Notas iniciais
Olá pessoas. Eu sou fascinada por mitologia e seres com poderes sobrenaturais, já devem ter percebido isso se leem minhas outras fics por aqui. Enfim, essa é uma fanfic de mitologia celta *-* Quem gostar, leia, quem não gostar, não leia, e quem nunca pesquisou, sinta-se a vontade para conhecer um pouco dessa maravilhosa cultura.

Eu ainda não me acostumei a isso. Deuses, fadas, aventuras, gritos, mortes... Mas receio que terei que enfrentar a verdade. Isso significa contar tudo à vocês.

Muito bem, por onde começamos? Acredito que terei de começar na manhã do dia 1 de Setembro, claro.

Foi onde tudo começou.

Faltando 11 dias para meu aniversário de 16 anos, eu não estava nada ansiosa para as aulas. O povo simplesmente não gosta de mim. Só porque sou gótica, não quer dizer que sacrifico galinhas nem nada... né? Ah, e outra coisa: Eu realmente não consigo sussurrar. É impossível para mim. Os médicos dizem que é apenas “um probleminha nas cordas vocais, que com o tempo vai passar.” Só que piorou com o tempo. Agora eu só falo em voz alta. Ninguém quer ser meu amigo por simplesmente ter medo de eu acidentalmente falar seus segredos em voz alta.

Estúpidos.

De uma forma ou de outra, sou realmente boa no canto. O professor Marques adora o jeito que grito nas músicas, de uma forma afinada.

O caminho até a escola é curto, mas para mim sempre parece longo. Geralmente eu escuto música, mas hoje não estou com cabeça para isso.

Não estou com cabeça para nada.

Já estava no meio do caminho quando algo me chamou a atenção. Ao meu lado, entre a sorveteria do Seu João e a joalheria do Seu Aricledes, uma rua se abria. Mesmo em plena manhã, era completamente escura, como se fosse feita de sombras, sendo assim impossível ver o outro lado. Eu jurava que nunca havia visto aquela rua, e eu passava por ali todas as manhãs. Tirei o meu Iphone de minha mochila e iluminei o visor, caminhando pela rua de sombras. O celular não iluminava muito, mas eu pude ver um ou dois metros à frente. Cheguei ao fim da rua.

E então o celular desligou.

Dei algumas batidinhas nele, mas nada aconteceu. Guardei-o. Caminhei mais um pouco. A visão que tive era... bonita? Assustadora? Não sei dizer.

Na minha frente havia um lugar de uns 700 metros quadrados, cercado por uma cerca de madeira negra. Árvores secas inteiramente pretas rodeavam o lugar. Ao redor delas, rosas da cor do sangue cresciam e se enroscavam no tronco. As lápides aparentavam ser de concreto negro, dando um ar gótico ao lugar de grama morta. Cruzando o cemitério havia um rio de águas cristalinas que serpenteava por toda a sua extremidade, causando um destaque em suas águas no meio de um cenário tão escuro.

Não sei porque eu inventei de entrar. Só sei que quando vi, estava ajoelhada na margem do rio, chorando. Vi meu reflexo nas águas do rio, mas este passava de normal para algo tenebroso. Meus brilhantes cabelos ruivos agora estavam sem vida, sem cor. Os olhos verdes tinham uma estranha beleza pálida, mas ao redor deles uma depressão negra se formava, como a de um cadáver. As lágrimas que escorriam pareciam perfeitamente normais, até caírem no rio, onde percebi que eram sangue. Minha íris estava vermelha como a de um vampiro. Assustada com a visão, cambaleei para trás. Um grito escapou por meus lábios, e ecoou solitário no cemitério. Após alguns segundos, vários gritos (de vozes diferentes) ecoaram pelo local. Mãos se ergueram das sepulturas, e mortos-vivos rastejavam em minha direção. Gritei novamente, mostrando o celular em modo de defesa. Os zumbis continuavam andando em minha direção, estendendo os braços.

Parem! – Gritei de repente. E para minha surpresa, eles obedeceram. Fiquei lá parada, boquiaberta e eles também. – V-voltem.

Eles me obedeceram novamente, voltando para seus túmulos. Meus joelhos fraquejaram, e eu estava prestes à ceder a tentação de sentar quando uma voz ecoou:

– Não baixe a guarda.

Procurei a dona da voz, mas nada encontrei.

– Não baixe a guarda! – exclamou, com urgência. Voltei meu celular para os zumbis.

– Legal... manda eles voltarem a dormir.

– Como?

– Manda.

Virei-me para os mortos. – V-voltem a.... dormir.

E de novo, eles me obedeceram. Deitaram-se e fecharam os olhos.

– Bom! – ouvi aplausos, e pude sentir que a dona da voz sorria. Uma garota loura de olhos azuis pulou do topo de uma árvore. – Belo trabalho, garota!

– Quem é você?

– Eu sou Jane Sidhe. – sorriu.

– Sidhe?

– Sou parcialmente irlandesa. E você também deve ser, pois encontrou esse cemitério.

– Como?

Ela sorriu – Respostas no caminho! – cantarolou.

Empurrando-me para a frente de uma cova, Jane pegou uma pá e cantou algo como Dark Horse, da Katy Perry. Quando terminou, postou-se ao lado da cova com as mãos na cintura. Olhei para o buraco negro, com vontade nenhuma de entrar lá. Olhei para Jane, que sorriu. Ela se moveu depressa. Saiu de sua posição e voou para mim. Senti-me desequilibrar e caí na cova.

***

O monte de terra me socorreu. Me peguei gritando ainda, e tratei de fechar a boca. Ai, deus! O que aconteceu aqui?! Vi um vulto descendo com rapidez e um grito de adrenalina, então Jane pousou de pé ao meu lado, fazendo uma careta por pisar no chão de pedras. Espere, chão de pedras? Essa me deu um sorriso dolorido e ajudou-me a levantar.

– Venha comigo. – ordenou.

Segui-a, hesitante. O corredor em qual nos encontrávamos era quadrado, feito inteiramente com blocos de pedra. Nenhum detalhe nas paredes, com a exceção de apoios para tochas, as quais Jane ia trocando conforme passávamos pelo corredor. Enfim, ele pareceu chegar ao fim. Uma porta de carvalho velha empoeirando no fim.

Jane deu três batidas rítmicas na porta, que se abriu com um rangido. Uma garota loira, com feições idênticas a ela apareceu das sombras. As duas, apesar de idênticas, eram diferentes. Enquanto Jane vestia conjuntos de espartilhos e shorts e saltos rosas, a outra usava vermelho escuro, vinho e preto, com direito a meia-calça arrastão e tudo.

– Finalmente. – ela disse, com voz rouca – Que demora para cuidar de míseros mortos vivos!

– Não só um morto vivo. – Jane sorriu – Como uma morta-fada.

A garota loira piscou repetidas vezes.

– A tentativa de trocadilho não deu certo. Vamos, entrem! – ela nos empurrou para dentro, e antes de fechar a porta, disse: — Antes que nos encontrem.

A escuridão dominou o local.

Notas finais
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