Notas iniciais
segundo cap gente, espero que gostem. Bjinhos.

― Você fez o quê?

Puxei meus cabelos para cima e amarrei em um rabo de cavalo. Meu rosto estava com a maquiagem leve, a entrevista era daqui a uma hora e eu queria passar a impressão de uma pessoa responsável e confiável. Tinha acabado de contar a Elena minha aventura com o Inglês bonitão da noite passada. Ela me encarava chocada pelo espelho.

― Como estou?

Dei uma volta, para ela. Coloquei uma calça simples preta e uma camisa branca, alguns poucos acessórios, mas o efeito final era bom. Elena me olhou de cima abaixo e sorriu um pouco.

― Parece a secretária de um grande empresário.

Sorri de volta para ela.

― Essa é a idéia.

Fui pegar minha bolsa, e ela foi atrás de mim.

― Caroline Forbes, você transou com um cara estranho dentro de um carro?

Olhei para ela.

― Sim.

― Sim?

Ela arqueou a sobrancelha para mim.

― Elena, eu estou em um mês terrível, nem me lembro quando foi que me diverti a última vez, e a última noite de sexo semi-decente que eu tive foi com Tyler, e olha que eu já terminei a mais de um ano. Então... Sim, eu encontrei um lindo e sexy britânico num bar e tive a melhor transa da minha vida dentro de um carro.

O sorriso dela ficou um pouco maldoso.

― A melhor? Ele fez...

Fechei meus olhos e continuei andando.

― Eu não vou te contar o que ele fez ou não, agora me deseje sorte.

Elena me abraçou apertado e eu me senti confortável. Elena era mais que uma irmã para mim, e segurou minha barra tantas vezes que eu não podia nem contar.

― Boa sorte!

Desci as escadas e peguei um ônibus pouco depois. Olhando as ruas passarem pelas janelas, tantas pessoas e vidas diferentes. Me permite pensar no estranho lindo que encontrei no bar. Foi a maior loucura que fiz desde a adolescência. Minha vida tinha sido o mais anormal possível. Os pais de Elena cuidaram de mim desde que minha mãe morreu, e eu sempre me esforcei para ser uma boa garota por causa deles. Comecei a namorar Tyler Lockwood no colegial, era super apaixonada por ele, e na época achava que iríamos casar, ter lindos filhos, um cachorro e uma casa com cerca branca. Revirei os olhos com a lembrança.

Desde que vim morar em Nova Iorque meu foco era trabalhar organizar minha vida e me divertir. Nenhum dos três deu certo até agora, mas eu estava tentando. E aquela noite com o inglês, tinha sido diversão o bastante para eu poder me lembrar por um bom tempo. Nunca senti tanta atração por uma pessoa em tão pouco tempo, até com Tyler que eu amava demorou para eu sentir tanta vontade de transar com ele.

Passei a mão pelos cabelos e revivi cada momento e toque, eu podia sentir seus dedos e lábios na minha pele. Sacudi a cabeça e foquei em outra coisa, ele provavelmente já estava em outro país agora e nem deveria se lembrar de mim.

Saltei no ponto e caminhei até o prédio, era enorme. A fachada era imponente, e se destacava dos demais. Era minha chance de finalmente arrumar minha vida, respirei fundo e entrei.

Pedi orientação na recepção, e consegui chegar a sala do RH, sentei e aguardei ser chamada. Sacudi as pernas nervosamente, o lugar aprecia tão organizado, contrastava extremamente com o restaurante que trabalhei. O lugar era simples e... vulgar. Não tinha outra forma de descrever, detestava cada centímetro de lá, mas como foi o único que consegui, tinha que ir levando. Até descobrir que o dono do lugar era o cara mais babaca e nojento que eu tive o desprazer de conhecer.

Uma moça abriu a porta e me convidou a entrar, sorri para ela e entrei. Sentei na cadeira em sua frente e aguardei enquanto ela analisava meus documentos.

Ela baixou os documentos e me olhou por um tempo, depois respirou fundo.

― Eu vou ser sincera com você Caroline, em outra circunstância, seu currículo nem seria considerado para essa vaga.

Fiquei super constrangida com esse comentário, e me preparei para ser dispensada.

― Mas... estamos sem opção.

Meu sorriso se abriu de forma estonteante e tentei conter.

― Eu aprendo rápido, e prometo que vou me esforçar muito para merecer a vaga.

Ela pareceu nem ouvir minhas palavras, sua testa estava vincada e parecia bem preocupada.

― Seu trabalho é de secretária e assistente, todos os detalhes do que você têm que fazer estão no computador. E o restante vai ser especificado pelo Sr. Mikaelson, como assistente você vai precisar ir a reuniões com ele, quando solicitado, e caso necessário, ir a viagens de negócios.

Concordei com tudo, ela me passou um papel, com detalhes de horários e tudo mais que eu teria direito. Assim que vi o salário quase engasguei, aquilo era tudo que eu precisava. Poderia pagar minhas contar, guardar um dinheiro para faculdade... Eu teria que ficar naquele emprego, custasse o que custasse.

― A vaga inclui plano dentário e de saúde, e... caso precise de assistência psicológica, o plano também cobre.

Sorri para ela, assinando os documentos.

― Por esse salário, ele pode até me enlouquecer se quiser.

Tentei fazer piada, mas ela não sorriu.

― Não se preocupe, ele vai tentar.

Meu sorriso murchou na hora e ela pegou os documentos assinados. Depois me encarou fixamente.

― Tudo bem, eu vou ser totalmente franca com você.

Cheguei um pouco para frente na cadeira e a encarei.

― O Sr. Mikaelson é... uma pessoa difícil de lidar. Ele se mudou para cá a dois meses, a primeira assistente ficou um mês e meio, mas ela saiu daqui quase em depressão.

Engoli em seco.

― E a segunda?

Perguntei meio sem querer.

― Segunda? ― Ela pareceu dar um sorriso forçado ― Ele demitiu 5 assistentes em duas semanas.

Uau, por isso o salário era tão alto, o cara era provavelmente um velho infeliz que gostava de atormentar os outros. Mas eu já tinha lidado com idiotas antes, e podia fazer de novo.

― Não se preocupe, eu posso fazer isso.

― Ótimo. Porque vou me casar em duas semanas, e vou ter 20 dias de lua de mel, e a última coisa que eu quero é ele ligando para mim todos os dias para arrumar uma assistente nova.

Sua voz estava irritada, parecia cansada de fazer isso.

― Vai ficar tudo bem. Não se preocupe.

Ela assentiu sem acreditar muito, e me encaminhou para a sala dele. Ficava no último andar.

― Espere aqui, vou falar com ele.

Sentei na mesa, o ambiente era muito sofisticado e moderno. Sorri para mim mesma, eu finalmente tinha conseguido. Um trabalho num lugar bacana e com um ótimo salário.

Ela saiu de lá alguns minutos depois, parecia pálida e bem aborrecida. Me mostrou a minha mesa, e uma pequena copa, com uma pia, máquina de café e um frigobar. Depois mandou que eu entrasse e saiu.

Respirei fundo, arrumei o cabelo de novo e bati na porta, não houve resposta, então entrei assim mesmo.

Ele estava de costas para mim, a sala era ampla com grandes janelas de vidro, meio opacas, a mesa era refinada e diferente da maioria das mesas de executivos, não tinha foto de ninguém.

Ele se virou para mim e eu congelei de choque. Era ele, o inglês do bar.

O único pensamento que eu consegui formular foi: O meu Deus!

Seus olhos brilharam de reconhecimento e ele sorriu um pouco.

― Srta. Forbes.

Seu sotaque britânico me atingiu como um soco no estomago, e eu engoli em seco.

― Tudo que você precisar fazer está listado no computador, qualquer outra coisa que eu quiser vou pedir especificamente. Seu horário é baseado no meu, você têm que chegar aqui antes de mim, e só vai ser liberada quando eu for embora, serão pagas horas extras é claro. Não gosto que meus funcionários fiquem batendo papo pelos corredores e nem acessando redes sociais, preciso que você se concentre no seu trabalho. Mantenha minha agenda sempre atualizada, e por favor confirme todos os meus compromissos, se tem uma coisa capaz de acabar com meu humor é dar viagem perdida para qualquer lugar.

Ele parou como se esperasse que eu respondesse, mas eu ainda estava chocada demais com essa estranha coincidência. Eu transei com meu chefe dentro de um carro, e ele estava me falando sobre atualizar agenda, sério?

― Você está ouvindo?

― Sim... quer dizer ― Pigarreei e me recompus um pouco, se ele podia fazer de conta que não me conhecia, eu com certeza podia também ― Sim Sr. Mikaelson.

― Ótimo. Me traga um pouco de café.

Sai de lá quase correndo, e enquanto esperava o café ficar pronto, tentei botar meus pensamentos em ordem. Pensei que fosse só uma aventura de uma noite, mas agora, eu o veria todos os dias, e teria que fingir que nunca aconteceu, e mais importante, tentar fingir que não notei o quanto ele ficava sexy de terno. Coloquei o café na xícara e levei para a sala.

Ele estava de pé em frente a mesa quando cheguei, e isso me deu uma visão completa do seu corpo. Será que ele tinha idéia das coisas que passaram pela minha cabeça vendo ele assim?

Entreguei a caneca e esperei, ele me olhou e sorriu de lado.

― É só isso.

Me virei para sair, mas quando estava com a mão na maçaneta da porta ele me chamou. Parei e me virei, ele estava bem na minha frente. Ele deu um passo a frente e eu dei um passo para trás instintivamente, ele sorriu ainda mais.

― O que aconteceu fora daqui, deve ficar fora daqui. Aqui, eu sou seu chefe, e você minha secretária, só isso.

Concordei com a cabeça.

― É só isso.

Me virei de novo e girei a maçaneta, mas senti seu corpo colando no meu. Minha respiração ficou pesada na garganta, e pude sentir seu hálito quente bater em meu pescoço. Fechei os olhos e respirei fundo.

― Srta. Forbes...

Ele sussurrou no meu ouvido e eu quase desmaiei, sua voz era rouca e cheia de promessas.

Senti seus lábios tocarem meu ouvido, e meu corpo inteiro se arrepiou.

― Ainda posso sentir seu gosto doce na minha língua, Srta. Forbes.

Depois se afastou de mim e sentou na cadeira dando um gole no café. Sua boca franziu e ele empurrou a xícara na mesa.

― Me lembro de ter pedido café, não água suja com açúcar Srta. Forbes. Traga outro imediatamente.

Peguei a xícara da mesa e saí. Esse homem com certeza iria me enlouquecer.

Notas finais
O que acharam gente? Bjinhos.