Sevenfold Dead.

1 Capítulo 1 - Its your fuckin Nightmare.


Notas iniciais
Ta aí o primeiro capítulo pessoal, espero que gostem. Se esse for o caso, deixem Reviews porque só assim vou saber se a Fic está boa e postar o resto. Críticas e sugestões são bem vindas também, não tenham medo me malhar o Judas se for preciso. <3

A plateia delirava. Todos cantavam junto à música que tocava, e ele acompanhava a voz do amigo Matt com as batidas de suas baquetas nos tambores. O show já durara por horas, tantas, que havia perdido a noção do tempo. Não sabia mais por quanto estivera ali, tocando, tocando e tocando. A música alta que saia de dentro das caixas de som ao seu lado parecia estar ensurdecendo-o. — Os gritos e aplausos das milhares de pessoas a sua frente estavam desaparecendo vagamente. — E em alguns minutos, o silêncio.

Now your nightmare comes to life…

( Agora seu pesadelo ganha vida… )

Silêncio completo e errado. Bizarro. As faces da plateia moviam-se, gritavam, mas nenhum som podia ser ouvido. A luz dos holofotes clareava os corpos de seus amigos, suas bocas podiam-se ver em pleno movimento. Mas nenhum som era ouvido. Nada. Nem um mínimo cochicho.


As suas mãos soltavam as baquetas, e iam de encontro com as orelhas. — Mas nenhum som pôde ser ouvido. — Não entendia o que estava acontecendo. Não podia. Ninguém falava nada, ninguém podia falar nada. Ninguém podia explicar o que estava acontecendo. — Fechou os olhos, só podia estar tendo outro pesadelo.

Dragged ya down below down to the devil's show…

To be his guest forever...

( Arrastado para baixo até o show do diabo...

Para ser seu convidado para sempre... )

Então finalmente ouviu um baque, alto e sonoro. Sentiu como se seu corpo estivesse caindo por um mero segundo, e uma sensação ruim invadira seu corpo. — Seus olhos ainda fechados, apenas voltaram a se abrir quando seus pés tornaram a tocar o chão, em uma falsa segurança. — E a surpresa.

O silêncio agora desaparecera, dando lugar aos aplausos. Ou melhor, o aplauso. Único, vago e desanimado. Cínico, talvez. Soava fraco e lento, ao fundo de um lugar desconhecido. Longe, como se houvesse apenas uma, e apenas uma pessoa assistindo ao enorme show, que a pouco estivera acontecendo naquele palco, agora praticamente vazio.


Deu alguns passos em direção aos aplausos, que pareciam vir da plateia vazia. Estava escura, e não se podia ver quem estava ali. Mas sabia que agora estava mais perto. O som das palmas parecia aumentar gradativamente, à medida que se aproximava. — Deveria estar indo na direção certa. — Mas será que queria realmente encontrar o que procurava?

Peace of mind is less than never…

Hate to twist your mind, but God ain't on your side.

( A paz de espírito é menor do que nunca...

Odeio distorcer sua mente, mas Deus não está ao seu lado. )

Aproximava-se da beira do palco, onde a escuridão tornava-se ainda mais evidente. Não era possível ver um palmo a frente, apenas conseguia ouvir os aplausos. — À medida que se aproximava, eles pareciam animar-se um pouco mais. — Sua respiração agora estava rápida, assustada. Não tinha mais certeza se queria seguir em frente. Estava com medo do que podia encontrar.

An old acquaintance severed...

Burn the world your last endeavor.

( Uma velha crença dilacerada...

Grave no mundo seu último esforço. )

Mas também não tinha mais para onde ir. O que lhe restava, a não ser descer? Um último esforço, talvez para encontrar uma resposta. Dobrou os joelhos e saltou de onde estava, em direção à escuridão. Seus pés tremendo e suas pernas mal se aguentando em pé, tocaram o chão com certo esforço.


E o palco desapareceu às suas costas, como se nunca houvesse existido lá. Tudo estava tomado pela escuridão agora, e a única coisa que tinha certeza era de que estava ainda mais perto dos aplausos. — Arriscou mais um, dois, três passos à frente. — Agora estava caminhando em direção ao desconhecido, andando sem rumo em meio à escuridão. As mãos estendidas à frente do corpo, como se tentassem o proteger do que estava por vir.

Flesh is burning, you can smell it in the air,

'cause men like you have such an easy soul to steal

( ...Cinzas queimando, o cheiro está no ar

Pois homens como você tem uma alma tão fácil de roubar. )

Um estranho e extravagante odor tomou conta de seus pensamentos, fazendo-o estancar onde estava. Abaixou os braços trêmulos para virar-se, quando notou que a escuridão havia desaparecido. — Estava parado agora em um lugar vagamente conhecido, esquecido pelo longo tempo em que passara sem visita-lo. — As lápides do cemitério rangiam com as rajadas fortes de vento, que traziam consigo aquele cheiro.

You should have known, the price of evil..

( Você deveria saber o preço do mal.. )

O corpo tremulo, a mente relembrando o acontecido. O coração martelando acelerado, não podia esquecer o que havia ocorrido. — Seguiu as cinzas que dançavam a favor do vento, em direção à nuvem de fumaça cinza que pairava sobre o tumulo em chamas. — Passo após passo, aos poucos sentia os pulmões reclamarem da aproximação. — Ofegante, parou diante ao corpo que ardia em chamas, regado em sangue sobre a lápide guardada pelo anjo de mármore.

..While your nightmare comes to life..

(..Enquanto seu pesadelo vem à vida..)

Agora a luz havia finalmente vindo. — Não precisava que mais ninguém o contasse o porquê daquilo. — Afinal, apenas ele conhecia aquela velha história. Aquele velho pesadelo, que a muito não recordava. — Não queria recorda-lo. Não queria que ele voltasse a ganhar vida, e assombrar suas noites com a torturante memória escondida.


O peito arfava desconcentrado, os músculos rangiam pelo tremor. Pelo medo. O rosto brilhava pelo suor exagerado, que descia descontrolado pela pele. A visão do corpo em chamas parecia tão real, tão cruel, que não aguentaria mais nem um segundo fitando-o. Desesperado, virou-se e deu as costas a cena. Os passos voltaram a agitar as folhas secas, que relembravam perfeitamente aquela tarde triste e cinza de Outono.

..Can't wake up in sweat, 'cause it ain't over yet..

( Não pode levantar suando, porque ainda não acabou.. )

Queria que aquilo acabasse. Não queria lembrar-se. — Depois de tanto tempo, porque tinha que voltar ao passado, para ser assombrado? — Havia passado. Era só. Mas os demônios daqueles tempos pareciam não se cansar. Estavam dispostos, dispostos a tortura-lo pelo seu erro. Não o deixariam livre tão fácil assim, depois de tudo que havia feito. — “Mas eu era apenas um menino.”


Os uivos do vento pareciam ainda mais fortes agora, e uma fina garoa tomava conta da cena. Limpando o suor de seu rosto, deixando as feridas ainda mais evidentes. — Feridas de alguém que ferira. Matara. Para seu próprio bem. — Um acordo irrecusável, proposto pelo próprio Diabo.

You should have known, the price of evil..

( Você deveria saber o preço do mal.. )

Deveria saber. Deveria ter pensado. Aquilo não acabaria bem, não importava o quanto tivesse ganhado. — Aquela voz que gritara, na triste noite chuvosa de Outono, desesperada e amedrontada. Sem ninguém com quem contar, temendo a todos. Com seu destino nas mãos de outra pessoa.


Mas agora não parecia mais assustada. — Ela própria que o assustava.

Die. Die again. Drenched in sin,

With no respect for another Down,

Feel the fire, Feel the hate,

Your pain is what we desire.

( Morra. Morra de novo. Encharcado em pecado,

Sem respeito por outro. Sinta o fogo,

Sinta o ódio! Sua dor é o que desejamos. )

Podia sentir o desejo de vingança que o chamara até ali. Que o atraíra, em uma astuta armadilha. Os aplausos, os risos, as ameaças silenciosas que eram sussurradas pelo vento em seus ouvidos. — Apressou os passos. Tinha que sair dali. — Sem olhar para trás, tinha medo. Sabia que ela estaria ali o vigiando.


Ressuscitada pelo próprio Diabo, para fazer sofrer quem a fizera primeiro.

And I know you hear their voices,

And I know they may seem real,

But our life's made up from choices..

( E eu sei que você ouve a voz deles,

E eu sei que eles podem parecer reais,

Mas a nossa vida é feita de escolhas.. )

O calor do fogo deixado para trás parecia persegui-lo. Sentia esquenta-lo, como se ele mesmo estivesse pregado na lápide. — As pernas começavam a apressarem-se ainda mais, correndo. Arfando. Destruindo folhas secas pelo caminho. — Mas não conseguia livrar-se do calor.

Então os joelhos cansados finalmente chocavam-se contra o gramado seco. — Não conseguia mais continuar. — Tudo queimava, a visão embaçava. As mãos apoiadas como sustento à frente, imploravam pelo descanso.


E a voz continuava a sussurrar em seu subconsciente. Astuciosa, pervertida. Estava se divertindo com seu temor. Estava o fazendo passar pelo mesmo que passara, fazendo-se o carrasco do carrasco.

Ele implorava, assim como havia a ouvido implorar-lhe pela vida. Gritava, desesperado. O fogo tomando conta de seu corpo, queimando e desfigurando. Absorvendo-o entre as chamas, até que nada restasse. Até que apagasse. Até que sua vida fosse levada, para onde deveria estar a muito tempo.


Tudo fazia sentido, sabia que merecia. Mas não queria. — Os gritos tornaram-se ainda mais altos, as suplicas ainda mais humilhantes. — Até que alguém finalmente as ouvira. — Seu corpo foi puxado, arrastado do show do Diabo. A consciência voltava, distorcida. Os vultos a sua volta pareciam acolhedores, conhecidos. Até mesmo as vozes, pareciam melhores, amigas.

— Jimmy! Levanta cara, o que está acontecendo?!

Mas não foram o bastante para evitar que voltasse a escuridão. A visão desesperada de Matt fora desaparecendo, junto com sua consciência, mais uma vez.


E o pesadelo recomeçara, no mesmo palco, na mesma escuridão, com os mesmo sínicos aplausos.

.

Notas finais
Eai, mereço Reviews? *-*''
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.