Sexta-feira 13
1 Panic: It´s Friday 13th!
Notas iniciais
Rose Weasley é supersticiosa, ela não pode negar. Desde criança, não deixava chinelos virados, não passava em baixo de escadas, não abria guarda-chuvas dentro de casa e tantos outros dizeres que eram seguidos à risca. Mas o pior de tudo para ela era a sexta-feira 13, o bendito, ou melhor, maldito dia que todas as coisas davam terrivelmente errado.
Nas malditas sextas-feiras 13, a ruiva simplesmente ficava em casa quieta tentando sobreviver àquele dia horroroso. Mas, hoje em especial, estava impossível sobreviver, já que ela não pôde ficar em casa dormindo porque deveria entregar um trabalho na faculdade. Assim, tudo começou quando ela saiu apressada se esquecendo de levar um guarda-chuva, o que no tempo nublado de Londres era quase um pecado. No meio do caminho, gotas de chuva começaram a cair em seu rosto, deixando-a irritada ao constatar que deveria ter colocado o trabalho em uma mochila. Com um suspiro, colocou-o, embaixo da blusa de mangas compridas e correu o mais rápido que conseguiu.
Ao chegar aos portões da Hogwarts University, Rose pegou o trabalho sorrindo ao notar que ele estava em perfeito estado. Cedo demais. É uma maldita sexta-feira 13. O carro de algum idiota passou e a água jogada encharcou tanto ela quanto o fruto de intermináveis horas de pesquisas.
Amaldiçoado o professor que não aceitava os trabalhos por e-mail, Rose foi para casa e imprimiu novamente o maldito trabalho. Ao chegar à universidade, dessa vez de Uber, a ruiva amaldiçoou-se ao notar que extrapolara o horário de entrega do trabalho. Depois de argumentar muito com o adorável professor Snape e aceitar que sua nota fosse reduzida em cinquenta por cento, Rose finalmente conseguiu entregar aquele trabalho. Para completar, o motorista do Uber disse que pegaria um caminho mais rápido e isso resultou em eles presos em um engarrafamento por três horas. Três malditas horas!
Agora, ao finalmente chegar ao apartamento que dividia com Albus, Dominique e Lily desde que se tornaram universitários, Rose agradecia silenciosamente por nenhum deles estar em casa, afinal assim não teria de dar desculpas para não sair com eles. Tudo que ela mais queria era tomar um delicioso banho, comer alguma coisa e passar a noite vendo um filme qualquer. Após sair do banho e colocar a água para ferver para fazer miojo, que era única coisa que a ruiva sabia fazer, Rosie se sentiu finalmente um pouco relaxada naquele dia exaustivo.
Até o interfone tocar. Por Deus, ela não teria paz naquele dia? Claro que não, era uma maldita sexta-feira 13. Antes de se dirigir até a sala, Rose colocou o miojo na água fervendo e suspirou pesarosamente antes de apertar o botão.
—Oi. –Se ela tivesse um pouco de sorte, o que era bem difícil, aquele indivíduo que ousava incomodá-la teria interfonado no apartamento errado.
—Olá. –A voz masculina que conversava com ela tinha um leve sotaque italiano. –É do apartamento do Albus?
Rose suspirou antes de responder, afinal Albus fazia ciências da computação e a maioria dos colegas deles eram nerds esquisitos que a deixavam constrangida frequentemente.
—Sim, mas ele não está.
—Hum...Er...Eu sou Scorpius, colega de turma dele. –A voz parecia insegura. –Eu sei que parece meio estranho, mas você poderia me deixar entrar? O Albus deveria ter me entregado algumas anotações ontem, mas ele se esqueceu de levar e eu preciso urgentemente delas para terminar um trabalho.
Rose fechou os olhos e encostou a cabeça na porta, estressada. Era impossível ter um segundo de paz? Quem garantiria que aquele cara não era um psicopata que iria matá-la e cortar seu corpo em pequenos pedaços para colocar no freezer? Ela só percebeu que havia pensado alto quando ouviu um riso baixo vindo do interfone.
—Eu te garanto que não sou um psicopata, mas se você quiser pode ligar para o Albus e perguntar sobre mim. Eu já o avisei que viria aqui hoje.
Automaticamente, Rose pegou o celular para ligar para Albus, mas desistiu assim que viu que ele já lhe enviara mensagem:
5 mensagens não lidas
Al♡
Hey Rosie! [19:23]
Um amigo meu da facul vai aí pegar umas anotações [19:23]
Fica tranquila, Scorpius é gente boa [19:24]
Fico te devendo uma, ruiva! [19:24]
Ah, n mate ele só pq é sexta 13 kkkkkkkk [19:32]
—Ele já me mandou mensagem. Você pode subir. –Rose apertou o botão e ouviu o portão abrindo. –Apartamento 32, 4° andar. Eu sou a Rose.
—Ok, grazie Rose. -A voz soou extremamente sensual ao dizer o nome de Rose com o “R" tremido.
Rose balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos e abriu a porta, esperando por Scorpius. Em alguns instantes, um garoto franzino com os óculos escorrendo do nariz e cabelo oleoso passou por Rose andando rapidamente.
—Hey Scorpius! –Rose se virou para o garoto e balançou a não tentando chamar a atenção dele, mas ele apenas a olhou e começou a andar mais rápido. Ela apenas revirou os olhos e continuou balançando a mão. –Cara, eu sou a Rose! O apartamento do Albus é esse!
Quando o garoto começou a correr e tropeçar nos próprios pés, Rose ouviu uma risada baixa atrás de si. Ao se virar, ela viu um estranho muito atraente segurando falhamente a risada. O garoto de cabelos loiros brilhantes e olhos incrivelmente azuis cinzentos estava com os braços cruzados, o que destacava seu impressionante físico. Realmente, aquele garoto era um verdadeiro Deus grego e Rose estava passando vergonha na frente dele. Maldita sexta-feira 13!
Antes que ela conseguisse voltar para dentro do apartamento e ignorar aquele episódio vergonhoso, escutou a melodiosa voz com sotaque italiano:
—Só pelo fato de eu fazer ciências da computação eu deveria ser um nerd estranho, Rose? –Scorpius estava claramente rindo da cara dela.
—Eu...hã...me desculpe. –Pelo visto, a cota de vergonhas que Rose passaria estava longe de acabar. Maldita sexta-feira 13!
—Va bene, Rose, tá tudo bem.
Rose não achava que estava “tudo bem”, mas ela resolveu deixar o assunto para lá antes que se constrangesse mais.
—Entre, o quarto de Albus é o segundo a direita no corredor.
Enquanto Scorpius ia até o quarto de Albus, Rose o observou. Se de frente ele era bonito, de costas era muito melhor. Ela mordeu levemente os lábios ainda o observando e, repentinamente, sentiu cheiro de queimado. Ah sim, ela estava queimando com a visão daque...
—AH MEU DEUS! O MIOJO! –Rose correu desesperadamente até a cozinha, mas já era tarde demais: a água do macarrão instantâneo secara e o fundo já estava todo queimado. Maldita sexta-feira 13!
Ela se sentou na bancada e olhou fixamente para a panela. Para melhorar, aquele era o último pacote de miojo, ou seja, a ruiva ficaria com fome naquela noite.
—Aconteceu alguma coisa? –Scorpius voltou do quarto de Albus com algumas folhas na mão, parecendo verdadeiramente preocupado.
Rose pensou seriamente em responder que não era nada e evitar que ele pensasse que ela era louca por acreditar em superstições. Porém, ela estava cansada e com fome, nada podia ser pior. Então, em uma lufada de ar, Rose despejou tudo em cima de Scorpius.
Os olhos arregalados dele mostravam como ele estava surpreso com aquela situação. Aquela garota, normal até agora, se mostrava uma supersticiosa de carteirinha e era impressionante a forma como ela ligava todas as coisas que aconteceram no seu dia com, nas palavras dela, a maldita sexta-feira 13.
—E é isso Scorpius. –Ela finalizou olhando tristemente para a panela de miojo. –Essa é a pior sexta-feira 13 de todos os tempos e olha que eu quebrei o braço uma vez!
—Você quebrou o braço uma vez? –Scorpius apenas repetira oque ela havia dito incapaz de absorver tanta informação.
—Pois é. Eu passei aquela sexta-feira 13 toda na cama para não acontecer nenhum incidente. Então, quando eu me levantei para o jantar, tropecei no meu cobertor e caí. Resumindo: eu fui para o hospital com o braço quebrado e fiquei esperando por 7 horas até o médico chegar porque, adivinhe, a ponte que ligava a casa dele ao hospital caiu. -Ao ver os olhos arregalados do garoto, Rose apenas deu de ombros e se dirigiu até o sofá, batendo o dedinho do pé na mesinha de centro. -Ai! Viu só? Maldita sexta-feira 13!
—Eu posso cozinhar pra você. –Scorpius nem pensara direito pra dizer aquilo, apenas queria ajudar a garota. –Quer dizer, vedete...digo, veja bem: você me disse que não sabe cozinhar e que seu miojo queimou. Eu sei fazer una la pasta alla bolognese ótima. Discendenza italiana.—Enquanto Rose o observava calada, ele se arrependeu da sugestão. –Ou talvez não. Talvez você nem goste de la pasta alla bolognese. Péssima ideia. Scusa, eu juro que não sou um psicopata.
—Não, tá tudo bem. Eu que ando assistindo muito Criminal Minds. –Rose se levantou e foi até a cozinha. –Você vai ter que me dizer quais ingredientes você precisa porque, como você viu, eu consegui queimar o miojo.
Após colocar todos os ingredientes em cima da bancada da cozinha e ouvir atentamente todas as explicações de Scorpius, Rose conseguiu fazer o macarrão enquanto Scorpius fazia o molho.
—Adesso, é só colocar o molho macarrão assim. –Rose observou-o colocar com extremo cuidado e destreza o molho no macarrão. –Pronto, ragazza. Experimente.
Um pouco receosa, Rose levou o garfo à boca e fechou os olhos ao constatar que aquele era o melhor macarrão que ela já comera.
—Hum, meu Deus, Scorpius! –Ela pegou mais um pouco. –Isso tá muito bom!
—Grazie. -As bochechas dele se enrubesceram. -Quem sabe eu posso cozinhar para você outro dia? Nós podíamos tomar um vinho e eu poderia fazer uma lasagna. Não sei, se você quiser...
Rose já fora cantada antes por amigos de Albus, mas nunca se interessara realmente. Porém, Scorpius era diferente e ao vê-lo bagunçar os cabelos loiros em nervosismo, ela não conseguiu negar.
—Claro. Depois combinamos o dia.
Ele lhe lançou um sorriso maravilhoso e acabaram de jantar, graças a Deus, sem nenhum incidente. Ele lhe ajudou com a louça e logo disse que precisava ir embora estudar as anotações.
—Tchau, Rosie.—Ela enrubesceu ao ouvi-lo dizer seu apelido com aquele sotaque maravilhoso e ficou ainda mais vermelha quando recebeu um beijo na bochecha. –A gente se vê.
—Tchau, Scorpius.
Depois de ficar por um bom tempo olhando a porta com cara ser boba, Rose percebeu que Scorpius não pedira seu número e também não deixara o seu. Pelo visto, ele não queria nada com ela realmente. Maldita sexta-feira 13! Mas ao chegar à cozinha, encontrou em cima da bancada um bilhete com um número de telefone em uma caligrafia caprichada:
Rosie,
Como eu disse, é você quem sabe. Se estiver interessada me ligue.
Enfim, espero que eu tenha sido um pingo de sorte na sua “Maldita sexta-feira 13”.
Con amore, Scorpius H. Malfoy
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