Sexta-feira 13 Rock In Roll
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Sexta-Feira 13 Rock in Roll
Samantha estava se arrumando ao som da banda Queen, mentalizando o ‘’We Will rock you’’.A música estava nas alturas. Ela escolheu vestir uma blusa longa e grande, do namorado dela, Calvin. A blusa era preta e caia de lado, sua estampa era dos ‘’Rolling Stones’’. A outra peça da roupa era uma calça skinny, uma bota de roqueiro também negra. Além dos acessórios como anel de três dedos com o formato de
caveira, e um cordão com um pingente em formato de cruz, ela levou consigo uma jaqueta de couro preta.
Seu celular vibrou informando que era hora de ir. Aquela ia ser uma grande noite. Era a terceira sexta-feria treze daquele ano e dessa vez, em Julho, era o dia internacional do rock, e Samantha tinha um show de rock na garagem de um amigo guitarrista pra ir.
A noite estava nublada, carregada de nuvens e névoa. O frio estava sufocando. Samantha cumprimentou o namorado com um beijo, sentou-se na garupa de sua moto e foi-se com ele. Carros passavam pela estrada nevoenta e úmida, jogando garrafas de bebida alcoólica para fora de seus veículos. Motoqueiros de idade e tatuados gritavam agitando o trânsito. A cada metro Sam se agarrava mais a Cal, segurando-se firme.
Eles atravessaram a cidade até chegar à casa de Harry, o dono da garagem, da casa, o guitarrista de sua banda. Na entrada, havia bastante gente. Carros estacionavam com pressa, garrafas já dançavam na rua e a fumaça que vinha lá de dentro não era a neblina. A banda estava tocando clássicos do rock, e não suas próprias músicas, não ainda.
Sam foi entrando de mãos dadas com Cal, que passou primeiro pela porta. Samantha ouviu um barulho e olhou para trás. Lá longe, no quintal de um provável vizinho, ela viu alguém. Mas não era de ser nada. Ela entrou.
Todos estavam curtindo, gritando, rocking. Também tinha bastante gente se drogando, se alcoolizando, mas era minoria ali. Harry tocava muito bem, a banda dele tocava muito bem. Eles tinham futuro.
Num momento da festa, Sam se distanciou de Cal, e enquanto ela pegava uma bebida, Harry se aproximou. Eles ficaram conversando e eles deu encima dela. Samantha saiu de perto dele ligeiramente, e agradeceu internamente às pessoas que ficaram no caminho dificultando a passagem dele sem querer.
Sam não conseguiu achar Cal, assim, resolveu explorar a casa. Ao abrir uma das portas dos aposentos, ela flagrou Calvin se pegando com uma garota, que por mais bizarro q seja, estava quase dormindo. Ela fechou forte a porta e foi em busca de Harry.
Samantha voltou para ele sorrindo, um jogando com o outro. Ela que o guiou pelo corredor, até achar um quarto vazio. O aposento era um no final do corredor. Ele era tão escondido, que de lá se escutava o alto som com dificuldade. Ele a deixou entrar primeiro, e da porta, a assistiu se jogar na cama. O rosto de Samantha fechou-se quando ele bateu a porta e a trancou.
Só podia ser brincadeira, então, ela resolveu esperar. Cansada, com a paciência esgotada, ela começa a bater na porta e a gritar. Ninguém ouvia, ninguém vinha. A cortiça começou a dançar com um vento gelado e uivante. Samantha correu para fechar a janela, mas antes de chegar, a outra fechou-se sozinha. O coração de Sam quase se jogou para fora de seu peito. Seus olhos se arregalaram.
Ela olhou lá pra fora, pela janela que fechou-se sozinha e não viu nada. A névoa tampava tudo. Um barulho chamou-lhe a atenção, como se fosse uma goteira. Ao olhar para o lado, ela viu que não era água, e sim sangue. Um sangue bem vivo, de um vermelho intensamente escarlate.
Samantha assustou-se e olhou novamente para a janela. Ao dar as costas, ela viu algo se mexer na escuridão do outro lado do quarto. Se encostando na janela, ela pôde ouvir sua respiração.
Apavorada, Samantha tenta abrir a janela. Nesse momento, passos apressados e pesados vêm na direção dela. Sam grita ao ser puxada pelos pés.Ela tenta se agarrar à algo, mas não há nada para se segurar. Samantha berra, pede socorro e balança os pés, chutando quem ou o que pudesse ser que estava agarrando-a. De nada adiantava.
Ela foi largada e ao se virar, ela viu a pessoa lhe levantar um machado. A pessoa ia atingi-la nas pernas. Sam rolou para sua direita, em direção a porta. A pessoa tentou atingi-la mais uma vez, porém ela foi mais esperta e se abaixou, fazendo com que o assassino atingisse a porta.
Dessa vez, ela correu aos tropeços até a janela que estava aberta e se jogou. Caindo do outro lado, ela machucou o braço. Ao checar o machucado sentada na grama, embaixo da janela, o assassino a levantou pelos cabelos. Ela gritou e colocou as mãos nas mechas que estavam sendo puxadas. Quando foi ver, seus fios caiam aos seu lado. Na oportunidade, Sam engatinhou à frente, fugindo mais uma vez.
Ao ficar de pé e olhar para trás, ela o viu correr atrás dela. Ela estava nos fundos da casa e de frente só havia uma floresta. Sendo assim, ela deu a volta e quase perdeu o chão ao ver que todos os carros, todas as motos, todo o mundo havia desaparecido. Só restava ela e um assassino.
Ela não se arriscaria jamais em entrar numa floresta, mas talvez lá fosse um bom lugar para descansar em paz. Escorregando em raízes, ela foi correndo pela floresta, subindo a colina. Samantha não entendia nada, não tinha o que entender. Ela mal conseguia pensar. A única certeza que ela tinha é que a explicação pra tudo aquilo que estava acontecendo talvez fosse a data. Sexta-Feira 13!
O sangue se misturava com a água da chuva que caia lenta. Os relâmpagos iluminavam o corpo. Somos carne e osso e, afinal, todos têm de morrer.
Valar Morghulis
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