Notas iniciais
Hey Guys, cap novo e postado bem rapidinho! Parabéns para nós e boa leitura.

Caroline

Eu senti sua proximidade antes mesmo de ele me tocar, era um formigamento na pele, que aquecia de dentro para fora, eu sentia seu corpo onde quer que estivéssemos. E então sua respiração bateu em meu pescoço e eu me arrepiei inteira.

― Essa discussão ainda não acabou.

Falou ele, mas sua voz estava rouca e o desejo estava nítido no seu tom.

― Já sim. Eu vou ser modelo se eu desejar isso, e você pode me apoiar ou não, a escolha é sua.

Falei mas minha própria voz soou mais baixa, enviando vibrações por meu corpo.

― Então é isso? São minhas únicas opções?

Sua camisa roçava nas minhas costas, bem de leve, mas eu me mantive no lugar, embora desejasse muito me virar para ele e agarrar seu rosto calando aquela boca deliciosa e arrogante.

― São suas únicas opções.

Confirmei então seus dedos agarraram minha cintura e me puxaram contra ele, fazendo-me sentir a rigidez da sua excitação contra mim. Um dia eu ainda descobriria por que brigas nos excitavam tanto.

― Então, você vai seguir a carreira que quiser.

Concordou ele mordendo o lóbulo da minha orelha e eu gemi num misto de dor e excitação.

― E eu vou detestar isso, principalmente quando eu vir você por todos os lados.

Suas mãos se enrolaram em meus cabelos e puxaram minha cabeça para trás fazendo-me arfar e então ele expôs meu pescoço e o roçou com os dentes.

― Não quer que as pessoas me vejam?

Perguntei me aproveitando dos últimos segundos de raciocínio lógico que eu ainda possuía.

― Você é minha deusa da luxuria Caroline, e eu certamente não quero outros homens cobiçando você por aí.

Falou ele e beijou meu ombro.

― Pelo lado positivo você pode pensar que eles cobiçam, mas só você pode ter.

Um grunhido soou no fundo do seu peito e ele deu um tapa na minha bunda e me inclinou para frente segurando meus braços e espalmando minhas mãos na penteadeira. Depois puxou meus quadris para trás.

― Você pode escolher fazer qualquer coisa que quiser lá fora e eu não vou mais discutir isso.

Falou ele me encarando através do espelho.

― Mas dentro no nosso quarto não é bem assim que funciona.

Então ele desceu os dedos lentamente por minhas costas e segurou minha bunda com as mãos, sem desviar os olhos dos meus. Eu não conseguia respirar direito. Seu desejo e sua postura me subjugavam e eu só queria ficar ali e deixá-lo fazer o que quisesse comigo.

― Fique paradinha aqui que eu já volto.

Falou ele então saiu de lá, e a expectativa me deixou totalmente imóvel, ele ainda estava bravo por tudo que discutimos a pouco. Mas eu não me incomodava com isso, mesmo sendo meio irracional e egocêntrico as vezes, Klaus sabia que não podia me impedir. Ele entendia que eu podia e tomaria minhas próprias decisões.

Então ele voltou, trazia alguma coisa nas mãos e estava descalço e sem camisa. A visão de seu peito nu me encheu de expectativas e eu desejei tocá-lo. Mas permaneci no lugar, então ele voltou para minhas costas e se inclinou sobre me beijando-as, seu peito estava quente e nossas peles unidas me faziam querer mais.

Então ele afastou minhas pernas com os joelhos e eu senti sua mão no meio das minhas pernas começarem a me massagear, bem devagar. Enquanto sua outra mão brincava com meus seios que se intumesciam cada vez mais com seu toque.

Eu me arrepiava cada vez mais, sentindo-me pulsar por dentro de vontade de senti-lo, ele também se apertava contra mim e eu sentia o seu pau pulsar demonstrando o quanto ele também queria.

― Por favor, Klaus...

Murmurei sem nenhuma vergonha por desejá-lo tanto, por querê-lo tanto. Pois nosso desejo era idêntico, tudo que eu sentia eu via refletido em seus olhos sobre o espelho, e ante as minhas palavras ele gemeu e tirou as mãos dos meus peitos pegando algo em cima da penteadeira, eu até pensei em olhar o que era, mas seus olhos queimavam em expectativa e uma luxuria tão intensa que me fazia perder o fôlego.

― Basta me dizer para parar que eu paro.

Comentou ele e eu não entendi a pergunta, jamais imaginei um cenário em que eu quisesse aquilo, mas então sua mão deslizou por minha bunda, eu sentia seus dedos escorregadios na minha pele e então ele parou e minha respiração ficou presa na garganta quando entendi. Seu dedo brincou um pouco em minha bunda e então penetrou um pouco, um rubor se espalhou por minha face e eu tremi um pouco, ante a expectativa do que estávamos fazendo.

Seus dedos estimularam meu clitóris um pouco mais rápido e eu arquejei me empurrando contra ele, e nesse movimento seu dedo ganhou mais espaço na minha bunda numa penetração um pouco mais profunda. E a sensação foi tão intensa que me fez perder o fôlego e gemer mordendo o lábio.

Klaus deixou o dedo parado por alguns segundos, deixando que eu me acostumasse com a sensação, então ele penetrou mais profundamente, e eu arqueei as costas. A sensação de fazer aquilo era diferente e deliciosa, o prazer se acumulava em meu ventre, intenso e sem barreiras, embalados pela sensação de estar fazendo algo que não deveria.

Então ele movimentou o dedo lentamente no mesmo ritmo que me estimulava, e eu já não me sentia capaz de raciocinar, tudo o mais parecia ter perdido a nitidez, e eu só conseguia me concentrar nele.

Klaus respirava pesadamente as minhas costas, e aquilo deixava tudo ainda mais intenso, só que ele tirou o dedo da minha bunda e voltou com o que eu imaginei ser lubrificante e espalhou um pouco mais em mim, eu quase gemi de frustração, e me surpreendi com meu próprio sentimento, eu não queria que ele parasse.

Mas então ele se aproximou de novo, só que dessa vez, ele se posicionou em minhas costas e senti seu pau pulsar mais uma vez, então ele penetrou um pouco num movimento lento e sensual e eu fiquei parada no lugar. Sentindo uma leve ardência, mas ao mesmo tempo querendo sentir mais, aquela penetração discreta com seu dedo já tinha sido deliciosa, então eu só podia imaginar como seria toda a sua extensão masculina dentro de mim.

― Tudo bem?

Perguntou ele e sua voz estava rouca, com um prazer mal disfarçado no tom.

― Sim.

Respondi, então ele voltou a massagear meu clitóris, ao mesmo tempo que ganhava um pouco mais de espaço dentro de mim, eu fechei os olhos e gemi, o desconforto aumentava, mas a mesma proporção que o prazer e a excitação daquele ato se acumulavam em meu ventre, ele esticou a mão para frente e segurou meus cabelos puxando meu rosto para trás e beijando meu pescoço, a súbita proximidade fez ele entrar ainda mais profundamente e eu gemi abrindo os olhos.

O espelho refletia meu corpo coberto por uma leve camada de suor, sua mão no meio das minhas pernas, meu rosto vermelho e o olhar carregado de desejo, Klaus beijava meu pescoço com reverência, sua boca parecia querer marcar cada pedacinho de pele, e aquela cena inflamou ainda mais meu corpo, fazendo-me empurrar o quadril em direção a ele, então eu o senti pulsar completamente dentro de mim, ele levantou a cabeça e um grunhido grave ressoou no fundo da garganta. Eu mordi o lábio, tentando administrar a sensação de ser preenchida naquele lugar, e as pontadas de dor que eu sentia.

Mas eu queimava por dentro, a intensidade do que eu queria triplicou e tentei me movimentar, mas ele segurou meu quadril com força e fechou os olhos.

― Vou machucar você desse jeito, vamos com calma.

Falou ele por entre os dentes e voltou a massagear meu clitóris, ainda prendendo minha cabeça, deixando meu pescoço exposto e livre para seus lábios, enquanto ele saia de mim bem devagar e penetrava de novo, novas pontas de dor me fizeram arquear as costas, ma a sensação de preenchimento fazia o prazer se acumular em meu ventre.

Só que Klaus não me permitia aumentar o ritmo, ele restringia os movimentos segurando minha cintura, e me penetrando tão devagar que parecia temer que eu fosse partir ao meio, embora seus olhos ardessem e seu rosto vermelho denunciassem o quanto ele queria aquilo também.

Mas eu já estava no limite, meu corpo estremecia cada vez que ele me preenchia novamente, o prazer parecia estar represado em meu ventre e iria explodir a qualquer instante.

― Klaus... Eu preciso gozar...

Falei encarando seus olhos pelo espelho então ele empurrou meus ombros um pouco para frente, fazendo com que eu empinasse o corpo ainda mais para ele e saiu de dentro de mim, mas então seu dedo voltou a me estimular mais rapidamente e ele voltou numa estocada profunda e certeira, fazendo-me gritar e empurrar os quadris contra ele gozando com tanta força que meus dedos dos pés se arquearam, então ele se inclinou sobre mim e senti seus próprios gemidos graves ressoarem em seu peito enquanto ele estocava rapidamente gozando também.

Quando eu finalmente fui recobrando meus sentidos e conseguindo respirar, eu sentia que minhas pernas estavam moles e meu corpo trêmulo.

Klaus saiu de dentro de mim mas me puxou para seu colo, eu abracei seus ombros e ele beijou minha testa.

― Vamos tomar um banho.

Falou ele e eu concordei, enquanto ele me levava para o banheiro. Quando entramos a banheira já estava cheia e o delicioso cheiro de sais de banho impregnava o banheiro. Ele entrou no banheiro comigo ainda em seu colo e se sentou levando me junto. A água quente fez eu sentir uma pontada quando tocou a parte do meu corpo que estava sensível nesse momento e ao sentir meu leve sobressalto Klaus me abraçou e me apertou contra seu peito.

― A água quente ajuda a aliviar a dor.

Falou e ele e eu me aconcheguei ali me sentindo bem e confortável.

― Você está bem?

Perguntou ele em meu ouvido depois de alguns minutos de silêncio, eu ergui a cabeça e o encarei séria.

― Está brincando não é? Como eu poderia não estar bem?

Falei olhando para ele com incredulidade, então ele riu de lado.

― Estou falando sobre a dor espertinha.

― Ah, isso... Bom é como perder a virgindade, bom tecnicamente eu perdi a virgindade, mas daqui a pouco passa.

Ele riu um pouco e enrolou meus cabelos num coque.

― Veja só Senhora Mikaelson, já somos casados e ainda temos virgindades a perder?

― Quem diria não é?

Concordei com ele, e então meu estomago reclamou e eu ri de novo.

― Vamos descer e jantar?

Perguntei a ele.

― Vamos jantar na cama, eu vou descer e preparar alguma coisa.

Então saímos do banho e ele me enrolou num roupão e me deixou na cama com um beijo na testa e um “volto logo” por cima do ombro, então eu me aconcheguei sorrindo e olhei para a pasta em cima da penteadeira. Depois me sentei e a peguei novamente, e involuntariamente lembrei da imagem minha e de Klaus fazendo amor diante do espelho.

Eu estava excitada e vermelha, mas ao mesmo tempo poderosa e sexy, pelo jeito que Klaus olhava para mim. Então me lembrei de todos os outros olhares que recebi durante a vida. Pena. A garotinha que com o pai gay. A garotinha que perdeu a mãe. A garotinha largada pelo namorado. A garotinha que perdeu as pessoas que a criaram. A secretária que tinha um caso com o chefe. A idiota que tinha um caso com um cara noivo. A garota que foi largada no altar...

Todos esses olhares eu conhecia e me lembrava pois eles me cercaram por muito tempo e me marcaram fazendo com que eu abaixasse a cabeça e fingisse não ver. E eu não queria mais isso. Queria que as pessoas me olhassem que admiração, e queria olhar para elas de volta. E talvez aquela proposta que pareceu tão louca no começo feita por caras igualmente loucos num salão de beleza fosse isso para mim. A oportunidade de olhar para as pessoas e não me incomodar que elas me olhem de volta, porque vou estar pensando, “Vejam só, não sou digna de pena, estou no comando da minha vida com salto quinze.”

Klaus entrou no quarto com uma bandeja nas mãos, ele olhou para a pasta em minhas mãos, mas não disse nada apenas sentou ao meu lado.

― É isso que você quer fazer?

Perguntou ele segurando minha mão.

― É isso que eu quero fazer.

Concordei e olhei para ele.

― Eu apoio você, mesmo não gostando disso. Mas vou estar aqui se você precisar de mim.

Concordou ele e meu peito transbordou de alegria. Parecia que eu tinha conseguindo enfiar naquela cabeça dura que eu poderia fazer qualquer coisa Eu abracei seu pescoço e o beijo enquanto ele me puxava para seu colo.

― Mas com uma condição.

Falou ele e eu afastei o rosto ficando séria.

― Que condição?

― Você tem que ensaiar pelada para mim antes de qualquer foto.

― Tarado.

Falei e empurrei seus ombros fazendo-o se deitar.

― Você é o babaca mais adorável que já conheci sabia?

Falei beijando seu rosto e então ele rolou por cima de mim.

― Não sei se isso foi um elogio, mas precisamos comer antes do segundo round.

Dei um sorriso sensual para ele e toquei seu peito.

― Vai ter um segundo round?

― Vai ter muito mais que o segundo round senhora Mikaelson, é bom estar pronta.

Então ele me puxou junto com ele e nos sentamos enquanto comíamos alguns sanduíches que ele trouxe.

― Meus pais vão voltar para Inglaterra, quer dizer, minha mãe e Mikael.

Falou ele e seu tom era despreocupado, mas tinha muitas outras emoções confusas dentro dele. Muitas que talvez nem ele mesmo entendesse. Eu queria conversar com ele, talvez até fazê-lo falar, mas eu entendia que ele precisava de um tempo para saber como lidar com aquilo tudo.

― Isso é bom?

Perguntou olhando para ele e ergui a mão acariciando seu cabelo. Estava mais curto que o de costume e a cicatriz do acidente ainda era visível. Estremeci só de me lembrar tudo que aconteceu a tão pouco tempo e toquei-a levemente, então ele percebeu a direção dos meus pensamentos e pegou minha mão beijando as pontas dos dedos.

― É bom. Talvez agora eles consigam fazer algo de bom com a vida deles, além de tentar controlar a nossa.

Terminou ele e assim que terminamos de comer ele pegou a bandeja e a pós na cabeceira da cama me puxando para um abraço e eu o abracei de volta me encolhendo em seus braços.

― Eu sei que é egoísta mas eles pareciam sugar todos nós, talvez agora que estejam longe, meus irmãos consigam encontrar seu caminho.

Falou ele e eu concordei, sentindo o ritmo constante do seu coração me embalar num sono delicioso.

Acordei na manhã seguinte com o toque insistente do meu celular, resmunguei e coloquei o travesseiro sobre a cabeça, estava tão confortável que não queria nem pensar em acordar.

― Alô?

Ouvi Klaus atender e puxei as cobertas.

― Alô?

Repetiu ele aborrecido e escutou por algum tempo.

― Só um momento.

Falou ele e puxou o travesseiro do meu rosto, eu bufei querendo voltar a dormir e ele beijou meu rosto.

― Alguém chamado Alex.

Falou ele me entregando o telefone, eu o peguei de olhos fechados e coloquei no ouvido.

― Alô?

Respondi e tive que afastar o telefone do ouvido tal era a empolgação de Alex.

― Ah meu Deus! Eu falei com ele! Que voz incrível e com sotaque... Eu preciso falar com ele de novo, com certeza.

― Alex...

Chamei tentando fazê-lo falar alguma coisa coerente.

― Ele falou meu nome com ele sotaque tipo “Alaaxx”, Você ouviu? Meu Deus do céu, estou hiperventilando aqui...

― Alex, foco!

Falei de novo mas até ri um pouco.

― Ah sim, claro. Bom dia Caroline! Espero que tenha dormido bem, e talvez um pouco de sexo britânico e suado com seu marido...

― Alex!

Reclamei de novo.

― Desculpa! Eu só queria confirmar com você um horário para você vir aqui, ou talvez podemos ir na sua casa e...

Ouvi alguém brigar com ele e o telefone ficou mudo por alguns instantes, depois alguém limpou a garganta.

― Aqui é o Ethan Caroline, e nem posso começar a dizer o quanto estou constrangido pelo meu irmão. Mas ligamos na verdade para ver se você conseguiu dar uma olhada na proposta, se tiver qualquer dúvida podemos te esclarecer, ou alguma coisa que queira mudar.

Falou ele e então eu me sentei na cama olhando para Klaus que estava deitado com a cabeça apoiada nas mãos.

― Eu aceito o trabalho.

Falei e então Klaus deu um pequeno sorriso, e aquilo foi tão perfeito que quis me jogar sobre ele.

― Ótimo! Pode passar aqui no estúdio, podemos marcar o horário para as fotos e ver o contrato.

― Claro, eu te ligo está bem?

― Tudo bem! Só para constar, Alex está pulando aqui.

― Mande um tchau para ele, e diga que vou fazer sexo britânico e suado agora mesmo.

Ethan ficou mudo por alguns instantes e então limpou a garganta algumas vezes.

― Eu definitivamente não vou conseguir repetir isso, mas digo que você mandou um tchau.

― Tchau Ethan.

Respondi sorrindo e jogando o celular em cima da cama, e num segundo já estava debruçada sobre Klaus beijando seu peito.

― Sexo britânico e suado é?

Perguntou ele e eu sorri.

Querendo aproveitar aquela manhã. Na verdade querendo aproveitar todos os momentos da minha vida que tinha voltado aos trilhos. Embora aquilo me assustasse um pouco, porque nos últimos meses sempre que as coisas pareciam bem, algo vinha e nos sacudia, ameaçando nos arrancar de tudo. Mas eu não ia me preocupar com os ventos, éramos sólidos e estávamos firmemente unidos, nada nos levaria para longe um do outro.

Jeremy

― Eu pedi pizza!

Falei para Kol que acabava de chegar e tirava o casaco sorrindo para mim. E a sensação foi a mesma. Felicidade e paz. Todas as vezes que estávamos juntos. Sempre que ele olhava para mim e sorria e eu me sentia feliz e em paz.

A vida as vezes nos leva para lugares estranhos. Lugares que não pensamos estar a dez anos atrás, talvez nem a um ano atrás. Mas que mesmo assim, eram certos e nos faziam bem.

― Pizza de novo?

Reclamou ele se aproximando de mim e me abraçando.

― Quer se arriscar a me ver cozinhar?

Falei a ele que atirou a cabeça para trás e riu.

― Depois do macarrão queimado? De jeito nenhum!

Então eu o empurrei e sentei no sofá ligando a TV e ele sentou ao meu lado.

― Eu escolho o filme.

Falou ele pegando o controle das minhas mãos, eu tentei resistir um pouco mas como sempre ele pegou mesmo assim e eu não me importei com isso.

Enquanto ele zapeava os canais procurando algo para assistirmos a pizza chegou, e quando cheguei a porta notei uma mochila que não tinha visto quando Kol chegou.

Então voltei para o sofá um tanto rígido e coloquei a pizza na mesinha, ele abriu e pegou um pedaço e então olhou para mim, eu desviei rapidamente para a TV e enchi a boca com um pedaço enorme de pizza.

― Tudo bem?

Perguntou ele me olhando de lado. E eu me senti um idiota, rígido feito uma tabua como uma garotinha estando com um cara pela primeira vez.

― Tufo.

Consegui responder ainda com a boca cheia de pizza, mas ele continuou a me encarar, então quando eu ia enfiar outro enorme pedaço de pizza na boca ele segurou meu braço.

― Jeremy, o que foi?

― Você vai dormir aqui?

Coloquei as palavras para fora de uma vez e então a expressão dele foi de dúvida e ao mesmo tempo um pouco triste, e me arrependi imediatamente. Ele não merecia que eu falasse isso.

― Meus pais voltaram para a Inglaterra, Rebekah foi para Los Angeles e pensei em passar a noite aqui, até conseguir outro lugar.

Eu era definitivamente um idiota.

― Eu só fiquei na dúvida, mas você não precisa arrumar outro lugar para ficar, esse apartamento é seu.

Tentei parecer mais calmo, mas ele continuava a me olhar do mesmo jeito.

― Você ficou apavorado quando viu minha mochila Jeremy, acha mesmo que está pronto para morar na mesma casa que eu ou que eu teria coragem de te colocar para fora?

Me senti péssimo com suas palavras, e mais ainda como ele parecia magoado comigo. Porque não era justo. Desde que nós dois decidimos que queríamos um ao outro Kol nunca me pressionou em nada, sempre ficávamos juntos, assistíamos filmes e comíamos pizza, riamos de bobagem e depois ele ia embora, com um abraço e um beijo, só isso. Eu me sentia confortável assim, e sentia que Kol estava bem em irmos devagar. Então ele não merecia que eu surtasse com uma mochila, nem nada assim.

― Sinto muito. Eu não quis dizer isso, eu só não sabia o que pensar.

― Eu respeito seu tempo Jeremy, de verdade, e nunca cobraria nada que você não estiver pronto para me dar.

Falou ele e olhou para frente um pouco.

― Só que minha família esta passando por um momento difícil, e aqui com você, vendo filmes e comendo pizza todo dia, foi o único lugar que senti como sendo meu lar em muito tempo.

Então eu segurei sua mão e ele olhou para mim.

― E é. Eu me sinto seguro aqui com você, mesmo sendo um idiota como fui agora, eu quero que você se sinta assim também. E você realmente não precisa arrumar outro lugar para ir, podemos dar um jeito.

Ele ergueu a mão e a passou por entre os meus cabelos e eu sorri um pouco, seu toque me fazia sentir bem e em casa. Kol parecia ser minha casa.

― Eu sempre tive pressa, com tudo. Todas as coisas na minha vida tinha um ritmo frenético e desesperado. Mas eu não quero ter pressa com você. De verdade.

― Eu sei disso, e te amo ainda mais por isso.

Os olhos de Kol se tornaram ternos, e eu gostei de ver que eu podia fazer isso. Eu podia fazê-lo se sentir feliz e querido, e não mais alguém da sua vida que não se importava.

― Você arrumou um problemão Gilbert, por que eu não lavo louça e nunca abaixo a tampa do vaso.

Falou ele sorrindo e eu gostei ainda mais de vê-lo sorrindo para mim, e então eu me inclinei para frente e o beijei, segurando sua nuca e puxando seu rosto para mim. Eu nunca fiz isso antes, nunca tomei a iniciativa de um beijo, mas eu quis isso tanto agora que parecia doloroso não fazê-lo.

Depois de alguns minutos eu afastei meu rosto e sorri.

― Bom, eu lavo a louça e você cozinha tudo bem?

Perguntei então peguei a pizza sentindo meu rosto vermelho pelo que eu tinha feito, mas nem um pouco arrependido.

― Se você conseguir comer minha comida, eu faço as compras por um mês.

Falou ele rindo também, mas seus olhos ainda estavam cravados em meu rosto, com admiração e carinho e eu me encostei no sofá. Agradecendo a vida por ter me trazido aqui, por ter me trazido para Kol.