Seus Olhos
25 Capítulo XXIV
Notas iniciais

Fevereiro de 2021
Alicia se escondeu atrás do muro, analisando as pessoas que ela seguia. Deixou que eles fossem mais à frente. Ela olhou para trás e viu Pedro parado perto da moto dele. Estava a quase um mês seguindo Pedro, esperando que os guardiões do tempo fossem atrás dele. E finalmente eles estavam ali próximos. Ela precisava apenas de Henrique. Mari e Pedro podiam morrer que ela não se importava. Não se importava com mais nada em relação a Pedro, desde que foi procurar sua ajuda.
Se lembrou daquele dia.
— Como assim, Ali? — Pedro perguntou enfurecido com o que acabará de ouvir.
— Aconteceu. Eu não preciso te dar explicações de como as coisas acontecem. Apenas preciso saber se pode me ajudar a viajar no tempo? — Ela encarou aquele olhos castanhos, esperando que ele confirmasse.
— Você enlouqueceu, se acha que vou ajudá-la. — Pedro começou a andar de um lado para o outro da sala.
— Você é o único. — Ela implorou.
— Mas não me importo. Eu prefiro que você morra, a deixá-la ir para o futuro.
Alicia entendia a fúria dele, mas sabia que não precisava de tudo aquilo. Era um caso de vida ou morte.
— Alicia. Por favor, faça o que é mais sensato. — Ele parou de andar e encarou os olhos verdes dela.
— O mais sensato é eu viajar no tempo. — Respondeu confiante.
— Então você vai morrer! — Pedro segurou o braço dela com força.
— O que você vai fazer? — Ela arregalou os olhos para ele.
Ele sabia muito bem o que iria e queria fazer, mas ao encará-la, ele não teve coragem. Soltou o braço dela. Se amaldiçoando por aquilo. Se perguntava porque não teve a coragem de fazer o que sempre desejou em seu intimo.
— Vá embora! — Ele pediu.
— Por favor.- Ela implorou mais.
— Eu não posso ajuda-la nisso, Ali. Se precisar de mim para o que é sensato, estarei aqui para te dar forças. — Ele respirou fundo e encarou novamente aqueles olhos verdes que imploravam por ajudar.
— Não! Você morreu para mim, Pedro. — Ela gritou com ele.
Pedro não disse mais nada, deixou ela ir embora pela porta. E ficou ali sozinho sem entender o porque não conseguiu concluir o seu trabalho.
Alicia viu Henrique e Mari se aproximarem de Pedro. Ele ficou alerta pegando uma espécie de adaga que estava guardado na moto. Mari e nem Henrique se mexeram, pareciam falar alguma coisa, mas Alicia não conseguia ouvir dali.
Ela precisava de Henrique.
Sem ter muito um plano em mente, a jovem correu para cena que estava vendo e todos arregalaram os olhos quando ela se colocou a frente de Pedro.
— Alicia. — Pedro disse confuso.
— Você de novo? — Mari revirou os olhos.
Alicia encarou Henrique e mexeu os lábios em ajuda. Ela esperava que ele fosse bom em leitura labial e Maria não. A verdade era que ela estava se arriscando ali e se agarrando a uma esperança tola de que daria certo.
— Você vem comigo. — Henrique disse indicando o dedo para ela. — Mari cuide desse.
Alicia torcia para que ele tenha entendido o recado. Respirou fundo.
Henrique se aproximou dela e agarrou o braço dela com força a arrastando para longe dali. Quando estavam em uma distância considerável ouviram alguns gritos, mas não olharam para ver o que eram. Apesar de tudo, Alicia sabia que Pedro conseguiria se virar com Maria ou ela esperava que conseguisse.
— O que você está fazendo, Alicia? — Henrique questionou.
— Eu preciso de sua ajuda para saltar no tempo. Ir para onde o Matheus está. — Ela justificou.
— Eu não sei onde o Matheus está. — Henrique balançou a cabeça.
— Ele foi para o seu tempo, se entregar.
— O que?
— Não tenho tempo de explicar. Eu preciso saber se você pode me ajudar? — Ela encarou os olhos verdes dele.
— Por que você precisa ir para o futuro? — Henrique estava confuso.
— Conversar com Matheus. É extremamente necessário, se não eu não estaria aqui. Eu já havia desistido de toda essa loucura de viagem no tempo, mas foi necessário que eu viesse para cá. — Ela forçou um sorriso.
— Alicia, eu não posso levá-la para o futuro só porque você precisa conversar com o Matheus. — Henrique justificou balançando a cabeça.
— Por favor. — Ela pediu.
— Sinto muito.
Alicia suspirou pesado e pegou uma faca que trazia consigo. Assim que ela empenhou a faca para pode atacar Henrique, ele foi mais rápido e desviou do golpe segurando o pulso dela que portava a faca. Ele jogou a faca longe e manteve os braços dela preso para trás.
— Você ficou louca?
— Eu preciso ver o Matheus.
— Você não vai a lugar algum! — Henrique apertou mais os braços dela.
— A solte. — Uma senhora apareceu do nada na frente deles.
Alicia olhou a senhora sem entender quem era ela. Estava usando uma especial de capa que cobria o seu rosto, mas dava para ver os cabelos grisalhos caindo sobre ondas.
— Seu pai me mandou, Henrique. A deixe comigo. — Explicou a senhora.
Henrique olhou para quem ele já sabia quem era. E se questionou onde o pai tava com a cabeça em manda-la para o passado. Mas ele soltou Alicia.
— Agora vá. Vai ajuda a Maria. — Ela ordenou.
Henrique olhou confuso para velha, mas sabia que questiona-lá não traria respostas. Ela só dizia as coisas quando estava afim. Ele deixou Alicia ali sozinha com ela. Com o questionamento impossível rodando sua cabeça, ou era o que ele achava.
— Quem é você? — Alicia perguntou.
— Alguém que irá te ajudar. — A velha sorriu. — Você quer ir para o futuro, não?
Alicia analisou a senhora, se perguntando se podia confiar nela.
— Vamos, você pode confiar em mim.
— Como me garante?
— Logo você vai entender. Eu sei que o que carrega consigo é de extrema importância.
Alicia arregalou os olhos e engoliu em seco. Era impossível.
A velha riu.
— Vamos, minha jovem, não tenho dia inteiro para ficar de pé. — Ela reclamou.
Alicia mordiscou a bochecha. Que outra oportunidade teria? Mas quem era aquela velha que sabia o que ela levava consigo?
— Todos os seus questionamentos serão respondidos em breve. — A velha sorriu e tirou do bolso o dispositivo.
Alicia analisou a mão dela que rodava o dispositivo. Era agora ou nunca. Precisava confiar naquela velha de qualquer forma ou não teria outra forma de ir para o futuro. Ela pegou na mão enrugada da velha. A senhora riu e elas saltaram.
Quando ela sentiu o chão sobre seus pé, viu que estava em um lugar escuro. Olhou para cima, mas não havia céu e tudo continuava preto. Ela ouviu a velha ao seu lado andando para frente e a seguiu, torcendo para não se perde. A velha parou e abriu uma porta de metal e puxou Alicia para dentro.
— Suba as escadas e bata no apartamento 155. É fácil, você já esteve aqui antes. — A velha apertava a mão de Alicia.
— Você vai para onde?
— Você não quer fazer uma velha como eu subir essas escadas, né? — Ela riu. — Tome cuidado minha jovem, muito ainda está por vir.
E a velha foi embora fechando a porta de metal atrás de si e deixando Alicia sozinha no escuro.
A jovem suspirou. Será que era o certo? Ela subiu as escadas e andou pelo corredor mal iluminado, parando em frente a porta 155. Se perguntando se poderia realmente bater, mas não era como se ela tivesse muita escolha. Por que ela esperava encontrar Matheus ali ou iria encontrar outra pessoa. Ou ela iria encontrá-lo na cadeia daquele tempo ou esperava isso.
Ela bateu e fez um barulho horrível.
Alicia respirou aliviada quando viu que quem havia aberto era Matheus.
Ele a olhou confuso. E ela pulou no colo dele agarrando seu pescoço, o abraçando.
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