Seven Warriors
22 Quero justiça e compaixão pelos seus erros - parte 5
Notas iniciais
Dylan escutou as palavras de Arya e suspirou ao perceber que ela tinha razão. Ele ainda estava com certo ressentimento de Adrien e não achava que as desculpas do rapaz estavam sendo o suficiente para aliviar o sentimento negativo, porém, ele tinha apenas duas escolhas naquele momento: ficar com raiva para sempre e separar seus caminhos ali mesmo, seguindo sua vida e indo atrás de sua própria memória sem ajuda nenhuma, ou, aceitar que aquele sentimento estava ali e tentar ignorá-lo até o ponto que ele iria sumir sozinho.
Ao ter essas duas opções em sua mente, ele se lembrou de uma lição que sua mãe o havia ensinado em certo ponto quando ele tinha brigado com um professor no último ano da escola e estava pensando em abandonar os estudos. Naquela época, ela o encarou bem de frente, com os olhos vívidos e dourados e disse: “Você não pode tomar alguma decisão da sua vida, ainda mais uma tão importante, baseada em um sentimento que você está sentindo agora, nesse momento. Sentimentos vem e vão, eles não fazem parte de você. Você fica feliz, está triste, fica magoado, está melancólico, mas você não é nenhuma dessas coisas. Esses são estados mutáveis e transitórios da gente, mas não é a gente. E você quer mesmo basear alguma decisão em algo que é somente passageiro? ”
Ele estava com raiva de Adrien sim, ele estava com ressentimentos de Adrien sim, mas isso era apenas um estado de emoção temporário. O que então, de fato, ele sentia de forma fixa pelo outro? Ele não sabia responder, porém, sabia que não podia ignorar uma lição tão valiosa que sua mãe o ensinara.
― Eu preciso ir atrás dele. ― disse decidido, virando-se para as meninas que pareciam apenas concordar, apesar de se olharem confusas.
Dessa forma, assim que deu os primeiros passos para longe dali, na direção que o outro rapaz tinha ido mais cedo, ele foi interrompido por uma voz masculina e grave que o atingiu por trás:
― Aonde você vai? ― perguntou, Dylan se virou rapidamente avistando o loiro exatamente no local de onde ele havia saído.
― Eu ia atrás de você... onde estava? ― questionou, se aproximando com o olhar em uma mistura de preocupação e curiosidade.
― Procurando um lugar para dormirmos. ― disse de forma direta ― Não encontrei nenhum hotel com vagas aqui na região, mas me informaram que perto daqui existe um camping, e acho que é o suficiente pra nós hoje. Está bom para você?
― Eu...sim... ― Ele parecia desconcertado, pois tinha pensado que o outro se afastara devido a irritação anterior.
― Vocês duas. ― Adrien direcionou os olhos azuis sérios as duas meninas sentadas no banco ― Vocês apareceram do nada, mas ainda não entendi o que estão fazendo por aqui, além de tentarem me matar. ― A indireta claramente era para Arya.
― O que você acha que viemos fazer aqui? ― disse a loira enquanto se levantava, parecendo quase agressiva.
― Eu realmente não sei.
― Você realmente não sabe? ― ironizou enquanto revirava os olhos ― Você sabe quem eu sou, certo, Adrien?
― Arya... não brigue... ― choramingou Norah, forçando as sobrancelhas em uma expressão de claro contragosto.
― Eu não vou brigar! ― disse Arya quase rosnando, porém, interrompendo o rompante para um suspiro longo, como se tentasse controlar os sentimentos ― Eu só não consigo entender como você conhece a gente há tantos anos e ainda não percebeu o que viemos fazer aqui!
― Estamos aqui para ajudar. ― esclareceu Norah, tentando interromper algum mal-entendido.
― Eu não preciso de nenhuma ajuda. Isso só vai prejudicar vocês. ― ponderou ele de forma clara, parecendo não querer prolongar o assunto.
― E quem você acha que é para decidir se isso vai prejudicar a gente ou não? A sua mania de tentar proteger todo mundo ainda vai te deixar sem ninguém ao seu redor.
― Isso não é algo que me preocupa. ― declarou o loiro de forma singela, afastando o olhar em seguida.
― Mas não me importa se você se preocupa ou não. ― Arya voltou a argumentar, dando alguns passos para voltar ao campo de visão do outro ― Isso não é sobre você!
― Eu sei que isso não é sobre mim! ― vociferou Adrien, parecendo perder levemente a compostura. A atitude surpreendeu Dylan, que agora parecia extremamente alerta na conversa, mas ainda sem proferir nenhuma palavra. ― Mas eu lido com essa situação sozinho há alguns anos sem problemas, não há necessidade de ajuda!
― Sem problemas? ― Arya parecia ter perdido completamente a calma com aquela frase e quase avançou no loiro, sendo interrompida por Norah que se colocou entre os dois.
― Arya! Esse não é o momento de você brigar com ele!
― Ele disse que está lidando com essa situação sozinho há anos sem problemas, Norah! ― berrou a loira, sem desviar a atenção ao rapaz a sua frente ― Sem problemas! Então me diga, Adrien, a morte da minha irmã hoje foi o que? Estava dentro dos seus planos?
― Arya! ― gritou Norah ao que ouviu a provocação da outra.
Pela expressão azeda que desenhava o rosto de Adrien naquele momento, era possível notar que aquela frase o havia atingido de uma maneira quase cruel. Após acompanhar a situação em silêncio, Dylan apenas suspirou e se aproximou de todos em passos lentos, direcionando seu olhar para a loira, iniciando de forma calma:
― Não diga algo assim. ― ponderou ― Ele pode ter muitos defeitos e ter cometido muitos erros, alguns que eu mesmo não estou conseguindo aceitar. ― Ele suspirou para continuar ― Mas eu vi a expressão de terror no rosto dele quando percebeu que minha mãe tinha decidido morrer ali, mesmo que naquela hora eu mesmo não tivesse entendido aquilo. Além disso, ela disse para eu confiar a minha vida nele e ela não falaria isso de alguém que não fosse no mínimo uma ótima pessoa.
Ao finalizar, ele lançou um olhar compreensivo a Adrien que o encarava de forma quase perplexa, como se estivesse extremamente confuso com o que tinha acabado de escutar. Dylan apenas suavizou o olhar e deixou um sorriso discreto se formar em seus lábios finos. Aquele era um claro sinal de que, apesar de ainda estar com raiva do outro rapaz, ele tinha escolhido confiar no outro e, provavelmente, jogaria os ressentimentos para baixo do tapete por hora, quase que em respeito à memória de sua mãe.
Ele não sabia se o loiro teria a sensibilidade de perceber aquilo somente com aquela atitude, mas ao reparar uma respiração quase aliviada saindo de seus lábios e o desmanche parcial da expressão dura que o outro carregava, ele notou que seu recado havia sido recebido da forma correta. Então, voltou o olhar para as garotas a sua frente, observando Arya negar instintivamente com a cabeça, antes de retomar:
― Você não entende. ― iniciou ela ― Eu sei que ele é uma ótima pessoa! O problema é que ele é muito teimoso e não aceita fazer as coisas em equipe da forma como devem ser feitas. Essa mania de querer fazer as coisas sozinho para proteger os outros... eu sempre odiei isso em vocês dois!
― Em nós dois? ― perguntou Dylan, parecendo confuso.
― Sim, vocês são as pessoas mais opostas e ao mesmo tempo mais iguais que eu já vi. ― analisou ela, pouco antes de voltar a atenção a Adrien e o encarar com os olhos extremamente claros e faiscantes ― O ponto aqui é que eu vou ajudar, você querendo ou não. Você tirou a minha escolha de ajudar nessa situação toda há anos atrás e não vai fazer isso de novo. Minha irmã escolheu morrer por essa causa e isso já é motivo suficiente para que eu quisesse arriscar minha vida pelo mesmo, não é? Mas ainda além disso, mesmo se isso não tivesse acontecido, eu iria querer ajudar, porque ele é meu melhor amigo e você está cansado de saber disso.
Ao ouvir novamente o título de “melhor amigo”, Dylan voltou a ter um sentimento caloroso sobre a mulher a sua frente, que parecia ser uma das pessoas mais determinadas que ele já vira na vida, apesar da aparente agressividade. Além disso, ela parecia uma cópia mais jovem de sua mãe, o que por si só já trazia quase um abraço ao seu coração.
― Certo, já vi que não vou conseguir discutir. ― concluiu Adrien, pouco antes de se virar para Norah, que estava observando toda a cena com extrema atenção ― E você, qual é o seu argumento?
― Nós somos um time. ― pontuou ela de forma sucinta ― Não existe argumento melhor do que esse, nós temos um código.
― O código não entra aqui. ― retrucou Adrien, parecendo incomodado.
― Quando todos nós aceitamos ser guerreiros, concordamos que o código entraria em todas as áreas de nossas vidas, principalmente aquelas que envolvem ajudar algum outro do nosso time. Por sinal, não imagino uma situação melhor do que essa para fazer valer o código. ― discursou Norah com a voz suave e um leve sorriso no rosto ― Não tem debate aqui, nós somos um time, onde você arrisca sua vida, eu arrisco também, onde ela entra na batalha, eu entro também, onde ele precisa de ajuda, eu estarei lá para ajudar.
― Vocês duas... ― iniciou Adrien, parecendo derrotado ― Ok então.
Dylan observara toda a cena se sentindo meio deslocado, porque por mais que entendesse que ele estava sendo citado na conversa e que ele era o motivo do discursão, ainda se sentia fora de eixo. Primeiro porque percebia que havia uma história por trás daquilo, uma história que todos eles viveram, incluindo ele próprio, e que ele não estava conseguindo captar porque não se lembrava. Também sentia-se confuso ao que eles citaram o “código”, pois sabia que aquilo parecia ser importante para eles, e provavelmente para ele também. Dessa forma, iniciou:
― Eu tenho algumas dúvidas sobre isso tudo que aconteceu.
― Pode perguntar. ― disse Adrien.
― Então... quando vocês falam de time, o que querem dizer? A gente meio que luta junto? Onde estão os outros? Deveríamos ser sete, correto? Outra coisa, você mencionou um tal de código, o que seria isso? Uma espécie de código de conduta? Quando vocês vão me explicar do que se trata? Além disso, quando você disse que vai ajudar, é em que exatamente?
Ao ouvirem o montante de perguntas, tanto Arya quanto Norah não conseguiram segurar algumas risadas sinceras que foram acompanhadas pelo olhar ainda confuso de Dylan. Dessa forma, a loira virou-se para Adrien:
― Você realmente tirou a memória dele? Como pode ser tão igual?
― Eu não sei, algumas coisas simplesmente nunca vão mudar.
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