Shadow
1 Renascimento
Notas iniciais
A minha história já estava fadada a um terrível final desde o momento em que eu vesti aquela máscara estúpida. Meu nome é Peter Parker e eu sou o Homem Aranha.
Tudo começou após aquela noite, a noite em que Norman Osborn, o Duende Verde, destruiu meus sonhos. A noite em que Gwen morreu. Gwen não foi a única a morrer aquela noite, Norman acabou se matando por acidente com o próprio planador e, além dessas duas mortes, uma parte de mim também tinha morrido. Por alguns meses o Homem-Aranha desapareceu. Eu via os noticiários falando sobre eu ter fugido ou me escondido por medo. Eles não estavam totalmente errados, eu não poderia deixar mais inocentes morrerem em minhas mãos.
Durante esse período eu estava mais focado do que nunca no Clarim Diário, e cara, trabalhar com J.J Jameson é horrível, ele me odeia, quer dizer, odeia o Homem-Aranha. Apesar de eu não estar na ativa, ele se vangloriava chamando o aranha de covarde, dizendo que ele não tinha coragem para terminar o que começou. Eu tentava responder, mas não conseguia.
– Talvez ele não consiga fazer nada no-
– Besteira! – Jameson me cortou aos berros – Se ele tivesse coragem ele estaria ajudando as pessoas!
– Espera, não era você que era contra ele esse tempo todo? – questionei – Não foi você mesmo que disse que ele era um vigilante, um criminoso?
– Parker! Eu sou o chefe aqui e eu tenho a razão! – gritou – Agora você e Broock vão para casa, quero os dois hoje à noite na estação da N.A.S.A para tirar fotos na festa em comemoração à chegada dos astronautas, aqueles homens sim merecem ser chamados de heróis!
– É Brock senhor – falou corrigindo Jameson – Seu filho está na nave, não está Sr. Jameson?
Brock era alto, loiro e musculoso, mas sua maior qualidade era ser um grande puxa saco.
– Sim! John Jameson, o maior herói americano – Jameson falou apertando uma folha de jornal – e ele nem precisa usar uma fantasia carnavalesca ridícula para isso!
Brock e Jameson ficaram rindo e eu segui meu caminho para casa.
Chegando em meu apartamento me deitei no colchão e fiquei olhando uma mala atirada dentro do guarda roupas. Fiquei parado por minutos que pareceram eras e então resolvi fazer algo para mudar o foco dos pensamentos relacionados a certo homem e a certa aranha. Liguei o rádio e fui tomar banho.
Ouvi um radialista frenético dizer que havia um garoto vestido como Homem-Aranha parado na frente um cara enorme vestido de rinoceronte na Times Square. Aquilo foi a gota d’água. Saí do banho rapidamente, guardei minhas roupas em uma mochila junto a minha câmera, abri a mala que estava no chão, coloquei a roupa que estava ali dentro finalizando ao botar a máscara e em seguida me atirei pela janela. O Homem Aranha estava de volta.
Percorri a cidade sentindo o calor do final de tarde se esvair enquanto me balançava pelos prédios o mais rápido que conseguia. Quando finalmente cheguei na Times Square, parei atrás de um garotinho vestido de Homem-Aranha segurando a máscara em mãos e chamei sua atenção.
– Ei, Homem Aranha – ele se virou pra mim – Será que pode deixar esse ai pra mim?
– Eu sabia que você ia voltar! – ele disse com brilho nos olhos.
– Valeu carinha, agora vai lá cuidar da sua mãe, está bem? – ele concordou com a cabeça e correu em direção a sua mãe.
Lá estava eu, frente a frente com um cara de dois metros vestindo uma fantasia de rinoceronte, olhei para ele e não consegui controlar a risada.
– Em nome de todos os habitantes de Nova York e, principalmente, de todos os rinocerontes de verdade – falei provocando o grandão fantasiado – Peço que pare imediatamente com o que está fazendo.
– Rhino vai matar você! – disse ele aos berros – Rhino vai quebrar você, depois ele vai dilacerar você e por final ele vai matar você!
– Rhino sempre refere a si mesmo em terceira pessoa? – falei imitando a voz do brutamontes e ele veio imediatamente correndo em minha direção – Ah, lar doce lar!
Quando ele estava a quase um metro de distância pulei por cima dele e puxei seu chifre que quebrou imediatamente, olhei para o chifre e disse:
– Onde você comprou isso? Na lojinha do zoológico?
– Rhino vai destruir você! – Rhino gritou e virou tentando me dar um soco.
– Tudo bem grandão – falei lançando uma teia seu braço grudando-o no chão – A gente se divertiu mas eu já estou atrasado.
Comecei a lançar teias em seu corpo até ele ficar parecendo um inseto preso em uma teia de aranha, quando ele voltou a gritar:
– Isso não termina aqui Aranha! Rhino vai pegar vo-
Lancei uma teia em sua boca e respondi:
– Te vejo na cadeia Rhino – falei colocando o pé em seu peito – a propósito, Aranha 1, Rinoceronte 0.
Saí de lá ouvindo aplausos e gritos das pessoas dizendo “O Aranha voltou, é isso aí!”, agora eu ia em direção a festa na N.A.S.A com um sorriso bobo debaixo da máscara. Como eu amava ser o Homem-Aranha.
Chegando na N.A.S.A botei rapidamente meu terno amarrotado por cima da fantasia, pegando a câmera e escondendo a mochila em um canto.
Ao entrar no salão da festa me deparei com um lugar enorme que parecia uma garagem e logo de cara vi Jameson puxando sua esposa vindo em minha direção:
– Parker! – disse ele com o mesmo tom exagerado de sempre – Onde você esteve?!
– Desculpe Sr. Jameson, eu perdi o horário...
– Não importa. Brock cobriu a sua parte nas fotos durante o discurso, você pode tirar fotos dos convidados.
Ao andar pelo salão vi Brock conversando com Mary Jane, ele me olhou e deu um sorriso amigável, o qual eu não retribuí.
Eu caminhava até M.J e Brock saia na medida em que eu me aproximava fotografando os outros convidados. M.J se virou e ao me ver me deu um beijo e um abraço:
–Pete! – exclamou – Sabia que ia vir, mas o que está fazendo aqui?!
– Tirando algumas fotos – sorri olhando pra ela – Será que posso tirar algumas fotos suas?
— Quer tirar fotos minhas tigrão? – ela disse levantando a sobrancelha e dando um sorriso no canto do lábio.
Segurei o riso e respondi:
– São para o Clarim M.J – falei sorrindo – Você não se importa, certo?
– Claro que não! Além do mais, o mundo merece saber da existência de minha incrível beleza!
Demos risadas e continuei a fotografar.
No fim da noite o salão já estava esvaziando e encontrei o capitão John Jameson. Me aproximei dele e o cumprimentei.
– Boa noite capitão, como está sendo essa noite?
– Sr. Parker! – falou estendendo a mão e em seguida me deu um abraço – a noite está ótima, realmente, foi uma ótima recepção, está se divertindo?
John é alto, loiro, tem um ar de confiança, é extremamente educado e é provavelmente uma das pessoas mais amigáveis que já conheci, totalmente o oposto de seu pai.
– Estou aqui a trabalho, mas os aperitivos estão deliciosos! – demos risada e em seguida perguntei – Será que posso tirar fotos suas?
– Sem problemas Peter e se quiser em seguida pode tirar algumas da nave também, acredito que meu pai será exigente até demais, como de costume, mas peço para meu pessoal abrir o lugar para você.
– Isso seria demais! Valeu mesmo John!
Quando terminei as fotos com John fui fotografar a nave, o lugar era enorme, tirei fotos de todos os cantos, até mesmo dos banheiros, sério, aquilo era impressionante.
No momento em que eu saia da sala senti ter pisado em algo gosmento, olhei para o chão e não vi nada, achei que não tinha importância e segui meu rumo até a saída.

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