Seus Olhos
20 Capítulo XIX
Notas iniciais

Dezembro de 2020
Alicia fechou a mochila em cima da cama e colocou nas costas descendo as escadas. Faltava dois dias para o ano acabar e ela mais as amigas haviam decidido irem para uma chácara, com seus namorado. Mel levaria Lucas e Bia levaria Sarah, mas Lici se perguntava se podia chamar Pedro de seu namorado. Acreditava que não, não havia nem rolado um pedido de namoro, mas eles estavam conversando bastante e tinham saído quase todos os dias.
— Pedro confirmou? — Bia perguntou assim que viu amiga na escada.
— Sim. Irei com ele de moto.
— Moto? Uau! — Bia exclamou.
— Não caberia todos no carro, né? — Justificou e largou a mochila no sofá.
Sarah estava ali esperando com elas a Mel mais o Lucas, que viriam com seu pai para poder levá-los até a chácara.
— Lici. — Sua mãe a chamou da cozinha.
— Oi?
— Por favor, diz que vai tomar cuidado. Eu ainda não sei se deveria deixá-la ir para uma chácara só com suas amigas e um homem que você acabou de conhecer. — Elena levou os dedos as têmporas massageando.
— Mãe, você já deixou. Vai ficar tudo bem, você confia na Mel e na Bia e se acontecer qualquer coisa eu te ligo. Confia em mim. — A jovem sorriu pegando as mãos da mãe.
— Você promete? Qualquer problema, Alicia, você deve me ligar, eu vou correndo. Qualquer um. — Ela foi enfática.
A jovem concordou com a cabeça e deu um beijo na bochecha da mãe. Deu um abraço rápido nela e saiu apressada quando ouviu uma buzina do lado de fora. Pegou sua mochila e puxou Bia e Sarah para fora. Um carro vermelho estava estacionado na frente, era Mel e Lucas. As meninas arrumaram suas coisas no porta-mala do carro e esperaram Pedro junto com Alicia. Ele não demorou muito e chegou na moto.
— Olá. — Ela sorriu se aproximando dele.
— Olá. — Ele tirou o capacete e deu um beijo rápido nela. — Vamos?
Alicia subiu em cima da mota e segurou firme na cintura dele. Nunca tinha andado de moto na vida, ainda mais numa viagem longa daquela. Seu coração batia acelerado e ela torcia para que ele não parasse no meio do caminho.
— Está com medo? — Pedro sentia os braços dela o apertando.
— Um pouco. — Ela pegou o capacete que ele oferecia.
— Relaxa. Eu não vou deixar que nada aconteça com você. — Ele colocou o capacete e ligou a moto.
Alicia colocou o capacete dela e voltou a segurar firme na cintura dele.
A viagem foi calma, eles pararam apenas duas vezes porque queriam usar o banheiro. Não sentiram fome, mas compraram água em uma das paradas. Lici foi o caminho todo pedindo para força maiores não a matarem, ela tinha um futuro pela frente. Mas chegaram bem a chácara, que era do pai de Lucas. Ele havia levado eles, mas não ficaria. Voltaria apenas depois do ano novo para levá-los de volta, a casa toda estava abastecida.
Pedro parou e estacionou a moto. Alicia deu um pulo e agradeceu por sentir o chão sobre os seus pés. Ela não havia gostado nem um pouco de andar de moto e não entendia como as pessoas gostavam daquela sensação.
— Foi boa a viagem? — Pedro guardou os capacetes e riu da cara de alivio dela.
— Traz o Lucas na volta, deixa eu ir no carro? — Ela olhou séria para ele.
Ele riu ainda mais da situação, mas negou com a cabeça.
— Por que não? — Alicia resmungou.
— Por que você tem que se acostumar a andar de moto, não acha? — Ele encarou ela e sorriu de canto.
— O que isso quer dizer?
— Vamos descobrir, Ali. — Ele pegou a mão dela e entraram na casa.
A casa tinha cara de casa de vó, os móveis eram de madeira e velhos. As paredes eram de tijolos vermelhos e os sofás tinham uma manta vermelha e amarela por cima, o que dava mais ainda o ar de casa de vó.
Eles se sentaram a mesa redonda de madeira e tiraram um saco de batatinha para fora e começaram a comer. Estavam reunidos para decidir como ficaria a disposição dos quartos. Havia apenas três quartos na casa, todos tinham uma cama de casal e dois tinham mais uma beliche. Alicia sabia muito bem como ficaria a divisão e temia por isso.
— Eu fico com o de cima mais o Lucas. — Disse Mel.
— Eu fico com o outro lá de cima mais a Sarah. — Disse Bia.
Lici e Pedro se entreolharam, não haviam conversado sobre dividir o mesmo quarto, mas imaginavam que isso aconteceria. Alicia só não esperava que aquilo quisesse dizer que eles tinham que transar. Ela não queria pensar naquilo, mas não sabia dizer se estava afim ou não. Bem, ela já havia dividido a cama com outro homem e nada aconteceu. Ela suspirou ao se lembrar de Matheus, fazia alguns dias que não se lembrava dele. Aos poucos, estava começando a esquecer-lo.
— Okay, eu e Pedro ficamos com o de baixo. — Disse por fim.
Todos se levantaram e pegaram suas coisas levando para seus quarto. O quarto de Alicia ficava ali embaixo ao lado do banheiro. Era o único que não tinha beliche e nem banheiro. Ao entrar no quarto viu a cama de casal com lençóis vermelhos no centro do quarto. Havia uma cômoda de madeira ao lado da porta e um quadro de cavalos em cima da cabeceira. Em frente a cama havia uma poltrona, que foi onde Lici colocou sua mochila. Pedro havia trazido apenas uma mochila também e colocou ao lado da dela.
— Você sabe que não precisamos dividir a cama, né. — Ele falou.
— Não é pra tanto, Pedro. — Lici sorriu ao olhar para ele. — Não vou deixar você dormir em um chão frio.
— Tem certeza?
Ele era sempre daquele modo cuidador e compreensivo. Pensou Lici. A jovem concordou com a cabeça e entrelaçou suas mãos na nuca dele, se obrigando a ficar na ponta dos pés devido a altura dele.
— Lembra, vamos com calma, apenas isso. E que o resto o destino se encarregue. — Ela beijou ele.
Ele envolveu a cintura dela e respondeu ao beijo com a mesma intensidade que ela. Suas mãos não queriam mais ficar paradas e começaram a andar pelo corpo dela, subindo sua camiseta. Lici deixou e foi percorrendo o corpo dele com suas mãos, passando por debaixo de sua camiseta e sentindo diversas cicatrizes sobre suas costas e barriga. Estranhou aquilo, mas não queria se preocupar com isso no momento. Seu corpo parecia queimar por desejar mais e mais dele.
Mas eles foram interrompidos por batidas na porta. Eles se separaram e riram um para o outro.
— O destino tá indo rápido. — Lici comentou rindo.
— Assim eu começo a gostar dele. — Ele deu um selinho nela.
— Lici? — A pessoa do outro lado da porta chamou.
— Oi? — Ela respondeu.
Ela se afastou de Pedro e foi abrir a porta. Era Bia.
— Vamos para piscina e queria saber se você tem protetor solar? Esqueci o meu.
— Claro. Entra. — Lici deu espaço para amiga entra.
Lici procurou na sua mochila o protetor e entregou para amiga, pegando logo o seu biquíni roxo com detalhes brancos. Ela sorriu ao passar por Pedro e foi se trocar no banheiro. Vestiu o biquíni e uma saída de praia branca, amarrou os cabelos em um coque e saiu do banheiro. Quando voltou para o quarto, Pedro estava sentado na cama ainda vestido.
— Não vai para piscina?
— Não estou no clima. — Ele forçou um sorriso.
— Sério? — Ela estranhou. — Mas vamos apenas para ficar lá. Não fique aqui sozinho.
— Okay, vou só colocar uma roupa mais leve. — Ele se levantou e foi para sua mochila.
Lici deu de costas e foi se juntar com os amigos que já estavam na piscina, que ficava na parte de trás da casa. Todos estavam dentro da piscina rindo.
— Chegou a maravilhosa. — Gritou a Bia, sempre exagerada.
— Obrigada, princesa. — Lici sorriu e andou desfilando.
As pessoas na piscina riram. Ela se sentou numa espreguiçadeira que havia ali e começou a passar o protetor solar. Logo depois chegou o Pedro, usando uma bermuda e camiseta branca mais óculos escuros. Alicia sabia que ele tinha um corpo maravilhoso, mas porque ele não tirava a camiseta? Se questionou. Seria por conta das cicatrizes?
— Me ajuda. — Ela pediu mostrando o protetor solar para ele.
Ele se agachou e pegou o protetor da mão dela, ela virou e ele começou a passar o protetor por suas costas e ombros. Suas mãos grandes não demoraram para fazer o serviço, mas ele ficou ali um bom tempo apenas a massageando e com uma desculpa para tocar a pele dela.
— Acho que já está bom, não? — Ela perguntou virando o rosto para trás.
— Sim. — Ele beijou o ombro dela e sorriu para ela mostrando as covinhas.
— Eu morro com esse casal. — Disse Bia da piscina. — Vem pra cá vocês dois.
— Vou ficar aqui mesmo. — Disse Pedro.
Alicia se levantou e mergulhou na piscina. A água gelada fez seu corpo tremer, mas logo se acostumou. Passaram a tarde toda ali, viram o pôr do sol mais lindo que já haviam visto aquele ano inteiro e ficaram comentando sobre. Pedro ficou algum tempo ali, até que saiu e foi preparar algo para eles comerem. Assim que o sol se pôs Alicia decidiu sair, já estava igual uma uva passa de tão enrugada. Se enrolou na toalha e saiu, passou pela sala e viu Pedro na cozinha, que era aberta, preparando sanduíches para eles.
— Você perdeu o pôr do sol. — Lamentou Lici.
— Que pena. Eu vejo amanhã.
— Eu espero que você entre na piscina amanhã. — Ela sorriu e foi para o quarto.
Separou as coisas para tomar banho e foi para o banheiro tomando um banho rápido. Assim que terminou foi para cozinha, onde Pedro agora estava sentado a mesa mexendo no celular. Havia apenas eles ali, os demais estavam tomando banho, para poderem lanchar.
— Posso pergunta uma coisa? — Lici o surpreendeu.
— Claro.
— Você tem vergonha das suas cicatrizes?
Pedro a olhou surpresa.
— Eu vi algumas naquele dia em que cuidei do seu machucado, mas senti hoje também no quarto. — Ela justificou.
— Não, mas são estranhas e as pessoas fazem perguntas sobre. — Ele respondeu querendo acabar com o assunto.
Mas uma pulguinha de curiosidade em Alicia falava mais alto que sua educação, então não resistiu e perguntou:
— Como você ganhou?
Pedro a olhou com cuidado.
— Prefiro não falar sobre isso, Ali. — Ele forçou um sorriso.
Alicia o encarou, esperando que ele pudesse mudar de ideia. Ele era sempre tão solícito com ela, mas aquilo talvez fosse íntimo demais para eles e ainda não haviam atingido aquele limite de intimidade.
— Tudo bem. — Ela sorriu e saiu da mesa.
Seus amigos logo desceram e eles comeram os sanduíches louvando aos deuses. Elogiaram muito Pedro e disseram que ele tinha talento nato para cozinha. Depois, passaram a noite jogando jogos de tabuleiros e depois mímica, até que Mel e Lucas decidiram subir para seu quarto. Sarah e Bia ficaram mais um pouco com Alicia e Pedro conversando sobre a nova série que estavam assistindo, mas logo depois subiram para seu quarto também. Alicia e Pedro então resolveram ir para o quarto.
Lici pegou seu pijama na mochila e se trocou no banheiro. Pedro apenas se deitou na cama. Quando ela voltou viu Pedro deitado na cama e mordiscou a bochecha pensando consigo mesma no que faria.
— Tudo bem? — Ele perguntou ao ver-la parada perto da cama.
— Estou aqui me questionando se deveria fazer o que estou pensando. — Ela falou se aproximando dele e sentando na beirada cama.
— E o que você está pensando? — Pedro se sentou.
— Deixa eu mostrar. — Ela começou a puxar a camiseta dele para cima.
Mas antes que ela pudesse completar a ação, Pedro a parou segurando suas mãos sobre a camiseta. Ele a encarou perguntando se ela queria mesmo aquilo. Deixa. Ela pedia silenciosamente, ele não protestou e deixou ela tirar sua camiseta.
Alicia viu o corpo dele repleto de cicatrizes pequenas e médias, encostou em uma sobre seu peito e ele recuou sobre o toque dela. Ela não se incomodou com a reação dele e andou com sua mão sobre o peito dele para outras cicatrizes.
Pedro se perguntava se precisavam chegar aquele ponto. Mas o desejo que subia pelo seu corpo ao toque dela não se importava com os questionamentos dele. Ele a puxou para mais perto e ela se levantou sentando em cima dele.
Se encararam e viram nos olhos de cada um o desejo que subia pelos seus corpos. Se beijaram intensamente, explorando cada canto da boca com a língua. Suas mãos passeavam pelo corpo um do outro sem vergonha e quando as mãos dele chegaram ao seios desnu dela, ela não conteve o gemido. E aquele gemido fez com que ele a beijasse mais intensamente. Ele virou o corpo dela com tudo para baixo, deixando ela deitada sobre a cama e começou a beijar o pescoço dela, passando pelo seu seio e sua barriga.
O corpo de Alicia tremia sobre cada beijo que ele dava percorrendo o seu corpo, até que ele chegou ao meio de suas pernas. Ela não se conteve, abriu as pernas e deixou com que ele explorasse ela com a língua. Cada gemido fazia ela tremer mais ainda sobre suas mãos. Ela agarrou o lençol ao seu lado e sentiu a língua quente dele a sugando e seu corpo tremendo ao orgasmo.
Ele subiu com um sorriso voraz no rosto e Alicia o agarrou abaixando a bermuda dele. E deixou que ele deslizasse para dentro dela sem se importa com mais nada. E eles ficaram ali, se amando naquela noite.
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