesma quantidade de músculos que ele. De4th Cl4w estava prestando atenção na batalha entre 0n1x e a mulher, como sempre com o copo sempre cheio e a mente sempre limpa, sentado em uma cadeira pouco afastada do grupo.
Ainda estavam faltando muitas pessoas: Cruis3r, Ghost Snake e Lizz1 4-Nines. Não me lembro por que não foram.
Eu estava com os braços ao redor de Vynce e às vezes beijava o rosto bronzeado dela. Os cabelos raspados em um sidecut caíam por sobre o ombro direito em uma cascata multicolorida, começando nas raízes vermelhas, passando pelo amarelo, laranja e azul, até chegar nas pontas rosas. Ela tinha os olhos clássicos de uma Sombra da Matrix, aqueles olhos quase transparentes por onde corriam códigos binários o tempo inteiro. O nariz fino e pequeno combinando com o lábio pálido e ferido pelas mordidas de uma tal de Kuný. Ela possuía vários piercings na orelha esquerda, todos eles diferentes um do outro: (do mais alto para o mais baixo) uma caveira prateada com os olhos vermelhos brilhantes, uma seta que tinha um efeito de labaredas e um par de argolas de cobre. O corpo magro e sem contorno, apresentando apenas pequenos seios triangulares saltando para fora, estava coberto pelas roupas mais características de uma Sombra da Matrix: Ela usava uma blusa branca meio suja de graxa que dizia “Give me a hug!” em letras douradas e sobre isso um colete jeans aberto. Uma calça preta cobria suas pernas, porém ela pegou várias cores de tinta e jogou na calça, fazendo ela se transformar em um show de cores vibrantes, e, nos pés, um tênis da ShadowShoes (são calçados proibidos em todo o mundo, exceto no Iraque e no Brasil: os dois países que hoje não possuem um pingo de vida sobre seus territórios) que possuía várias listras azuis que brilhavam de forma constante.
Vynce era simplesmente o sonho. O meu sonho.
Eu olhei para os olhos de Vynce, que sempre me hipnotizavam com aqueles zeros e “ums” passando e então beijei mais uma vez sua bochecha quente. Era a décima terceira vez em menos de um minuto. Vynce, que estava escorada no balcão, se virou para mim, com as sobrancelhas arqueadas, incrédula.
— Você não cansa Kuzaký? – ela falou, imponente.
— Ah, ótimo. Então com licença. – eu respondi e puxei meu braço para junto do meu corpo.
Bomb Bee e Light 1-2-3 Boom soltaram risadinhas simultâneas e Bomb passou um cigarro para a irmã.
Bomb Bee possuía cabelos ruivos que ela pintou de preto nas pontas. Os olhos verdes que eram rápidos e espertos, não deixavam escapar nada. Ela usava um top azul que quase mostrava metade de seus seios medianos. A calça jeans toda rasgada antecedia um Space Karps (a antiga All Star de quase 70 anos antes) branco.
Já Boom possuía os cabelos pintados de cores aleatórias e vibrantes, e quase já não se via mais o ruivo que a irmã tinha. Os olhos de Boom eram idênticos aos da irmã, porém se mostravam mais cínicos que o normal, muito mais. Por sobre sua roupa militar, ela trazia quatro pistolas penduradas em correias que passavam perto de seus seios, um cinto de granadas segurando sua calça e ainda uma pequena maleta, que nunca saía de perto dela, onde estava seu rifle de precisão.
Ignorei a risada das irmãs e esbarrei em Vynce, fazendo ela derrubar três dos copos recém “lavados” de Timmy, que caíram no chão com um estardalhaço de cacos. Fui até o banheiro e me olhei no espelho.
O banheiro era completamente inutilizável. Era possível sentir um cheiro desagradável de dejetos antes mesmo de entrar. As cabines estavam completamente pichadas com cores e mensagens indecifráveis e algumas portas estavam quebradas ou penduradas. O espelho cobria toda uma parede, porém a sujeira tomava conta de toda a borda dele, só tornando o centro “utilizável”.
Fiquei na frente do espelho e me vi. Uma menina totalmente descarnada e pálida, como se não comesse há dez dias. O cabelo negro todo repicado ao redor do rosto e os olhos negros fundos no rosto. Eu estava usando um cropped com suspensórios e a parte da barriga que ficava visível revelava dezenas de marcas de arranhões e mordidas na pele pálida, alguns, roxos, outros vermelhos. Os suspensórios estavam presos em um short jeans e, cobrindo até a coxa, uma meia multicolorida. O tênis era simples e sujo, de um branco coberto de anos de poeira e coisas piores. Meus antebraços e pescoço estavam também cobertos por marcas de mordidas e arranhões e algumas cicatrizes. Eu trazia comigo, em um dos bolsos do short, meu deck.
Olhei para meu corpo, sentindo uma pitada de excitação, virei-me de lado, revelando mais arranhões e derivados. Mordi os lábios e percebi Vynce entrando no banheiro.
Ela vinha séria em minha direção e quando me alcançou, abraçou-me por trás e mordeu meu pescoço, enquanto arranhava minha barriga. Eu soltei um surdo gemido de prazer e joguei a cabeça para trás. Ela afundou os dentes em minha pele e eu senti um filete de sangue escorrer, e isso só me excitou mais. Ela então tirou os dentes avermelhados do meu pescoço e me virou, tirando de mim um beijo com gosto de sangue.
Vynce me empurrou contra uma das pias quebradas do banheiro e eu senti uma forte dor subindo pelas minhas costas, porém isso só me fez soltar um segundo gemido de prazer, dessa vez audível em alto e bom som.
As unhas dela se afundaram nas minhas costas e eu mordi os lábios dela, algo que com certeza ia deixar outra marca. Ela arranhou minhas costas com bastante força e então marcou meu pescoço com a boca, deixando no lugar uma mancha roxa.
— Acho que já tá na hora de parar né, Risquinho? – Lizz1 4-Nines estava encostada perto da porta e eu, com os dentes um pouco vermelhos com o sangue dos lábios de Vynce, sorri para ela, no meu jeito mais cínico.
Aliás, está aí outro nome. Risquinho. Só Lizz1, minha “irmã mais velha” me chama assim e é bem subentendido o porquê do nome: acredito que seja por causa de alguns arranhões que Vynce deixa em mim.
— Ah! Logo agora? – eu fiz beicinho e soltei um gritinho ao sentir Vynce morder meu ombro com força. Estava começando a ficar divertido.
— Divertido ou não, deixe suas mutilações para mais tarde. – Lizz1 estava séria, o que significava problemas – Recebi uma ligação hoje Myndi.
— Ah! é? – eu deixei Vynce continuar a me morder e estava começando a sentir o sangue escorrer por sob minha blusa, que já estava toda manchada de vermelho – De quem?
Lizz1 fez um sinal para que eu a acompanha-se e eu beijei Vynce mais uma vez, trazendo-a comigo pela mão. Lizz1 caminhou até o balcão onde os outros estavam.
0n1x, com seu cabelo laranja espetado pra cima, sua blusa colada ao corpo super definido e seus músculos insinuantes, estava deprimido, recebendo consolo do franzino De4th Cl4w. Provavelmente, ele tinha perdido a luta contra a mulher, coisa que não era de se admirar: ela era uma montanha de carde, mas mesmo assim, foi demais para a dignidade do fisiculturista.
Bomb Bee e Light 1-2-3 Boom estavam disputando uma partida de Eight, um jogo dentro da Matrix, onde quem perdesse, recebia uma pequena descarga elétrica de quase dois mil volts. Eu particularmente, adorava perder nessa brincadeira.
Como a Matrix era um mundo de imersão total, os corpos das gêmeas pendiam sobre as cadeiras e elas estavam conectadas a um deck por um cabo.
— Escutem aqui suas vadias – Lizz1 balançou as duas com tanta força que a cadeira onde Boom estava sentada quebrou e ela caiu no chão, imediatamente tendo uma convulsão fortíssima.
Eu sorri e já sabia que tinha uma “pequena” corrente elétrica percorrendo o corpo dela.
— O que foi? – Boom abriu os olhos pouco depois de parar de tremer no chão – Você me fez perder, droga. – Ela estava com os cabelos multicoloridos espetados para cima.
— Da próxima vez, além do choque, você vai levar um tiro no pé. – Lizz1 gritou enquanto ajudava a menina a se levantar.
Bomb abriu os olhos e tirou o cabo do deck, colocando-o em uma bolsa. Ela sorriu para Boom e disse: “Essa foi uma vitória chocante!”, enquanto balançava os punhos no ar.
Boom imediatamente se levantou e socou a irmã, que caiu e se levantou com um hematoma no olho.
— Idiota! Quero revanche! Essa puta da Lizz1 me atrapalhou! – Boom estava vociferando para a irmã.
— Caladas! – Lizz1 levantou a voz e imediatamente todos ficaram quietos. Tenho um assunto sério para tratar aqui. Muito sério.
Todos olharam para Lizz1, inclusive De4th Cl4w, que era o mais desinteressado de nós.
— Kuný, Vynce e Light 1-2-3 Boom. Vocês vem comigo. Tenho que explicar a situação para vocês.
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