Sexy Fire - Kalijah
7 Capítulo 7
Notas iniciais
POV’S Elijah
Coloquei as chaves em cima da mesa e fui para o quarto tomar banho. Katherine achou melhor que eu não dormisse lá hoje, ela achava que não era bom para Amy se acostumar a ver um homem lá com freqüência. E eu concordava com ela, e sabia que por mais feliz que eu estivesse em tê-la de volta eu não conseguiria esconder por muito tempo as dúvidas que me confundiam.
Pensando de uma maneira realista era possível que Amy fosse de fato minha filha, ela tinha três anos, nós ficamos afastados por quatro, era muito possível. Acontece que eu não podia acreditar que Katherine esconderia isso de mim. Balancei a cabeça saindo do chuveiro. Não, ela não faria isso comigo. Ela jamais me esconderia algo tão importante.
Vesti apenas uma calça e me deitei. Pensando na reviravolta que minha vida tinha dado nas ultimas semanas. Reencontrar Katherine, conhecer Amy. Parecia que finalmente as coisas estavam voltando aos trilhos. Acho que era por isso que eu pensava sobre Amy ser minha filha, por desejar tanto isso, querer uma família, querer viver ao lado de Katherine, ter coisas normais e saudáveis na minha vida, para empurrar definitivamente para o esquecimento coisas das quais eu já deveria ter me esquecido, mas que se impregnavam em mim. Tentei afastar esses pensamentos perigosos e me virei na cama, eu não podia me permitir sequer pensar sobre isso. Esse não era eu. Não podia permitir isso.
O sono aos poucos foi me tomando e eu cai num sono agitado e terrível, que eu não tinha a bastante tempo.
― Você tem que vir atrás de mim Elijah.
A voz soava acima de mim e eu me vi ajoelhado no chão num cômodo escuro e com uma única porta.
― Elijah?
Ela me perguntou e eu me ergui, sua voz era frágil e eu queria que ela não fizesse isso. Eu não queria segui-la, não queria estar aqui.
― Não posso ir até você.
Respondi sem um pingo de emoção na voz quase como um robô.
― Elijah? Você não me quer?
A voz falhou no fim da frase e um soluço podia se ouvir, auto e triste, como um animal ferido. Mas eu sequer me movi, eu queria me importar com sua dor, mas não conseguia sentir nada.
― Elijah, por favor!
A voz soou muito mais perto agora e eu olhei em volta tentando descobrir onde ela estava, então ouvi um baque surdo do outro lado da porta. Caminhei naquela direção e ergui a mão para girar a maçaneta, só então notando que elas estavam cobertas de sangue. Olhei para meu corpo e vi que minha camisa estava cheia de respingos de sangue. Uma aflição tomou conta de mim, forte e dura. Eu não podia estar assim. Tinha que estar limpo. Abri a porta e entrei, o quarto estava claro, com uma cama enorme no meio, absolutamente branco, a não ser por uma grande poça de sangue no chão ao lado de um corpo imóvel.
Caminhei até ela e a virei, ela abriu os olhos assustada e se encolheu para longe de mim. Eu podia ver o medo em seus olhos, tentei chegar perto mas ela se encolheu mais.
― Porque você fez isso comigo Elijah?
Ela começou a chorar, e o sangue no chão aumentava cada vez mais, eu não conseguir distinguir de onde vinha, mas sabia que logo ela estaria morta.
― O que aconteceu? Deixe-me ajudá-la.
Me abaixei perto dela e ela estremeceu violentamente.
― Não! Você fez isso comigo!
Me levantei no mesmo segundo olhando minhas mãos novamente, só então me dando conta de que era o sangue dela. Senti a náusea me dominar, mas me forcei a chegar mais perto. Mas seus olhos já estavam fechados, ergui seu corpo e a sacudi tentando acordá-la, mas ela estava imóvel. Não respirava mais.
― Não! Não! Acorde!
Gritei para ela, mas ela não se movia. O que eu tinha feito?
Senti uma mão quente tocar meu ombro e me virei com o rosto molhado de lágrimas.
― Levante-se Elijah.
Deitei-a no chão e me levantei para encarar o rosto da minha mãe.
― Vá se limpar. Eu cuido disso.
― Mas ela...
― Ela está morta. Você precisa se limpar e esquecer isso.
― Eu-u... eu a matei?
― Não. Você não fez nada. Saia por aquela porta e se mantenha limpo, eu vou cuidar disso. Nunca mais entre aqui entendeu Elijah?
Balancei a cabeça e ela me guiou para fora fechando a porta. Eu cai de joelhos no chão daquela sala escura, olhando para as minhas mãos cobertas de sangue.
― Não! Não!
Meu próprio grito me acordou eu me sentei na cama, com o coração disparado, sentindo um suor gelado cobrir meu corpo. Levantei da cama aos tropeços e corri para o banheiro. Liguei a torneira e enchi minhas mãos de sabão esfreguei repetidamente, mas ainda podia sentir o sangue dela em minhas mãos. Continuei passando sabão e esfregando até que minha pele já estivesse vermelha, mas eu continuava a lavar numa fúria contida, tentando tirar aquela sensação pegajosa e fria de mim.
Não sei bem quanto tempo eu fiquei no banheiro. Depois entrei no quarto sem sequer pensar em voltar para cama. Joguei-me na poltrona e peguei um copo de uísque. Já tinha bastante tempo que eu não tinha esse sonho. E agora que as coisas pareciam se encaixar, ele voltava para me assombrar. Mas ninguém saberia. Ninguém jamais descobriria o que houve. Eu ficaria bem. Ou assim eu queria acreditar. Mas eu mal me concentrava em outra coisa a não ser que eu me sentia sujo. Como se minha pele fedesse a sangue e a morte. A morte dela. Enterrei a cabeça entre as mãos e pela primeira vez em anos me permiti lembrar. Todas aquelas lembranças terríveis. Toda a dor. A sensação de seu corpo frio e morto em meus braços. Um soluço irrompeu por meus lábios seguidos por vários outros. E assim o dia começou.
Passei o domingo inteiro em casa. Sem falar com ninguém. Sem sequer atender o telefone. Mas eu sabia que não era Katherine. Ela não tinha o número da minha casa. E a essa altura ela era única pessoa com quem eu conseguiria falar.
***
Na segunda de manhã sai de casa quase meia hora atrasado para o trabalho. Porque eu passei quase meia hora no banho, e mais meia hora tentando achar uma camisa que estivesse perfeitamente passada. Mas todas pareciam amassadas em algum lugar. Escolhi uma e passei-a exaustivamente até que eu finalmente achasse que ela estava boa.
Cheguei a empresa ajeitando a gravata. Porque sempre parecia que estava torta. Dei bom dia a Bonnie na passagem e entrei. Sentei-me a minha mesa e olhei para ela. Será que ela sempre esteve tão desorganizada assim? Comecei a colocar as coisas no lugar e ouvi uma batida na porta. Bonnie entrou e me passou a agenda do dia, falei com ela normalmente e sorri, mas eu estava longe de me sentir normal.
Ela me entregou um documento para assinar e eu o fiz entregando-lhe o documento, ela pós a caneta no lugar com o bocal virado para cima. Eu encarei aquele objeto, tentando fingir que não me incomodava, até que finalmente não resisti e o consertei colocando igual aos outros. Um olhar estranho cruzou o rosto de Bonnie.
― Você está bem?
― Estou ótimo.
Respondi a ela que saiu da minha sala em seguida.
Me recostei na poltrona e fechei os olhos. Eu podia sentir que tudo estava voltando, como um fantasma para me assombrar, eu deveria afastar isso, tentar resistir, mas eu vez disso eu estava alimentando essa situação. Peguei meu celular do bolso resolvendo finalmente ligar para Katherine. Para acalmar a loucura que estava se acumulando em mim desde a noite passada.
― Alô?
Sua voz foi como um balsamo e eu soltei um suspiro de alívio.
― Bom dia, Katerina.
Ela deu uma risada e eu ri junto.
― Eu já falei o quanto eu acho sexy quando você me chama de Katerina?
― Acho que sim.
“O que é sexy mamãe?” Ouvi a vozinha de Amy do outro lado da linha e imaginei como Katherine responderia a isso, rindo por dentro, eu finalmente comecei a me sentir mais normal, mais eu mesmo.
― E eu achando que iria demorar para responder essas coisas... Sexy quer dizer legal filha.
Falou Katherine e eu não contive uma gargalhada pensando a encrenca em que ela se meteria se Amy dissesse isso para alguém.
― Acho que alguém está encrencada.
Disse para ela que deu um suspiro exasperado.
― E numa baita encrenca... Mas e então? Tudo bem com você?
Ela fez essa pergunta de uma maneira normal. E por mais que eu quisesse contar a ela, falar a verdade e dizer como eu realmente me sentia, tudo que eu disse foi:
― Estou bem, e você?
― Ótima. Amy e eu estamos fazendo panquecas.
― Panquecas? Que delícia, eu adoraria estar aí...
Falei sem pensar, porque era o que eu realmente estava sentindo. Eu queria estar com Katherine, queria dormir com ela, acordar com ela, preparar panquecas para Amy de manhã. Minha Katherine e minha Amy. Deus como eu já estava apaixonado por elas!
― Você já está trabalhando?
― Já. A que horas você começa o trabalho hoje?
― Tirei a manhã de folga para levar a Amy ao médico.
― Ela está bem? Aconteceu alguma coisa?
Coloquei as mãos sobre a mesa com a preocupação tomando conta dos meus pensamentos.
― Calminha aí Elijah, ela só vai fazer alguns exames.
Sorri aliviado.
― Quer que eu pegue vocês?
Perguntei de forma inocente, mas desejando de todo o coração que ela aceitasse. Eu queria demais vê-las. Para sentir tudo que eu só conseguia ao lado delas.
― Não precisa, você já está trabalhando.
― Porque ser irmão do chefe se eu não puder tirar uma vantagem disso?
― Bom... se você chegar aqui rápido, ainda vai conseguir algumas panquecas.
― Se tem panquecas envolvidas eu chego aí em dois minutos.
― Ok.
Me levantei da mesa sem me importar nem um pouco com os papeis que ainda estava fora de ordem na mesa.
Cheguei a casa dela vinte minutos depois. Assim que Katherine abriu a porta Amy pulou em meu colo gritando um “tio!” tão alegre que eu a abracei apertado e comecei a lhe fazer cócegas, seu sorriso era tão contagiante que logo estávamos os três rindo.
Entramos para comer as tais panquecas e nos divertimos muitos. Quando finalmente fomos para o médico. Eu e Katherine fomos conversando banalidades, mas estávamos num clima tão bom que nada poderia estragar isso.
Quando chegou a vez de Amy entrar na sala eu fui com elas, em parte porque não queria ficar ali parado de terno em meio a crianças chorosas e mães impacientes.
O médico conversou com Katherine um pouco, depois nos mandou ir para a próxima sala fazer os exames.
― Mamãe!
Amy se agarrou a Katherine quando viu a enfermeira e eu me aproximei delas, sem saber mais o que eu poderia fazer. Katherine sentou com ela no colo e a enfermeira pegou o bracinho de Amy, com uma agulha enorme nas mãos. Pelo amor de Deus! Ela queria fazer um exame ou drenar a garota?
Me abaixei ao e segurei a mão livre de Amy.
― Tem certeza que é essa a agulha para uma criança?
Perguntei impaciente a enfermeira.
Ela me olhou com indulgencia e acariciou os cabelinhos de Amy.
― Sim, tenho certeza que é essa a agulha.
Depois pegou o braço dela e enfiou a agulha. Amy apertou minha mão, vi seu lábio inferior estremecer e uma lágrima descer por seu rosto. Aquela expressão de dor em seu rosto fez meu coração se apertar, e pior que a enfermeira parecia querer ficar fazendo aquilo por horas.
― Ainda não está bom?
Perguntei com os dentes cerrados.
Ele finalmente terminou, e me olhou de lado dando um sorriso condescendente.
― É a primeira vez que vem com sua filha ao médico?
Ela me perguntou, mas antes que pudesse abrir a boca para responder Katherine respondeu por mim.
― Ela não é filha dele!
Sua resposta soou irritada e agressiva, eu fechei a boca e olhei para ela. Sua expressão estava entre preocupada e irritada. Eu olhei para enfermeira depois para ela e pigarreei. Voltando minha atenção para Amy.
― Hey Amy, quer pegar um pirulito lá fora comigo?
Falei tentando forçar um sorriso, e ela estendeu os braços para mim. Eu a peguei e sai da sala. Sem entender porque Katherine parecera tão defensiva quando a enfermeira falou. Quando ela saiu de lá, Amy já estava sorrindo e tagarelando com o pirulito na mão. Depois de tudo a agulha não parecia tão mal afinal de contas.
Mas a expressão no rosto de Katherine era dura e pegou Katherine do meu colo se encaminhado para fora. Eu a segui sem saber o que dizer, ou sem realmente se saber se havia algo a ser dito.
Ela parou quando chegou do lado de fora.
― Não precisa nos levar em casa Elijah, pode deixar que eu me viro.
Sua voz era agressiva e eu reconhecia bem esse tom, era o que ela usava quando queria afastar as pessoas, quando queria se virar sozinha com o que quer que fosse.
― Eu não me importo de levar vocês.
― Você não precisa cuidar de nós Elijah.
― Eu sei disso.
― Então porque insiste em tentar fazer isso?
Aquilo me acertou em cheio e eu dei um passo para trás. Eu não queria brigar com Katherine, não agora. Quando já tinha tanta coisa para concertar na minha vida.
― Porque você está agindo assim? É por causa do que a enfermeira disse?
― Não!
― Katherine você...
― Só porque você e eu estamos juntos, não significa que as pessoas devam achar que você é pai dela.
― A enfermeira só estava...
― Você não é o pai dela!
Ela falou alto e eu me calei. Eu podia ver que ela estava com raiva, mas no fundo estava confusa e com medo. Não tinha razão para estar assim. Eu não fiz nada de tão ruim. A não ser que... Que ela sim tivesse algo a esconder.
― Não sou?
Perguntei a ela na voz mais fria que eu consegui e ela abraçou Amy mais forte.
― Não! Eu já disse a você, eu conheci o pai dela em Las Vegas.
Dei alguns passos em sua direção e passei a mão na cabeça de Amy que olhava assustada para nós. Depois olhei fixamente nos olhos de Katherine.
― Você me diria se ela fosse não diria? Não iria esconder uma coisa dessas de mim não é?
Ela ficou em silencio por alguns segundos depois olhou para Amy.
― É claro que diria.
Sua voz soou baixa e incerta, e isso me incomodou mais que tudo. Mas preferi fingir que não duvidava de nada.
― Venha, vou levar vocês para casa.
Eu a acompanhei até o carro, e as deixei em casa. Ela não tocou em mim quando chegamos, sequer olhou em minha direção. Ela estava me afastando. Estava escondendo alguma coisa. Liguei o carro e sai de lá.
Nem é preciso dizer a quantidade de dúvidas que estavam em minha cabeça enquanto dirigia. Somando isso aquele maldito pesadelo que voltava para me assombrar, eu me sentia prestes a estourar. Eu precisava ter certeza sobre Amy, e sobre tudo mais. Mas seu eu confrontasse Katherine sobre isso ela fugiria de novo, eu precisava ser carinhoso e sutil, fazer com que me contasse por livre e espontânea verdade. Algo que com certeza mudaria minha vida. Por um lado eu queria que fosse verdade, queria que Amy fosse minha filha, mas por outro lado, eu não queria ter a certeza de que Katherine me escondera isso por tanto tempo.
Mas eu precisava tirar isso a limpo de uma vez por todas. Isso poderia ser a coisa mais incrível da minha vida, e a pior ao mesmo tempo. Descobrir que a mulher que eu amo tinha mentido para mim, me tirado o prazer de conviver com a minha filha. Era uma faca de dois gumes, de qualquer jeito nos dois sairíamos machucados dessa história, mas a única que não deveria sofrer mais por isso era Amy, eu tinha que cuidar dela, sendo ou não minha filha.
E agora mais que nunca eu precisava controlar tudo que me assombrava, precisava focar minha cabeça e não permitir sequer pensar no que houve, ou eu jamais seria um bom pai para Amy.
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