Sexandrugs
24 Capítulo Vinte e Quatro.
Notas iniciais
Luke.
Terça-feira, 19h.
Los Angeles, Califórnia.
26°, clima ensolarado.
Depois que passei pela repórter fui em direção à ambulância. Thalia estava deitada em uma maca toda machucada. Seu rosto estava com uma cicatriz que ia do olho até o nariz, não era longa e lembrava um tanto a minha. Seu cabelo estava cheio de terra misturada com sangue. Fui chegando perto e fui interrompido por um médico.
– Você é parente da vitima? — perguntou-me o garoto.
Ele deveria ser apenas um pouco mais velho que eu. 25 anos talvez. O garoto era loiro, olhos azuis, ele usava uma calça jeans preta e aqueles paletó de médico.
– Você é parente da vitima? — perguntou-me o médico novamente ainda paciente.
– Ah, desculpas, não sou, eu sou.. — comecei a dizer mas parei. O que eu e Thalia éramos afinal? — É complicado.. — disse por fim.
O garoto deu uma risadinha.
– Certo, certo, eu entendo, você não é o único. — ele disse rindo e rabiscou algo na sua prancheta.
– Como ela esta? Ela me ligou no acidente, ela tava desesperada. Ela estava dentro do carro ainda.
O garoto ergueu uma sobrancelha.
– Certo então, bom, eu não posso dizer muito agora se ela só esta desmaiada ou vai para algo mais grave.
– Grave como? — perguntei desesperado.
– Ela pode ir pro coma e pode morrer. — ele disse calmo.
Ele era médico, não era assustador, ele não amava Thalia.
– O que vocês podem fazer para salva-la? — perguntei.
– Nós iremos levar ela pro hospital para ela fazer uma bateria de exames para analisar o estado dela e ela precisa ir urgente se não pode não resistir.
– E porque ela não esta no hospital ainda? — perguntei acariciando o rosto de Thalia.
O loiro pareceu um tanto envergonhado.
– O nosso motorista não tem estômago muito forte perto de sangue. — ele explicou.
– Ah sim.. entendi. — disse esboçando um sorriso.
Fiquei mais uns dois minutos ali observando Thalia enquanto o garoto ia falar com os policiais. Logo fui abordado por uma mulher.
– Com licença, Luke, Luke Castellan? — perguntou ela.
Assenti. A mulher era loira e tinha os cabelos bem puxados para trás preso em um coque, possuía olhos verdes, usava um vestido preto e saltos verdes. Qual é, todos são loiros agora?
– A filha de Zeus e Hera Grace era sua namorada? Pode nos relatar como você ta se sentindo? — perguntou ela segurando um caderninho e uma caneta com pena na frente verde.
– Eu nem conheço você. — eu disse um pouco assustado com o atrevimento da mulher.
– Não seja por isso, sou Celeste Skeeter. — ela disse com um sorriso tão falso que me deu medo. — ANFITRITE!!! — berrou ela. — Anfitrite é a minha filha e secretária, ela vai anotar tudo que você disser. — disse ela voltando a sorrir.
– E o seu bloco? Você não anota? — perguntei.
– Não, aqui é as minhas perguntas. — ela disse ainda sorrindo.
Eu estava com medo. Qual é, a mulher tinha um sorriso tão forçado que parecia sincero, ela tinha um dente de ouro e olha que ela nem era tão velha. Ok, devia ter uns 60 anos mas aquelas plásticas dava uma aparência de 59 (P/A: Sério Luke?). Ok, ignorem a intromissão na minha narração. Logo a tal de Anfitrite apareceu. Era bonita, devia ter uns 20 e alguma coisa, menos que 25 não tinha mas não chegava a 30. A mulher tinha cabelos castanhos que iam até as costas e olha que estavam presos, olhos pretos e a pele era tão branca que pensei que ela fosse um fantasma, nem Bianca era assim.
– O que foi mamãe? — perguntou Anfitrite.
Fiquei assustado. A garota tinha voz de uma criança de 5 anos.
– Anote as respostas do Sr. Castellan. — Celeste disse para Anfitrite. — Luke, começarei perguntando, o que você sentiu quando Thalia começou a namorar o filho de Julian Paxton? — perguntou-me a mulher.
Bufei irritado e saí dali.
– Luke, volte aqui garoto!! — berrou ela ao longe.
Logo duas pessoas aparecerem e começaram a chorar sobre o corpo de Dakota, supus ser os pais deles. Se Thalia estava machucada Dakota estava mais. O garoto tinha hematomas pelo corpo todo, o a boca tinha um corte longo e com sangue seco ali, a roupa dele estava chamuscada e as mãos toda esfolada. Dakota estava branco como.. ah sei la, branco como o branco. Logo ouvi uma voz histérica atrás de mim.
– Luke, o que houve com Thalia? Cadê a minha filha???? — disse Hera com a voz meio alterada e em prantos.
Zeus estava do seu lado sério, sem demonstrar qualquer tipo de emoção. Invejei ele naquele momento por mascarar todo o pavor e a agonia que ele estava sentindo. Jason estava mais atrás na ambulância conversando com o mesmo loiro que me informou sobre o estado de Thalia. Piper, Percy e uma Annabeth quase morrendo de tanto chorar estavam com ele. Ártemis e Apolo estavam confortando Hera.
– Ela esta muito mal, eu tenho medo do que pode acontecer. — eu disse tentando não chorar.
Hera pareceu chorar mais ainda. Apolo falava para ela se acalmar e tudo mais. Ártemis também pedia aquilo embora estivesse chorando bastante. Eu ouvi a sirene da ambulância e logo Jason apareceu.
– Levaram a minha irmã pro hospital. — disse ele.
Annabeth veio correndo me abraçar.
– Luke, eu tenho tanto medo. — ela disse em prantos.
Não resisti, comecei a chorar.
– Eu também Annie, eu também. — disse acariciando o seu cabelo.
Ficamos abraçados enquanto os outros conversavam e Hera chorava. Três minutos depois a tal de Celeste Skeeter apareceu com a sua assistente/filha. Bufei.
– Annie, vamos para o hospital ok? Vou pedir para Percy dirigir, quem mais me parece com condições para isso hoje é ele. — eu disse soltando o abraço.
Annabeth assentiu. Pedi para Percy nos levar até la e ele concordou. Apolo e Ártemis resolveram vim junto porquê entrevista não era o forte deles. Logo quando chegamos na Ferrari de Percy, Annabeth preferiu ir atrás comigo. Não discordei mas senti um tom de ciúmes e raiva quando Percy concordou. Qual é, apesar de Annie ser bem gostosinha ela é como uma irmã pra mim. Não como Bianca é para Nico, como uma irmã mesmo já que meu pai insiste em apenas ter filhos homens. Apolo foi na frente com Percy e Ártemis ficou no banco de trás. Não foi uma tarefa muito legal, duas mulheres chorando por alguém e você também estar triste pela pessoa não é bom. É horrível dizer que tudo vai ficar bem para alguém quando você entende ela, você entende que passa várias vezes na sua cabeça "e se não ficar bem?". Logo chegamos ao hospital. Fiquei naquela salinha de espera na frente da UTI. Fiquei la por um bom tempo.
4 meses depois.
Quinta-feira, 13h.
Los Angeles, Califórnia.
21°, clima chuvoso.
Eu não aguento mais, faz um bom tempo desde o acidente com Thalia. É torturante ter que ficar dia após dia esperando alguém que você ama acordar de um coma, fica na sua cabeça a pergunta "e se ela nunca acordar?". É torturante. Thalia saiu da UTI umas 2 semanas depois que chegou aqui. Eu vou poder ver Thalia novamente hoje. Depois que Lee apareceu na frente do quarto dela me levantei do banco onde eu estava deitado. Quem é Lee? Lee Fletcher, o médico de Thalia desde a ambulância. Ele sorriu brincalhão vendo a minha animação pra hoje, sei la, ultimamente eu andava desaminado, talvez seja um pressentimento para hoje. Entrei dentro do quarto de Thalia e logo Lee fechou a porta nos deixando a sós. O quarto dela tinha várias rosas deixadas por Hera, rosas brancas por Zeus, algumas rosas vermelhas deixada por Percy, Nico, Bianca, etc... Annabeth deixou margaridas e bombons porém xingou eu e Percy quando comemos.
– Hey Thals, nós temos pouco tempo hoje, como sempre. Desculpe por não trazer lótus, que são suas flores preferidas, não tinha na floricultura hoje. Trouxe miosótis, espero que não se importe. — comecei a falar e deixei o vasinho da flor azul aonde ficava as milhares flores que deixavam para Thalia. Sinceramente, o lugar parecia um floricultura.
"Sabe Thals, quando Anne trouxe as margaridas pra você ela me contou que uma menina do clube do livro la do colégio que é viciada em flores deu um livro para ela ler sobre flores e ela acabou decorando tudo sobre flores. Resolvi ler também afinal queria saber a flor certa para dar pra você. Descobri que miosótis significa fidelidade, amor-verdadeiro e recordação, também ela é conhecida como não-me-esqueças. Resolvi trazer pra você porquê o Lee me disse que há casos de esquecimento nos comas. Tenho medo que isso aconteça com você, que você não se lembre de mim, eu tenho medo Thals, eu nunca admiti de verdade pra ninguém mas meu maior medo é perder você, perder o seu amor. — disse deixando as lágrimas escorrerem. — Nossa, eu estou bem idiota chorando, não Thals? Eu sou um idiota na verdade, um completo idiota por ter deixado você escapar de mim, se eu tivesse sido um tanto menos idiota você não estaria aqui agora. Se você acordasse eu prometo que seria bem menos idiota, Thals."
Mordi a ponta do lábio inferior e fechei os olhos deixando as lágrimas escorrerem. Eu estava sentado na cama de Thalia segurando a mão dela como eu sempre fazia. Thalia continuava imove.
– E eu prometo não esquecer você. — disse uma voz fraca.
Abri os olhos e Thalia continuava de olhos fechados mas com um pequeno sorriso no rosto. Não consegui evitar de abrir um sorriso.
– Thals? — perguntei e com a outra mão belisquei o meu braço com medo daquilo ser mais um sonho.
Eu sonhava com aquilo à quatro meses, não poderia ser mais um sonho.
– Você vai ser menos idiota mesmo? — perguntou ela ainda com a voz fraca.
Sorri.
– Prometo Thals, eu prometo. — disse ainda sorrindo.
Thalia apertou a minha mão. Ela continuou com o sorriso no rosto por mais alguns segundo para logo depois abrir os olhos. Os seus olhos azuis da cor do céu de ficaram me encarando com um brilho. Sorri mais ainda.
– Ah como eu senti saudades de você Thalia. — disse e a beijei.
Foi um beijo terno e calmo, Thalia retribuiu o primeiro em mais de quatro meses. O beijo durou pouco.
– Luke, eu devo estar horrível. — lamentou ela.
– Você é linda Thals, sempre vai estar linda. — disse colocando uma mecha do seu cabelo para trás da orelha.
– Nossa, eu estou parecendo a Silena. — lamentou-se ela novamente. — Cadê o meu pai e minha mãe ou eles estão muito ocupados?
– Seu pai esta trabalhando e sua mãe foi descansar. Eu, Annie e sua mãe ficamos revezando para dormir no hospital. Não podíamos dormir aqui com você então dormíamos la fora. Seu pai fica aqui às vezes só que ele também tem que comandar o colégio já que seus tios nem dão bola para ele. Jason não fica aqui mas ele vem te visitar muito ok? Só que ele prefere a cama dele ou a da Pipes do que alguns banquinhos de hospital. — disse brincalhão enquanto acariciava a mão de Thalia.
– Nossa, nunca esperei meu pai dormindo no hospital por minha causa. — ela disse erguendo as sobrancelhas em tom de surpresa.
– As coisas mudam, Thals. — afirmei.
– E Dakota? — perguntou-me ela.
– Ele morreu. — respondi amargo.
– Eu sinto muito. — ela disse um pouco triste.
– É, todos sentimos, Thals.
Ficou um clima tenso depois daquilo e logo me lembrei de Lee.
– Eu já volto, não durma Thals. — eu disse sorrindo e ela apenas assentiu.
Sai do quarto de Thalia e procurei Lee. Depois de bastante procura-lo pelo hospital finalmente o achei.
– Lee, aleluia cara, Thalia acordou. — declarei chegando perto dele enquanto ele conversava com uma garota.
Ela era ruiva, tinha olhos cinzas como o de Annabeth, com o rosto cheio de sardinhas, usava uma calça jeans preta e uma regata cinza. Uma mistura de Rachel e Annabeth.
– Sério? — perguntou-me ele animado. — Desculpas Sasha mas eu preciso ir. — disse ele dando um selinho na ruiva.
Ela pareceu meio chateada mas apenas assentiu. Ele veio ao meu encontro e fomos meio caminhando meio correndo para o quarto de Thalia. Entramos no quarto dela e ela estava de pé observando algumas rosas com um cartão. Thalia usava aquelas camisolas de hospital e a bunda dela aparecia um pouco. Dei uma risadinha ao observar. Cheguei perto dela e disse:
– BU!
Thalia deu um pulo.
– Luke, seu bastardo miserável, Deus, esta louco? — disse ela me dando alguns tapas e gritando.
– Uh, calminha Thals, aliás, bela bunda. — disse segurando os pulsos dela com pouca força pra não machuca-la.
Thalia corou. Lee pigarreou e olhei para ele.
– Desculpe interromper o casalzinho mas preciso examina-la. — disse Lee rindo e fazendo aspas com os dedos quando falou casalzinho.
Eu e Thalia rimos. Era mágico ouvir ela rindo, eu não ouvia aquela risada há muito tempo, eu amo Thalia, ela me ama e está bem, tudo está bem.
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