Sexy Fire - Kalijah
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Flash Back On
― Fala de novo...
Katherine estava deitada com a cabeça apoiada em meu colo. Eu acariciava seus cabelos, bem devagar, era muito relaxante, tanto para mim quanto para ela. Era fim de tarde, ela me arrastou para um parque, que já estava quase vazio, mas lá estávamos nós sentados na grama, apreciando a simplicidade do momento e do lugar, mas sem perder o encanto de estarmos juntos.
― Katerina.
Repeti o nome e ela fechou os olhos, um sorriso se formou em seus lábios.
― Isso é tão sexy.
Murmurou ela ainda de olhos fechados, e eu como sempre acontecia quando estávamos juntos, estava quase hipnotizado com ela, sua beleza, seu charme, a vida que transpirava em cada poro de seu corpo. Essa era a terceira vez que nos encontrávamos, e eu já estava irremediavelmente viciado nela.
― Onde você aprendeu a falar russo?
Seus olhos se abriram, me presenteando com aquele brilho caloroso que eu já tinha aprendido a amar.
― Um colega da faculdade, ele estava fazendo intercambio, eu o ajudava com o inglês, e ele me ensinou Russo.
― Homens que falam mais de um idioma estão no topo da minha lista de “caras a transar antes de morrer”.
Eu sei que isso provavelmente deixaria qualquer um desconfortável, mas eu já estava tão acostumada com a naturalidade com que ela falava sobre qualquer assunto, incluindo sexo, que não me aborreceu. E provavelmente era uma das coisas que me encantava. Ela não tentava ser a mulher que um homem desejava, ela era autentica e estava pouco se importando sobre o que as pessoas achavam, e fazendo isso só faziam com que todos a quisessem ainda mais.
― Você tem uma lista de caras a transar antes de morrer?
― Por quê não? Você não tem uma lista de coisas a fazer antes de morrer?
― Não. Acho que eu nunca pensei sobre morrer, então...
― A qual é! Todo mundo já pensou sobre isso.
Ela se levantou do meu colo e sentou cruzando as pernas.
― Eu não.
― Se não pensou está na hora de começar, porque eu definitivamente não quero estar com oitenta anos, morta, e pensar “porque eu não transei com aquele cara antes dele fazer setenta e parecer um ovo?”
Cai na gargalhada com suas palavras, mas ela apenas me encarava como se sua idéia fizesse total sentido.
― Acho que você deveria estar mais preocupada em estar morta e ainda conseguir pensar em alguma coisa.
― Você deveria estar concordando comigo, deveria dizer “Hey Katherine, aposto que seria ótimo transar com um cara que fala mais de um idioma, antes que você esteja com oitenta anos e morta”, mas como você não fez isso, eu vou te dar uma chance, e nós vamos tentar de novo. Está pronto?
Eu tentava a todo custo, não rir com a situação, mas era quase impossível.
― Estou. ― Respondi a ela.
― Homens que falam mais de um idioma estão no topo da minha lista de “caras a transar antes de morrer”.
― Aposto que seria ótimo transar com um cara que fala mais de um idioma Katherine!
Ela explodiu numa gargalhada quando falei isso, levou algum tempo antes que conseguíssemos parar de rir, e então ela colocou a mão em meu ombro.
― Hey Elijah, você sabe falar mais de um idioma não é?
Todo o bom o humor foi sendo substituído aos poucos por outra coisa, algo muito mais intenso.
― Sim.
― Perfeito.
Falou ela e se inclinou para frente me beijando. Segurei seu rosto com as mãos e fui saboreando o gosto doce dos seus lábios, ela deu um suspiro e pude sentir a sua língua acariciar meu lábio inferior, entrelacei a língua na dela e quase gemi de prazer ao sentir seu gosto tão forte, tão perto...
Ela se afastou um pouco e beijou meu pescoço, eu a puxei pela cintura e ela sentou em meu colo, pressionando seu corpo quente contra o meu.
― Katerina...
Murmurei em seu ouvido e mordi o lóbulo da sua orelha. Se é que era possível, ela colou ainda mais o corpo no meu, e colocou a mão entre nós, acariciando meu pau por cima da calça. Eu gemi, mas segurei seu pulso, meu corpo estava em chamas, e tenho certeza que não iria resistir.
― Para. Não podemos fazer isso aqui.
― Não estamos fazendo nada demais, e além disso, ninguém está vendo.
― Estamos num lugar público, não podemos.
Ela levantou a mão, e a apoio contra meu peito, minha respiração estava quente e superficial, ela encostou a testa na minha.
― Pare de pensar demais Elijah, não existe um “não podemos” no vocabulário de Katherine Pierce.
Eu sorri e coloquei seus cabelos atrás da orelha.
― E o que tem no vocabulário de Katherine Pierce?
Ela deu um pequeno sorriso para mim, depois me beijou de novo, bem devagar dessa vez, depois de alguns minutos se afastou e me olhou nos olhos.
― Sem regras.
Ela murmurou para mim e desabotoou o primeiro botão da minha camisa. Seus olhos estavam tão quentes e hipnóticos que não consegui encontrar em mim nem mesmo a racionalidade que tanto me acompanhava, eu só queria me deixar levar e aproveitar cada segundo.
Tudo que eu tinha certeza agora era que Katherine Pierce iria sacudir meu mundo, e eu estava mais que disposto a me jogar de cabeça em tudo que ela quisesse me dar.
Flash Back Off
Segui Katherine para dentro de casa, ela foi para a cozinha e eu fiquei parado sem saber direito para onde ir, então finalmente optei pela sala. Sentei-me no sofá onde Amy estava sentada no sofá assistindo TV, ela me olhou com curiosidade quando sentei.
― Qual seu nome?
Ela me perguntou e eu sorri.
― Elijah.
― Eija? ― Ela tentou pronunciar e franziu a testa, passei a mão em seus cabelos.
― E-lai-já. ― Repeti bem devagar, ela estudou meu rosto e repetiu.
― Elijah.
Dessa vez ela conseguiu falar e eu bati palmas, ela abriu um lindo sorriso, depois voltou a atenção para TV.
― Não fique torturando minha filha com seu nome Elijah.
Ouvi Katherine falar atrás do sofá e me virei para ela.
― Ela já está expert não é Amy?
Ela sacudiu a cabeça afirmativamente, e Katherine deu a volta no sofá e a pegou no colo.
― Chega de desenho, já está na hora do jantar.
Depois se virou para mim.
― Você quer... jantar conosco? ― Perguntou ela incerta.
E eu poda ver que ela não tinha certeza se queria que eu ficasse, e por mais que um lado meu dissesse que eu deveria ser um cavalheiro e entender a deixa, outra parte não estava nem aí e queria ficar o máximo possível.
― Claro.
Respondi e me levantei, seguindo-as para cozinha. Katherine colocou Amy na cadeira de bebê e colocou os pratos na mesa. Amy apoio a cabeça nas mãos e me olhou sorrindo.
― Onde você mora?
― Moro num apartamento, lembra de onde você dormiu ontem a noite?
― Você vai morar aqui?
A pergunta feita de forma inocente pela garotinha mas teve efeitos inesperados em nós dois, Katherine deixou cair um copo e eu quase engasguei.
― Não!
Respondemos ao mesmo tempo e nos entreolhamos, eu me senti um pouco constrangido com a situação, tentei esquecer o assunto mas não antes que minha mente se enchesse com imagens de nós três na mesma casa, todos os dias.
― Desculpe por isso ― Katherine disse colocando um copo na minha frente ― Hoje duas garotas vieram aqui para saber do aluguel, e ficaram, dizendo para ela que iriam morar conosco.
― Sem problema.
Eu a tranqüilizei e começamos a jantar. E enquanto estávamos ali na mesa, eu me dei conta de duas coisas, 1: Katherine estava bem diferente de quando foi embora, estava mais madura e segura, eu sei que quase quatro anos fariam muita diferença em alguém, mas era de um jeito bom, tudo que eu já gostava nela parecia melhor, e tenho certeza que haviam muitas outras que eu ainda adoraria descobrir. 2: Amy tinha uma lista infindável de perguntas naquela cabecinha, e eu me vi rindo e respondendo todas. Nunca tinha tido muito contanto com crianças, mas eu estava adorando e podia passar horas com aquela pequena.
Terminamos de jantar e Katherine tirou Amy da cadeirinha, que na mesma hora puxou minha mão e me guiou até a sala para que eu ligasse a Tv.
― Brigada tio.
Respondeu ela e pulou no sofá. Voltei para cozinha onde Katherine tinha começado a lavar os pratos, ela jogou um pano de prato para mim, e eu o segurei sem entender.
― O quê? Você achou mesmo que não ia ajudar?
Depois revirou os olhos para mim, e eu fui para seu lado, começando a secar as coisas que ela me passava.
― Conseguiu arranjar alguém para dividir a casa?
― Não, as garotas que apareceram aqui eram quase tão loucas como as que já estavam, então vou esperar um pouco mais.
Ela deu de ombros e ficou calada. Eis uma das grandes diferenças que ela tinha agora, antes para fazê-la falar era só puxar um pequeno assunto, mas ela estava bem mais quieta agora e se quisesse saber algo eu teria que me esforçar bem mais.
― Onde você trabalha?
― Numa editora. E a Amy fica na creche durante o dia.
― Editora... Sempre pensei que você fosse trabalhar em algo bem mais emocionante, como fazer bungee jumping com uma câmera, para algum canal de TV.
Ela bateu o ombro com o meu e me jogou um pouco de água.
― Eu tinha 20 anos quando disse isso, e além do mais, Amy já é aventura suficiente para mim.
― Então... concluo que não foi uma gestação planejada não é?
Ela respirou fundo e ficou em silêncio por tanto tempo que imaginei que não quisesse falar sobre isso.
― Certo, entendi. Isso não é da minha conta.
― Não é nada pessoal Elijah, mas somos só eu e Amy por muito tempo, então eu não sei bem como dividir essas coisas.
― Tudo bem.
Respondi simplesmente, mas me sentia incomodado com isso, parecia meio solitário, e além do mais ela era muito jovem ainda, apesar de ter uma filha, e não deveria lutar por tudo sozinha.
― Não foi uma gestação planejada.
Ela respondeu, tirando a tampa da pia para que a água escorresse, depois pegou o plano de prato da minha mão para secar as mãos.
― E o pai dela não ajuda vocês?
Ela se virou para mim e cruzou os braços na frente do peito.
― O pai dela é um idiota que conheci em Las Vegas, tenho certeza que nós estamos bem melhor sem ele.
― Ele nem mesmo quer ver a filha?
Me senti irritado com isso, como alguém não iria querer estar com seu próprio sangue? Ainda mais com uma garotinha tão encantadora quando a Amy?
― Bom, eu não tive a oportunidade de perguntar, uma vez que ele nem mesmo sabe que eu tinha engravidado.
― O pai dela nem mesmo sabe que ela existe?
― Não, eu posso cuidar da minha filha, não preciso dele.
― Você acha que é realmente o melhor para ela, não conhecer o próprio pai?
― Bom, meus pais me expulsaram de casa, os seus são dois idiotas arrogantes, então aposto que a Amy não está perdendo muito coisa longe dele.
Seu olhar estava determinado, eu fiquei ali olhando para seu rosto, vendo a garota que eu amava escondida por trás dessa proteção feroz sobre sua filha.
Me encostei no balcão e olhei para a sala, onde Amy ria do desenho que passava , ela se encostou também, bem próximo, de forma que nossos dedos estavam quase se tocando.
― Ela tem três anos... Você não esperou muito depois que foi embora para arrumar outra pessoa não foi?
Perguntei a ela, tentando soar casual, mas falhando miseravelmente.
― E o que eu deveria esperar Elijah? Ela é sua mãe, não é o tipo de coisa que podemos escolher, e ela não ia sumir só porque eu queria isso, eu fiz o melhor para nós dois.
― Pode ter sido melhor para você, mas com certeza não foi para mim.
― Elijah por favor, não vamos fazer isso com nós mesmos, nada vai mudar o que aconteceu, então para quê ficar fazendo perguntas sobre o que poderia ser? Acabou.
Ela fez menção de se afastar, mas eu segurei sua mão.
― Não acabou para mim Katherine.
Ela olhou para nossas mãos unidas, depois para meu rosto, e eu vi no fundo dos seus olhos, mesmo que de forma fugaz, o mesmo desejo que eu sentia por ela.
― E o que exatamente você quer de mim Elijah?
Sua voz soou um pouco mais falha agora e eu estiquei a mão para tocar seu rosto. Eu não tinha o direito de querer qualquer coisa dela, depois de tudo que a fiz passar por causa da minha incapacidade de mostrar a meus pais que eu lutaria por ela. Acontece que eu não conseguiria me afastar, e nem mesmo queria isso.
― Eu quero o que você quiser me dar, Katerina...
Ela fechou os olhos quando falei seu nome, e quando os reabriu um fogo de desejo brilhava em seus olhos e eu quase perdi o fôlego. Depois se jogou contra mim e colou os lábios nos meus. Eu a agarrei pela cintura enquanto acariciava sua língua com a minha, de forma selvagem e carregada de um êxtase tão profundo, que me fazia estremecer por dentro.
Meu corpo estava colado ao dela e eu me sentia completo, como se ela fosse tudo que faltava para eu me sentir inteiro. A intensidade do beijo foi diminuindo, e aos poucos, nós só estávamos saboreando um ao outro, como se eu quisesse ter o máximo possível dela, antes de que acabasse.
― Isso é um grande erro. ― Ela murmurou para mim se afastando um pouco.
Levei minha mão a seu rosto sentindo seu calor na minha palma, depois toquei seus lábios, que estavam molhados e quentes.
― Isso realmente parece errado para você?
Ela segurou minha mão e ficou ali parada, mas seu rosto parecia tão vulnerável, e frágil.
― O que houve?
― Não é mais só por mim Elijah, eu não posso arriscar que Amy saia magoada no fim das contas.
― Eu nunca vou permitir que ninguém magoe vocês, eu prometo.
Ela olhou meus olhos e passou a mão em meu rosto, bem de leve, quase sem me tocar direito.
― Eu namorei muitos babacas, mais do que posso me lembrar.
― Acho que eu mereço isso...
― Não, você não é um babaca, esse é o problema, você é diferente e isso pode ser até pior, porque eu me joguei de cabeça Elijah, eu me apaixonei por você, e depois sai muito magoada no fim das contas. Eu sei que você acha que as coisas mudaram, mas não mudaram tanto assim, eu não posso passar por aquilo de novo, não posso arrastar minha filha para um lugar onde não a querem.
― Eu quero vocês Katherine, eu sei que fui um imbecil antes, mas isso é o que importa para mim agora.
― Por quanto tempo Elijah? Por quanto tempo isso vai ser suficiente?
― Me diga você, o que você quer? O que você pode me dar? É você quem vai me dizer agora Katherine, eu estou disposto a fazer o que for preciso. Só não... Só não me deixe de novo.
Eu encostei a testa na dela, eu queria tanto aquela mulher que faria o que ela quisesse, o que quer que ela peça, eu faria.
Ela colocou as mãos no meu peito e coloquei minha mão sobre a dela.
― Não pode ser como antes Elijah, eu não tenho tempo nem energia para ter um namorado.
― Tudo bem.
― Podemos estar juntos, mas eu tenho minha vida e minha independência, e não estou disposta a perder isso.
― Ok.
― E no segundo que sua família sequer chegar perto de nós, tudo acaba entendeu?
― Entendi.
Respondi a ela sorrindo, eu estava tão feliz que sentia meu peito quase inchar.
― Então, se não somos namorados, o que vamos ser então?
― Amigos... com vantagens. ― Ela deu uma piscadinha para mim e fez menção de se afastar mas eu a segurei firme no lugar.
― Não estou pronto para te soltar ainda...
Murmurei e beijei seu cabelo.
― Bom, minha filha está bem ali assistindo TV, então definitivamente não podemos ficar agarrados na minha cozinha.
― E quando poderemos ficar agarrados?
― Eu vou colocar a Amy na cama daqui a meia hora... Então poderemos conversar sobre isso.
Ela beijou meu rosto, eu continuava sorrindo feito um bobo.
― Então... Você falou muito sobre todos os outros detalhes, mas não mencionou nada sobre o que podemos ou não fazer...
Ela se aproximou de mim e olhou profundamente em meus olhos.
― Você não lembra Elijah? Entre nós dois não existem regras.
Senti meu corpo inteiro se inflamar com suas palavras, mas ela se afastou antes que eu pudesse dizer algo e foi para sala. Eu a segui um pouco depois, pensando que finalmente depois de tanto tempo eu teria minha Katerina só para mim. Essa seria a meia hora mais longa de toda minha vida.
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