Sexy Fire - Klaroline
22 Capítulo 22
Notas iniciais
― Isso mesmo que você ouviu, vamos jantar com sua família no sábado.
― Não, nós não vamos.
Eu podia ver uma veia pulsando na têmpora de Klaus de tão irritado que ele parecia estar. Suas mãos apertavam o volante, seu maxilar estava travado e ele sequer me olhava.
― Sim nós vamos, sua mãe foi ao meu trabalho me convidar e acho que vai ser uma ótima oportunidade de nos conhecermos.
― Você não precisa conhecer minha família, eu já disse que não me importo com o que minha mãe pensa.
― Mas é a sua família Klaus, querendo ou não eles fazem parte da sua vida, e eu também, então nada mais natural que eu os conheça.
― Minha nossa! Porque você não consegue ouvir o que eu te digo?
Se ele queria me deixar muito irritada, acabou de conseguir. Ele se fechava quando eu tentava saber algo mais e agora estava se comportando como se eu não me importasse.
― Você quer que eu te ouça? Ótimo, estou escutando, quer me dizer porque você odeia tanto sua família? Ou porque você separou o Stefan e a Rebekah? Ou porque o Damon se comporta de forma tão estranha perto de você e agora até a Elena está fazendo o mesmo?
― Eu já falei, eu e meu pai não nos damos bem, e já expliquei sobre o Stefan, e o Damon... É complicado.
Recostei-me no banco e virei o rosto, olhando a rua e tentando não demonstrar o quanto eu me sentia sufocada, cada meia verdade, cada palavra não dita, estava se solidificando entre nós e criando uma distância cada vez maior.
― Sempre é complicado.
Minha voz soou sem vida, e cansada, exatamente do jeito que eu me sentia. Antes, quanto eu trabalhava para ele, me tratar mal e ser um idiota era o jeito dele de me manter distante, agora ele agia como se eu não estivesse realmente em sua vida, ou como se eu não fosse capaz de entender ou ajudar.
E foi quase inevitável de comparar a como era meu relacionamento com o Tyler. Nós dividíamos tudo, esperanças, sonhos, medos... Eu me lembrava das noites que passávamos conversando, eu contando a ele como me sentia com a morte da minha mãe, a distância do meu pai, e ele me falava como se sentia pressionado pelos pais, pela escola... Eu conhecia Tyler tão bem como conhecia a mim mesma, e me doía demais me sentir de fora, sentir que eu jamais ultrapassaria aquela barreira de hostilidade que ele criou entre ele e o mundo.
Ele não disse mais nada, e eu também não. Não queria brigar, não queria ouvir mais coisas que eu não entenderia e que ele também não explicaria. Quando ele estacionou em frente ao meu prédio ficamos parados em silêncio dentro do carro, ambos sem saber como dizer tchau sem parecer tão definitivo quanto eu sentia.
Depois do que pareciam horas, ele tirou as mãos do volante e me olhou.
― Ok. Se for tão importante para você, nós vamos.
Virei-me para ele e olhei seus olhos, que estavam angustiados e confusos.
― Não é só importante para mim, deveria ser para nós dois.
Ele olhou a rua depois voltou os olhos para mim, só que dessa vez, pareciam bem mais duros.
― O que deveria ser importante? Levar você para o meio de pessoas maldosas e destrutivas?
Ergui o braço e peguei sua mão, apertando-a contra a mim.
― Porque Klaus? Eu estou com você, eles não podem fazer nada para me machucar. Sua mãe disse que só queria estar com você, talvez não seja nada de tão ruim assim.
― Olhe para mim Caroline, eu sou um homem quebrado, porque eu estive naquela casa minha vida inteira, não estou nem um pouco ansioso para te levar lá.
Ele olhou para o lado mas eu puxei seu rosto de volta para mim.
― Você não é um homem quebrado, eu vou estar aqui por você, sempre, vou te ajudar a se curar.
― Algumas feridas são profundas demais para que possam se curar Caroline.
Suas palavras fizeram meu coração se apertar dolorosamente. Continuei segurando seu rosto com as mãos e toquei seus lábios com os meus, eles estavam contraídos mas foram relaxando aos poucos, e eu aprofundei mais o beijo, querendo mostrar com o meu toque, com meu carinho o quanto ele era importante para mim.
Ninguém o via como eu, as outras pessoas o viam como um homem, duro, inflexível e até cruel. Mas eu enxergava o quanto ele estava machucado por dentro, e só tentava se defender e evitar que as pessoas vissem fraqueza nele, atacar os outros era a melhor forma de parecer duro e manter qualquer pessoa bem longe.
Eu queria tanto arrancar a dor dele, fazê-lo perceber que não precisava ser assim. Mas eu nem sabia por onde começar, não sabia o que tinha acontecido que o tinha ferido tanto, e pior ainda, não fazia idéia do que ainda o estava ferindo.
Ele interrompeu o beijo bruscamente e enfiou a cabeça no meu ombro, e respirou profundamente por entre meus cabelos. Depois de vários segundos assim ele finalmente ergueu o rosto.
― Nós vamos jantar com eles, eu vou pedir desculpas a Rebekah e depois nós vamos embora, tudo bem?
― Tudo bem.
Tentei sorrir, mas meu peito estava pesado com o turbilhão de sentimentos que rodopiavam de forma caótica dentro de mim. Dei um beijo em seus lábios e sai do carro.
Entrei no apartamento de forma automática e vi Jeremy tomando sorvete e vendo um filme no sofá, ele acenou quando eu passei, e eu fui direto pro quarto da Elena.
Ela estava enrolada num robe quando entrei e penteava os cabelos. Cruzei os braços e a encarei.
― Vamos logo me contando o que aconteceu lá no bar e porque você se comportou daquele jeito.
― Não aconteceu nada.
― Elena Gilbert, eu te conheço desde que eu nasci, não tente esconder nada de mim, por favor.
Ela respirou fundo e largou a escova de lado.
― O Damon trabalha para ele, isso é meio complicado para mim.
― É complicado que o seu namorado trabalhe para o Klaus, é isso que você quer dizer?
― Não Caroline, é complicado que o meu namorado trabalhe para o Klaus porque é uma forma de se vingar dele, ele cometeu muitos erros, mas o Klaus não tem o direito de julgar nem punir ele.
― Erros? Que erros? E porque o Klaus iria querer se vingar do Damon?
― Erros Caroline, todo mundo comete erros! E o Klaus provavelmente acha que é o rei do universo para estar tentando ensinar uma lição estúpida a alguém!
― Eu não estou entendendo o que você quer dizer Elena, o Damon trabalha para o Klaus contra a vontade dele é isso?
― O Damon devia um dinheiro, o Klaus pagou a divida, e o Damon está pagando pelo dinheiro.
Ela parecia muito brava, mas eu a conhecia bem demais para saber que no fundo ela estava muito preocupada. Ela respirou fundo e fechou os olhos por alguns segundos.
― Não é culpa do Klaus realmente, mas... Isso faz o Damon se sentir, impotente, eu sei como é se sentir assim e é horrível.
Seus olhos brilharam com lágrimas não derramadas e eu fui até ela e a abracei.
― Sinto muito.
― Eu também sinto muito, não devia despejar essas coisas em cima de você.
― Tubo bem Elena, é que eu na verdade não sabia de nada disso.
Elena afastou um pouco o rosto e me olhou.
― Como muitas outras coisas que ainda não sei... ― Murmurei para ela.
E só me dei conta do quanto isso estava me consumido quando uma lágrima quente escorreu por meu rosto, e logo foi seguida por muitas outras. E antes que eu me desse conta já estava agarrada a Elena chorando profusamente.
Isso levou vários minutos, eu chorando silenciosamente por vários minutos. Elena me deu água e aos poucos eu fui me acalmando. Eu não podia contar a Elena o que estava acontecendo, e isso tornava as coisas um pouco piores, eu nunca escondi nada dela, mas não se tratava de algo só meu, era o segredo de outra pessoa, e algo que no fundo eu nem sabia direito do que se tratava.
Bem mais tarde eu me arrastei para cama, só que mal consegui dormir. Só pensando nesse jantar e se ele traria alguma luz para minhas dúvidas, e para tudo que Klaus estava escondendo de mim.
***
Saímos do apartamento no sábado a noite para ir a casa dele. Eu estava com um vestido cor de creme, sapatos e bolsa claros para combinar com o vestido. Já Klaus era totalmente o oposto vestia preto da cabeça aos pés, e seu humor sem dúvidas estava combinando com isso, pois passou a viagem quase toda em silencio, só respondia algo quando eu perguntava diretamente, ainda assim, com monossílabos. Quando chegamos a casa dos pais deles eu já estava me perguntando se aquele jantar tinha sido realmente uma boa idéia.
Esther nos recebeu na porta com um enorme sorriso nos lábios, e ela parecia genuinamente feliz por nós estarmos aqui, bem melhor dizendo por Klaus estar aqui. Um homem ao seu lado nos encarava impassível, que eu julguei ser o marido dela, o pai do Klaus, pela maneira que pousava a mão na base da suas costas.
― Sra. Mikaelson, Sr. Mikaelson. ― Os cumprimentei.
― Não precisa ser tão formal, sou Mikael.
Ele também nos cumprimentou, mas seu rosto era quase inexpressivo. Já o de Klaus tinha se transformado numa mascara de frieza, ele mal chegou perto da mãe e se limitou a dar um aceno de cabeça para o pai.
― Venham, vamos para a sala de estar.
Esther nos indicou a sala e nos a acompanhamos. Rebekah já estava lá, e mais um rapaz que veio em nossa direção quando nos viu, ele era extremamente parecido com Rebekah, mas ostentava um meio sorriso debochado que era a marca registrada de Klaus.
― É um grande prazer conhecê-la.
Eu estiquei a mão para cumprimentá-lo, mas ele a puxou e deu um beijo, não pude não sorrir com sua atitude, era um flerte tão obvio que chegava a ser engraçado.
― Mas aposto que podemos redefinir a palavra prazer se você escolher o irmão certo...
― Menos Kol, você está quase babando na minha namorada!
Kol riu e deu uma piscadinha para mim. Klaus não parecia realmente aborrecido com o irmão, mas mesmo assim, passou a mão em minha cintura de forma possessiva.
Rebekah olhava para qualquer lugar da sala, menos para nós.
― Oi Rebekah, como está?
― Bem.
Ela se limitou a responder olhando rapidamente para mim.
― Finn e Sage já vão descer vocês querem beber alguma coisa? ― Esther se dirigiu a nós e eu concordei com a cabeça, Klaus se limitou a dar um não seco e sem explicações.
― Aqui está. ― Ela me entregou a bebida e sentamos no sofá.
Kol sentou no braço do sofá a meu lado e Rebekah permaneceu de pé.
― Então Caroline, você sempre morou aqui? ― Esther tentou puxar conversa. Mas a tensão era palpável, Klaus estava parado ao meu lado, mas estava rígido como uma tabua, já Mikael passou o braço pelos ombros de Esther e continuava a nos fitar inexpressivamente.
― Não, eu morava em uma cidade pequena chamada Mystic Falls, vim morar aqui a mais ou menos um ano.
― E onde estão seus pais?
― Minha mãe morreu a mais de dez anos e meu pai se casou de novo, mora em Memphis.
― Oh, sinto muito por sua mãe.
― Obrigada.
― Você não tem mais ninguém? Avós, primos?
― Não, tenho me virado sozinha a algum tempo.
― Isso é tão triste. Não ter família... Não saber o que significa família.
Ela parecia um pouco triste, mas sua boca estava franzida, do jeito que fazemos quando não aprovamos alguma coisa, mas somos obrigados a fingir nos importar. Aquela mulher queria representar o papel de mãe preocupada com a nova nora, mas a cada segundo eu sentia que ela estava tentando me dizer “Eu sei que você não serve para meu filho”
― Eu posso não ter tido meus pais biológicos comigo, mas eu sei o que é uma família Sra. Mikaelson, eu fui criada por pessoas que me amavam.
― Claro, eu não quis dizer que...
― Sim, foi exatamente o que você quis dizer.
Ela fechou a boca com minhas palavras, e seu olhar era quase mortal. Por fim ela se levantou para conferir como estava o jantar e Mikael saiu para pegar outra bebida. Olhei para Klaus e vi que seus olhos estavam em Rebekah que o ignorava deliberadamente.
― Vá falar com ela.
Encorajei, e ele finalmente se levantou.
― Bekah...
― Nem comece Nik, eu já estou cansada disso.
― Eu sinto muito, eu sei que exagerei e... Você é uma adulta, pode cuidar de você mesma.
As palavras dele a pegaram completamente desprevenidas, pois ela abriu a boca e fechou várias vezes antes de conseguir falar.
― Você está se desculpando?
― Não me faça repetir.
Mas ele não parecia zangado, ao contrário, estava sorrindo pela primeira vez naquela noite. Rebekah sorriu de volta para ele depois olhou para mim e piscou.
― Ela está realmente te fazendo muito bem.
Ela o abraçou e ele ficou meio sem jeito no começo, mas acabou por abraçá-la de volta e nesse segundo Esther voltou da cozinha, ela estacou na porta como se estivesse vendo algo pela primeira vez na vida.
― Bom... Isso definitivamente não é algo que não se vê todo dia.
As palavras de Kol despertaram a todos na sala, pois Esther finalmente saiu do lugar e Klaus e Rebekah se soltaram.
― O jantar está servido, venham.
Eles foram seguindo para cozinha, mas eu fiquei um pouco mais atrás com Klaus. Cheguei bem próximo a seu ouvido e falei de forma que só ele pudesse ouvir.
― Estou orgulhosa de você.
Ele deu um meio sorriso para mim, e fomos para mesa. O irmão mais velho de Klaus chegou tão logo nos sentamos, junto com sua esposa. Começamos a comer, e só Kol e Rebekah conversavam. Finn e Sage, pareciam quase a sombra um do outro, comiam em silencio, olhando para o próprio prato.
― Você trabalha num estúdio Caroline?
Olhei para Mikael que tinha acabado de falar comigo e ouvi o tilintar do talher de Klaus batendo no prato.
― Sim, ela trabalha. ― Respondeu Klaus antes que eu pudesse formular uma frase.
Mikael deu um sorriso debochado para ele e se virou para mim.
― Imagino que você possa falar por você mesma não é querida?
― Não a chame assim. ― Klaus falou por entre os dentes e eu olhei para ele quase chocada.
― Klaus!
Ele sequer olhou para mim, encarava o pai por cima da mesa, Mikael parecia estar se divertindo muito com a situação.
― Trabalho num estúdio sim, a pouco tempo é claro, mas eu já amo aquele lugar.
Ele voltou seus olhos para mim, mas Klaus continuava parado do meu lado, sem sequer tocar na comida.
― Onde você trabalhava antes?
― Ela era secretária do Klaus. ― respondeu Rebekah por mim, arrancando gargalhadas do Kol.
― Sua secretária? Sério? ― Kol segurava a barriga de tanto rir e eu acabei rindo também.
― Cale-se Kol! ― Klaus estava extremamente irritado, e não tentava esconder isso.
Todos riram ainda mais com seu nervosismo, exceto Esther que parecia ter acabado de lamber uma enorme banda de limão. Até Mikael riu um pouco, apesar de parecer muito mais debochado que os outros.
― Secretária... E esse é meu filho, sempre querendo o que não pode ter, espero que ele não faça o mesmo que fazia quando era jovem.
Todos os sorrisos foram cessando e minha atenção se voltou para Mikael.
― E que ele fazia quando ele era jovem? ― Perguntei a ele.
― Sempre queria tudo, mas enjoava tão logo conseguia.
― Você realmente não precisa fazer isso na mesa de jantar pai. ― Klaus encarava o prato agora.
― O que foi? Não quer que sua namorada descubra que você é mimado e frívolo? Ela ia descobrir a qualquer momento, eu estou fazendo um favor a vocês dois.
O silêncio reinou na mesa, não se ouvia sequer o barulho dos talheres, eu olhei para Klaus esperando que ele dissesse algo, mas ele permanecia encarando o prato. Sua postura não era defensiva ou irritada, ele parecia resignado, como se estivesse disposto a ficar ali parado, independente do que acontecesse. Aquilo fez uma raiva tão grande borbulhar em mim, que tipo de pais eram eles? Uma mãe falsa, e um pai que parecia fazer questão de ver o filho se sentindo mal?
― Porque você está falando essas coisas?
Minha voz irritada ecoou pela cozinha e todos os olhos se voltaram para mim. Mikael parecia perplexo com minha hostilidade, mas apenas deu de ombros.
― Ele é meu filho, eu conheço tudo de ruim que tem nele.
Que filho da puta! Larguei os talheres no prato.
― Não tem nada de ruim nele! E se tiver, aposto que veio de você, além disso, que tipo de pai fala essas coisas do próprio filho? Isso me diz muito mais coisas sobre você do que sobre ele.
Todos estavam chocados, olhavam para mim e para Mikael, depois para mim de novo, como se não acreditassem que eu realmente estava falando assim com ele.
― Você não o conhece garota, talvez um dia...
― Cale a boca seu cretino, eu o conheço muito melhor que você pensa. ― Eu me levantei da cadeira e Mikael também, ele se inclinou para frente não sei se queria berrar comigo, mas isso despertou Klaus pois ele se levantou da cadeira, e me puxou para o lado, assumindo uma postura defensiva na minha frente.
Eu ia abrir a boca para falar, mas várias coisas me atingiram ao mesmo tempo. Primeiro: eu me dei conta de que Klaus não revidou ou discordou do pai, e isso era uma mudança e tanto, pois ele parecia sempre pronto para brigar com qualquer um. Segundo: Ele tentou me defender, quer dizer que ele achava que Mikael poderia me machucar. E terceiro: Ele só pensaria que Mikael poderia me machucar por que já sabia que ele era capaz disso.
― Não. ― Essa palavra saiu sufocada por entre meus lábios, e Klaus se virou para mim, seus olhos encontraram os meus e eu tive certeza. ― Não.
― Caroline?
Sua voz parecia vinda de bem longe, e todo o resto pareceu se embaçar a meu redor. Klaus segurou meus braços e me pegou no colo, senti ele começar a andar.
― Não se preocupe, vamos embora daqui.
Ele murmurou para mim e eu me senti totalmente inútil. Ele estava certo afinal, eu talvez não pudesse lidar com isso. Ele precisava que eu fosse forte e eu simplesmente surtei. Minha cabeça parecia quase doer, e eu sentia meu estomago se embrulhar. Como um pai poderia fazer isso? Como poderia machucar seu próprio filho? Me pai nunca foi um pai amoroso, mas ele nunca sequer me deu um tapa, e a monstruosidade que Mikael fez com o filho estava gravada na minha mente para sempre.
Agarrei-me a Klaus quando ele tentou me colocar no chão e abria a porta do carro.
― Foi ele não foi?
Olhei em seus olhos quando senti meus pés tocarem no chão.
― Aqui, não Caroline.
Ele tentou me fazer entrar no carro, mas eu estaquei no lugar e abracei seus ombros.
― Não me deixe de fora, por favor.
Ele respirou fundo e segurou meu rosto.
― Foi.
Ele respondeu, e eu finalmente senti tudo voltar bruscamente ao normal. Naquele segundo eu notei cada coisa ao nosso redor, a casa, a noite fria, tudo que tinha acabado de acontecer lá dentro, mas tudo que me importava era ele.
― Agora imagino que você saiba porque eu não queria você aqui.
― Eu sinto muito. ― Murmurei e enterrei a cabeça em seu peito.
― Não precisa sentir muito, você foi a primeira pessoa que tentou me defender de tudo que ele sempre fez, e isso significa muito para mim.
― Mas eu não pude impedir ele de machucar você! De conseguir...
Ele pós o dedo sobre meus lábios me calando.
― Não importa, eu posso lidar com isso, tudo que eu preciso é seu amor, ele que me faz forte, para superar tudo e todos.
― Você sempre terá meu amor.
― Isso é o suficiente para mim.
E me beijou, ali naquele lugar hostil, onde provavelmente a família dele me detestava mais que nunca, onde havia alguém que queria machucá-lo e provavelmente alguém que me queria bem longe dele. Mas seus lábios, seu gosto, seu corpo colado ao meu, era tudo que eu precisava para ser forte também, para superar tudo e para enfrentar tudo. Qualquer coisa que viesse até nós, eu lutaria ao seu lado.
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