Sexy Fire - Kalijah
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Pov’s Katherine
Flash Back On
Andei rápido pela calçada apertando o casaco contra meu corpo, eu já estava com os dentes batendo de frio, mas achava que não era só o clima que me fazia ficar assim, era um frio que me congelava de dentro para fora com o conhecimento do que eu teria fazer agora.
Só que eu sabia que não podia mais adiar, eu podia levar anos com aquele maldito exame na bolsa e o resultado nunca mudaria. Tinha ficado até agora na casa de uma amiga tentando adiar o inevitável, mas não adiantaria nada. Então resolvi vir para casa com o celular nas mãos prometendo que ligaria para o Robert antes de chegar em casa e contaria a ele, mas agora ele estava seguramente guardado na bolsa, porque não adiantaria ligar, ele não ia poder fazer nada.
Meu relacionamento com Robert era claro o suficiente para eu saber que eu não era problema dele. Ele me pegava as vezes na saída da escola, me levava para comprar roupas e sapatos ou íamos para algum lugar nos divertir, e ele convenientemente escondia a aliança no porta luvas, isso era tudo que ele fazia por mim. E eu realmente não me importava, eu não era do tipo de garota certinha e preocupada com o futuro, eu queria viver o momento e me divertir, acontece que no momento eu estava bastante ferrada.
Entrei em casa passando as mãos nos braços para tentar me aquecer um pouco. Meus pais estavam sentados vendo TV e nem ergueram os olhos com a minha chegada. Já estavam acostumadas a me ver chegar tarde e já não se importavam em perguntar onde eu estava.
Minha mãe tinha cabelos castanhos e cacheados como os meus, mas seu rosto aparentava estar bem mais velho, rugas de cansaço desenhavam seu rosto. Acho que ter gastado cada minuto do seu tempo limpando cada superfície da casa a envelheceram demais. Meu pai era meio careca e ficava tanto tempo com a boca franzida que uma expressão de desgosto estava marcada permanentemente em seu rosto.
Pigarreei um pouco para chamar a atenção deles, mas eles sequer pestanejaram, então dei alguns passos para o meio da sala finalmente conseguindo que me olhassem.
― Preciso falar com vocês.
Limpei a garganta mais uma vez para parecer um pouco menos apavorada do que eu me sentia.
― Estamos vendo TV, quer sair da frente?
Foi a resposta carrancuda do meu pai enquanto tentava olhar em volta de mim para TV.
― Eu preciso falar com vocês.
Repeti um pouco mais alto, o que fez minha mãe finalmente me olhar.
― Não dá para ser no intervalo?
Vamos lá Katherine, conte a eles! Fechei os olhos e respirei fundo.
― Eu estou grávida.
Permaneci com os olhos fechados algum tempo e quando finalmente os reabri eles me encaravam com expressões chocadas.
― Você o quê?
― Eu estou grávida.
― Você não pode estar grávida. ― Falou meu pai já se levantando.
― Bom, segundo o exame eu tanto posso como estou grávida.
Olhei de um para o outro enquanto a expressão do meu ia passando de chocando para raiva. Ele veio até mim e antes que eu sequer pensasse o que ele iria fazer, sua mão acertou meu rosto com tanta força que eu cambaleei para trás levando a mão ao rosto. Um soluço escapou por minha garganta e eu ergui os olhos para ele. Meu pai nunca tinha me batido, nem me abraçado, então vê-lo com tanta raiva agora me fez estremecer de medo.
― Eu não acredito que você fez isso!
― Eu não queria pai, eu juro, mas aconteceu.
― Aconteceu? Aconteceu de você ficar transando por aí feito uma vagabunda e ainda trazer uma criança dentro de você?
― Eu não estava...
Ele me bateu de novo, com ainda mais força e dessa vez eu me encolhi na parede com os braços em volta do corpo e isso pareceu fazer minha mãe acordar, pois veio para o lado dele e segurou seu braço.
― Não faça isso, não vai adiantar nada.
Mas ele não parecia ouvir minha mão, continuava me encarando.
― Escuta aqui garota eu não vou criar essa criança ouviu bem? Eu já tenho que sustentar você e não vou deixar você me arranjar ainda mais problemas.
Parecia que eu tinha perdido a capacidade de falar. Meu corpo todo estava congelado no lugar e eu só conseguia olhar para ele de volta.
― Você vai subir para seu quarto e está proibida de sair dessa casa até nos livramos disso.
― Nos livrar? Nos livrar de quê?
Minha voz saiu num fio, e ele deu um passo em minha direção fazendo com que eu me encolhesse de novo, mas ele não me bateu dessa vez.
― Você não acha que eu vou deixar você ter essa criança não é?
Eu demorei um bom tempo para processar o que ele tinha dito, mas minha mãe foi mais rápida, porque me arrastou da sala até o quarto e bateu a porta me deixando sozinha no escuro. Fui até a cama e deitei abraçando os joelhos. Eu não sabia o que esperar dessa conversa, mas provavelmente não esperava que fosse tão ruim. Ouvi gritos e vozes exaltadas lá embaixo, então puxei um travesseiro e cobri meu rosto.
Eles já brigaram inúmeras vezes antes, e toda vez eu ia para o quarto fechava a porta e me isolava, ficava tão sozinha quanto era possível. Mas agora ali deitada naquele quarto, com meus pais brigando por minha causa, eu não me sentia sozinha. Coloquei a mão na barriga sentido uma rigidez quase imperceptível, mas eu sabia que era meu filho que estava ali comigo, e meu pai queria tirar ele de dentro de mim. Comecei a chorar convulsivamente sem saber o que fazer, nem sequer sabia se existia algo que pudesse ser feito, eu tinha dezessete anos, não tinha para onde ir e nem para quem pedir ajuda, estava encurralada.
Não sei exatamente quando tempo passou, só sei que muito depois, quando as lágrimas já não saiam mais. Vi minha mãe entrar no quarto com um sanduíche no prato. Ela deixou em cima da cabeceira da cama e já ia saindo.
― Mãe?
Ela parou, mas não se virou para mim.
― Mãe não deixa o papai fazer isso, eu posso cuidar do bebê.
― Você mal pode cuidar de você mesma Katherine, como pode cuidar de mais alguém?
Ela olhava de lado e eu podia ver que fazia força para não chorar.
― Por favor, eu vou cuidar de nós dois, vai ficar tudo bem.
― Você nem terminou o colégio, não tem emprego ou onde ficar, e seu pai não vai sustentar essa criança, como você acha que vai dar conta de tudo?
― Mãe, por favor...
― Você vai ficar aqui, amanhã... Cuidaremos de tudo.
E com isso ela saiu e bateu a porta, ouvi o barulho do trinco por fora e me levantei rápido, tentei abrir, mas ela não se moveu.
― Mãe! Mãe!
Bati algumas vezes, mas não tive resposta alguma. Me encostei na porta levando as mãos a cabeça sem conseguir sequer pensar no que viria.
Flash Back Off
― Então eu vou soprar e soprar e farei a casinha voar. O lobo então furioso e esfomeado, encheu o peito de ar e soprou forte a casinha de madeira que não agüentou e caiu.
Virei a página do livro que estava em minhas mãos e olhei para Amy, ela estava com os olhinhos fechados e respirava calmamente. Sorri e fechei o livro, ela normalmente caia no sono na metade da história. Levantei da cama bem devagar, para não assustá-la. Elijah estava encostado no batente da porta e olhava Amy com os olhos vidrados, seu rosto parecia cativado e sua expressão era tão terna que senti um nó na garganta.
Desde que terminamos de jantar e Amy me fez assistir vários desenhos com ela, Elijah estava conosco e parecia se divertir tanto quanto minha filha, ele não teve pressa ou em nenhum momento sugeriu que eu a levasse logo para cama. Ele era paciente e carinhoso e esse foi um dos motivos que fizeram com que eu me apaixonasse por ele, e mesmo depois de tanto tempo longe, nesse momento com ele aqui eu me sentia perigosamente perto de me deixar levar por ele de novo.
Eu sabia que era uma grande besteira deixar que ele voltasse para minha, e sabia que com apenas meia dúzia de palavras erradas minha vida viraria de cabeça para baixo, mas mesmo sabendo tudo isso, eu não conseguia deixar que ele simplesmente fosse embora. Seu toque despertou um desejo tão forte em mim que iria me consumir antes que sequer pudesse pensar.
Cheguei perto dele na porta tocando em seu braço e isso pareceu despertá-lo.
― Sua filha é perfeita.
Olhei de novo para cama e sorri, sentindo meu peito se aquecer de amor e orgulho. Minha Amy, minha pequena lutadora.
― Ela é sim.
Apaguei a luz do quarto deixando apenas o abajur ligado, ela não costumava acordar durante a noite, mas quando acontecia ela ficava apavorada com o escuro.
Assim que chegamos ao corredor e nossos olhares se cruzaram nos lançamentos um no outro, nossos lábios avançado um de encontro ao outro como se cada centímetro de distancia fosse doloroso. Senti minhas costas baterem contra a parede e suas mãos correram por minhas costas e cintura, fazendo minha pele formigar e aquecer ao simples toque de seus dedos.
Me afastei da parede e nos guiei pelo corredor até meu quarto e assim que entramos bati a porta atrás de mim e me voltei para Elijah, já tirando a camiseta pela cabeça, ele enfiou o dedo no cós da minha calça e me puxou para ele, nossos corpos se chocaram e nossos lábios voltarem a se encontrar, famintos e quentes, minha língua roçou na dele e senti um gemido grave se formar no fundo da garganta.
Ele desabotoou minha calça depois se afastou um pouco e me jogou na cama, senti o colchão afundar quando ele também subiu e puxou a calça pelas minhas pernas. Minhas mãos foram para os botões de sua camisa e os desabotoei desastradamente, suas pupilas estavam dilatadas e seus olhos queimavam nos meus, tamanha era a intensidade do seu olhar.
Ele tirou a calça rapidamente e senti o peso de seu corpo sobre o meu, a essa altura minha pele já estava numa temperatura quase febril, e sentir seu toque sobre minha pele nua fazia meu ventre se contrair deliciosamente.
Elijah começou a beijar meu pescoço e dar mordidas de leve em minha pele, mas eu queria mais, queria mais forte e mais rápido, eu mal conseguia me conter, mas ele desabotoou lentamente meu sutiã expondo meus mamilos que já estavam intumescidos por causa do meu estado de excitação.
Ele umedeceu os lábios e sua expressão era de fome e desejo, depois desceu os lábios e lambeu devagar meus mamilos, umedecendo para depois mordiscar devagar, fazendo minhas costas se arquearem e eu enfiei a mão por entre seus cabelos e os puxei com força.
Depois foi descendo os beijos por minha barriga até que chegou a cintura onde ele deslizou minha calcinha por minhas pernas enquanto enfiava a língua em meu umbigo.
― Elijah... Eu quero você agora.
Minha voz soou entrecortada, mas o tom autoritário era inconfundível e isso o fez sorrir e se erguer tirando a cueca, quando eu o vi livre e exposto daquele jeito, soltei um suspiro e afastei as pernas me deixando exposta, ele deitou sobre mim e beijou meu rosto fazendo seu pau brincar na minha abertura molhada, tentei me empurrar contra ele e quando parecia que ele ia finalmente me penetrar ele congelou no lugar e se ergueu.
― Você tem camisinha aqui?
― O quê?
― Camisinha Katherine, você tem?
Bati a mão na testa e fechei os olhos. Merda. É claro que eu não tinha camisinha em casa. Eu não trazia ninguém aqui, e nem estava tomando anticoncepcional também já que minha vida sexual estava indo de rara para inexistente rápido demais.
Elijah deitou ao meu lado e respirou fundo com o pau ainda ereto, ainda um pouco úmido com a prova do meu desejo.
― Você não tem uma camisa na carteira? Ou no bolso? Ou em qualquer lugar?
Minha voz soou quase desesperada enquanto eu me apoiava no ombro e encarava seu rosto, meu sexo latejava quase dolorosamente e parecia que eu enlouqueceria se não o tivesse agora.
― Não tenho ― Respondeu ele, ainda com os olhos fechados ― Eu não prevejo que vou acabar fazendo sexo Katherine.
Ele finalmente me olhou, e eu pude ver em seus olhos o quanto estava custando para ele se controlar.
― Merda.
Resmunguei e fechei as pernas tentando controlar minha excitação, mas o atrito só fez com que piorasse.
― Katerina...
Quando ele sussurrou meu nome eu fechei os olhos e engoli em seco.
― Você não está ajudando Elijah...
Mas antes que eu conseguisse terminar de falar senti seus dedos me tocarem, abri os olhos depressa ao mesmo tempo em que sentia ele penetrar um dedo em mim enquanto massageava o clitóris com o polegar.
Gemi e procurei seus lábios, ele me beijou devagar no começou, mas foi ficando mais rápido a medida que seus dedos me provocavam mais, mexi meus quadris incapaz de controlar a ânsia e o desejo que me consumia. Separei nossos lábios em busca de ar e senti seus lábios em meu ouvido.
― Katerina.
Ele repetiu e mordeu o lóbulo da minha orelha me fazendo ter um dos orgasmos mais fortes de toda minha vida. O prazer se espalhou por meu corpo e arqueei as costas tentando absorver tudo aquilo. Aos poucos meu corpo foi se acalmando eu relaxei, Elijah tirou o dedo de mim fazendo com que eu franzisse a testa. Depois colocou as mãos nos lados do meu rosto e me beijou ternamente.
Não sei se era por ter acabado de gozar ou era por estar ali com ele, mas um turbilhão de emoções tomou conta de mim fazendo meus olhos se encherem de lágrimas. Tudo pareceu me atingir ao mesmo tempo, o que nós já vivemos, o que poderíamos ter vivido, minha Amy...
Me afastei dele e empurrei seu peito para que se deitasse. Eu tinha que assumir o controle, não podia deixar que todas aquelas emoções me dominassem. Forcei um sorriso maldoso para ele, e me encaixei no meio das suas pernas segurando com firmeza seu pau com as mãos.
Ele olhou em meus olhos e notou que tinha algo diferente, ele sempre notava.
― Katherine o que houve?
Ele tentou se levantar mas eu empurrei seu peito.
― Você me deu um orgasmo incrível e está na hora de retribuir.
Friccionei minha mão para cima e para baixo mas ele segurou meu braço.
― Você não precisa fazer isso, eu estou bem.
― Bom, e se eu quiser fazer isso?
― Eu conheço você bem demais para saber quando ha algo errado.
Ele se sentou e passou a mão por meu rosto, e eu me inclinei contra sua palma sem poder resistir a seu calor tão reconfortante.
― O que houve? Tem alguma coisa errada?
― Eu estou feliz por você estar aqui, é só isso.
― Tem certeza?
― Tenho. Me deixe te mostrar.
Empurrei seu peito de novo e dessa vez ele não protestou, as preocupações foram desaparecendo da minha cabeça enquanto eu apreciava seu corpo nu, ele viu quando o desejo substituiu a angustia pois relaxou visivelmente, então eu me inclinei para ele e abocanhei seu pau, passando a língua em volta dele diversas vezes, Elijah puxou o ar por entre os dentes e descansou a mãos em meus cabelos. Ele parecia querer se controlar, mas eu queria o contrário, queria que ele enlouquecesse com meu toque, queria ver todo o desejo que ele sentia por mim exalar de cada poro dele.
Comecei a chupar mais forte e mais rápido passando a língua na cabeça do seu pau várias vezes, suas mãos se fecharam em meus cabelos e ele começou a fazer um movimento quase imperceptível com o quadris, então eu fechei a mão sobre a base de seu pau e o masturbava enquanto lambia sua extensão, ele soltou um gemido gutural e começou a se movimentar de verdade contra minha boca.
Eu me deliciei ao vê-lo assim, entregue e exposto, sem conseguir conter nada que sentia.
― Katerina... Sua boca é tão quente... Tão bom quanto eu lembrava...
Suas palavras tocaram fundo em mim e eu aumentei o ritmo fazendo com que ele puxasse meus cabelos e gemesse alto, senti seu corpo estremecer violentamente e em um segundo ele se derramava em minha boca, chupei mais algumas vezes para prolongar aquilo o máximo possível, até que finalmente me levantei e deitei a seu lado, ele se virou para mim com gotas de suor na testa e o rosto ligeiramente avermelhado.
Depois me puxou para seu peito e me beijou, várias vezes enquanto as batidas do seu coração se acalmavam
― Eu senti tanto a sua falta.
― Eu sinto muito. ― Murmurei contra seu pescoço.
Ele se afastou e olhou em meus olhos.
― Eu é que preciso me desculpar, eu deixei minha família magoar você, você não precisa se sentir culpada Katerina.
Sim, eu preciso. Pensei as palavras, mas não as disse, apenas continuei abraçada com ele. Pensando em tudo que eu tirei dele, coisas que jamais voltariam, e coisas das quais eu provavelmente não teria coragem de contar.
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