Shade Of My Soul
1 Fire.
Notas iniciais
Tudo quieto, tudo sem vida...
Corações desalmados, mentes conturbadoras do bem e do mal, por que insistem em me ferir? Por que justo a mim?
Por que desejaram-me envenenado?
Ensinamentos que eu desejara antes de perder-te, Minos... Que dor terrível é esta? Como pode doer tanto uma perda?
Levara a metade restante de mim, levara minha sobriedade, trouxera minha doença sádica e incapaz de sedimentar-se longe do que me tornara.
Eu sabia que nada seria fácil, sabia que haveria turbulências e insistências, mas... Persisti! Até que tudo tivera um fim dramático e trágico; a sua falência.
Vou explicar-me, querido leitor.
Na madrugada do dia 24 de fevereiro...
Minos, meu amante, me acordara no meio da noite engasgado, me constatando uma falta de ar, uma insuficiência cardíaca.
Ficara sem reação.
Sua dificuldade para respirar me dava agonia, e nada eu pudera fazer... Levara-te para um médico instantaneamente, enquanto ele alegava enfisema pulmonar.
E nada eu sabia sobre, não sabia como lidar...
Não imagina que tudo viria a piorar, para a minha desgraça pessoal e para ao seu leito mortal.
Queria pedir-lhe-ei leitor, que compreenda, tenho muita dificuldade para poder contar-lhe isto, mas é necessário libertar essa dor que sufocas meu coração, que acorrenta minha alma e dilacera meu coração.
Dois dias depois, sua situação piorara, não tinha disposição para andar, para me acarinhar, para nada. Desespero.
Pedira por socorro aos deuses, repetindo sempre a mesma oração todos os dias, como um mantra:
“Força do incessante, que tanto me doa forças para continuar a conspirar contra tudo cujo me pragueja e enfraquecer-me-ei.
Julga-me pelos meus atos, não apenas pelas meras palavras de inúmeras verdades e ilusões de um passado para um condenado à vida e pela irremunerável dor que és para os deliberados.
Estremecer-me-ei quando mais necessitar de tua consolação divina e ancestral para que eu obtenha os males necessários para regredir a tudo que me és considerado baixo e sem alguma expectativa razoável para um brilhante futuro que um dia pode nos levar a uma suave inércia.
Joga-me ao solo quando vir-me usando como escudo barreiras de solidão para não abranger os mais sublimes e puros sentimentos.
Santificada força que nos condena à morte súbita, leva a rancorosamente pensar e tornar-te-ei um náufrago dos próprios pensamentos.
Diferença do impossível, que trouxestes a paz avassaladora de um presente instável e inconsciente, lembra-te de quantas vezes eu rogara por tua insistência contra males e pregações? Lembra-te de variáveis vezes que eu não apenas me rebaixara por algo maior e puro como as águas mais cristalinas de um oriundo palestro?
E se for para julgar algo ou alguém... Julgue-me, mas permita ao meu amor a vida... Permita que ele continue firme e saudável, nem que para isso seja necessário a doação de minha vida. Mas o mantenha!”
Não entendera o porque a vida estivera por tanto tempo fazendo aquilo com aquele que eu tanto amava. Fazendo meu amado sofrer. Quisera entender o por que de isso estar acontecendo com seu melhor amigo, meu amante, meu irmão, minha alma gêmea. Chorar não adiantaria.
Mas agora eu finalmente entendera a força da minha prece, e como eles me atenderam por algum tempo. Mantendo-o vivo, porém sofrendo. Tantas vezes roguei para que isso parasse e se transferisse para mim.
E realmente, eles me fizeram isso. Pois eles o levaram, mas a dor continuara inerte dentro do abismo de minha mente. E afundou-me como um navio que a pouco fora eclodido. Tudo pegara fogo.
Mais uma vez eu o levara para o hospital, o estado agravara...
E eu chorava quando o médico veio até mim para dizer-me o doloroso diagnóstico, lembro-me de cada palavra que apunhalava-me pelas costas;
“ Lamento em dizer-te que o estado é irreversível e cruel. Ele adquiriu DPOC, doença pulmonar obstrutiva crônica. É algo que por irremediavelmente mata o portador, uma morte lenta e dolorosa. Não temos nada o que fazer, a não ser esperar.”
Meu mundo desabara desde então, perdera qualquer sentido que ainda existia em minha vida. E por longos meses isso durou, a minha rotina de não dormir para acompanhar-te e verificar seu estado.
Até que um dia eu reparara um grande inchaço em suas pernas, novamente aquela insuficiência respiratória junto com tosse seca, o que resultara na falta de oxigênio no sangue, levando-o a ter um colapso cerebral, do qual não resistiu.
Era noite de sexta feira, o luar soava constantemente pequenos reluzes de energias que o irradiavam e o protegiam como um manto digníssimo, e o sereno levava esse encanto a cada uma de nossas orbes.
Dia de saída com os amigos, como de praxe para a maioria das pessoas do mundo atual, e hoje mais uma vez seria o mesmo para mim. O mesmo de um ano depois após sua morte. Mas assim eu me sentia, um lixo, um nada. Agora essa dor está desencadeada, de uma forma encantadora, que poderá me levar pro abismo, mas que me salvara dessa perdição sem fim.
Como lidar? Com algo que nem eu sei explicar? Como saber se o que existe é real?
Ou se tudo não passa de uma ilusão. Uma bela ilusão.
Sentimentos? Nunca os tive. Estranho negar, que apenas uma vez estive apaixonado.
E assim continuo... Por anos... E assim morrerei.
A grande arte de amar. A arte mais admirável que existe. Uma grande explosão, um auto-suicídio .
Entrega. Fizera-me sofrer tanto. Mas mesmo assim um louco apaixonado. Besteira.
Fique comigo. Fale comigo. Eu quero senti-lo outra vez, preciso tê-lo aqui.
Não mais que isso seja não tão mais importante que sua ausência.
Sofrer em silêncio. Reviver . Morrer de amor.
Escuridão. Sofrimento. Assim que é amar?Ou será que estou enganado?
Tantas perguntas para apenas uma resposta : Eu estou perdidamente apaixonado por alguém que já se fora, mas que de qualquer forma eu ainda não conseguira esquecer. Alguém que nem eu imaginava que o sentimento um dia chegasse à tanto.Mas superou os limites,e a razão. Explodindo por dentro,mas se concretizando por fora. Uma face sobre face. A realidade oculta pela penumbra celestial.
Eu sofrera calado, sofrera com o silêncio, sofrera com as voltas que o mundo irradia.
Queria saber esquecer e entender o por que esse amor ainda se estendia sobre mim, queria apenas tentar outra vez ser feliz. Mas algo sempre me apertara o coração. Sabia que nunca mais fora o mesmo, que mudara muito.
Prometera em vão que não choraria mais por amor,por amizade e mais nada, que seria forte o bastante para superar as dores e os problemas que a vida nos trás.
E já me via novamente deixando uma lágrima escorrer de meus olhos, lembrando de todo meu passado e presente.
Alguns me diagnosticaram como “Depressivo”. Talvez estejam corretos.
Muitas vezes por lutar pelos meus sentimentos, e não deixar minhas promessas morrerem, acabei me ferindo mais do que se eu tivesse deixado tudo de lado para ser feliz .
Mas de todo esse sofrimento levara muitos ensinamentos e quem sabe lições para a geração futura.
“Pensa em teus filhos, como pensara em um dia em um ilusório suicídio, para que pudeste esquecer algo que um dia perfuraste teu peito numa angústia, como em uma estacada de uma adaga cravada aos seus sentimentos.
Pensa-te, não te esqueça tão facilmente. Recorde-te de tantas tentativas de um absurdo abalável que sempre beirara ao possível esquecimento de uma natureza tão bela quanto gramados verdes e completos de vida; o natural do amor.
Acostume-te com as dores que isto pode ter-lhe causado, e fortifique-se com a verdade da sua essência e leve-se até o mar.
E dessa maneira, flutue...
Continue inerte até quando considerastes necessário e sádico o suficiente, não esconda-se entre emaranhados de almas que tentam-lhe tirar a sanidade a todo instante consciente da real intenção da vida e de teus mistérios, protegidos por um casulo de rancor e pêsames.
Esqueça-te de tudo e continue a caminhar pelos caminhos abstratos que a ironia pode lhe entregar.
Mas acima de tudo; te entregue para algo, ou alguém.”
Talvez tenha sido meu veneno... Que tenha o levado.
Fale com o autor