PARK JIMIN

"Ódio e amor caminham lado a lado, e é por isso que eu sei distinguir o que você sente por Jeon Jungkook e, acredite, Jimin, isso é amor."

É, como eu queria poder dar na cara do meu melhor amigo por ele ter afirmado isso, algo que na verdade é uma afronta contra mim. Como pode eu, Park Jimin, amar Jeon Jungkook? Isso é impossível, para não dizer que é uma ofensa.

— Se pensamentos matassem, Hoseok já estaria enterrado. — Murmurei para Yoongi, que sorriu de forma debochada.

— Sente ódio de ouvir a verdade? — esqueci o quão afrontoso Yoongi consegue ser.

— Eu deveria imaginar que você fosse apoiar as ideias malucas dele, afinal é seu namorado. — Revirei os olhos, me ajeitando melhor no banco sob a árvore. — Desde quando aquele animal em forma humana merece o amor de alguém como eu?

— Humanos também são do reino animal, caso não saiba. Isso não é um xingamento válido. — Yoongi rebateu, me fazendo ter vontade de rebater um tapa no meio do seu rosto. — Ele não é tão ruim assim, Jimin.

— Tudo nele me irrita. — Revirei os olhos pela décima oitava vez.

Eu sabia o quão certo todos estavam e sabia bem que aquilo era birra minha só porque Jungkook me negou em uma festa três anos atrás. Bom, ele tinha quinze anos e eu estava bêbado. Se fosse o contrário eu também talvez o tivesse negado, mas não muda o fato de que isso não deveria ter acontecido.

E mesmo depois de três anos eu ainda não superei isso.

Eu ainda não superei ele.

— Principalmente seus sentimentos. — Cantarolou em meu ouvido antes de ir atrás, provavelmente, do seu namorado.

— Que amigos ótimos que eu fui arrumar. — Cruzei os braços e fiquei emburrado ali, vendo Jungkook junto com Seokjin e Taehyung, seus amigos. — Três idiotas.

Fiquei tão emburrado que nem percebi quando aquele ser humano terrível — terrivelmente lindo — sentou-se em meu lado.

— Já faz três anos que você ignora a minha existência ou as minhas tentativas de falar com você. Até quando vai continuar com isso? Até quando vai fingir que me odeia?

— Eu não estou fingindo. — Só faltei rosnar. Ele não tinha o direito de ficar ali ao meu lado. — Eu odeio tudo em você, Jeon Jungkook.

— Me diga sete coisas que odeia em mim. — Desafiou, me fazendo bufar. — Não seja infantil, hyung, me diga.

— Seu sorriso. — Foi a primeira coisa que eu disse, já que ele estava sorrindo. — Odeio ele.

— É? — Sorriu mais largamente ainda como se estivesse me provocando, algo que ele provavelmente estava fazendo. — O que mais?

— Seus olhos com esse olhar cínico aí e debochado. — Na verdade seu olhar era doce e fofo, mas eu não daria esse gostinho a ele.

— Cínico e debochado? — Riu ele, sentando mais perto de mim. — Isso é divertido. Diga mais. Diga tudo.

— Seus amigos, eles são uns idiotas. — Murmurei. — Esse seu cabelo é uma bagunça também. Seu jeito me incomoda. Suas roupas são horríveis.

Eu nunca percebi o tamanho daquelas mentiras até contá-las em voz alta. Eu que sou ridículo.

— Faltou uma coisa. Você só disse seis.

— Só existem seis. — Murmurei incomodado, nervoso.

— Mas você disse que odeia tudo em mim. Deve ter mais coisas. — Ele claramente estava me provocando e tal constatação me incomodou ainda mais. — Me diga, hyung, o que mais você odeia em mim?

— MEUS SENTIMENTOS! SATISFEITO? — Levantei com uma fúria sem igual, não medindo a altura que minhas palavras saíram.

Apenas sei que corri dali porque não tinha coragem o suficiente de lidar com o fato de ter dito aquilo para ele. Não. Eu deveria ter saído de perto assim que ele se aproximou. Deveria ter ido para longe, o mais longe possível. Deveria nunca ter falado com ele.

Deveria não ter me apaixonado.

Me escondi embaixo da arquibancada que ficava na quadra da escola. Era o lugar mais seguro possível, ele nunca me encontraria ali.

Ou assim eu pensava antes de ter alguém me abraçando por trás, o que me deu um susto desgraçado, por conta do qual eu talvez tenha dado um gritinho nada másculo.

— O que você quer? Eu já falei o que você tanto queria ouvir. — Quase gritei, mas não me importei com isso.

— Você não me odeia, Jimin. — Voltou a se aproximar, me puxando pela cintura e tirando de mim o pouquinho de sanidade que me restara. — Você odeia o quanto eu bagunço seus pensamentos, você odeia o fora que eu te dei três anos atrás, você odeia o quão apaixonado é por mim. Mas, sabe de uma coisa? A culpa é toda sua.

— Minha? — O olhei incrédulo.

— Sim, sua. — Botou uma mecha do meu cabelo para trás, me fazendo encarar aqueles olhos profundos. — Você estava bêbado na festa, eu seria apenas mais um e no dia seguinte você nem mesmo iria se lembrar. Eu tentei conversar com você, mas percebi que eu não valia nada, afinal você apenas me ignorou. Fiquei mal por meses, já que eu gostava de você. Só que eu desisti, porque seria impossível correr atrás de alguém que só fugia.

— Eu não... eu... — Fiquei sem palavras.

Segurei com força em seus braços ao mesmo passo que ele apertou com mais força minha cintura.

— E então eu percebi que seria impossível me desapegar de sentimentos, porque o que eu sinto por você é mais do que verdadeiro. Será que não percebe? Eu sou tão apaixonado por você quanto você é por mim. — Meu queixo foi ao chão, tenho certeza. — Então, por pelo menos um dia, pare de numerar a quantidade de coisas que odeia em mim e passe a ver as coisas que você gosta.

Eu queria fugir para pensar, mas como ele disse eu já fugia há três anos e não podia mais adiar algo inevitável.

— É, você não está errado. — Eu e meu orgulho, que me fazia falar ao contrário do que dizer diretamente o que eu queria. — Mas não muda nada.

Ele sorriu ladino e aproximou mais seu rosto do meu, deixando nossas respirações se misturarem. Eu não queria ceder, porém minha paixão por aquele que eu dizia odiar era absurda e eu sabia que não podia me afastar nem que desejasse muito. Além do mais, ao encarar seus olhos eu soube que estava tudo perdido.

Foi por isso que eu apenas o puxei pela nuca e acabei com o maldito espaço. Eu esperava aquele beijo há mais de três anos, seria ainda mais idiota se eu ignorasse essa vontade louca que sentia há tanto tempo.

Minhas pernas pareciam gelatina naquele instante, eu tinha certeza que poderia cair caso ele não estivesse me segurando. Como eu pude dizer que eu o odiava quando na verdade eu o amo? Por tudo que é mais sagrado, eu amo Jeon Jungkook de uma maneira que eu não consigo entender. Eu apenas o quero muito. Como é possível?

Eu não sei como ou quando, mas em um momento que percebi eu já estava com as pernas entrelaçadas em sua cintura, prensado contra a divisória da arquibancada, segurando com força os braços — fortes — de Jungkook.

— Não é melhor assim? — Perguntou-me, deixando sua testa colada na minha. — Não fica bem melhor sem as brigas?

Eu não só assenti como também voltei a beijá-lo.

E, sabe, eu amo tudo em você, Jeon Jungkook. Eu amo o seu sorriso, seus olhos — principalmente quando você sorri —, amo até mesmo seus amigos. Amo seu cabelo, mesmo bagunçado, amo seu jeito despojado, suas roupas. E, principalmente, eu amo você.

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