Notas iniciais
Hey Guys, cap novo, demorou bastante eu sei, mas estive doente e não pude escrever. Enfim, aqui está um cap novo, cheio de suspense e revelações. Boa leitura.

POV’S Elijah

Fiquei na sala esperando enquanto Katherine preparava Amy para ir a creche. Eu estava nervoso. Havíamos combinado que conversaríamos com Amy sobre mim, mas eu não sabia o que dizer e nem como dizer. Como explicar a uma criança de três anos que ela era minha filha e que eu nunca estive ali?

Comecei a andar de um lado para outro. Tentando me acalmar, se bem que no fundo, a essa altura, essa era uma missão quase impossível.

Depois do que me pareceu uma eternidade elas saíram do quarto. Amy disparou correndo quando me viu e eu abri os braços para recebê-la. Era incrível e assustador como os pequenos braços de Amy pareciam ter feito um elo inquebrável em mim. Minha garotinha, que eu amei antes mesmo de saber que meu sangue corria em suas veias.

Sentei-me no sofá com ela ainda em meu colo.

― Você vai me levar para a escola tio?

Limpei a garganta e olhei para Katherine. Ela acenou brevemente.

― Você gosta de me chamar de tio?

Perguntei olhando para Amy, ela mexia na minha gravata e respondeu sem me olhar.

― Gosto.

Eu tinha medo que fosse difícil fazer isso. Que eu não conseguiria falar. Mas eu precisava disso, precisava mais que nunca mostrar a ela quem eu era de verdade.

― Mas você pode me chamar de pai sabia?

Minha voz falhou um pouco quando eu disse “pai”. As emoções que aquela pequena palavra significava eram tão intensas que eu mal comecei a descobri-las. Amy finalmente me olhou, voltando seus lindos olhinhos castanhos para mim.

― Pai? Como o pai da cinderela?

Um sorriso nervoso escapou por meus lábios.

― Exatamente como o pai da cinderela, alguém que cuida de você, te leva para a escola, brinca com você...

Ela sorriu para mim e bateu palmas, empolgada.

― Eeeeeba! Eu quero ter um pai!

Depois pulou do meu colo e correu para Katherine.

― Mamãe, eu tenho um pai!

Katherine a pegou no colo e beijou seu rosto risonho.

― Isso é ótimo!

Eu me juntei a elas colocando meus braços em volta das duas. Minhas garotas. Em meus braços de onde eu jamais as deixaria sair.

Fomos tomar café depois disso e eu deixei Amy na escola e Katherine no trabalho. Combinamos de nos encontrar a noite para conversarmos sobre tudo. Principalmente sobre mim e as coisas que eu ainda mantinha em segredo. Coisas das quais eu me envergonhava, mas que eu não podia varrer para debaixo do tapete se pretendia ter uma vida ao lado de Katherine.

Fui para a minha sala começar meu dia de trabalho. Eu sabia que precisaria conversar com Klaus, mas não queria fazer isso agora. Precisava conversar com Katherine primeiro. Acertar nossas vidas antes de dar o próximo passo com meu irmão.

Comecei a revisar alguns contratos antes de passar para Klaus, e ele parecia ter urgência com eles pois irrompeu na minha sala menos de uma hora depois que eu cheguei.

Ergui os olhos para ele surpreso.

― Ainda estou revisando os contratos...

Fui logo falando mas ele me interrompeu negando com a cabeça. Depois abriu um enorme sorriso. Eu fiquei ainda mais surpreso, pois um sorriso genuíno como esse eu raramente via, se é que já tinha o visto alguma vez.

― Eu vou me casar!

Anunciou ele.

― Minha nossa! Meus parabéns!

Levantei da cadeira para cumprimentá-lo, sua felicidade era contagiante.

Parei na sua frente sem saber se o abraçava ou simplesmente apertava sua mão. Ele pareceu sentir o mesmo desconforto, mas por fim demos de ombros e nos abraçamos brevemente.

― Isso é ótimo, estou muito feliz por você!

Falei dando palmadinhas amigáveis em seu ombro.

― Obrigada. Nós dois temos muito que comemorar ultimamente.

Comentou ele. E sorrimos de forma cúmplice um para o outro.

― Já marcaram a data?

Falei indo para minha cadeira, ele se sentou na minha frente.

― Ainda não. Por mim casaríamos o mais rápido possível, mas Caroline quer ir com calma. Além disso eu vou conhecer o pai dela esse fim de semana.

Ele falou isso de uma forma casual, quase indiferente, mas eu podia notar o nervosismo por trás disso. Foi quase inevitável rir. Meu irmão preocupado em conhecer o pai da namorada!

Ele notou meu divertimento e fez uma cara feia para mim, e no mesmo instante eu explodi numa gargalhada.

― É bom ir preparado, ele pode ter uma arma...

― Seu senso de humor é deplorável.

Falou ele, mas acabou rindo comigo.

― Não estou preocupado com o pai dela de fato, mas ela parece desconfortável com isso, com essa visita a eles.

― Problemas com os pais?

― Com o pai. Ela não me falou muito sobre ele, mas até onde eu sei, ele é um grande babaca.

― De todas as coisas que vocês poderiam ter em comum...

Murmurei quase para mim mesmo. Comparando inevitavelmente a relação conturbada de Niklaus e nosso pai. Ele pareceu pensar a mesma coisa, mas apenas deu de ombros. Eu sentia que essa era um assunto delicado e sempre seria.

Depois disso ele começou a falar de negócios e não tocamos mais no assunto do casamento.

Fazendo agora um retrospecto sobre nossa relação, ele se sentir a vontade em falar comigo sobre assuntos tão pessoas era um avanço enorme. Eu sentia falta de sermos mais amigos e abertos um com outro, mas a medida que fomos crescendo um muro se erguia entre nós e parecia não a haver nada que eu pudesse fazer.

O dia passou bem mais rápido do que eu gostaria. Logo já estava na hora de eu me encontrar com Katherine. Eu queria poder me preparar para essa conversa, mas eu sabia que no fundo não havia como me preparar.

Fui até sua casa e fiquei brincando com Amy e vendo TV com elas até a hora dela ir para a cama.

Amy me deu um abraço bem apertado e um beijo no rosto e foi para a cama. Ela ainda não tinha me chamado de pai desde que eu falei com ela sobre isso. Mas imagino que ela só precisaria de um pouco mais de tempo. Eu sei que ela ficou empolgada com a idéias, mas ainda era uma novidade, algo com que ela ainda precisaria se acostumar.

Meia hora depois Katherine voltou a sala e sentou ao meu lado. Ela parecia tensa, quase tanto quanto eu.

Limpei a garganta diversas vezes, tentando imaginar por onde eu poderia começar a contar a ela aquela história.

Mas foi quando a olhei nos olhos que eu finalmente vi a coragem que eu precisava. Eu vi confiança e amor em seus olhos, e eu precisava acima de tudo, merecer esse amor.

Estiquei a mão entrelaçando nossos dedos, querendo sentir o toque da sua pele contra a minha e comecei a falar.

― Antes de conhecer você eu... conheci uma garota.

Assim que pensei nela as lembranças vieram num turbilhão, eu podia ver seu rosto claramente, sua voz...

― Eu era mais novo e mais... Um pouco mais egoísta talvez? Não sei bem como descrever como eu me sentia. Mas acontece que eu vivia numa família organizada e razoavelmente feliz, minha mãe era um tanto controladora, mas isso não me incomodava tanto. Eu me dava bem com meus irmãos, eu me orgulhava muito na época quando as pessoas diziam que eu era educado e gentil, ou pelo menos é o que elas achavam de mim.

Fiz uma pausa e respirei fundo. Katherine me olhava atentamente, sem dizer nada.

― Então conhecemos a Tatia. Ela era o tipo de garota meiga e cheia de vida, que fazia com que todos gostassem dela imediatamente. Tatia e eu conversávamos muito, mas ela também passava bastante tempo com Niklaus. Ela achava que ele era uma alma sensível, e admirava muito seus desenhos e sua sensibilidade para a música. Não sei bem quando eu comecei a perceber que a amizade entre eles não era simplesmente só amizade, mas um dia eu me dei conta disso. Tatia passava cada vez mais tempo com Klaus e eu podia ver como ele se iluminava quando estava perto dela.

Olhei para frente, meus olhos se perdendo em lembranças a medida que eu falava.

Flash Back On

Eu ouvia as risadas deles e me escondi bem no canto da parede. Num lugar onde não pudessem me ver.

Eles passaram bem próximos de mim e eu me encolhi mais ainda, com medo de que me ouvissem respirar. Mas eles não ouviram, seguiram andando e se sentaram no jardim. Klaus estava com seu caderno de desenhos na mão. Ele mostrou algo para ela, e eu vi seu rosto se iluminar num sorriso. Depois ela o abraçou e beijou seu rosto.

Minhas mãos se fecharam em punhos. Não podia ser, minha Tatia estava com meu irmão. Eu não queria isso, ela gostava de mim muito mais do que dele, ela me admirava e me queria, não a ele. Pela primeira vez na minha vida tive raiva de Klaus. Ele não podia ficar com ela. Não podia permitir que isso acontecesse.

Eu nunca tinha visto ele ficar tanto tempo com uma garota, porque agora? E porque justo a Tatia?

Ele teria que arrumar outra amiga. Decidi sair de onde estava e fui até eles. Klaus ficou bem surpreso quando me viu e até com raiva até certo ponto. Ele também gostava dela. Constatei pelo simples fato do modo possessivo como ele a olhou.

― Oi.

Falei para os dois. Tatia sorriu para mim e Klaus apenas deu de ombros. Viu só? Eu queria dizer a ele, ela também gosta de mim.

― Pensei ter ouvido sua voz Tatia, queria te mostrar uma coisa.

Estendi a mão para ela. Que olhou para Klaus incerta, mas depois me deu a mão e se levantou.

― Eu volto logo Klaus.

Falou Tatia para meu irmão e saímos de lá juntos, eu olhei para ele enquanto nos afastávamos e queria dizer a ele que ela não voltaria tão rápido assim. Dei um sorrisinho por cima do ombro e fui com Tatia para a parte dos fundos da casa. Onde ficava a estufa da minha mãe. Ela não permitia que ninguém entrasse aqui, mas ela tinha saído com os gêmeos e provavelmente iria demorar. Nós sairíamos antes.

Quando abri a porta da estufa Tatia ficou maravilhada. Guiei-a por entres as fileiras das flores mais belas e mais raras que minha mãe conseguia encontrar.

― É tão lindo Elijah!

Ela se voltou para mim sorrindo e eu a puxei pela cintura abraçando-a. Não era a primeira vez que nos abraçávamos, mas era a primeira vez que eu queria que significasse algo mais.

Por cima dos seus ombros eu vi um movimento do lado de fora da Estufa. Era Klaus. Ótimo, já estava na hora dele saber que ela não podia ser de nós dois.

Ergui a mão e toquei o rosto de Tatia. Ela pareceu surpresa, mas não recuou. Então eu me inclinei e toquei seus lábios bem devagar. Ela fechou os olhos e eu aprofundei o beijo. Apreciando sua entrega, mas apreciando mais que tudo saber que Klaus estaria vendo isso.

Beijei-a por mais um tempo depois a afastei, ela deu um sorriso tímido e eu ergui seu rosto com a ponta do dedo.

― Isso foi ótimo.

Ela concordou com a cabeça.

― Eu quero fazer de novo, mas para isso eu preciso que você se afaste do Klaus.

O sorriso sumiu do seu rosto.

― Me afastar do Klaus? Por quê?

― Porque ele gosta de você, e para ficar comigo você precisa cortar as esperanças dele.

― Somos só amigos...

Murmurou ela, mas até eu pude sentir a insegurança na sua voz.

Ela estava em dúvida. E eu não podia deixar que isso acontecesse. Eu não podia correr o risco de perdê-la.

― Ele só quer usar você, não percebe a encenação que ele faz para você? Porque você acha que ele só é legal com você e ninguém mais? É tudo mentira Tatia...

Me senti mal ao dizer aquilo. Um peso desconfortável se instalou em meu estomago. Mas eu não podia voltar atrás. Principalmente agora que eu podia ver que ela tinha acreditado.

Puxei-a para meus braços.

― Eu vou cuidar de você...

Murmurei para ela, que me abraçou de volta e enterrou a cabeça em meu peito.

Eu podia lidar com isso. Era errado mentir, mas no fundo talvez fosse verdade. Klaus se tornava mais isolado a cada dia, não se importava com ninguém. Provavelmente só iria magoá-la.

Flash Back Off

― Eu sempre me arrependi de como eu a manipulei, mas eu achava que estava apaixonada, a idéia de perdê-la para o meu irmão era dolorosa demais para que eu aceitasse.

Um silêncio se seguiu depois disso, eu estava chegando cada vez mais perto da parte mais difícil.

― Você achava que estava apaixonado?

Perguntou Katherine por fim, eu respirei fundo e continuei.

― Achei. Ela era especial, meiga, tudo que um homem podia querer. Ela me fazia rir, me fazia... Bem. Acontece que com o passar do tempo, toda a magia que existia no começo foi desaparecendo. Cada dia que passava eu via meus sentimentos por ela esmorecendo. Ela percebia isso também, acho que tentou retomar a amizade com o Klaus, para ter com quem conversar, mas ele a rejeitou, por tê-lo magoado antes.

― Vocês terminaram?

― Chegou a um ponto que eu não queria mais aquilo, não queria mais estar com ela e... sequer me importava com ela. Eu disse que estava tudo acabado, e me afastei. Mas Tatia era muito frágil, e ainda estava apaixonada por mim. Ela ficou depressiva, chorava o tempo todo e me pedia para voltar.

Aquela foi a época da minha vida que eu me desconhecia totalmente. Eu me olhava no espelho e não me enxergava. Era como se um estranho me encarasse de volta. Eu sabia que Tatia estava sofrendo e me queria de volta, mas eu não conseguia me importar, eu não ligava. Achava que uma hora ela perceberia que eu não a queria mais e me esqueceria.

― Ela tentava falar comigo, mas eu ignorava suas ligações. Ela dizia que eu estava com outra pessoa, mas eu não estava, só não queria mais ficar com ela.

― Se você não a amava mais, não adiantava tentar ficar com ela Elijah, você só estaria mentindo, para vocês dois.

― Você não entende Katherine, eu a afastei do meu irmão, fiz com ela me amasse mais e depois simplesmente a abandonei. Como uma criança que enjoa de um brinquedo depois que ganha.

― Elijah não adianta fingir amar alguém, é...

― Ela está morta! Você não entende?

Eu gritei as palavras e me levantei do sofá. Minha respiração era superficial e o coração batia tão forte como se fosse explodir.

Eu esperei que ela dissesse alguma coisa, qualquer coisa. Mas tinha medo de me virar e ver o horror em seus olhos.

Minutos se passaram. Senti um toque em minhas costas e me virei devagar.

― Ela está... morta?

A voz de Katherine era um sussurro. Como se tivesse medo de fazer essa pergunta.

Flash Back On

Meu celular deu um alerta de mensagem, e eu suspirei exasperado. Não precisava nem abrir para saber de quem era. Tatia, tentando falar comigo de novo. Nos últimos dias ela estava me enlouquecendo, ligava para minha casa, até para o trabalho.

Aquilo já estava cansando. Já fazia quase dois meses que tínhamos terminado, mas ela não deixava para lá, não me esquecia. Eu não queria, mas teria que conversar com ela, lhe dizer de uma vez por tidas que tinha acabado, que nós dois nunca mais ficaríamos juntos.

Estacionei o carro em frente ao seu apartamento e subi. O porteiro já me conhecia, o cumprimentei e fui para o elevador.

Bati na porta. Mas ninguém atendeu. Bati de novo, várias vezes, e de novo apenas o silêncio respondia. Mas ela devia estar em casa, senão o porteiro teria dito alguma coisa.

Girei a maçaneta e a porta se abriu. Estava destrancada?

Entrei, as luzes estavam apagadas, e um cheiro estranho de comida estragada impregnava o ar. Senti um arrepio gelado na nuca. Tinha alguma coisa errada.

― Tatia? Está aí?

Chamei, mas ninguém respondeu. A sensação de que tinha alguma coisa errada ficou ainda mais forte. E mesmo com todos os instintos do meu corpo me dizendo para ir embora dali, eu forcei minhas pernas a andarem.

Fui caminhando devagar até o quarto. Abri a porta, mas estava vazio e mergulhado no escuro. A luz era visível somente por baixo da porta do banheiro. Suspirei aliviado. Ela devia estar tomando banho, por isso não me ouviu.

Bati na porta do banheiro, quere avisá-la de que eu estava aqui.

― Tatia? Sou eu, Elijah. Precisamos conversar. A porta estava aberta então eu entrei.

Esperei que ela dissesse algo. Mas ela não respondeu.

― Tatia? Está tudo bem?

Esperei um pouco mais. E de novo, não ouvi nada.

Coloquei a mão na maçaneta, pensando se deveria entrar. Ela não falava nada, podia estar acontecendo alguma coisa.

Mas nada me prepararia para o que eu vi.

Girei a maçaneta e abri a porta.

O ar fugiu dos meus pulmões, e eu senti meus joelhos baterem no chão.

Ela estava lá. Deitada no chão, imóvel. Sobre uma poça de sangue.

― Não! Tatia! Por favor!

Me arrastei até ela, puxando seu corpo, querendo sentir ou ouvir qualquer coisa. Mas não houve nada. Sua pele estava pálida e gelada, ela não respirava. Seu coração não batia. Estava morta.

― Não! Não!

Eu gritava sozinho abraçado a seu corpo sem vida. O desespero me engolfou e eu não sabia o que fazer, levantei seus braços e vi os cortes profundo nos pulsos. E todo aquele sangue. Toquei seu rosto, seus lábios. Sua pele fria me dava arrepios, mas eu não conseguia solta-la. Precisava estar aqui.

Lágrimas caiam por meu rosto. Meu peito doía, por mim, por ela... O cheiro de sangue me dava náuseas, e eu estava coberto dele. Minhas mãos, meu rosto.

Eu queria que ela ficasse longe de mim, e agora que eu vi seu corpo inerte, e soube que jamais a teria de novo, cada músculo do meu corpo implorava para que ela voltasse, para que estivesse aqui comigo.

Ela me queria, e eu a abandonei sem a menor piedade. Eu era um monstro, eu fiz isso com ela.

― Por favor, por favor...

Eu repetia aquilo como um mantra. Talvez se eu as repetisse bastante, aquilo acabaria, eu poderia voltar atrás. Mas nada que eu fizesse agora mudaria o que eu fiz.

― Elijah?

Ouvi uma voz e ergui a cabeça com dificuldade, tentando enxergar por entre as lágrimas.

― Mãe?

Consegui dizer, mas minha voz estava rouca e baixa.

― O que houve?

Olhei de novo para o corpo de Tatia em meus braços.

― Eu a matei mãe, eu fiz isso com ela, eu a destruí...

Naquele segundo, enquanto eu dizia as palavras, eu senti que cheguei a linha tênue entre a sanidade e a loucura. Eu queria mergulhar naquele abismo e me entregar ao esquecimento.

― Levante-se! Agora!

A voz da minha mãe era exigente e rígida, senti seus braços me puxarem e me forçar a ficar de pé.

― Você não fez isso ouviu bem? Você não fez nada!

Depois me empurrou para fora do banheiro e me levou para a pia. Minhas pernas pareciam pesadas, e eu não consegui andar direito.

― Limpe suas mãos e seu rosto, depois saia daqui.

Sair? Deixá-la aqui?

― Eu não posso deixá-la, eu fiz isso, eu preciso ficar com ela...

Mais lágrimas se acumularam eu meus olhos, e nessa hora eu senti um tapa forte no rosto, minha cabeça virou e eu pisquei os olhos.

― Você não Fez nada entendeu? Ela fez isso sozinha, ela se matou, e isso não é culpa sua.

― Mas eu...

Tentei falar, mas outro tapa estalou em meu rosto.

― Você não fez nada!

Eu encarei seu rosto, sem saber mais o que dizer. Acenei com a cabeça.

― Agora se limpe e saia daqui. Eu cuido de tudo. Onde estão as chaves do seu carro?

Eu as entreguei a ela e ela me deu outras chaves.

― Meu carro está na garagem, vá com ele, não quero que as pessoas o vejam assim.

Olhei para a porta e pensei em ir embora, sair dali. Dei um passo nessa direção, mas minha mãe segurou meus braços.

― Lave as mãos, saia daqui limpo.

Fui até a pia automaticamente e deixei a água escorrer. Meu corpo parecia dormente. Quando me dei conta já estava em casa. Tirei as roupas e fui para o banheiro. O cheiro de sangue e morte se grudou em mim. Coloquei as mãos debaixo da pia e coloquei bastante sabão, para fazer o cheiro ir embora. Mas eu ainda podia sentir. Esfreguei com cada vez mais violência.

Eu precisava me limpar. Precisava ficar limpo.

Era a única coisa que eu conseguia pensar.

Flash Back off

Quando eu terminei de falar eu mal conseguia respirar. Não sei bem quando eu voltei a me sentar, mas quando me dei conta já estava no sofá e Katherine segurava minhas mãos.

― Quando minha mãe chegou em casa ela me contou que avisou os pais dela, ela tinha ido lá porque estava preocupada com o comportamento dela. O enterro foi no dia seguinte, mas ela não quis que eu fosse ao enterro. Ela sabia que eu não conseguiria suportar. Ela me ajudou a me equilibrar de novo, a colocar minha vida nos eixos, só que eu sabia que, depois do que eu fiz, nada voltaria a ser o mesmo.

― A culpa não foi sua Elijah, você não fez isso, foi o que ela escolheu.

― É claro que fui, eu a abandonei, ela era frágil, eu a destruí.

― Elijah...

― Não Katherine, eu sei que é minha culpa. Naquele dia eu fui olhar as mensagens que ela me mandava e que eu estava ignorando. Ela me pedia para ajudá-la que ela não ia querer viver sem mim. E na última ela me dizia adeus, e que não podia mais suportar. Você não percebe que seu eu simplesmente tivesse ligado para ela, ela ainda estaria aqui?

A dor no meu peito me atingiu com força total. E agora, depois de tantos anos, eu tinha a oportunidade de deixar isso para trás. Não havia nada que eu pudesse fazer mudar o passado. Mas eu não podia esquecer a culpa que ainda me corroia.

― Eu a deixei morrer, e isso é o mesmo de eu mesmo ter feito os cortes Katherine. Depois daquele dia eu nunca mais me senti inteiro, parecia que eu era simplesmente a sombra de homem, feito apenas da imagem que os outros viam em mim.

Ela apertou com força minha mão e tocou meu rosto.

― Você não é nada disso Elijah, você é bom. Por isso você sente a culpa, mas vocês eram dois adultos, ela decidiu fazer isso, não cabia a você decidir por ela.

― Isso sempre vai estar dentro de mim Katherine, tudo o que houve e tudo que ficou marcado e quebrado em mim.

― O passado faz de nós o que somos, e tem muito mais dentro de você do que isso. Eu sei, eu vi. Eu vi o homem por quem eu me apaixonei quatro anos atrás e me apaixonei de novo agora. Você é bom Elijah.

As palavras dela me tocaram tão profundamente, que algo dentro de mim mudou. Foi como se um peso enorme tivesse sido tirado do meu peito e eu finalmente conseguisse respirar.

― Eu amo você.

Murmurei e a abracei forte. Sentindo o amor fluir por meu corpo inteiro. Antes tudo que eu queria era esconder minhas marcas, mas hoje eu sabia que poderia me curar. Ela era minha cura.

Notas finais
E então, o que acharam?