Notas iniciais
Uma parte da minha vida.
A parte mais complicada até agora... ^^"
Para quem acompanha Lovely Curse desde o começo, aí está a explicação por eu ter ficado tanto tempo sem postar.

Após uma grande frustração: a de não ter conseguido realizar um sonho de infância (algo que dediquei minha vida inteira para realizar), fui prestar vestibular para Medicina. Não é o que eu queria para mim, mas meu pai não me deu tantas opções. Ou eu fazia o que ele queria ou eu me virava sozinha em tudo que fizesse.

Fiz prova em vários lugares e não passei em nenhuma universidade por má vontade. Em uma dessas viagens, dirigi-me para o Sul do país. Já estava cansada de tanta pressão e tanta bronca que ganhei por ser burra. O único incentivo de ter ido para tão distante de onde eu morava foi a possibilidade de ver neve, algo que sempre quis ter o prazer de vislumbrar.

Eu e minha mãe pegamos o avião, depois trem, ônibus e táxi até chegarmos ao hotel. Um percurso realmente cansativo, mas a cidade agradava-me os olhos: limpa, organizada e de bela arquitetura.Pena que não estava na época do frio e não pude ver neve.

Para não perder o costume, fomos andar pelas ruas próximas de onde estávamos hospedadas. Nunca em meus dezoito anos recém-completados eu havia visto tantas pessoas bonitas. Fiquei encantada. Era uma cidade simplesmente surreal.

No dia do vestibular, apesar de encontrar-me em um mar de loiros não me senti estranha. Nem um sequer olhou-me de forma diferente como fizeram meus concorrentes em outros vestibulares. Fiquei realmente grata por isso.

Já na sala, esperando o sinal para a entrega dos cadernos de provas, eu fiquei a observar as pessoas que estavam presentes ali. Grande maioria era de descendência italiana. Havia mais mulheres do que homens. Feito minha análise, sem razão aparente lancei meu olhar para a porta. Imediatamente deparei-me com um par de olhos fitando-me. Sem graça, desviei meu rosto. Olhei para os lados disfarçadamente para ter certeza de que não era para mim que olhavam. Mas não havia ninguém naquela direção, senão eu. Tomando coragem, levantei meus olhos para a moça. Ela realmente estava com os olhos fixados em mim. E sorria. Fiquei desorientada naquela imensidão azul.

Alguns instantes se passaram até a jovem atrás da que me fitava chamou sua atenção, falando algo perto de seu ouvido. Riram e seguiram a fila, desaparecendo de meu campo de visão.

Obviamente não passei no vestibular daquela cidade. Não havia estudado nada durante todo o semestre. Quando estava preparando-me para voltar para casa, perguntava-me se aquela moça havia passado, se prestou para o mesmo curso que eu, se eu a veria quando voltasse para lá novamente.

Passou-se um ano. Foi um tempo em que sofri muitas decepções e mais grave: quase cheguei a me matar. Conheci uma garota três anos mais nova do que eu. Passei seis meses até conseguir pedi-la em namoro. Nunca em toda a minha vida eu havia amado tanto alguém. O relacionamento não durou uma semana e ela pediu um tempo. Sugeri que terminássemos, para que não causasse mais revolta na família dela. Ela não quis; pediu apenas um tempo. Os dias foram se arrastando e eu ficava cada vez mais angustiada. Não sabia o que fazer com esse sentimento. Acabei por escrever uma poesia a ela e fazer um pedido. Um pedido de noivado. Certamente era muito cedo para isso, mas naquela época eu tinha a certeza de que era ela quem eu queria como esposa. Depois de quase dois meses tentando em vão entrar em contato, finalmente consegui achá-la pelo celular. Li a poesia que escrevi e fiz o pedido. Todos meus amigos para quem mostrei o escrito falaram-me que ela não recusaria. Acreditei fielmente nisso. Um erro que nunca mais cometerei...

Ela recusou. Estava noiva de outra mulher. Dei-lhe os parabéns e pedi para que me convidasse para o casamento. Era algo absurdo de ser dito, mas escapou de minha boca antes mesmo de eu perceber o que estava falando. Depois de poucos minutos conversando, ela desligou, pois receberia uma ligação da futura esposa. Naquele instante eu não sentia meu coração; apenas um buraco negro dentro do peito. Estranhei. Não estava com a mínima vontade de chorar, mas precisava contar o que acabara de me acontecer. Liguei para meu amigo de infância e quando ouvi a voz grave do outro lado da linha, desmanchei-me em lágrimas. Eu raramente chorava, mas passei dois meses derramando lágrimas todos os dias. Não aguentava mais aquilo e decidi me suicidar. Engraçado que eu sabia exatamente o que fazer, mas algo me impedia. Meu corpo travava na hora, como se algo invisível me segurasse. Até hoje não sei o que fez isso. Medo eu não tinha.

Descobri posteriormente pela minha irmã que a garota por quem eu pretendia me matar estava me traindo fazia muito tempo. Assim, minha tristeza transformou-se em raiva. Exigi explicações e o que recebi foi: "Não te troquei por falta de bom senso. Tenho vontade de abraçar, beijar e fazer sexo com minha noiva. Não tenho essa mesma vontade com você.". Praticamente eu era a reserva, a cega que satisfazia todos os desejos dela enquanto a outra estava ocupada. O pior foi ouvir que eu levara tudo a sério, que ela falava tudo na brincadeira. Os elogios, os agrados, tudo se tornou mentira para mim.

Um mês depois, um conhecido de meu amigo quis ajudar-me a superar essa situação de coração partido. Conseguiu uma moça que queria ficar comigo. Foi com ela meu primeiro beijo. Fiquei radiante durante dois dias até descobrir que fora uma troca de favores. Ela havia subornado esse conhecido de meu amigo e como ele prometera-me uma garota, ele cedeu ao suborno. Tanto eu quanto ele ficamos realmente indignados. Isso serviu para eu não acreditar em tudo que me dizem: se uma pessoa se interessa por mim, logo penso que há segundas intenções por trás.

Quatro meses após ter meu coração despedaçado, esse conhecido que se tornou meu amigo apresentou-me uma conhecida dele. Marcamos para sair e eu encantei-me com o jeito de ser da moça. Mas fiquei insegura. Afinal, não sou bonita, nem inteligente e não possuo nada que me diferencie das demais pessoas, então por que aquela jovem bonita se interessaria por mim? Tentei buscar respostas com meu amigo. Em vão. Ele não me falava nada.

Exatamente uma semana depois que esse amigo comentou o fato de eu parecer estar apaixonada. Eu não havia reparado nisso. Ele riu e comentou que minha paixão era correspondida. Mal pude acreditar. Era a primeira vez em que eu era correspondida de verdade. Fiquei demasiadamente feliz. Algo que seria interrompido a noite, quando a moça pediu-me desculpas e revelou ter começado um relacionamento com outra por quem tinha interesse fazia tempo. Era de se esperar. Àquela altura eu já havia me rotulado como alguém nascido para morrer sozinho. Simplesmente não tenho sorte com paixões. Para evitar outro momento de recaída, afundei-me na escrita de minhas histórias. Eram meu único refúgio e posso fazer acontecer tudo que desejo nelas. Outro semestre de cursinho perdido, pois não tinha cabeça para estudar. Somente queria livrar-me desse coração cansado e desse mundo idiota que não satisfazia meus desejos (por mais simples que fossem).

Final do ano, fui fazer vestibular novamente naquela cidade da garota de belos olhos. Confesso que não fiquei tão animada quanto eu ficara com a possibilidade de voltar lá. Mas esse meu estado mórbido passou quando pus os olhos naquele lugar. O encanto voltara, fazendo-me esquecer de tudo, principalmente de minha realidade.
Dessa vez, eu e minha mãe fomos além dos arredores do hotel. Pegamos o ônibus e fomos para o Shopping. Não me lembro do que fizemos, apenas lembro-me de fixar os olhos em uma bela moça de olhos-claros. Mas não era a mesma que sorriu para mim um ano antes. Tinha os olhos mais claros e os cabelos castanhos.

No dia seguinte, quando estava na fila para entrar no local de prova, fiquei na esperança boba de encontrar aquela mesma garota de um ano atrás. Obviamente não a encontrei. Não fiquei tão decepcionada quanto pensaria que ficaria. Achar a dona de meu particular céu azul serviu de incentivo para eu continuar tentando passar naquela linda cidade, palco de minhas ilusões.

Naquele dia, há mais de um ano atrás, aquela garota não havia motivos para sorrir para mim. Sorria por algo desconhecido. Eu devia ter devolvido o gesto e desejado um bom dia, mas não o fiz. Como disse antes: estava desorientada com aqueles olhos. Ações valem mais do que palavras, e eu posso comprovar isso por experiência própria. Minha primeira e única namorada, a que me traíra, era poetisa e frequentemente mandava-me mensagens com suas obras. Todas eram lindas, mas agora de nada valem depois de sua atitude. A garota não dirigiu a palavra a mim, mas seu simples gesto hipnotizou-me. Se eu pudesse encontrá-la novamente, gostaria de elogiar a cor de suas íris e, mesmo que não se lembrasse de mim, dizer-lhe:

— Obrigada pelo sorriso daquele dia.

Notas finais
Como podem ver, sou extremamente azarada com relacionamentos... --"
Por isso tenho inveja de quem tem namorada Ç.Ç
E raiva daqueles que tem e a tratam como cachorra Ò.Ó
E esses dias descobri que sou um cupido... Todos, repito: TODOS, que dão em cima de mim conseguem namorada pouco tempo depois (de um dia a uma semana no máximo).
Fica a dica se você for solteiro ;)
RsRs
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!