Shadow Preachers
1 Shadow Preachers
Notas iniciais
Shadow Preachers – One Short
Peter Hale / Personagem Original
Songfic – Shadow Preachers por Zella Day
You got those scissors from the draw
You never dug so deep before
If I stop trying, we start dying
You're cutting me out, baby who you fighting?
Who you fighting?
Who you fighting?
Alhena revirou-se diversas vezes na cama, tentando encontrar uma posição confortável para conseguir adormecer naquela noite de Verão, no entanto, e para grande mal dos seus pecados, o mundo não parecia querer colaborar com ela.
Desistindo de tentar dormir, Alhena puxou as cobertas de cima do seu corpo e as jogou para um lado qualquer da cama, resmungando consigo mesma enquanto se levantava da cama e olhava para o relógio em cima da sua mesa de apoio.
Quatro e meia da manhã.
Perfeito.
Suspirando fundo, Alhena levantou-se e caminhou a passos largos até ao banheiro rezando para que um pouco de água fria no seu rosto a ajuda-se a relaxar um pouco e posteriormente a dormir naquela que seria a noite mais quente e infernal da sua vida.
Sem fazer barulho algum, Alhena saiu cuidadosamente do banheiro e abriu a enorme janela do seu quarto por completo, deixando entrar a leve brisa quente de Verão que logo refrescara o seu rosto enquanto as gotas de água fria escorriam pelos seus cabelos ruivos. Sem pensar duas vezes, voltou a deitar-se na cama e fechou os seus olhos azuis-claros, aproveitando o vento que arrefecia cada vez mais o seu quarto.
Sorrindo para si mesma, Alhena se voltou na cama e passou as cobertas finas por cima do seu corpo, aproveitando a calma e o ambiente perfeito que era mais que propício para uma boa noite de sono.
Ou pelo menos seria perfeito, se um barulho irritante não tivesse ecoado pelos seus ouvidos sobrenaturais, fazendo crescer nela um desejo profundo de assassinar a alma que estava atirando pedrinhas à sua janela aquela hora da noite.
Resmungando baixo, Alhena voltou a atirar as suas cobertas para o lado e se levantou da cama, dirigindo-se de seguida à janela.
— O que você está fazendo aqui? – Ela disse mal-humorada enquanto os seus olhos azuis repousavam na figura masculina com meia dúzia de pedrinhas na mão direita.
— Vim falar consigo, oras. – Ele disse como se fosse óbvio enquanto soltava as pedrinhas no chão a fazendo revirar os olhos.
— O que eu estava querendo dizer, era o que faz aqui às quatro da manhã em frente da minha casa, Hale. – Ela disse de novo, enquanto cruzava os braços à altura da sua cintura e o olhava com um ar superior tão característico dela.
— Estava sem sono. – Ele disse enquanto abanava o seu corpo e colocava as mãos nos bolsos dos jeans escuras que usava naquela noite. – E então pensei em te fazer companhia.
— E quem falou que eu precisava da sua companhia? – Alhena perguntou de novo enquanto mordia o seu lábio inferior, já um pouco irritada com o garoto que a olhava divertido.
— Eu sei o quanto você odeia o calor. – Ele disse a fazendo arquear uma sobrancelha curiosa. Como é que ele sabia isso sobre ela?—- De qualquer forma, eu estava pensando se você não queria vir comigo a um lugar.
— Eu não quero ir a lado nenhum com você, Hale. Agora dê meia volta e desapareça de ao pé de mim antes que eu perca o amor que tenho ao meu candelabro e o atire contra a sua cabeça.
— Vamos Alhena, eu sei que você não está falando a sério. – Ele disse sorrindo para ela a fazendo bufar com raiva. – Além disso, se fizer isso, vamos acordar toda a casa e tenho a certeza que os seus pais iam tudo menos gostar de me ver aqui. – Ele falou e forma vitoriosa enquanto ela lhe virava as costas, irritada com ele. – Você me deve uma saída. – Alhena o ouviu dizer do outro lado da janela enquanto ela já se preparava para dormir de novo. – Você estará aqui antes dos seus pais acordarem! – Ele acrescentou um pouco mais alto enquanto ela revirava os seus olhos e voltava a passos curtos para ao pé da janela.
— Você está louco? – Ela perguntou irritada. – Quer acordar toda a gente? – Ela disse enquanto bufava irritada, tirando uma mecha de cabelo ruivo da frente dos seus olhos.
— Saia comigo. – Ele pediu de novo sorrindo para ela. – E depois disso, eu não volto a chatear você, prometo!
— Como queira, Hale! – Alhena resmungou derrotada enquanto voltava as suas costas para o garoto e corria para o seu armário, tirando de lá as primeiras peças de roupa que encontrava na sua frente.
I close my eyes, just close the door
You want a minute, I'll give you more
Maybe I don't want you either
We're both unsettled, nighttime creatures
Shadow preachers, nighttime creatures
— Apanhe! – Alhena disse baixo enquanto atirava para o garoto a sua própria mochila. Sem pensar duas vezes, Peter esticou os seus braços e agarrou o objeto com facilidade o elevando depois até à altura dos seus olhos, voltando logo em seguida as suas atenções para Alhena que sem qualquer dificuldade pulara da janela do seu quarto e rodopiara no ar, aterrando logo em seguida com os seus pés no chão, fazendo o garoto sorrir enquanto ela pegava a mala das mãos dele. – Vamos, ou você vai ficar aí olhando para ontem? – Ela disse de forma rude enquanto ele revirava os olhos, andando rapidamente até ao carro da irmã que ele havia pedido “emprestado” sem ela saber.
— Aonde estamos a ir? – Alhena perguntou impaciente depois de alguns segundos dentro do carro.
— A um sítio especial. – Ele falou enquanto tirava o seu olhar da estrada durante alguns segundos, para depois voltar a sua atenção para a estrada, a fazendo bufar irritada por tal comentário.
— Isso esclareceu todas as minhas dúvidas de facto. – Ela murmurou de forma sarcástica mesmo sabendo que ele podia perfeitamente ouvi-la.
— Estamos indo para fora da cidade. – Peter esclareceu alguns segundos depois fazendo Alhena encara-lo com uma sobrancelha arqueada querendo saber mais sobre o caminho que eles estavam levando naquele momento. No entanto, ao entender que ele não iria falar mais nada, Alhena revirou os seus olhos e afundou-se no assento do carro enquanto observava as árvores passando rapidamente pela janela enquanto eles avançavam na estrada vazia cada vez mais rápido.
— Sabe, -- Peter disse aleatoriamente enquanto encarava a estrada na sua frente. – eu estive a pensar no porquê de você me odiar tanto.
— Para além da forma arrogante com que você olha todo mundo, a sua pose superior, os comentários sarcásticos e tudo isso, -- ela falou apontando para o corpo dele. – Nada.
— Eu estava a falar a sério. – Ele disse enquanto revirava os olhos e encarava a garota que tinha um sorriso no rosto. – Se você me conhece-se melhor, saberia que eu não sou da forma que você acabou de falar.
— Não, então me diga, que tipo de pessoa é você? – Ela perguntou de forma sarcástica enquanto cruzava as suas pernas e encarava o garoto ao seu lado.
— Eu sou muito mais do que você pode pensar e além do mais, eu realmente estava a falar a sério de todas as vezes que disse que queria sair com você. E não era para me gabar, na verdade era apenas para aproveitar a sua companhia.
— Eu vou fingir que acredito no que me está a dizer. – Alhena disse enquanto encostava a sua cabeça no assento do carro, encarando de novo a paisagem fazendo o carro mergulhar de novo num silêncio profundo e desconfortável enquanto Alhena pensava na verdadeira razão do ódio que ela sentia por Peter.
Oh, se ao menos ele soubesse da verdade.
You wanna break, you break alone
You wanna leave, you're on your own
You wanna break, you break alone
You wanna leave, you're on your own
— Chegamos. – Peter disse depois de alguns minutos de viagem enquanto parava o carro em frente de uma pequena clareira. – Você vem? – Ele perguntou enquanto abria a porta do carro e saia dela, andando a passos largos pela clareira, com Alhena atrás dele.
— Uma floresta no meio da noite? Nada assustador mesmo. – Ela resmungou o fazendo revirar os olhos.
— Se você para-se de fazer comentários sarcásticos a cada cinco segundos e espera-se um pouco para ver o que eu preparei, era muito melhor. – Ele disse enquanto colocava as mãos nos bolsos dos seus jeans e continuava a andar sem falar mais nada, deixando Alhena cada vez mais irritada com ele.
— Demora muito? – Ela perguntou impaciente depois de algum tempo de caminhada que mais parecia ser sem rumo.
— Apenas mais alguns segundos e já chegamos. – Peter disse por cima do ombro enquanto caminhava ao lado de Alhena. – Pronto, chegamos. Agora feche os olhos. – Ele pediu, fazendo Alhena revirar os olhos. – Por favor. – Peter acrescentou fazendo com que ela lhe obedece-se sem dizer mais nada.
Com cuidado, Peter passou as suas mãos pelo rosto de Alhena, tapando os olhos dela. – Só para ter a certeza. – Ele murmurou enquanto soltava um riso baixo a fazendo mesmo que involuntariamente sorrir durante alguns segundos, rezando depois que ele não tivesse dado conta daquele ato dela.
— Pronto, podes abrir. – Peter disse enquanto retirava as mãos do rosto da garota, depois de os dois terem avançado poucos metros.
Alhena abriu os seus olhos devagar para encontrar uma pequena clareira na floresta rodeava por árvores altas e ainda iluminadas pela luz da lua que logo ameaçava se por, dando origem ao sol que a deixava louca de tão quente que o tempo era naquela altura do ano na Califórnia. Ao longo do tronco das árvores, foram colocadas pequenas lâmpadas decoradas que se estendiam por todo o local, e ligavam as árvores umas às outras, formando até, no cimo das cabeças deles dois uma espécie de teto improvisado onde várias lâmpadas se encontravam suspensas. A meio, encontravam-se dois bancos devidamente decorados.
— Você fez tudo isso? – Alhena perguntou um pouco abismada, enquanto Peter sorria para ela, confirmando o que havia acabado de perguntar. – Como vamos iluminar essas lâmpadas? – Alhena perguntou ao olhar para ele, um pouco receosa sobre o que ele podia dizer a seguir.
— Eu estava pensando que você me podia ajudar com isso. – Ele falou enquanto se aproximava dela a passos lentos e coordenados. – Eu sei sobre você. – Ele falou enquanto pegava na mão dela a olhando nos olhos.
— Não sei do que estás para aí falando. – Ela disse nervosa enquanto soltava a mão dele da dela. – Eu nunca devia ter vindo, tudo isso foi um erro.
— Não. – Peter disse segurando a mão dela de novo. – Eu falei que sabia o que você era, não falei que iria contar a alguém. Vamos Alhena, confie em mim só dessa vez. – Ele falou de novo segurando a mão dela mais firme contra a dele.
— Porque eu haveria de fazer isso? – Ela perguntou baixo enquanto os seus olhos se encontravam vidrados nos dele.
— Porque assim como você, eu também sou uma criatura da noite. – Ele falou baixo enquanto elevava a mão dela com cuidado, até à mesma tocar numa das lâmpadas. – Apenas o faça. – Ele pediu de novo, baixo enquanto fazia os seus olhos brilharem num tom amarelo reluzente.
Ainda abismada com o que acabara de ver, Alhena fechou os seus próprios olhos e inspirou fundo, sentindo a magia fluir rapidamente sobre o seu corpo, fazendo os seus dedos tremerem um pouco durante alguns segundos, antes de tudo se desvanecer, como se nunca tivesse existido, a fazendo abrir os seus olhos, agora num tom rosa claro, para encara-lo.
— Por favor não faça isso. – Peter pediu para ela, enquanto se apercebia que ela iria esconder o seu rosto. – Não feche os olhos, por favor. – Ele voltou a pedir, enquanto os dele voltavam a reluzir num tom amarelo brilhante.
Sem pensar duas vezes Peter se aproximou com cuidado, colocando as suas mãos no rosto dela, a puxando mais para perto dele.
— O que você está tentando fazer? – Alhena perguntou se afastando dele rapidamente.
— Talvez eu estivesse tentando beijar você. – Ele admitiu com uma voz calma, a fazendo tremer por dentro.
— Talvez eu não queira ser beijada. – Alhena disse de forma rude enquanto recuava dois passos para trás. – O sol está nascendo, devíamos voltar. – Ela disse nervosa enquanto passava as suas mãos pelos braços e mordia o lábio inferior.
— O que eu fiz de mal para você agir assim? – Ele perguntou com uma voz magoada enquanto recuava, também ele, um passo. – Num momento nós eramos melhores amigos, e no outro você me odiava mais do que qualquer outra pessoa.
— Eu não odeio você. – Alhena respondeu numa voz tremura, enquanto mordia o lábio de novo, já sabendo o rumo que aquela conversa estava a levar.
— Isso é mentira, eu sei que você odeia. – Ele falou rudemente enquanto suspirava fundo. – Eu tentei perceber o que havia dando em você para me odiar tanto, juro que tentei, eu procurei por todo o lado, perguntei a toda a gente, mas ninguém sabia o porque de você agir assim. Então, eu me contentei em tentar descobrir o que aconteceu com você e sempre continuei a tentar reaproximar de você Alhena, mas sempre que eu dou um passo em frente, você recua três. – Ele admitiu enquanto suspirava fundo e dava de costas para ela. – Eu desisto, sabe? Acabou. Estarei esperando no carro para te levar a casa, e depois disso te deixarei em paz, como pediu. – Ele acrescentou por cima do ombro com uma voz rude que ela nunca ouvira vinda dele.
Suspirando fundo, Alhena o viu desaparecer nas sombras das árvores a passos largos a deixando para trás.
You make we wanna love, hate, cry, take, every part of you
You make me wanna scream, burn, touch, learn, every part of you
Ooh, ooh, ooh, ooh
— Chegamos. – Peter falou rudemente enquanto parava o carro em frente da casa de Alhena, a fazendo suspirar fundo. Sem falar mais nada, ela pegou na sua mala e se preparou para sair do carro e para deixa-lo para trás, por muito que a sua vontade fosse de lhe contar a verdadeira razão dela se ter afastado dele.
Lutando contra o seu maldito orgulho, ela se virara para sair do carro, mas algo a fez parar. E, pela primeira vez em muitos anos, não era o seu orgulho.
— Eu me apaixonei. – Ela falou com uma voz fraca, fazendo Peter arquear uma sobrancelha. – Eu me apaixonei por você e isso me deixou aterrorizada. De tanta gente, tinha de ser logo a única que nunca iria olhar para mim do mesmo jeito que eu te olhava todos os dias. Então eu me afastei, porque estava demasiado assustada pela ideia de estar completa e pateticamente apaixonada pelo meu melhor amigo. – Alhena disse numa voz fraca enquanto o encarava durante alguns segundos, o vendo a encarar a paisagem do lado oposto do carro. Sem falar mais nada, ela limpou a única lágrima que escorrera pelo seu rosto e se preparara para finalmente sair dali e ir para bem longe dele e de todos os sentimentos que insistiam em existir, por muito que ela não quisesse.
— Porque você não me contou antes? – Ele perguntou baixo antes de ela bater com a porta do carro. – Porque? – Ele repetiu, enquanto saia do veículo e andava até perto dela com um ar sério no rosto.
— Que diferença faria? – Ela perguntou.
— Faria toda a diferença, porque eu também amo você. – Ele murmurou baixo encarando os olhos azuis dela durante alguns segundos, enquanto ela se aproximava dele com cuidado, enquanto suspirava de forma pesada. – O que você está fazendo? – Ele perguntou baixo.
— Talvez eu esteja tentando beijar você. – Ela murmurou baixo, o fazendo sorrir para depois acabar com a distância que ainda existia entre eles.
You make we wanna love, hate, cry, take, every part of you
You make me wanna scream, burn, touch, learn, every part of you
Ooh, ooh, ooh, ooh
Fale com o autor