Notas iniciais
Então gente, Cap novo! Leiam e conversamos no final. ;)

POV’S Caroline

Quando eu finalmente menstruei na semana seguinte eu poderia pular de alegria se não estivesse com uma cólica terrível. Mas era uma coisa boa, porque pelo menos eu desencanei sobre o assunto bebê.

Então eu consegui me focar e voltar ao ritmo. A discussão sobre trabalho tinha acabado em empate técnico com o Klaus, então entramos em um acordo silencioso de não falar sobre o trabalho, nem o meu, ou ele acabaria resmungando sobre não gostar muito disso, nem o dele, ou ele acabaria resmungando sobre eu voltar para lá.

Fora isso estávamos super felizes, curtindo nossa casa e a companhia um do outro o máximo possível.

Por outro lado as coisas na família dele não estavam indo nada bem. Ele ainda se recusava a sequer mencionar os pais. Isso era muito ruim para todos, porque mesmo não falando sobre isso, aquilo o machucava demais. Ele parou de pintar e as vezes eu o sentia pensativo e triste. Eu tentei ajuda-lo com isso, mas ele estava irredutível e não queria sequer ouvir os nomes deles.

Eu estava dando um tempo a ele antes de tocar de novo no assunto, acontece que vê-lo triste doía em mim, então uma semana passou para duas, depois um mês e antes que eu percebesse já estávamos casados a dois meses. Eu estava deixando as coisas seguirem seu curso, e era um pouco de covardia no fundo, mas estava indo tudo bem demais para que eu quisesse voluntariamente estragar.

Mas é como dizem, tudo que é bom dura bem pouco.

Então na manhã seguinte no trabalho, enquanto eu tentava pensar no porque alguém compraria uma droga de tempero pronto com sabor “sopa de brócolis”, quando comecei a sentir uma cólica insuportável. Tentei ignorar no começo, mas foi ficando cada vez mais forte, eu bebi um pouco de água e uns analgésicos mas não parava.

Aquilo não era nem um pouco normal, havia duas semanas que meu ciclo menstrual tinha acabado e eu não deveria estar sentindo cólicas. Caminhei um pouco pela sala para estica as pernas, mas nada adiantava, me aproximei da janela e respirei fundo olhando os prédios, isso ajudava a me acalmar, mas enquanto eu estava lá senti algo estranho, um líquido quente começando a sair de mim, então corri para o banheiro para ver o que era. Era sangue. Sangue esse que definitivamente não deveria estar ali hoje.

Corri de volta para minha sala e peguei a bolsa, sentindo o medo congelar meu estomago. Entrei no primeiro táxi que vi e gaguejei o endereço da minha ginecologista.

“Não é nada. Não é nada. Não é nada”

Fiquei repetindo por todo o caminho com o celular na mão. Eu não queria ligar para Klaus, provavelmente era alguma bobagem. Mas eu estava assustada e já tinha feito coisas sozinhas demais para ainda querer fazer isso sozinha. Liguei para ele que atendeu no primeiro toque.

― Estava pensando em você.

Atendeu ele com um sorriso na voz.

― Sério?

Falei sem conseguir impedir minha voz de tremer um pouco.

― O que houve? Está tudo bem com você?

― Sim. Quer dizer, provavelmente não é nada. Deixa para lá.

― O que provavelmente não é nada Caroline?

Ele falou um pouco impaciente mas a preocupação era perceptível em seu tom.

― Estou tendo um sangramento e umas cólicas também, e não é “aquela” época do mês, então estou um pouco preocupada.

― Onde você está?

― Indo para o hospital.

― Onde fica?

Eu falei o endereço para ele.

― Estarei aí em quinze minutos.

― Tudo bem.

Ele desligou e eu me senti meio boba por ligar, mas era tão reconfortante saber que ele estaria por perto.

Quando Klaus chegou eu já estava esperando para fazer um exame. A médica falou que precisava verificar qual era a fonte do sangramento, nem preciso dizer o quão constrangida eu fiquei de estar ali naquela posição quando ele entrou, mas ele estava determinado a ficar e quase discutiu com a médica na porta do escritório, e Klaus era irredutível quando queria algo, então no fim das contas ele veio para o meu lado e a médica começou a preparar os instrumentos.

― Como você está?

― Nervosa.

Seu olhar estava carregado de preocupação e ele beijou minha testa.

― Vai ficar tudo bem.

Eu apertei forte seus dedos quando ela começou o exame, estava sensível demais e a cólica continuava.

Mil coisas passavam na minha cabeça ao mesmo tempo, mas nenhuma delas se fixava, eram só pensamentos caóticas mas que me assustavam demais. Sangue nunca era um bom sinal.

― E então?

Perguntei a médica enquanto ela analisava as imagens que não faziam o menor sentido para mim. Então ela levantou os olhos para nós.

― Você está grávida.

Eu e Klaus prendemos a respiração ao mesmo tempo. Grávida? Grávida de verdade? E o sangue? Porque todo aquele sangue?

― Porque ela está sangrando doutora? O bebê está...

Ele não terminou de falar, mas a palavra já estava em minha cabeça. Vivo? Meu bebê está vivo?

Eu não desejava ser mãe agora. A algum tempo eu tinha surtado só de pensar nisso. Mas aqui nessa mesa se exames, sentindo como se algo estivesse me escapando, como se uma vida estivesse me escapando eu desejei como nunca antes que meu bebê estivesse bem.

― O feto está bem. Só precisamos fazer mais alguns exames.

Então eu fiz exames de sangue e uma ultrassonografia, ela aferiu minha pressão arterial e quase uma hora depois sentamos a sua frente na mesa. Klaus e eu estávamos de mãos dadas o tempo todo mas nenhum de nós falava nada.

― Como você está se sentindo agora?

Perguntou ela e parece que todas as perguntas explodiram para fora.

― Porque eu estava sangrando? Eu menstruei normalmente nos últimos meses, e não deveria menstruar não é? E estava tomando anticoncepcionais no último mês, será que isso prejudicou o bebê? E...

Klaus apertou meus dedos.

― Caroline, calma. Vamos ouvir a médica.

Eu respirei fundo tentando me acalmar, mas no fundo eu estava em pânico. Com medo de, mesmo sem intenção ter prejudicado meu filho. Nosso Filho.

― Bom, algumas mulheres menstruam normalmente nos primeiros meses de gravidez, e quanto ao anticoncepcional eu acredito que não vá prejudicar o bebê. E sobre o sangramento, é apenas um aviso do seu corpo para pegar mais leve, nos primeiros estágios da gravidez é quando o bebê está mais vulnerável, e sua pressão arterial está bem alta para sua idade.

― O que podemos fazer doutora?

Klaus perguntou a ela.

― Você teve uma pequena hemorragia hoje, e já está controlada. Mas temos que ter cuidado com isso, você precisa descansar um pouco nas próximas semanas, controlar bastante o sal e não ingerir bebidas alcoólicas nem cigarros. O bebê está em formação agora e já que você já apresentou esses sintomas eu recomendo que tenha o máximo de cuidado, pelo menos até que o bebê esteja mais forte.

Eu só acenava com a cabeça, então ela fez uma lista de coisas que eu deveria e as que eu não deveria comer.

― E para o senhor, é uma bandeira livre para paparicar sua mulher e não discordar dela em nada tudo bem?

Ela piscou para mim e eu consegui rir um pouco. Finalmente sentindo o alívio me envolver.

― Não se preocupe, vou mimá-la o máximo possível.

Então saímos de lá, Klaus estava praticamente me carregando e seu sorriso podia ser visto até de costas.

― Eu posso andar sabia?

Falei a ele na brincadeira e ele parou de andar.

― O que foi?

Perguntei olhando para ele, então ele me abraçou pela cintura e me levantou do chão, girando no meio do estacionamento.

― Eu vou ter um filho!

Ele gritou tão alto que várias pessoas pararam para nos olhar, então eu sorri também, sentindo sua alegria e amor por nós naquele abraço, em seus olhos marejados de lágrimas e em cada pedacinho deles. Klaus me amava e agora já amava nosso filho que estava crescendo. Então ele me beijou e eu senti tantos sentimentos borbulharem em mim que quando me dei conta lágrimas quentes já estavam escorrendo por meu rosto. Será possível que eu queria tanto uma coisa que até ontem parecia um absurdo?

Então ele interrompeu nosso beijo e me carregou no colo até o carro. E me tirou de lá também no colo quando chegamos em casa.

― Não precisa fazer isso Klaus, eu estou bem.

― A médica disse para você pegar leve, então você vai pegar leve.

Então pelo resto da noite ele me seguiu pela casa toda, não me deixava pegar nada, sem sequer um copo de água, e nesse tempo todo o sorriso não deixava seu rosto, era tão perfeito vê-lo assim, e aposto que seu sorriso era o reflexo do meu também.

Deitamos bem mais cedo que o normal e ele ficou de frente para mim me olhando.

― Vamos ter um bebê. ― Murmurou ele.

― Vamos ter um bebê.

Respondi sorrindo.

― Será possível que todas as coisas boas que podem acontecer na sua vida aconteçam todas de uma vez?

― Sim. Estamos aqui não é? Mas você nunca me disse que queria tanto ter filhos.

― Eu nunca pensei nisso antes de você, mas então você veio e as coisas mudaram, eu não quero apenas ter filhos, quero ter nossos filhos.

Aquilo fez com me meus olhos se enchessem de lágrimas, um homem que foi tão ferido pela vida, estava aqui bem na minha frente com nada além de amor por nós.

― Você vai ser um ótimo pai.

Falei enquanto uma lágrima escorria por meu rosto, então ele a limpou e beijou minha testa.

― Eu vou ser para o nosso filho o pai que eu jamais tive.

Então eu rolei por cima dele e o beijei.

― Tenho certeza que vai. Mas você também tem um pai que talvez precise apenas de uma chance para ser o pai que você precisa Klaus.

Ele colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e pela primeira vez nos últimos meses eu vi seus olhos desarmados, era triste, mas também tinha esperança.

― Eu tenho medo Caroline. Medo que ele me desaponte também, como Mikael fez a vida inteira.

― Se você não der uma chance Klaus isso vai ser apenas um grande Talvez. Mas pode ser bom, pode ser tudo que você precisa.

Ele respirou fundo e me abraçou.

― E como sempre você tem razão.

Eu tive que rir com isso.

― Claro que tenho. Então você vai falar com ele?

― Eu vou falar com ele.

Concordou Klaus e eu sorri enquanto o beijava. Então aconteceu o que sempre acontecia quando estávamos juntos, o desejo começou a queimar em minha pele e eu cheguei mais perto querendo sentir seu corpo ainda mais, só que ele me afastou.

― Nem pense nisso.

Ele nos reposicionou e num segundo eu estava bem longe dele.

― Como assim? Porque não?

― Pegar leve Caroline, lembra?

― Ela não disse nada sobre sexo.

― E vamos perguntar isso a ela na próxima consulta daqui a duas semanas.

― Duas semanas? Sério?

― Muito sério.

Eu rangi os dentes e virei de costas para ele.

― Você deveria fazer minhas vontades lembra?

Ele se militou a sorrir e aquele foi o inicio das duas semanas mais longas da minha vida.

Eu estava trabalhando em casa pelo computador, e pelo visto meus hormônios estavam absolutamente loucos porque cada vez que eu via Klaus eu só queria pular em cima dele e mordê-lo inteirinho. Mas ele sempre se controlava e me dizia para pegar leve. Então na véspera da minha consulta eu já estava odiando aquelas malditas palavras “pegar leve”.

Deitei um pouco no sofá com uma revista esperando ele chegar, mas minutos depois ele ligou avisando que iria se atrasar um pouco. Ótimo. Menos coisas ainda para fazer. Estava pensando em ir ao apartamento da Elena quando a campainha tocou.

Levantei para atender e eu finalmente tinha algo para fazer. Acabar com esse babaca, porque Mikael Mikaelson estava bem na minha frente.

Ele entrou sem esperar convite e parou bem no meio da sala.

― O Klaus está?

― Não.

Falei com a raiva mal disfarçada na voz.

― A que horas ele chega?

O babaca perguntou e eu cruzei os braços.

― Você não acha que já fez o suficiente não? Deixe ele em paz!

Eu não via Mikael desde que jantamos na casa deles e eu descobri o que ele fazia com Klaus. Então eu estava com bastantes coisas entaladas na garganta para dizer a ele.

― Eu preciso falar com ele.

― Não, você não precisa. Nada de bom vai sair da sua boca e se você acha que vai estragar ainda mais a cabeça dele está muito enganado. Ele está feliz agora, e bem longe de você, porque você insiste em querer tirar isso dele?

Meu peito subia e descia furiosamente e ele me encarava inexpressivamente.

― Eu não sei bem o que você está tentando me dizer com tudo isso, mas eu quero só falar com ele. Pensei que ele já estaria em casa.

― Você não sabe o que eu quero falar? Sério? O que eu quero falar é que você é um sádico nojento que transformou a vida duma criança num inferno só para tentar inflar seu ego! Ele nunca teve culpa da sua mulher ter tido um caso, e você não tinha o direito de puni-lo!

― Você não sabe do que está falando.

Ele trincou os dentes, mas aquilo não me intimidou. Mikael acabou com a vida de Klaus por raiva, transformou sua infância num pesadelo, meu coração chorava pela criança, mas também chorava pelo homem marcado que ainda se via preso ao inferno do que ele fazia.

― Você quer machuca-lo ainda mais? Por quê? Você é tão vazio a ponto de querer transformar os outros também nesse buraco escuro que ainda tem dentro de você?

Eu berrei para ele e ele se aproximou de mim segurando meus braços com força e me sacudindo.

― Minha vida foi um inferno desde que eu perdi minha filha! Tudo era negro e aquilo estava me sugando, então ver o filho de outro homem na barriga da minha mulher não foi apenas um golpe no ego, foi acrescentar ainda mais fogo a dor. Então eu o castiguei sim, queria que ele se torna-se um homem igual ao que eu estava me tornando!

Então ele me empurrou no sofá e eu senti como se estivesse perdendo o folego, então levantei rápido mesmo achando que tudo estava girando ao meu redor.

― Pois você não conseguiu! Ele é um homem bom e que ama a mim e ao nosso filho! Você não conseguiu destruí-lo Mikael, e eu não vou deixar você continuar tentando. Saia da nossa casa e saia da vida dele!

Minha cabeça latejava e eu o encarava com ferocidade.

― Espero que ele descubra qualquer hora dessas que não se pode confiar em ninguém, nem mesmo em você.

Então eu avancei um passo e dei um tapa com toda força em seu rosto.

― Eu tenho nojo de você. E quando você estiver sozinho e frio no fim de tudo, espero que lembre como conseguiu perder toda sua família.

Falei com o maior desprezo que consegui, eu me sentia trêmula e a respiração era curta e rápida, mas eu lutaria até o último momento para expulsar esse homem da vida do Klaus.

Então ele me deu as costas e saiu, só quando ouvi a porta bater atrás dele foi que eu consegui sentar, e respirei fundo tentando controlar os tremores que abalavam todo meu corpo.

Deitei no sofá tentando me acalmar e coloquei a mão na minha barriga. Pensando no nosso filho que estava a caminho. Sabendo que por mais machucado que ele tenha sido, Klaus daria ao nosso filho um lar cheio de amor.

― Posso colocar a mesa do jantar Sra. Mikaelson?

Perguntou-me Sarah. Ela era nossa governanta a quase um mês e eu me dava muito bem com ela, ela era jovem, mas seu rosto aparentava um seriedade absolutamente madura.

― Não Sarah, vou esperar o Klaus ch...

Me detive no meio da frase pois uma dor aguda atravessou meu ventre e eu me curvei.

― Sra. Mikaelson?

Sarah veio até mim, mas antes que eu pudesse tomar folego outra contração me fez arquejar e soltar um gemido de dor.

Então eu senti outra coisa. Sangue. Forte e rápido, escorrendo por minhas pernas, ensopando o short que eu vestia e mais contrações me fazendo quase gritar.

― Não! Por favor!

― Vou chamar o motorista para irmos ao hospital!

Ela entrou correndo na cozinha enquanto eu segurava minha barriga com força.

― Klaus! Eu preciso do Klaus!

Berrei para a sala vazia e então Sarah voltou com Thomas, mas minha visão estava embaçada e eu só conseguia sentir a dor. Alguns pensamentos vinham a mim e eu tentava me agarrar a eles. Klaus. O bebê. Klaus. O bebê...

E então tudo ficou escuro.

Notas finais
Então... Estou temendo pela minha segurança, mas... O que acharam do cap?