Notas iniciais
Espero que voces gostem. Não sei se posso, mas dedico esse capitulo a um amigo pessoal, Marcio Augusto, meu melhor amigo!

Eu cheguei em casa por volta de dez da noite, comi alguma coisa e fui me deitar com o livro nas mãos. A capa era bem chamativa, mas eu não estava realmente interessado em ler aquele livro, eu estava interessado em rever Frederico. Só que havia um porem, se eu não lê-se o livro e ele viesse me perguntar qualquer coisa sobre ele, eu muito provavelmente ficaria perdido.

Então comecei a ler. A historia até que não era ruim, tinha alguns dialetos indianos ao decorrer do livro que te faz aprender bastante coisa sobre a cultura deles. Kelsey a mocinha do livro é uma garota que esta caminhando para fase adulta, mas não tem certeza do que fazer sobre seu futuro. Em minha opinião ela é meio louca, a garota acaba indo para um circo e fica totalmente apaixonada por aquela vida, pelo o que a por trás da lona e por algum motivo ela se sente atraída pelo tigre branco que faz parte do espetáculo.

Cai no sono antes mesmo de chegar a metade do livro e acordei no dia seguinte com o braço dormente, pois acabei dormindo por cima dele. Fui até a cozinha e preparei um café, ainda usando apenas o short de pijama de ceda e então alguém bateu a minha porta.

Moro no decimo andar de um prédio no centro, onde tem porteiro, logo por isso não tenho medo de ladroes. Caminhei até a porta e abri sem olhar pelo olho magico, com uma xicara de café na mão, já com certeza que deveria ser algum vizinho me enchendo a paciência logo na segunda de manha.

Foi uma surpresa na verdade quando vi Marcelo usando uma roupa toda amarrotada, com o rosto todo sujo e cheirando a álcool. Ele estava horrível, provavelmente de ressaca. – Caramba, te amo, café – ele exaltou arrancando a xicara da minha mão e entrando no meu apartamento.

– Sim e sabe o engraçado, essa xicara tinha dono – resmunguei. Ele riu e se largou no sofá suspirando e ainda por cima colocando os sapatos sujos em cima da minha mesa de centro. Sim, eu sou bissexual e não tenho vergonha de dizer que me preocupo com a higiene da minha mesa de centro. Eu procurei na internet e é normal.

Ele tomou um gole longo e colocou a xicara no braço do sofá – cara fui a uma festa ontem que, graças a Deus, você não estava lá, porque no final virou uma orgia inexplicável – me contou ele colocando a mão no rosto e apertando os olhos com força. – Você pode fechar as cortinas? Não entendo porque um apartamento tão claro.

Caminhei até a janela e abri mais ainda as cortinas – Esta bom pra você agora? – Perguntei irritado ­– é a terceira vez esse mês, cara – gritei.

Ele fez uma careta e pegou a xicara novamente – eu não estou em tratamento e vamos lá, não seja mal, só passo aqui porque quero ter certeza que você não transou com ninguém enquanto eu estava fora. – Ele acha que isso é uma boa desculpa?

Me sentei ao lado dele e tentei não prestar atenção no cheiro de bebida – você acha que eu vou demorar quanto tempo para poder me evolver com alguém de novo? – Perguntei desanimado. Não que eu quisesse ter um relacionamento, mas essa de não poder ter me incomodava.

– Como esta indo Godofredo? ­– me perguntou ele sério. Godofredo era o apelido que tínhamos dado a planta antes de eu descobrir que flor era.

Olhei para a sacada ao longe. – Verde – respondi ainda entediado e agora um pouco enjoado com o cheiro de Marcelo – o que você acha de um banho? – Perguntei a ele, mais como uma indireta direta.

– Para o bem do seu tratamento espero que isso não seja um convite – me respondeu com um sorriso no rosto.

Eu ri alto, ele era charmoso, mas não era tanto assim. – Eu conheci um cara ontem – conte. Ele fez um barulho estranho com a boca e virou para o meu lado com um movimento brusco.

­– Não acredito Coélio, que decepção cara, por que não me ligou? – Perguntou ele fazendo o maior drama que alguém na face da terra já presenciou.

Eu coloquei a mão no ombro dele e disse calmamente – eu não transei com ninguém, só conversei, ele é um vendedor de livros e parece hetero.

­– Essa historia de heterossexual é apenas questão de ponto de vista – ele suspirou parecendo aliviado. – Por um segundo achei que seria obrigado a te dar um cachorro, ou mais umas duas plantas. Mas então, o que você quer com esse cara afinal de contas? – Perguntou esperando a resposta que eu daria dois meses atrás, sexo.

– Nada ­– respondi e ele fez uma cara de confuso – só te contar.

Continuamos sentados ali durante mais uma meia hora, quase sem dizer nada. Marcelo tomou um banho lá em casa mesmo e vestiu as roupas que ele deixou lá, afirmando que serviriam algum dia para alguma emergência.

Depois do almoço fui para um parque próximo andar de patins. Para quem nunca andou eu recomendo, é realmente muito bom, tirando obviamente as partes dos tombos. Hoje em dia isso só acontece comigo quando tento frear, eu sou péssimo com paradas.

Andei cerca de duas horas até que sem querer acabei trombando em um cara com uma bicicleta e me espatifei no chão e só pra lembrar, odeio bicicletas. Continuei sentado no chão um tempo, o cara da bike se levantou e me ofereceu a mão.

Até então não tinha reparado que:

A) Ele se incluía no grupo de sapos melhores que já comentei antes. B) Ele era alto, forte e usava barba, isso me atrai muito, e C) A bicicleta dele tinha quebrado alguma coisa, muito provavelmente. O que eram ótimas suposições.

Peguei sua mão e o puxei para o chão, ele acabou perdendo o equilíbrio e ficou estirado ao meu lado. Enrosquei minha perna entre as dele aproveitando a oportunidade, ele me olhou de forma assustada e então fiz um movimento lento com a cocha até chegar entre as pernas dele, fazendo o homem suspirar.

– O que esta fazendo?- Perguntou ele segurando com força minha cocha, parando o movimento da mesma.

Então rolei para cima dele e comecei a beija-lo, sua barba arranhou meus lábios. Eu podia sentir todo o corpo dele, quente e suado sobre mim, apenas suspirei.

– Tudo bem? – Perguntou ele ainda de pé na minha frente com a mão estendida.

– Obrigado – disse a ele enquanto ele me ajudava a levantar ­– foi mal, não sei usar o freio.

– Sem problemas cara – disse ele olhando para a bicicleta – acho que não quebrou nada – amaldiçoei em pensamento com um sorriso no rosto. Mas digo, minha força de vontade tem ficado muito maior ultimamente, eu não me aproveitei da situação para tentar pegar o cara, bom, pelo menos na realidade.

Naquela noite fui a um bar com o pessoal que estudou comigo na faculdade, enchi minha cara e apaguei por umas doze horas. Terça feira de manha meu celular começou a vibrar, era uma mulher que eu conheci em um bar alguns meses atrás, mas estava no banho quando o celular tocou e obviamente não sou tão desesperado a ponto de parar um banho pra ver quem seria. Quando sai vi oito ligações dela e logo pensei que não podia ser coisa boa.

Liguei de volta e a piranha atendeu no segundo toque. – Temos que conversar ­ – disse ela com uma voz estranha e afobada.

– Oi Veronica, estou ótimo, obrigado por perguntar – cumprimentei soando o mais sarcástico possível. Odeio gente desesperada.

Ela deu uma risadinha irônica que fez meu sangue subir – muito engraçadinho você, eu só vou pra cama com idiotas mesmo . – Eu tentei responder a altura, mas ela continuou – estou gravida de você – ela gritou do outro lado da linha.

Fiquei mudo, fiquei roxo, perdi o ar, minhas pernas tremeram, minha visão escureceu, o mundo girou. Okay eu não senti nada disso, só palpitação – fazem meses, é de outro – disse sem pensar. Ri em pensamento, eu sendo pai.

– Só Deus sabe o quando eu gostaria disso, mas infelizmente é verdade – disse ela tão calmamente quanto aposto que era capaz – de todos os putos da face da terra eu engravidei do rei.

– Você só pode estar brincando – me joguei no sofá e coloquei a mão na cabeça – eu não posso ser pai cara.

– Tudo indica que sim, seu mau caráter não estragou seu esperma – disse ela rindo ironicamente, okay, eu havia perdido dessa vez . ­– Estou voltando pra cidade hoje, amanha nos encontramos naquele maldito bar.

– Certo – respondi, sem achar que nada estava certo, desliguei o telefone e liguei na mesma hora para Marcelo. Assim que o contei ele riu da minha cara, eu o xinguei brevemente e ele me orientou a ir para o bar com ele naquela noite, porque a bebida é um vicio mais seguro que o sexo e eu com certeza concordei.

Passei o dia tentando em pensar em qualquer coisa que não tivesse haver com paternidade e então voltei ao livro, passei o resto da tarde e o inicio da noite terminando a historia. A maldição de um príncipe, em um circo era com certeza um bom lugar pra minha mente fugir.

Quando chegou por volta de umas sete horas da noite terminei o livro, tomei um banho, comi alguma coisa e fui tentar ver algum filme, mas depois de meia hora na internet eu só olhava pornográfica, então decidi que precisava continuar aquela historia.

Peguei minha carteira e fui do jeito que estava, com uma bermuda social bege, uma camisa polo branca e de chinelos pretos. O shopping mais perto da minha casa fica a cerca de dez minutos a pé, mas me lembrei por algum motivo da promessa que havia feito ao vendedor de livros e dirigi por quase meia hora, enfrentando um transito improvável até chegar à livraria dele.

Assim que cheguei o vi atendendo uma garota, ela era jovem e usava uniformes escolares, indicando que ela só não parecia jovem, mas sim realmente era. Fui até os dois e parei a um metro de distancia deles.

Frederico estava explicando que aquele livro que a garota estava olhando tinha um final triste. Quando ele olhou pra mim e parou de falar bruscamente, a garota olhou repentinamente para trás, para identificar o que chamou tanto a atenção do vendedor de livros.

Eu sorri quando vi sua expressão de surpresa – preciso continuar a historia – disse a ele que mudou rapidamente a expressão de susto para alegria despreocupada.

– Achei que iria demorar pelo menos uma semana ou não voltaria – disse ele se virando e apontando para a mesa onde estava à coleção da Maldição do Tigre – quatrocentas paginas.

– O que são quatrocentas paginas, quando elas são mais interessantes que a realidade? – Perguntei a ele, mas não houve tempo de resposta, a garota repentinamente perguntou quando custava o livro, mostrando que ela queria atenção.

Ele apontou para a garota e sorriu, como se me dizendo que precisava atendê-la antes de poder me dar atenção. Caminhei entre vários livros olhando títulos aleatórios e aproveitando para olhar de rabo de olho para Frederico, que usava o mesmo uniforme preto com o logotipo de livraria.

A camisa era bem simples e lisa, mas nos contornos do corpo do vendedor de livros ganhava curvas perfeitas. Os ombros de Frederico eram largos e fortes, com um peito aberto e volumoso, braços grandes e definidos, que contrastavam perfeitamente com o tamanho de suas cochas, e caramba, perfeitamente com aquela bunda, que era inexplicavelmente, irresistivelmente “mordível”.

Mas eu ainda estava preocupado com a ideia de ser pai. Não que eu tivesse acreditado naquela vagabunda, mas e se? Eu não queria isso pra mim.

Um vendedor veio até mim em dado momento e eu pude ver Frederico o acompanhando com os olhos, novamente deixando a garota de lado. Quando o outro vendedor chegou a mim, Frederico ficou sem graça e voltou a prestar atenção na garota que agora começava a me irritar.

– O senhor já foi atendido? – Me perguntou ele com uma voz simpática e rouca.

Eu apontei para Frederico e disse – já sim, obrigado – o homem pareceu não gostar muito, e saiu andando, sumindo em meio ao mar de livros.

Mais um minuto ou dois e finalmente Frederico veio até mim. ­– Fico feliz que voltou, sinal de que ganhei a aposta? – Me perguntou ele sorrindo.

– Demorei um pouco pra me acostumar com a ideia da maldição, mas estou curioso – disse a ele pegando o segundo livro da serie “O resgate do tigre”, livro onde há um jaguar na capa.

– Esse é ainda melhor – disse ele franzindo as sobrancelhas – mais ação, com certeza.

– Se eu continuar nesse ritmo termino em um mês a historia – indaguei orgulhoso de mim mesmo.

Ele riu e apontou para os livros em cima da mesa – não se afobe de mais gafanhoto, o ultimo livro ainda não foi publicado ­– me contou estragando meus planos.

– Como assim? Vou ter que esperar o autor lançar ainda? ­– Perguntei fingindo frustração ­– sinto muito te dizer, mas agora você esta me devendo.

Ele segurou o riso desta vez, deixando os lábios fazendo formas engraçadas ­– eu me comprometo a divida senhor Paulo, sou um homem de palavra.

Eu estendi a mão e ele segurou firme, mais firme do que da primeira vez que nos cumprimentamos – quando chegar a hora pequeno gafanhoto, quando chegar a hora – disse fingindo uma expressão séria.

Soltamos o riso e então eu o entreguei o livro, eu continuei olhando para ele enquanto ele sumia entre o mar de estantes. Aquilo havia sido um flerte? Corri para o caixa e paguei o mais rápido, que a fila hoje enorme a minha frente, permitiu.

Quando cheguei à saída ele estava lá novamente, segurando um pacote pardo nas mãos. Eu o fitei de longe enquanto caminhava em sua direção – obrigado gafanhoto – disse quando ele entregou-me o livro.

Apertamos as mãos novamente e o contato me fez ansiar mais – eu que te agradeço – ele disse com uma voz que acabou me deixando excitado.

Sai da livraria já lendo o livro, não queria ter que esperar mais dois dias para vê-lo novamente, eu não queria ter saído da livraria pra ser bem sincero. Bar com Marcelo? Quem sabe. Eu precisa esquecer que talvez fosse pai.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não deixem de comentar.