Notas iniciais
Hey gente cap novo! Depois do último cap fiquei com medo de não estar aqui agora, kkkkkkkk. Mas ainda bem que estou aqui para escrever, boa leitura. Bjinhos.

POV’S Klaus

Paciência não é uma das minhas qualidades. E meu temperamento com certeza não é um dos melhores. Então eu me orgulho de ter segurando a barra tanto quanto pude. Por três semanas eu fui paciente. Estive sempre lá, tentando conversar, sempre disponível para quando ela precisasse de mim. Era um momento delicado para nós. Caroline estava sofrendo muito, e eu queria ajudar. Queria estar ali para ela. Mas ela me mantinha afastado. Era como se não me quisesse por perto. E isso estava me devastando. Eu me sentia destruído por dentro. Eu sentia como se alguma coisa entre nós não estivesse mais ali. Como se tivesse morrido junto com nosso bebê.

Então depois de ver ela me afastar durante três semanas, eu finalmente parei. Eu não podia mais fazer isso. Não conseguia fingir que as coisas estavam bem, não podia continuar estando lá e mesmo assim continuar invisível. Então eu parei de tentar. Parei de tentar conversar. Parei de estar lá.

Eu ficava no escritório até bem tarde e quando chegava em casa comia qualquer coisa e bebia uísque até pegar no sono, geralmente no sofá do escritório.

Então todo progresso que fiz com todo o resto foi por água abaixo. Eu fiz duas pessoas chorarem no escritório, uma delas era um homem. Não conseguia conversar muito bem com as pessoas sem gritar. Eu voltei a ser o grande cretino que sempre fui. E de algum jeito isso foi um pouco reconfortante. Eu sabia ser arrogante, sabia ser grosseiro. Mas não sabia como lidar com toda aquela dor sozinho.

― Tudo bem, estou oficialmente preocupado.

Falou Kol da porta da sala e entrou.

― Preocupado com o quê?

Resmunguei colocando alguns documentos em suas pastas.

― São nove da noite. Sua esposa que acabou de sofrer um trauma está em casa sozinha. Você não vê algo de errado nisso?

― Ela prefere que eu não esteja lá. Acredite em mim.

Ele franziu a sobrancelha em dúvida. Mas eu não queria explicar. Falar aquilo só faria parecer pior.

― Tudo bem. Que tal um pouco de uísque com seu irmão mais novo?

Então eu realmente olhei para ele. Kol parecia muito mais sério do que eu jamais vi. Seu semblante era triste e ansioso. Ele estava tentando me ajudar, mas parecia precisar muito mais de mim do que eu dele.

Então me lembrei de Kol quando era apenas um garotinho, tinha talvez cinco anos e tinha muito medo do escuro. Então ele vinha até meu quarto antes de eu dormir e se esgueirava para debaixo dos lençóis. Eu sempre me assustava quando ele fazia isso e perguntava o que ele estava fazendo, “Quero dormir aqui, para você não ficar sozinho.” Ele estava assustado, mas tentava fingir que não era nada disso. E eu o conhecia bem, eu estive lá por ele enquanto pude. E ele precisava que eu estivesse aqui agora.

― Tudo bem. Mas só uma dose. Nunca pensei que fosse embebedar meu irmão caçula.

Ele riu um pouco e saímos de lá, tinha um bar na esquina do escritório. É até um pouco triste dizer, mas todos os bar tender me conheciam. Eu pedi um uísque puro e Kol pediu Bourbon.

― Como você está?

Perguntou ele quando as bebidas chegaram.

― Meu filho morreu. Minha mulher mal fala comigo. Estou péssimo.

― Droga.

Falou Kol e deu um gole no uísque.

― Pois é. Droga.

― Você quer conversar sobre isso?

― Não. Falar sobre isso com outras pessoas não vai adiantar muito.

― Eu ser seu irmão não conta?

Ele pareceu até um pouco magoado com o que eu disse e eu me senti mal por isso.

― Desculpe Kol. Não é nada com você. Mas eu não sei como falar sobre isso. De verdade.

― Mas deveria falar. Principalmente com a Caroline.

― Eu tentei. Muitas vezes. Mas não posso continuar para sempre com isso. Tenho que encontrar meu jeito de seguir em frente.

― Mas não precisa fazer isso sozinho.

Então olhei para meu irmão e finalmente senti algo diferente. Eu podia contar com ele. Podia contar com minha família.

― Eu sei Kol. Obrigada de verdade. E você também não está sozinho está bem? Estou aqui por você.

Bati em seu ombro e ele ficou me encarando como se tentasse avaliar se deveria ou não dizer, por fim olhou para o copo e deu um gole.

― Acho que estou gostando de uma pessoa.

Ele continuou sem me olhar.

― Isso é ótimo Kol. Gostar de alguém especial faz coisas incríveis por nós.

Aquilo era totalmente verdade. Porém falar aquilo fazia meu peito se apertar. Eu sentia saudade da Caroline. Dos seus braços, seu beijo. De tudo. Mas acontece que aquelas lembranças também viam com uma tristeza misturada a nostalgia.

― É um pouco complicado. E não sei bem como lidar com isso.

Continuou Kol ainda olhando para o copo.

― Complicado por quê?

Ele respirou fundo várias vezes depois bebeu o resto do copo num único gole.

― Ele não sabe bem se quer isso.

Eu fiquei um pouco confuso com suas palavras, mas então eu entendi e aquilo me surpreendeu muito.

― Ele?

Perguntei querendo confirmar.

― Jeremy Gilbert.

Concluiu Kol e eu fiquei ainda mais surpreso.

Eu nunca pensei que Kol fosse gay. Ele sempre foi o tipo de cara que fica com qualquer garota que passasse na frente dele. Então ouvir isso agora me deixava bastante confuso.

― Pensei que você fosse ficar bem mais chocado.

Falou Kol.

― Eu estou surpreso. Mas não chocado. Você sempre namorou garotas então...

Ele passou a mão nos cabelos.

― Eu nunca namorei garotas Klaus. Eu nunca levei uma garota para casa e nem vocês me viram com alguém. Vocês só achavam que eu saia garotas.

― Você nunca saiu com uma garota?

― Já. Acontece que não é a minha praia. Mas... com o Jeremy é diferente, não é como um cara que você sai e depois esquece. Eu gosto dele Klaus, de verdade.

― Você já disso isso para ele?

― É complicado para ele Klaus. O Jeremy nunca... Bom, digamos apenas que ele é novo disso. Está descobrindo como se sente em relação a isso, e tem medo de não dar certo. Mas eu não tenho medo, eu preciso descobrir se isso é real.

― Você quer tentar e ele não.

― Ele tem medo de me magoar.

Ele fez um gesto com a mão como se aquilo não importasse. E eu entendia como Kol se sentia, ele achava que as coisas que ele sentiam não importavam. Mas acontece que quando a dor se tornava forte demais era difícil ignorar.

― Você não tem medo de se magoar?

― Eu tenho mais medo de não conseguir sentir isso.

Aquilo o estava abalando muito.

― Você deve tentar Kol. Se entregar e aproveitar tudo que o amor pode te oferecer de bom, mas tem que ser cauteloso. A dor não é tão fácil de lidar quando se trata das pessoas que amamos. Se você quer se entregar a isso, fale ao Jeremy e não tenha medo de mostrar o quanto você quer. Mas leve em consideração o que vai acontecer a você. Isso também é muito importante.

Ele continuou me olhando e tentando assimilar minhas palavras.

― Obrigada, de verdade. Por não surtar sobre isso e me dizer que eu deveria, tentar “sair com garotas”. As pessoas acham que é algo que podemos mudar segundo nossa vontade.

― Você é meu irmão Kol e eu amo você. A pessoa com quem você escolhe namorar não vai mudar isso para mim e nem para ninguém que ama você, disso eu tenho certeza.

Então ele levantou do banco e me abraçou, eu o apertei de volta o mais forte que consegui.

Então ele se afastou com olhos um pouco vermelhos.

― Eu sou um idiota mesmo. Você já tem seus problemas para lidar e eu aqui despejando os meus.

Eu ri um pouco.

― Os problemas dos outros são bem mais fáceis de resolver que os nossos.

Ele socou meu ombro de brincadeira e ficamos tomando uísque e conversando até bem tarde. Aquilo fez com que eu esquecesse um pouco meus problemas. Mas assim que cheguei em casa eles voltaram, até um pouco piores do que eram antes.

Depois de conversar com Kol eu precisava mais que nunca estar com minha mulher. Sentir que ela ainda me amava e que eu não estava nessa sozinho. Mas isso não aconteceu, eu estava ainda mais sozinho. Não era justo. Ela não tinha o direito de fazer isso comigo, parecia querer me punir pelo que aconteceu.

Entrei no escritório com raiva e bebi ainda mais uísque para poder apagar todas as coisas ruins que ardiam em meu peito.

POV’S Caroline

Depois de um mês que eu perdi o bebê as coisas ainda não estavam nem um pouco mais fáceis. Eu perdi quase quatro quilos, tinha pesadelos todas as noites e mal via Klaus. Ele sempre chegava tarde em casa e ia direto para o escritório.

Eu me sentia cada vez pior com nossa situação. Mas também não sabia como reverter. No começo eu achava que sofrer sozinha iria ser melhor, para nós dois. Klaus já tinha sofrido tanto que eu não queria faze-lo sofrer ainda mais comigo.

Mas cada vez que eu fazia isso, cadê vez que eu me isolava e chorava sozinha um buraco cada vez maior se abria entre nós. E eu não sabia como voltar a ser como era.

Na semana que voltei a trabalhar as coisas ficaram ainda mais frias. Nos cumprimentávamos como estranhos que dividiam a mesma casa.

Então eu apenas tentei lidar com minha própria insegurança primeiro, antes de fazer qualquer coisa sobre nós. Eu me sentia impotente e incapaz de fazer as coisas da maneira que deveriam. O fracasso pesava em meus ombros e eu sentia que afundava cada vez mais. Eu perdi meu bebê e estava perdendo meu marido, e assim como não pude fazer nada antes, não sabia o que deveria fazer agora.

Cheguei em casa sem fome a noite. Tomei banho e desci esperando comer uma salada ou qualquer coisa bem rápida, então fui para cozinha e foi lá que Rebekah me encontrou quando chegou.

― Oi.

― Oi, estou fazendo uma salada você quer?

Perguntei a ela que negou com a cabeça.

― Nossa, você está mesmo péssima.

Resmungou Rebekah.

― Pois é, mas vou ficar bem.

― Vai ficar bem? É isso que vai me dizer?

Olhei para ela piscando.

― O que você quer que eu diga?

Falei sem inflexão na voz. Sentir qualquer coisa agora parecia cansativo demais.

Então ela contornou a mesa e veio até mim.

― Caroline Forbes vou te dizer uma coisa e quero que me escute com toda atenção.

Eu continuei olhando seu rosto.

― Você perdeu um bebê e isso é terrível. Sei que você deve ter passado por coisas bem difíceis. Mas você não pode desistir da sua vida e se enterrar em auto piedade.

Senti meus olhos se encherem de lágrimas.

― Você não sabe o que está dizendo.

― Não, eu não sei. Nunca vivi isso. Mas sei que você é muito mais do que isso. Você fez meu irmão sair de toda dor que o cercava e se abrir para o amor. Você fez com ele desse uma chance a todas as pessoas a sua volta. E tenho certeza que você não é essa pessoa digna de pena que está sendo agora. Você está sofrendo, eu sei disso. Mas não vai deixar a dor te engolir. Não vai deixar que toda sua vida se apague diante desse problema ouviu bem?

Ela falava auto e no começo eu me aborreci com suas palavras duras. Mas então eu vi o que ela estava dizendo. Eu tinha uma casa linda. Um marido que me amava e faria tudo por mim e amigos que estariam ali no segundo que eu precisasse deles. Eu passei por uma tragédia. Mas tinha duas escolhas, seguir minha vida ou deixar que aquilo se tornasse a minha vida.

― E tem mais uma coisa. Você tem o Klaus, um homem que daria o mundo por você e você o está empurrando para a solidão e deixando que ele sofra sozinho. Você perdeu seu filho, mas o meu irmão também perdeu. Vocês deveriam se apoiar agora e não deixar a dor os levarem para lados opostos.

Uma lágrima escorreu por meu rosto e eu senti todas as coisas que estava empurrando para dentro de mim todos esses dias.

― Não foi a dor que o empurrou para longe Rebekah. Fui eu.

Seu olhar se suavizou um pouco.

― Então o traga de volta.

Então ela saiu e eu sabia onde deveria ir.

Fui caminhando devagar até o escritório. Ele estaria lá. Eu senti medo. Medo do que eu poderia ter feito a nós dois. Medo de que poderia não ter feito.

Quando abri a porta o cheiro de uísque bateu em mim com força, quase queimando meu nariz.

Apenas uma luz em cima da escrivaninha estava acesa, Klaus estava sentando no chão, com várias garrafas de uísque a sua volta. Tinha algo em suas mãos. Acendi a luz, dei um passo em sua direção e parei.

Era um par de sapatinhos brancos. Uma onda frescas de lágrimas escorreu por meu rosto.

― Klaus...

Chamei com a voz rouca, ele olhou para mim com o rosto banhando em lágrimas. A raiva e dor brilhavam em seus olhos. E eu quis ir até ele, quis abraça-lo e dividir cada dor que tínhamos sentido.

― Saia daqui.

Falou ele com a voz embargada e eu dei outro passo em sua direção, sentindo a vontade de seu toque vibrando em cada célula do meu corpo.

― Klaus, por favor...

― Saia daqui! Agora!

Ele berrou para mim e eu sai de lá tropeçando e bati a porta, depois ouvi uma garrafa de vidro se chocar contra a parede e se quebrar em pedaços.

Assim como meu coração. Assim como todas as coisas que eu deveria ter dito a ele. Eu tive medo de tê-lo perdido. Tinha medo de tê-lo machucado demais e ele não conseguir mais ficar inteiro para mim.

Eu estava desmoronando. Mas não podia me entregar a isso agora. Eu já tinha chorado e sofrido o bastante, acontece que agora eu não podia mais me entregar a isso. Tinha que recobrar o controle de mim mesma, e recuperar meu marido.

Notas finais
Hey, e aí o que acharam? =D