Sexy Fire - Klaroline
45 Season 2 – Capitulo 13
Notas iniciais
Caroline
Parece que tudo fica em câmera lenta quando estamos desesperados. Ou rápido demais, ou as duas coisas.
Eu e Jeremy saímos correndo do supermercado, mas parecia que nunca chegávamos ao hospital. Eu digitava os números tão rápido em meu celular que nem os via direito, mas a chamada demorava uma eternidade.
Minhas pernas estavam bambas quando finalmente chegamos, e assim que pus os pés para dentro aquele ambiente branco e estéril meu estomago embrulhou. Eu não conseguia assimilar nada direito. Tudo que eu conseguia processar era: Klaus. Acidente. Grave.
Eu precisava acreditar que estava tudo bem, mas ao mesmo tempo não conseguia. Um medo congelante descia por minha espinha e me embrulhava o estomago.
Alguém nos levou para uma sala de espera, e eu fui cambaleando pelo corredor. Assim que a porta se abriu o medo me dominou totalmente. Todos os Mikaelson estavam aqui, além de Damon e Elena. Todos choravam. Os rostos marcados pelo medo e a angústia.
Meus joelhos ameaçaram não me sustentar e Jeremy me apoiou ao mesmo tempo em que Elena vinha até mim e me abraçava.
― O que aconteceu?
Perguntei com uma voz quebradiça que eu mal reconhecia como minha.
― Um taxista furou o sinal, em alta velocidade e se chocou contra eles.
Contou ela segurando minhas mãos.
― Mas ele vai ficar bem não vai?
As palavras saíram estranguladas da minha boca, mas eu precisava ouvir, tinha que saber que ela estava bem. Ele precisava estar bem. Só que Elena não me respondeu, lágrimas escorreram por seu rosto e seu queixo tremeu.
― Elena?
Chamei com urgência. Aquilo não podia estar acontecendo.
― Não sabemos.
Respondeu ela finalmente.
Meu peito parecia que ia explodir, eu me agarrei a Elena enquanto soluços desesperados passavam por minha garganta.
Klaus. Meu Klaus. Meu amor. O homem mais forte que eu já conheci, que já enfrentou tantas dores na vida que era até crueldade pensar em vê-lo sofrendo ainda mais. E poderia estar morrendo naquele mesmo segundo. E eu não podia fazer nada para concertar aquilo.
Eles me levaram para uma das poltronas e me entregaram um copo de água para me acalmar. Acontece que eu não conseguiria beber, nada passaria por minha garganta.
Vi Elijah se aproximar de mim e sentar ao meu lado segurando uma das minhas mãos, seus olhos estavam vermelhos e a marca das lágrimas corria por seu rosto.
― Elijah... ele... ele, não...
Aquelas palavras não conseguiriam sair. Parecia que meu corpo estava completamente fora de controle.
― Está passando por uma cirurgia Caroline. O táxi acertou o lado que ele estava.
Enterrei o rosto nas mãos.
― Oh Meu Deus...
― Ele teve um... ferimento grave na cabeça e os médicos precisaram operá-lo imediatamente. Por isso ainda não temos outras notícias. Só... precisamos esperar.
Esperar.
Como se espera por algo assim?
Como acalmar nosso coração sabendo que sua vida podia estar por um fio?
Eu nunca soube como fazer isso. E não sabia como fazer isso agora. E todos que estavam aqui pareciam também não saber. Rebekah estava em um canto abraçada a Finn, Kol andava nervosamente pela sala, Esther encarava fixamente a porta, como se esperasse vê-lo sair a qualquer momento e Mikael estava silenciosamente ao seu lado. Eu não consegui ficar com raiva de vê-lo aqui. Parecia que não tinha espaço para mais nada dentro de mim, além da preocupação com meu marido.
Damon estava de pé ao lado de Elena e Jeremy estava parado no meio da sala observando o caminhar frenético de Kol.
Eu pensei em levantar, caminhar freneticamente também, para por para fora um pouco da angústia que me consumia. Mas eu sabia se conseguiria fazê-lo. Minhas pernas não cooperavam comigo, eu sentia como se só conseguisse levantar para ir para os braços dele.
― Quanto tempo vai levar a cirurgia?
Perguntei a Elijah.
― Não sabemos ao certo. Mas as enfermeiras deram a impressão de que demoraria bastante.
Concordei com a cabeça.
Não sei julgar precisamente se a cirurgia foi particularmente demorada, ou se foi o medo e a angústia que fizeram os minutos virarem horas, mas quando o médico abriu a porta, meu corpo parecia travado por estar nesta mesma posição a tanto tempo. Mas assim que eu o vi eu pulei da poltrona e fui a até ele.
― Como ele está? Ele está bem? Vai ficar bem?
As palavras saiam umas por cima das outras, mas o médico não se assustou com isso, ele apenas olhou a prancheta e nos deu um olhar, de conforto comedido. E eu já tinha visto isso em médicos antes.
Nó dia que me contaram que minha mãe tinha morrido.
Os soluços borbulharam de mim antes que ele sequer falasse.
― Terminamos a cirurgia, mas como vocês sabem, o cérebro é um órgão extremamente frágil. Ele teve um fissura no crânio, fina como um fio de cabelo, porém isso gerou um hematoma no cérebro, e um leve inchaço.
Alguém tinha segurado minha mão, e eu a apertava como se só ela conseguisse fazer com que eu ficasse de pé.
― Conseguimos reduzir o hematoma, mas o cérebro ainda está um pouco inchado e ele, teve uma parada cardiorrespiratório durante a cirurgia. Isso não ajudou muito a situação dele e...
Ele se interrompeu olhando para nos e eu me atirei para frente segurando seus braços.
― Ele está bem?
Eu praticamente gritei a pergunta.
― Ele está em coma.
Terminou o médico e eu caí de joelhos enquanto as lágrimas e os soluços pareciam querer me sufocar.
Então o médico se abaixou na minha frente e me olhou nos olhos.
― Não é uma situação fácil, mas se ele progredir bem amanhã e o inchaço reduzir ele pode recuperar a consciência em menos de uma semana.
― Pode?
Consegui perguntar olhando para ele por entre as lágrimas.
― É uma situação grave senhora Mikaelson, mas não podemos e não vamos perder as esperanças. Ele está sendo levado para a UTI e vocês poderão se d...
O médico interrompeu bruscamente as palavras e limpou a garganta.
― Poderão vê-lo.
Ele deu um sorriso contido e se levantou. Acho que alguém disse para eu me levantar. Mas eu não conseguia. O médico não achava que ele ficaria bom, ele só não quis nos dizer isso.
Mas eu não desistiria dele. Klaus era um lutador. E eu sabia que ele lutaria pela vida.
Levantei-me do chão.
Alguém me chamou só que eu não me virei para ver quem era, só sabia que precisava ver Klaus. Precisava ir até ele e segurar suas mãos. Ele precisava de mim e eu estaria aqui com ele cada segundo necessário.
Fiquei parada no mesmo lugar esperando o momento em que eu poderia vê-lo.
― Venha Care, sentar um pouco.
Elena tentou puxar meu braço mas eu não me movi.
― Não. Só vou sair daqui quando for para vê-lo.
Falei sem me virar nem olhei para ela. Apenas permaneci parada. Acho que a imobilidade fazia eu me sentir no lugar. A salvo. O centro do meu mundo estava a algumas portas de distancia de mim e isso parecia fazer todo resto se desfocar e contorcer ao meu redor. Então ficar parada diminuía a sensação de estar no meio de um furacão que me arrastava e atirava em todas as direções.
Quando meus pés começaram a reclamar por ficar parada tanto tempo a enfermeira finalmente saiu.
― Ele já está na UTI, mas a situação dele é delicada, só uma pessoa pode entrar para vê-lo por vez.
Eu e Esther nos precipitamos para frente ao mesmo tempo, mas Mikael segurou sua mão e me olhou com o que eu só podia reconhecer como piedade.
― Deixe-a ir primeiro.
Não esperei para ver o que ela disse. Apenas passei pelas portas sentindo a urgência de vê-lo cada vez maior. A enfermeira me acompanhou e me indicou a porta, eu a empurrei e entrei rápido demais, mas parei assim que o vi.
Meu coração parecia ter se partido em um milhões de pedaços e eu me senti fraca e impotente, dei alguns passos vacilantes em direção a cama onde ele estava. Sua cabeça estava totalmente enfaixada, e todo o braço direito também. Alguns arranhões marcavam seu rosto. Sua aparência em si não era tão grave como eu imaginei. Mas ele estava ligado a inúmeros fios. Vários eletrodos estavam em seu peito, um tubo passava por seus lábios para auxiliar a respiração e outros no nariz. Ele parecia extremamente frágil naquele lugar.
Cheguei a cama e segurei sua mão. Mas a falta de resposta do seu toque me devastou ainda mais. Ele estava aqui. Mas era como se não estivesse.
Levei a mão a boca para tentar conter os soluços mas eu sabia que não conseguiria. Eu sabia que tinha que ser forte. Ele precisava que eu fosse forte. Mas como eu faria isso? Como eu seria forte vendo-o assim tão frágil?
― Não me deixe meu amor, por favor. Não posso continuar sem você...
Eu queria tocá-lo. Queria sentir sua pele. Mas tinha medo de machucá-lo.
A enfermeira ficou ao meu lado e tocou meu braço. Ela era um pouco mais baixa que eu e seu rosto demonstrava bondade e paciência.
― Como ele está?
Perguntei ainda olhando seu rosto.
― Lutando. ― Falou ela. ― Mas o cérebro ainda está bastante frágil, ele teve uma parada durante a cirurgia, e é essencial que ele permaneça estável nas próximas 48 horas, ou ele pode...
Ela parou de falar e eu olhei para ela.
― Ele pode morrer?
Conclui sentindo o peso de tudo aquilo desabar sobre mim e me tirar o fôlego.
Ela respirou profundamente e olhou para ele.
― Eu já vi pessoas sequer chegarem ao hospital com vida depois de uma lesão dessas. A situação dele é grave, mas seu marido está lutando pela vida Sra. Mikaelson, e isso é muito importante.
― Como? Como ele pode lutar? Sem ao menos saber contra o quê? Ele está preso no escuro de sua própria mente, sem saber como sair.
Ela não respondeu, e eu ergui a mão para tocar seu rosto, mas um bipe agudo me interrompeu. Os aparelhos começaram a piscar luzes vermelhas e a enfermeira me empurrou para fora, enquanto vários médicos entraram na sala.
― Não!
Gritei tentando voltar, tentar ficar perto dele, mas outro par de braços me segurou e me levou para fora.
― Me deixe ficar com ele! Me deixe ficar!
Eu berrava e esperneava mas não conseguia me soltar.
O coração dele estava parando. De novo. E ele não poderia parar, de jeito nenhum.
― Não! Não!
Os gritos saiam por minha boca, arranhando minha garganta. Mas ninguém me ouvia. Não me deixavam ir até ele. Não me deixavam ir para onde eu precisava estar.
Jeremy
Kol saiu da sala tão rápido que nenhum de nós conseguiu entender por quê. Mas eu vi o quanto aquela situação o estava atormentando. Ele tinha medo por seu irmão. Medo por tudo que poderia acontecer.
Eu queria ajuda-lo. Queria apoia-lo. Mas não sabia como. Depois do que aconteceu eu não sabia como agir com ele perto de outras pessoas. Mas sabia que ele precisava de mim. Então eu o segui.
Ele tinha acabado de passar pelas portas quando eu o vi, depois caminhou e foi para fora, parando e respirando profundamente o ar frio da noite.
Eu me aproximei e toquei seu ombro.
Ele se virou e meu coração se apertou ao ver as lágrimas correndo livremente por seu rosto.
Então ele me abraçou, seu peito se balançava com os soluços e eu o abracei de volta.
― Meu irmão está morrendo Jeremy. E ninguém pode fazer nada. Eu não posso fazer. Eu sequer falei com ele nos últimos dias... e se ele...
Outro soluço sacudiu seu corpo.
― Não fala assim, seu irmão é forte. Ele vai sair dessa.
Eu tentava lhe passar conforto. Mas sabia como ele estava se sentindo. Eu perdi meus pais num acidente de carro, e só podia imaginar a dor que ele estava sentindo. E era como se eu sentisse também. Vê-lo sofrer parecia errado.
Continuei o abraçando enquanto os soluços se acalmavam, e não disse mais nada. Não havia muita coisa que eu pudesse dizer para fazê-lo se sentir melhor agora.
Ele se afastou de mim um pouco e secou o rosto.
― Eu estou aqui, para qualquer coisa que você precisar. Você não está sozinho.
Falei a ele que me olhou nos olhos, enquanto várias emoções passavam por seus olhos.
― Eu não conversava muito com meu irmão sabe? Klaus sempre foi muito distante... Mas ele tinha seus motivos eu imagino.
Ele me olhava com uma intensidade desconcertante, mas mesmo assim eu não conseguia desviar os olhos.
― Da última vez que nós nos falamos, ele me deu um conselho e eu não tive coragem de segui-lo.
Continuou ele.
― Ainda dá tempo. E quando ele melhorar, vai ficar orgulhoso de você.
Falei tentando rir, mas eu estava um pouco nervoso por estarmos assim tão próximos.
― Tem razão, ainda dá tempo.
Falou ele e então deu um passo a frente e me beijou, segurando os dois lados do meu rosto.
Eu me senti assustado e eufórico. Feliz e nervoso. Tudo numa mistura que me fazia querer ficar todo tempo possível ali com ele. Seu toque era cauteloso e carinhoso, mas me fazia sentir o quanto ele gostava de mim e o quanto cuidaria para que eu não me ferisse.
Então muito mais rápido do que eu gostaria, ele se afastou um pouco, mas continuou me olhando nos olhos.
― Eu estou apaixonado por você Jeremy Gilbert, e quero fazer isso mais que tudo. Se você não quiser isso, eu vou entender. Mas que seja por um motivo seu, não por medo de me machucar. Pois o que vai me ferir é não ter isso.
Concluiu ele e então eu tive certeza. Não importava o que aconteceria, ou que já tinha acontecido. O que importava era o agora e viver tudo que podíamos juntos.
― Eu quero você.
Falei a ele e essas palavras vinha de tudo de mais profundo que poderia existir dentro de mim.
Mas antes que ele pudesse responder Rebekah saiu correndo pelas portas do hospital aos prantos, Kol se afastou de mim e correu até ela.
― Bekah? O que houve? O que aconteceu?
Perguntou Kol mas ela o abraçou e enterrou a cabeça em seu peito.
― Ele piorou, Kol.
Falou Rebekah e Kol se entregou de novo as lágrimas, e eu fiquei ali parado sem saber o que fazer para ajudar.
E não era só isso.
Tinha medo que o pior ainda estivesse por vir.
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