Notas iniciais
Hey suas lindas, cap novo, meio atrasado, mas o período Junino aqui no nordeste é pura festa, então me dei um recesso, mas já estamos de volta. Boa leitura.

POV’S Caroline

Ele esperava minha resposta. Todos me olhavam em expectativa. Mas a função que ligava meu cérebro a minha boca tinha simplesmente sumido.

Um milhão de coisas passaram por minha mente. O dia que nos conhecemos, quando fui trabalhar para ele, nossas brigas... Mas nada disso parecia ser maior do que eu sentia por ele.

Ele desceu do palco e veio em minha direção. Eu sabia que devia ir até ele e dizer alguma coisa, mas tudo que consegui foi ficar de pé.

Ele parou em minha frente, seu olhar era intenso e decidido. Tirou uma caixinha preta do bolso interno do paletó depois se ajoelhou na minha frente.

Meus olhos arderam, e nada mais parecia importar. Onde estávamos ou quem estava olhando, tudo que eu queria era estar logo em seus braços.

― Sim.

Respondi e me ajoelhei também esmagando meus lábios contra os seus. Ele me apertou pela cintura como se quisesse se fundir a mim.

Aplausos explodiram por todo salão, e enfim nos demos conta de onde estávamos, ele se levantou me levando junto, e pegou minha mão direita para colocar o anel.

Estiquei minha mão para olhar o anel, tentando assimilar tudo que aquilo significa, a magnitude do que aquele anel significa pareceu me atingir naquele segundo. Ele era dourado e tinhas várias pedras adornando o diamante que ficava bem no meio.

Segurei no braço de Klaus, enquanto várias pessoas vinham nos cumprimentar e parabenizar. Aquilo tudo parecia surreal, a menos de três horas estávamos brigados e agora já estávamos noivos? Era coisa demais para digerir num só dia.

O resto da festa passou num borrão. Quando me dei conta já estávamos dentro da limusine e indo para casa.

Assim que a porta se fechou Klaus me puxou para seu colo. Eu enterrei a cabeça em seu pescoço e inspirei profundamente. Seu cheiro me inebriava e me acalmava, era a combinação perfeita entre a colônia e sua essência masculina e provocante. Beijei seu pescoço várias vezes e ele me apertou ainda mais.

― Eu amo você.

Murmurei e ele puxou meu rosto e me beijou. Lentamente, me saboreando, me possuindo aos poucos. O desejo explodiu em mim, rápido e intenso, afastei meu rosto do dele e olhei na direção do motorista. Mas a janelinha que dava acesso a parte de trás da limusine estava fechada. Claro que estava.

― Porque não voltamos de carro?

Consegui perguntar antes que qualquer pensamento racional se escondesse bem no fundo na minha mente.

― Achei que iríamos querer um pouco mais de privacidade.

Seu sorriso era maldoso, mas também brilhava de felicidade. E antes que eu pudesse pensar em qualquer outra coisa ele já estava descendo o vestido por meu corpo.

― Sua boca é uma delícia, mas eu preciso muito estar dentro de você...

Murmurou em meu ouvido e eu me perdi na sua voz, em seu amor e em tudo que seu toque prometia.

***

Se o motorista notou que saímos da limusine com as roupas amassados e com o cheiro de sexo exalando por cada poro do corpo ele não fez nenhum comentário. Apenas abriu a porta para nós e subimos para seu apartamento.

Eu entrei no banheiro antes que ele pensasse em fazer isso. Eu precisava tirar a maquiagem e isso exigiria bem mais tempo que o banho dele.

Quando eu finalmente sai ele resmungou sobre “coisas de mulher”, eu apenas ri e me joguei na cama.

Respirando profundamente e me permitindo pensar no que tinha acontecido e no que esperava por nós.

Eu já tinha pensado em casamento antes, várias vezes na verdade. Quando estava com Tyler. Mas como isso não tinha dado certo, eu coloquei isso bem abaixo da minha lista de prioridades e praticamente esquecido. Pelo menos até conhecer Klaus.

Minha vida parecia ter um ritmo estranho as vezes. Ou eu tinha tudo, ou não tinha nada. Na época da escola, eu namorava um garoto do time de futebol, os pais de Elena me amavam e eu me sentia parte de uma família. Então tudo desabou sobre meus pés e eu perdi tudo que amava. Depois passei um período terrível, entre estar sem grana ou estar em empregos terríveis. Agora cá estava eu, com Klaus, perdidamente apaixonada e um emprego que adorava. Parecia que tudo estava perfeito. Mas por quanto tempo isso duraria?

Klaus tinha seus problemas, uma família maluca, pai violento, mãe negligente, tudo parecia um terrível pesadelo. E cá estava eu, balançando ainda mais suas estruturas que já eram bem frágeis. O único ponto positivo entre nossas vidas tão disfuncionais era que tínhamos um ao outro, encontrávamos segurança nessa relação, mesmo que as vezes não parecesse tão firme assim. Eu o conhecia de uma maneira que provavelmente ninguém mais conhecia, e ele também me conhecia. Nossos sentimentos estavam arraigados no que existia de mais verdadeiro em cada um.

Ergui minha mão novamente olhando o anel. Logo estaríamos casados. Seriamos a família um do outro. E eu daria a ele a segurança e o amor que ele não encontrou nos pais.

― Gostou do anel?

Levantei a cabeça rapidamente. Estava tão absorta em meus pensamentos que nem notei que ele já tinha saído do banheiro.

― É lindo.

Respondi e ele se deitou na cama me abraçando.

― Assim como você.

Falou beijando meus cabelos, e eu me virei para ele tocando seu rosto.

― Nós nunca falamos sobre isso.

Falei e ele começou a acariciar meus cabelos.

― Não falamos sobre o quê?

― Casamento. ― Respondi.

― Bom, eu achei que se fizesse o pedido em público, as chances de você dizer não seriam bem menores.

Falou ele rindo, mas senti um nervosismo no fundo daquela brincadeira.

― Você pensou que eu diria não?

Perguntei e ele fechou os olhos respirando fundo.

― Você sabe coisas sobre mim que ninguém mais sabe Caroline, sabe tudo de podre que existe por trás da “família perfeita”, é claro que eu achei que você... Talvez... Não quisesse fazer parte disso.

Me levantei, apoiando-me sob seu peito e olhei em seus olhos.

― O motivo de amar tanto você é porque eu te conheço melhor que ninguém, e quero ser sua família assim como você será a minha.

― Caroline...

Ele suspirou meu nome, quase como uma súplica e eu o beijei. Tentando lhe mostrar naquele toque de lábios o quanto eu o amava e confiava nele, confiava nosso futuro nesse amor.

Continuamos trocando beijos longos e carinhosos, até que o cansaço finalmente me pegou, ele me abraçou e acariciou meu cabelo para que eu dormisse.

Mas o toque do celular dele me despertou. Ele pegou e olhou o visor franzindo a testa depois atendeu.

Não consegui identificar quem era. Ele escutou bem mais do que falou, apoiei meu queixo em seu peito, observando seu rosto.

Depois do que me pareceram horas ele finalmente desligou e ficou olhando para frente.

― Quem foi?

― O Elijah.

― Aconteceu alguma coisa?

Ele passou as mãos pelos cabelos e finalmente me olhou.

― Aconteceu. Você se lembra que eu te disse uma fez que Elijah namorou uma garota chamada Katherine?

― Lembro. Você disse que sua mãe fez eles terminarem não foi?

― Foi sim. E agora eles se reencontraram. E eles tem uma filha.

― Uma filha?

Me sentei na cama.

― É. A garotinha tem três anos, e a Katherine nunca contou para ele que estava grávida, ele só soube de tudo agora.

― Minha nossa... Como ela está?

― Feliz, confuso... É muita coisa para se digerir em tão pouco tempo.

― Seus pais também não sabem sobre isso ainda não é?

― Não. Mas vão saber logo, e isso com certeza não vai ser bom.

― Porque não? É a neta deles!

― Caroline você sabe bem que é complicado, eles não gostavam da Katherine, e não vão passar a gostar agora, principalmente quando souberem que um tão precioso primogênito Mikaelson foi criado bem longe deles.

― Isso é uma bobagem, eles deveriam ficar felizes, ainda mais sendo o primeiro neto...

― Primeiro Neto esse que eles vem tentando enfiar na barriga da Sage a qualquer custo.

Aquelas palavras me chocaram. Se é que alguma coisa sobre os Mikaelson ainda era capaz de me chocar.

― Explica isso, por favor.

― A Sage aparentemente não pode ter filhos, e a anos, desde que ela se casou com o Finn eles vem tentando todo tipo de tratamento possível para que ela engravide. Bom, eles não iriam esperar netos do Elijah depois do que houve, imagino que Mikael não estava nem um pouco empolgado com um filho meu, então tudo que restava para eles era a Sage.

― Isso é terrível. Eu nunca conheci pessoas como os seus pais, tão... cruéis. Como eles podem se importar tão pouco com a felicidade dos próprios filhos?

― Não faz diferença, Caroline. Cá estamos nós, Elijah está com a Katherine e ele tem uma filha, e eu estou prestes a me casar com a melhor mulher do mundo. Nós ganhamos no final.

Ele sorriu para mim e eu o correspondi. Pegamos no sono logo em seguida.

***

Passamos o resto do fim de semana no nosso casulo. Só eu e ele e nada mais. Foi até estranho ir trabalhar na segunda de manhã.

Ele queria ir me buscar depois do trabalho mais eu queria dormir em casa. Precisava conversar com Elena. Eu tinha ligado para ela ontem para contar as boas notícias, mas precisávamos conversar pessoalmente sobre tudo.

Klaus e eu ainda não tínhamos definido uma data, mas se dependesse dele seria em menos de uma semana. Ele disse que não queria correr o risco de eu mudar de idéia. Mas muitas coisas aconteceram rápido. Então eu queria que pelo menos essa fosse devagar. Com calma. Porque não precisávamos ter pressa afinal, eu não iria mudar de idéia sobre nós.

Entrei em minha sala e estava conferindo os emails quando a porta se abriu de repente e Deana entrou como um furacão.

― Meu Deus do céu Caroline! Quando você ia me contar?

Olhei para ela sem entender.

― Contar o quê?

― Como contar o quê? Você está noiva!

Ela dava pulinhos no lugar de tanta empolgação. Ergui minha mão, sem perceber que era tão óbvio assim.

― Você viu a aliança não é?

Um sorriso se espalhou pelo meu rosto e ele deu um grito quase arrancando minha mão para ver o anel.

― Meu Deus! O anel! É lindo! Perfeito! Quando você ia me mostrar isso?

Agora eu fiquei confusa.

― Você não tinha visto? Então como eu soube que eu estava noiva?

― Está brincando? Está em todo lugar Caroline, sites de fofoca, jornais, revistas. Tem fotos de vocês por toda parte!

Olhei para ela boquiaberta. Como isso era possível?

Deana tagarelou um pouco mais sobre eu ser uma estrela, mas eu mal ouvia.

― Em que site você viu isso Deana?

Perguntou interrompendo-a, mas ela pareceu não se importar.

― Em todos! Basta colocar no Google e você vai ver, está em todo lugar!

Fiz exatamente o que ela disse. E a quantidade de coisas que apareceram me assustou.

Fotos nossas estavam em toda parte, com uma variedade de enunciados. Olhei de novo para Deana que estava com um sorriso enorme de empolgação.

― Vou deixar você dar uma olha e depois conversamos. Ah meu Deus você vai se casar!

Cliquei em alguns anúncios aleatórios para ver o que diziam.

“Preparem seus corações garotas! Porque o empresário Niklaus Mikaelson acaba de pedir uma loira até então desconhecida em casamento. O CEO do grupo Originals arranca suspiros por aí com seu jeito distante, mas parece que ele foi laçado de jeito. E quem será a sortuda? Fontes nos informaram que ela trabalhava com ele e depois de uma demissão bem suspeita o affair começou. Então, alguém se candidata a uma vaga na Originals depois dessa?”

E outra ainda dizia.

“A marcha nupcial está tocando para o nada queridinho da Mídia Niklaus Mikaelson. O empresário conhecido por detestar exposição e evitar a impressa fez um pedido de casamento público a uma loira identificada por Caroline Forbes. A assessoria de imprensa dele não quis dar muitos detalhes, e em se tratando de um Mikaelson podemos ter certeza que tem muita coisa embaixo do pano. Afinal a família é conhecida por ter negócios bem suspeitos com políticos ingleses. Agora é esperar a data e que a noiva não fuja ao ver as 30 páginas de contrato pré-nupcial.”

Fechei as páginas e parei de ler. Aquilo estava me deixando meio enjoada. Como as pessoas podiam pegar um relacionamento, pessoas que nem conheciam e falar esse tipo de coisa? Deturpando tudo e transformando nosso relacionamento numa grande chacota?

E antes mesmo que pudéssemos falar sobre isso já estava lá para quem quisesse ver o tão romântico “contrato pré-nupcial”

Levantei da cadeira e enchi um copo de água para relaxar um pouco.

Eu já devia esperar algo assim, Klaus era um empresário famoso, é claro que seria noticia. Ainda mais que o pedido não foi nada discreto. Suspirei pensando em ligar para ele, mas desisti tão logo pensei disso, eu estava um pouco nervosa e tensa, e conversar sobre isso agora seria provavelmente pior.

Meu celular tocou, fui até a mesa vagarosamente para pega-lo e parei ao ver o nome que eu não via a muito tempo. Bill.

Demorei de pegar o celular, mas finalmente o fiz e atendi.

― Alô?

― Caroline! Filha, como você está?

Limpei a garganta antes de responder. A última vez que falei com meu pai foi na minha formatura. Só para ouvi-lo dizer que iria viajar e não viria.

― Oi pai. Estou bem, e você?

― Com saudades de você querida, você não liga para mim ou vem nos visitar.

― Do mesmo jeito que você não liga para mim?

Respondi áspera.

― Abaixa as armas querida, não liguei para brigar com você.

― E ligou para quê então? Porque esta história de saudades está difícil de acreditar.

― Eu sinto muito filha, estamos tão distantes, aposto que sua mãe não iria querer isso.

Aquilo atingiu um ponto sensível dentro de mim, e eu tive que morder a língua para não dizer que a mamãe já sabia que ele era um babaca.

― Porque você ligou pai?

― Eu vi fotos suas no jornal hoje, descobri que vai se casar e eu nem mesmo sabia que tinha um namorado, quer dizer, pensei que você ainda estivesse com o Tyler.

― Você não sabe muita coisa sobre mim.

― Eu sei disso filha, e não quero mais que seja assim, por isso quero que você e seu Noivo venham passar um fim de semana aqui em Memphis conosco.

― Acho que isso não é uma boa idéia.

― Vamos lá filha, eu quero passar um tempo com você, e conhecer seu noivo, logo ele vai se casar com minha filhinha e eu soube o nome dele pelo jornal!

― Eu vou falar com ele e ligo para te dizer.

― Tudo bem, vou ficar esperando. Beijos.

― Tchau.

Respondi seca e desliguei o telefone. Era só o que me faltava, ele tentando dar uma de bom pai a essa altura do campeonato. Já tinha três anos que eu não via meu pai pelo amor de Deus! E agora ele me vinha com essa de querer me conhecer?

Sentei e olhei para minha mesa exasperada. Pensando seriamente em ligar para ele e dizer que não iríamos. Mas numa coisa ele estava certo, minha mãe não ia gostar disso. Por mais que ele tenha sido um grande covarde e nos abandonado, ela nunca tinha ficado com raiva ou falado mal dele para mim. Ela sempre dizia que ele era um bom homem, só precisava de tempo. Ela queria que fossemos próximos. Antes de morrer ela me fazia ligar para ele todo fim de semana. Eu tinha que fazer isso, por ela. E além disso um final de semana não iria me matar não é?

Tentei focar no trabalho. Mas tantas coisas estavam acontecendo que eu não estava conseguindo raciocinar.

No fim da tarde meus nervos já estavam em frangalhos. E eu quase gemi quando o telefone tocou. Atendi totalmente desanimada.

― Tem alguém aqui com flores para você!

Deana quase gritou e eu afastei o telefone do ouvido.

― Vou mandar ele subir!

Ela falou isso num tom conspiratório e eu sequer tive imaginação para pensar sobre o que seria. A porta se abriu algum tempo depois.

Levantei os olhos cansada e lá estava Klaus com um buquê de rosas vermelhas. Não pensei em mais nada, apenas me atirei em seus braços e o abracei forte.

Ele me abraçou também e ergueu meu rosto.

― O que houve? Você está bem?

― Não.

Respondi sacudindo a cabeça, ele fechou a porta e me levou até a cadeira, sentou e me puxou para seu colo.

― O que aconteceu?

― Você viu as coisas que estão dizendo sobre nós na internet?

Ele pareceu finalmente entender, mas não pareceu ficar preocupado com isso.

― Não vi, mas já sei como isso funciona Caroline, é só ignorar que logo vai aparecer uma fofoca diferente.

― É tão complicado, ver nossas vidas daquele jeito.

― O que quer que estejam escrevendo não é nossa vida, é só o que eles precisam escrever para ganhar dinheiro, não faz diferença para mim e não deve fazer para você entendeu?

Fiz que sim com a cabeça querendo que para mim fosse tão simples. Mas deixei que sua presença me confortasse e acalmasse.

― As flores são lindas. Desculpa ter te recebido assim.

― Sem problema. Eu quero que você esteja feliz, simples assim.

― Eu amo você sabia?

Ele deu um sorrisinho e eu o beijei.

― Meu pai ligou. Ele quer que passemos um fim de semana com ele em Memphis, para te conhecer. ― Falei a ele quando nos afastamos.

― Parece bom, mas você não parece muito empolgada com isso.

― E não estou, eu só visitei uma vez depois que a mamãe morreu e eu detestei. Mas acho que preciso fazer isso, por ela, pela minha mãe.

― Eu estarei lá com você amor.

Sorri e o beijei de novo. Sabia que tudo seria muito mais fácil com Klaus ao meu lado.

POV’S Jeremy

Dei um longo gole na cerveja e peguei mais uma fatia de pizza. Estava me sentindo cheio depois de devorar metade da pizza, mas estava tão gostosa que era um crime não comer toda.

― Cara você come como se fosse sair de moda!

Resmungou Kol que já tinha desistido na terceira fatia. Estávamos no apartamento dele, que pelo que eu entendi, só servia para festinhas e para trazer garotas já que ele morava com os pais.

Nas últimas duas semanas passamos o tempo inteiro juntos. E isso era incrivelmente bom, eu não tinha que me preocupar com nada, apenas relaxar. Kol não tentava mandar em mim ou julgar tudo que eu fazia como a maioria das pessoas fazia. Nossa amizade surgiu de forma fácil, e hoje era quase necessária. Sempre parecia que estava faltando alguma coisa quando estávamos longe um do outro.

― Então, já decidiu o que vai fazer?

Perguntou ele pegando a cerveja da minha mão e bebendo um pouco.

― Estou procurando um emprego. E já comecei a dar uma olhada em alguns apartamentos. Não quero morar com a Elena, eu já tive minha cota de pessoas mandando em mim por uma vida inteira.

― Ela só quer cuidar de você.

― Eu sei e a amo muito por isso, mas eu posso e quero me virar sozinho. Tia Jenna fez um sermão memorável quando descobriu sobre a faculdade. Ninguém na minha casa sabia que eu tinha me inscrito em outra faculdade. E agora estão surtando, mas logo vão se acostumar.

Desde que eu aprendi a falar minha mãe e eu planejávamos a faculdade. Eu faria psicologia, depois montaria um consultório em Mystic Falls, e ela trabalharia comigo. Mas nada mais podia ser assim. Então quando estava mandando minha inscrição para a faculdade, eu me inscrevi para fazer artes plásticas aqui. Eu sonhava com psicologia, mas as tragédias fazem com que nossos sonhos mudem.

― Porque não fica aqui? Esse apartamento fica vazio mesmo, é só você não se incomodar com uma festinha de vez em quando.

― Está falando sério? Seria ótimo!

― Claro que estou, pode ficar por aqui. Aposto que ter um amigo que faz faculdade vai ser ótimo para minha imagem.

Nós dois rimos e olhei para ele. Kol era tão despreocupado. Não se importava com nada que não fosse o momento. E eu admirava isso nele, alias admirava quase tudo, a segurança, o humor fácil... Kol era um cara legal da maneira dele e não se importava nem um pouco com o que as pessoas achavam.

― E você, seus pais não te pressionam sobre a faculdade?

― A vida acadêmica definitivamente não é a minha, eu falei para eles uma história sobre passar um tempo tentando “me descobrir” eles ignoraram e cá estou.

― Você tem sorte, minha família faz tanta pressão sobre a faculdade que as vezes acho que vou explodir.

― Não Jeremy, você é que tem sorte, sua família se importa com você e isso é muito melhor que ser ignorado.

Pela primeira vez eu vi um pouco de melancolia em seus olhos e ele se virou para tevê. Esse sentimento era tão atípico nele que me fez questionar o que mais estava escondido nele e que eu nem mesmo sabia.

― Hey.

Chamei e ele demorou um pouco a me olhar.

― Eu me importo com você.

Falei e ele fixou seus olhos em mim. Eram de um verde tão escuro que eu as vezes confundia com castanho. Eu pensei em desviar os olhos dos dele, mas não conseguia fazer isso. Eu me sentia hipnotizado pela intensidade de seus olhos.

― Obrigado.

Ele falou e finalmente desviou os olhos dos meus.

― Vou pegar mais cerveja, a sua está quente.

Falou se levantando. Eu apenas assenti. Fiquei lá sentando no lugar. Eu já estava mais que acostumado a me sentir confuso. Mas com o Kol era uma sensação diferente. Éramos amigos e eu gostava dele. Mas em situações como está, eu me sentia estranho sobre ele, como se mesmo estando ali, sendo amigos , havia uma coisa que eu precisava. Algo que estava faltando e eu nem mesmo sabia o que era.

Notas finais
E então? O que acharam?