Sexy Fire - Klaroline
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Enquanto o sono ia se dissipando, senti alguém se aconchegar a mim. Abri os olhos lentamente e vi um emaranhado de cabelos louros. Despertei completamente e levantei desvencilhando-me dos seus braços. Ela sacudiu a cabeça e me olhou sem entender.
― Tudo bem?
― Preciso ir.
Respondi calçando os sapatos e saindo sem nem olhar para ela de novo.
Entrei em meu quarto e me recostei na porta. Eu tinha dormido com ela. E isso era um precedente perigoso para abrir. Mas eu estava com raiva e nervoso ontem, parece que a única coisa capaz de me acalmar eram seus olhos, sua risada descontraída...
Fui para o banho pensando em quão rápido me deixei envolver por ela e o quanto isso era perigoso. Por mais que o chefe ter um caso com a secretária fosse o maior clichê de todos os tempos, ela não merecia isso. E era tudo que eu tinha para oferecer.
Sai do banho alguns minutos depois e vesti um terno preto, sentindo meu humor piorar a cada segundo que eu me lembrava do que estava por vir e do que eu estava sentindo.
Meu celular tocou, olhei a tela depois coloquei no bolso sem atender. A última coisa que eu precisava agora era falar com minha mãe, Que provavelmente se queixaria por horas porque eu nunca mais fui à Inglaterra. Ela era excepcionalmente convincente quando tentava fazer o papel de mãe saudosa e preocupada, mas eu a conhecia bem demais para saber que era só um papel. E para piorar eu tinha que fazer de conta que era o trabalho ou qualquer outra coisa que me prendia aqui, quando na verdade eu queria fugir daquela casa a todo custo. Queria fugir dele. E isso deixava um gosto amargo na minha boca, eu me sentia fraco e nessas horas eu quase podia ouvir a voz dele me chamando de covarde.
Trinquei os dentes e bati a porta com força. Fui em direção ao quarto de Caroline e bati na porta várias vezes. Ela demorou alguns minutos e finalmente abriu a porta, vestida somente com uma toalha, seus cabelos caiam em cascata por seus ombros, o rosto totalmente limpo, sem maquiagem alguma, meus dedos formigaram para tocar seus lábios e fechei as mãos com força. Por mais que eu adorasse ficar com ela e tocar sua pele, eu odiava o jeito que isso me fazia sentir vulnerável. Serrei os dentes e franzi a testa.
― Porque você ainda não está pronta?
Ela me olhou por alguns minutos e eu podia sentir a raiva se formando.
― Eu acabei de acordar e...
― Não me interessa seus hábitos de dormir o dia inteiro. Espero você no saguão em cinco minutos e nem um segundo a mais.
Ela abriu a boca para responder, mas fechou rapidamente e bateu a porta na minha cara.
Levantei o punho para bater de novo, mas desisti. Não era culpa dela eu ser assim, e ter tanta bagagem em minha vida que o que deveria ser uma simples relação entre patrão e funcionário se tornou uma coisa extremamente complicada e cansativa. Algumas barreiras se quebraram entre nós durante a noite passada quando estávamos conversando. Porque éramos só Klaus e Caroline, sem nenhuma exigência ou regra. Mas isso podia ficar rapidamente perigoso, eu não podia deixa-la se aproximar demais.
Desci para o saguão e bebi uma xícara de café puro. E não consegui deixar de comparar esse café ao dela. Sorri involuntariamente. Seu café era horrível, forte demais e sem doce, e reclamar dele passou a ser um dos momentos mais divertidos do meu dia, eu só tinha que ter cuidado ou ela colocaria veneno um dia esses.
Ela finalmente chegou ao saguão e pelo jeito que passou direto por mim, parecia estar espumando de raiva. Entramos na limusine e ela se afastou de mim e foi para o canto da janela. Depois puxou sua agenda eletrônica e conferiu algumas coisas.
― Além da reunião das 08h00min, o Senhor Tem algum outro compromisso em mente?
Ela falou a palavra “Senhor” devagar e deliberadamente irônico. Neguei com a cabeça e seguimos sem trocar uma palavra.
Assim que chegamos eu desci do carro, ela me acompanhou silenciosamente e subimos para minha sala. Todos pareciam nervosos por onde eu passava, pareciam ter medo de mim. E eu adorava esse poder. Sentir que eu estava no comando da minha vida, e as pessoas a minha volta que trabalhavam para mim, me respeitavam e temiam minha desaprovação.
Entrei na sala e sentei na minha mesa, Caroline ficou de pé na minha frente esperando que eu lhe dissesse algo. Pode parecer meio sádico da minha parte, mas eu não pude resistir.
― Me traga um café Srta. Forbes.
Seus olhos faiscaram para mim e ela serrou os punhos, depois saio pisando duro. Acho que ninguém no mundo fica tão adorável quanto ela, quando está visivelmente querendo me estrangular.
Recostei-me na cadeira e olhei os relatórios que deixaram aqui para mim. Folheei as páginas sentindo meus ombros pesarem a cada uma. Quando terminei a leitura me recostei na cadeira e deixei que minha mente vagasse para quase doze anos atrás quando eu o conheci.
Eu tinha feito dezoito anos a alguns meses, iria começar a fazer faculdade e mudei para um apartamento perto do campus. Os três primeiros dias que eu passei fora de casa foram de festa. Muita bebida, música alta e sexo. Eu não estava acostumado a me sentir livre e eu queria comemorar. Mas como é de se imaginar, um apartamento de um homem solteiro com três dias de festas estava uma bagunça, tinham camisinhas e garrafas de cerveja por cada canto. Então eu pus um anuncio no jornal para contratar uma empregada para trabalhar comigo.
Minha mãe pagava tudo que eu pedisse para ela e uma empregada não era nada. Só uma pessoa respondeu meu anúncio e eu sabia o porquê. Quem iria querer limpar uma casa que elas nem sabiam o que poderiam encontrar?
Marie era jovem, provavelmente não tinha 40 anos ainda, mas parecia cansada e queria desesperadamente o emprego. Fiz algumas poucas perguntas e ela respondeu com segurança. Então resolvi contratá-la ela agradeceu quase dez vezes e me disse que podia até trazer o filho para ajudar para o caso de eu precisar de alguma. Não vi porque não, então simplesmente concordei.
Na manhã seguinte ela o trouxe, e me lembro de ter encarado o garoto por longos minutos. Eu não entendia porque sentia que ele se parecia comigo. Fisicamente era quase o oposto de mim, sua pele era morena, os cabelos muitos pretos e olhos castanhos escuros. Marie me disse que ele tinha catorze anos, mas ainda era baixo para idade e bastante magro.
Ela foi para a cozinha preparar o café e ele a seguiu de perto como se uma corda unisse os dois. Sentei a mesa e observei enquanto eles trabalhavam. Fiquei fascinado pelo modo que pareciam conectados, elas não trocavam uma única palavra, mas ele sempre pegava o que ela precisava e sempre sabia o tempo de preparo de cada coisa.
Assim que me serviram café, ela saiu para começar a arrumar a casa, só para descobrir que na minha casa não tinha nem detergente, dei dinheiro a ela para comprar e ela saiu deixado o garoto em casa.
Ele ficou num canto da parede sem olhar para cima, e foi aí que descobri a semelhança. Ele parecia inseguro, com medo das pessoas, parecia querer se fundir com a parede para que ninguém o notasse. Exatamente como eu era quando tinha a sua idade.
― Como você se chama?
Ele pareceu se assustar como se não esperasse que eu falasse com ele. Ele continuou olhando para baixo e murmurou “Marcel” tão baixo que eu quase não ouvi.
Naquele momento eu decidi que não permitiria que ele tivesse a mesma vida que eu tive, parecendo pedir desculpas por estar ocupando um lugar no mundo. Puxei conversa com ele até conseguir fazer com que ele falasse.
Observei-o por mais uma semana, sempre tentando me aproximar e fazê-lo confiar em mim. Mostrar que eu não queria prejudicá-lo. Uma noite chamei Marie para conversar e tentar descobrir mais sobre ele. Onde estava o resto da sua família, o seu pai, irmãos...
Ela pareceu reticente a me contar, mas eu disse que era importante para mim, e que se ela não me contasse a verdade eu não iria querer mais seus serviços. Ela suspirou e me disse que ela não tinha família, que eram só os dois no mundo. E que ele era fruto de um caso que ela teve com um ex-patrão, que no segundo que descobriu sobre a gravidez a colocou na rua e não quis nem saber da criança.
Aquilo tocou um ponto muito sensível em mim, então decide que mudaria a vida deles e que nunca ia permitir que ele sentisse a falta do pai ou se sentisse inferior a ninguém.
Então eu comecei a pagar a melhor escola que eu podia para ele, o ensinei a falar outra língua e a ser confiante de si mesmo. Eu me orgulhava de cada pequena conquista cada sorriso, cada momento em que ele se abria para o mundo.
Eu estava sentando na primeira fila na sua formatura e dei uma festa de arromba quando ele foi aceito na faculdade. Embebedei-me junto quando sua primeira namorada terminou com ele. E me orgulhei mais que todos quando ele subiu na empresa como um foguete. Mesmo sendo meu protegido como todos diziam, eu nunca o ajudei nesse quesito, ele conseguiu cada conquista como qualquer outro funcionário. E agora era meu gerente sênior da filial em Boston.
Lembrar disso só me fez sentir pior. A traição dele doía como garras afiadas comprimindo meu peito. Se tinha uma pessoa que eu confiava na minha vida era ele. Talvez mais até que em meus próprios irmãos, porque eu sentia que ele era como eu, e me via como um pai. Eu jamais iria pensar nem em um milhão de anos que ele poderia me roubar. Tirar dinheiro de alguém que provavelmente o daria de bom grado se ele pedisse, fazia tudo ficar ainda pior.
Duas batidas na porta me despertaram desse devaneio e Caroline entrou colocando o café na minha frente.
― O Sr. Marcel Gerard está a sua espera.
Eu respirei fundo várias vezes e bebi o café de um único gole sentindo o liquido quente queimar minha garganta, mas sem me importar nem um pouco com isso.
― Mande-o entrar.
Ela se virou, mas eu a chamei antes que ela chegasse aporta.
― Fique aqui.
Ela me olhou de lado e depois foi até a porta e deixou que ele entrasse.
Ele abriu um enorme sorriso quando me viu que diminuiu aos poucos quando viu que eu não retornei.
― Porque não me avisou que viria? Eu teria ido te buscar no aeroporto!
Ele estendeu os braços como se quisesse me abraçar, mas eu não movi um único músculo.
Caroline veio para o meu lado, ele olhou para ela depois para mim. E baixou os braços.
― Está tudo bem?
Coloquei as mãos na mesa. Eu quis que Caroline ficasse aqui para que isso não precisasse ser pior do que seria, queria que alguém estivesse aqui para me fazer ficar calmo, e não enlouquecer ao ver aquele sorriso traidor na minha frente. Eu tolerei muitas coisas dele, mas deslealdade eu nunca perdoaria.
― Não está nada bem Marcel.
― O que houve?
― Imagino que seja eu que deva te perguntar isso.
Joguei os relatórios na frente dele, ele deu um passo a frente e os pegou.
― Agora me diga você Marcellus, o que houve?
Seu semblante foi se fechando à medida que ele lia. Eu tentava ver surpresa ou dúvida. Mas não houve nada disso. Tudo que eu podia ver era resignação. Se eu tive qualquer dúvida em relação ao que ele fez sumiu na mesma hora. Eu me levantei da cadeira e soquei a mesa.
― O que você fez Marcel?
Ele largou o relatório na mesa e olhou para Caroline mais uma vez, depois para mim.
― Eu posso explicar.
― Pode explicar? Pode ME explicar, porque você me roubou! Porque você acima de todos, a pessoa em que eu confiei! A quem eu dei tudo como a um filho! E depois de tudo você me traiu por dinheiro! Por algo que eu sempre te dei sem restrições?
Seus lábios tremeram um pouco e ele deu um passo para trás.
― Eu... Eu ia devolver. Eu juro que...
― Cale-se! Não jure nada para mim, porque eu não acredito em sequer uma palavra que saia da sua boca! Você ia me devolver o quê? O dinheiro? Ou a confiança que eu jamais terei em você novamente? Eu te criei como a um filho! Te dei mais de mim do que nunca ninguém jamais recebeu, e o que você me dá em troca é uma punhalada nas costas?
Minha respiração estava ofegante, meu peito ardia como se fosse explodir, e para piorar eu vi lágrimas nos olhos dele.
― Klaus, você sempre foi o que eu...
― O que você usou para chegar onde queria?
― Por favor, Klaus. Escuta-me...
― Saia daqui imediatamente. Eu nunca mais quero que você ponha os pés aqui. Eu vou te demitir e esse assunto morre aqui. Mas se você tentar chegar perto de mim ou da minha empresa de novo, eu vou fazer você ficar na cadeia até pagar cada centavo que me deve.
Ele fez menção de falar alguma coisa, mas ergui a mão para impedi-lo. Eu não podia ouvir mais uma palavra sequer. Ele saiu e bateu a porta atrás de si.
Eu sentei pesadamente na cadeira, e deixei minha cabeça cair nas mãos.
Ouvi Caroline caminhar e trancar a porta. Depois voltou para o meu lado e passou a mão em meus ombros.
― Têm algo que eu possa fazer?
Eu me sentia esgotado. E tudo que eu queria era não pensar no que houve ou em mais nada, levantei tão rápido que a cadeira caiu para trás com estrondo. Puxei suas pernas e a sentei na mesa, depois passei o braços jogando todo conteúdo da mesa no chão.
― Têm.
Ela colocou a mão em meu peito como se quisesse me conter, ou me acariciar, eu não saberia dizer, e naquele momento, nem queria.
― Me faça esquecer.
Eu praticamente rosnei as palavras. E no mesmo segundo ela puxou meu rosto para ela e colou seus lábios nos meus, eu enfiei a língua em sua boca de forma rude e desesperada, mas ela meu abraçou pelos ombros e me puxou para mais perto. Eu subi sua saia até a cintura e abri suas pernas me encaixando nela. Ela vestia uma calcinha de renda branca praticamente transparente, um misto de desejo e raiva brincava dentro de mim e a última coisa em que eu conseguiria pensar agora era em ser gentil, então simplesmente arranquei a calcinha. Ela gemeu contra minha boca enquanto desabotoava o sinto desajeitadamente.
Passei a beijar seu pescoço e dei mordidas no lóbulo da orelha. Sua pela cheirava a rosas. Ela conseguiu se livrar das minhas calças e me afastei um pouco para me posicionar na sua entrada molhada. Seus olhos ardiam em mim e eu sabia que sua necessidade era tão forte quanto a minha.
Inclinei-me sobre ela e a penetrei com uma estocada furiosa e profunda ela gritou e envolveu minha cintura com as pernas. Parei por um segundo para tomar folego, cada terminação nervosa do meu corpo estava em alerta máximo, eu sentia sua carne quente contra mim sem nada para impedir. Comecei a me movimentar dentro dela, rápido e duro. Eu queria gozar dentro dela e aliviar toda tensão que se acumulava dentro de mim. Ela puxou meu rosto e me beijou eu retribui com ferocidade chupando e mordendo seus lábios.
― Você é tão gostosa… Me faz querer ficar dentro de você por horas.
Ele se empurrava contra mim me fazendo chegar cada vez mais fundo.
― Klaus… Eu vou…
Aumentei ainda mais o ritmo ouvindo o barulho de nossos quadris se chocando ecoar pela sala vazia. Ela mordeu meu lábio e senti seu corpo inteiro contrair e depois relaxar em um orgasmo violento. Senti que estava perto de me perder, afundei a cabeça em seu pescoço e quando senti o orgasmo dominar meu corpo, mordi com força sua pele macia e apertei sua cintura contra mim como se eu pudesse me fundir a ela.
Aos poucos minha respiração foi se acalmando e tirei o rosto de seu pescoço e afrouxei a mão de sua cintura. Ela tocou meu rosto e encostei a testa na sua fechando os olhos. Sai de dentro dela devagar, ela suspirou e me abraçou pela cintura. Eu nunca gostei muito de carinho depois do sexo, era pura bobagem sentimental que só era feito para manter a ilusão de que a conexão continua mesmo depois que ambos gozam. Mas tudo que eu precisava naquele momento eram os braços dela em volta de mim, sentindo seu cheiro maravilhoso misturado a suor e sexo.
Ficamos parados por alguns segundos, até que eu me afastei um pouco para olhar para ela. Seu rosto estava vermelho, seus lábios um pouco inchados, mas sua expressão era de satisfação e contentamento. passei o indicador por seus lábios e notei uma marca vermelha em seu pescoço no lugar que eu mordi, aquilo provavelmente estaria pior amanhã. Mas eu sentia uma estranha satisfação em ver aquela pequena marca ali, uma marca de que eu estivera aqui, que eu fiz isso com ela. Beijei sua testa e me afastei arrumando as calças.
Ela desceu da mesa e começou a pegar as coisas do chão. Eu não gostei muito de vê-la fazendo isso, parecia errado depois do que acabamos de fazer, então me abaixei e comecei a ajudá-la.
Assim que organizamos tudo ela tentou arrumar o cabelo e saia, depois pois a mão na cabeça como se lembrasse de algo.
― Não usamos camisinha!
Congelei no lugar onde estava. Olhando para ela.
― Você não toma anticoncepcional?
― Não é só por isso que devemos usar camisinha.
― Eu faço exames a cada seis meses. E de qualquer forma nunca transo sem camisinha. O que aconteceu hoje foi uma exceção, não a regra.
Ela desviou os olhos dos meus e continuou a arrumar o cabelo, mas parecia desconfortável. Aproximei-me dela e suspendi seu rosto para que me encarasse.
― Foi incrível. Eu adorei estar dentro de você, senti seu corpo sem nada entre nós.
Ela pós a mão sobre a minha.
― Para mim também.
Encaramo-nos por alguns minutos, mas eu logo desviei os olhos e fui me sentar na cadeira, os malditos relatórios ainda estavam lá, meio amassados agora, mas seu conteúdo nunca iria mudar.
― Eu gostaria de um pouco mais de café, Caroline.
Ela deu um pequeno sorriso, e caminhou até a porta. Pareceu perceber que o que eu realmente queria ficar um pouco a sós para digerir isso tudo.
Quando chegou à porta ela parou com a mão na maçaneta e se virou para mim.
― Eu acho que você deveria ouvi-lo. Mesmo que o que ele fez tenha sido muito errado, mas da para ver que ele é importante para você. E se você o ama, e o criou como um filho, ele com certeza te ama também. Deve ter tido um motivo muito forte para fazê-lo trair sua confiança desse jeito. Talvez ele só precise que você seja um pai agora e escute o que ele tem a dizer.
Depois saiu e fechou a porta. Eu olhei para o mesmo ponto vários segundos. A raiva me enchendo de novo. Como eu podia dar mais uma chance depois do que ele fez.
Abri a gaveta e tirei de lá a única foto que eu tinha em todo escritório.
Marcel e eu estávamos na praia. Seu sorriso era estonteante. Foi a primeira vez que ele viu o mar. Eu guardava essa foto, porque nesse dia ele me abraçou pela primeira vez em quase um ano.
Coloquei a foto na gaveta de novo e a fechei. Será que eu deveria dar uma chance de ouvi-lo? Ou será que só seria pior para nós dois se nos falássemos de novo?
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