Seus Olhos

12 Capítulo XI


Notas iniciais
Olá meus amores, como estão? E ai como será que ficou nossa Lici depois de viajar com o Matheus? Espero que gostem.

Novembro de 2020

Alicia olhou para o movimento do lado de fora da sua janela. Havia as mesmas pessoas de sempre andando na rua. A vizinha da casa ao lado que sempre fazia sua corrida a tarde, o que fazia com que Alicia quisesse ser fitness, mas ela logo desistia dessa ideia só de imaginar as dores e as dietas. O senhor andava pela rua com o seu neto que tomava o sorvete alegremente e Alicia se perguntou se algum dia seria mãe ou avó, mas o pensamento logo foi embora quando seu celular apitou e uma mensagem da Mel subiu.

Ela estava no portão. Alicia a viu lá embaixo concentrada no celular e logo depois ela sumiu. Sua mãe havia aberto a porta para ela. Segundos depois a amiga já estava no quarto dela sorrindo.

— Preparada para o Enem? — Mel perguntou se sentando ao lado dela na cama.

Alicia apenas concordou com a cabeça e voltou a olhar para rua, mas não havia mais ninguém que ela pudesse observar. A jovem estava sempre a procura de alguém, como se Matheus fosse aparecer a sua frente do nada, assim como fez a última vez. Mas ele não aparecia e fazia quatro meses que Alicia não tinha notícias dele, não sabia dizer se estava vivo ou perdido no tempo. Ela havia se divertido tanto com ele na última viagem que nos próximos dias ela ficou esperando que acontecesse de novo, até passar semanas e o primeiro mês e percebe que não teria uma aventura como aquela outra vez.

Ela decidiu por fim se concentrar em estudar pras provas da escola e para o vestibular. Mas sempre que parava para descansar ela ficava a procura de alguém.

— Lici. — Mel a chamou atenção dela.

— Oi? — Alicia olhou para ela desinteressada.

— Está tudo bem? Eu vim aqui para estudarmos, você não parece querer isso.

Mel havia notado o quanto amiga ficava aérea nos últimos meses, mas pensou que fosse por conta dos vestibulares. Ela e Bia perguntaram se foi o garoto que ela saiu aquele dia, mas Alicia havia dito que era apenas um amigo e que eles foram tomar um sorvete.

— Vamos para casa da Bia? — Lici se levantou em um pulo.

Mel a olhou surpresa.

— Vamos? Lá vai ser melhor de estudar e ela vai ajudar a gente. — Alicia tentou convencê a amiga.

Alicia gostava de estar entre as amigas e assim esquecia as coisas que havia vivido e aquela esperança idiota de que ele voltaria para viajar com ela. Sendo que ela mesma havia prometido para si mesma que não viajaria mais no tempo, era perigoso.

Mel concordou com ela e esperou a amiga se arrumar. Assim que estavam prontas, Lici deu um beijo na mãe e saíram.

Bia não morava muito longe e foram andando até a casa. Chegando lá, Bia já tinha a companhia de Sarah, o namoro realmente havia dado certo. Mas elas não se importaram de ter mais gente, afinal todas precisavam estudar.

Elas estudaram um pouco de matemática e algumas fórmulas de física. Sarah era muito bom em física e conseguiu ajudar o resto das meninas, assim como a Bia era maravilhosa em matemática e conseguia explicar bem as coisas. No final Lici e Mel a agradeceram, já que elas eram bem de humanas e não entendiam nem um pouco de números. As meninas se despediram e foram embora.

Mel seguiu para sua casa e Lici voltou para sua. No caminho ia observando as pessoas, um casal andava de mal dadas e sorriam um para o outro. Uma mãe andava com seu bebê no colo, mas Alicia não viu quem procurava. Ela se xingou por sempre ficar procurando ele, mas não conseguia parar com aquela mania idiota que adquiriu.

Assim que chegou em casa viu as luzes apagadas e concluiu que não havia ninguém em casa. Acendeu a luz e viu um bilhete da sua mãe em cima do balcão da cozinha. Ela havia ido ao cinema com seu pai e depois iriam a casa de uns amigos, havia comido na geladeira. Lici abriu a geladeira e viu o resto de um macarrão, ela colocou para fora e esquentou no microondas. A jovem foi para sala com seu prato de macarrão e ligou a TV em alguma novela que passava, mas ela não deu muito atenção.

Viu a cena de um beijo na novela e desligou a TV. Ela precisava parar de pensar nele, concluiu. A partir daquele momento ela não ficaria mais procurando ele pelas ruas, se ele quisesse havia aparecido, mas não fez isso. Ela levou a garfada de macarrão com raiva a boca. Droga!

O som da campainha ecoou pela casa inteira. Alicia amaldiçoou quem quer que estivesse na porta por fazê-la sair do sofá, mas ela se levantou. Deixou o prato de macarrão sobre a bancada da pia e abriu a porta.

Seus olhos se arregalaram quando viu o corpo com muito sangue que caiu sobre seus pés. Ela se abaixou rapidamente e puxou o corpo para dentro da sua casa e fechou a porta atrás de si, antes que alguém visse e chamasse a polícia. Ela se sentou, encostando as costas na porta e puxou o corpo para o seu colo, o virando.

Matheus tinha o rosto pálido e sujo de sangue. Mas o sangue não vinha dali, vinha do seu ombro que estava cortado em um corte muito horrível, que Alicia nem quis imaginar como havia sido feito. Ele agarrava o ombro esquerdo com a mão direita para estancar o sangramento.

— Que bom que você estava em casa. — Ele forçou um sorriso torto, mas sentiu dor no meio do processo.

— Precisamos levar você no médico. Rápido! — Alicia colocou o corpo dele ao lado dela.

Ele pesava e muito, mas Alicia não se incomodava com o peso dele. Apenas queria salvá-lo.

— Não! — Ele segurou a mão dela a sujando de sangue também.

Alicia olhou para a mão dele junto a sua e ficou horrorizada. Havia muito sangue. Em um ato de reflexo ela levou sua outra mão ao ombro dele. Mais sangue.

— Como não? Eu vou chamar uma ambulância. — Ela levou a mão dele para estancar o sangramento e se levantou.

— Você não pode, Alicia. Eles irão descobrir em que tempo estou. — Ele falava com dificuldade.

— Merda, você está perdendo muito sangue. Eu não vou deixá-lo morrer no chão da minha sala. — Ela deixou ele ali sozinho e pegou o celular ligando para emergência.

Matheus olhou suplicante para ela, mas ela não se importava com o que fosse que ele estava fugindo, ela não deixaria ele morrer ali. A moça do outro lado da ligação disse que chegariam e em breve e Alicia começou a formular uma mentira em sua cabeça caso perguntassem sobre.

— Deixa que eu respondo todas as perguntas. — Ela pediu e se sentou ao seu lado.

— Se eu não morrer por perda de sangue, vou morrer quando eles me acharem. — Ele falava com dificuldade.

— Fica quieto, se não você vai perder mais sangue ainda.

Ela encarou aqueles olhos cor de mel que mal se abriam devido a dor. Por que logo agora? E daquela forma? Quando ela havia desistido dele, ele aparecia daquela forma na casa dela. Suspirou e ouviu o som da ambulância.

Os paramédicos entraram na casa quando ela abriu a porta e o colocaram numa maca rapidamente. Eles foram para ambulância e Alicia viu os paramédicos fazerem os primeiros socorros ali mesmo, mas ele se entreolharam preocupados e Alicia ficou apreensiva.

— Ele perdeu muito sangue. — Comentou a mulher da ambulância.

Alicia olhou para Matheus que já estava de olhos fechados, respirando lento.

— Ele vai morrer? — Ela não queria ouvir aquela resposta.

A mulher balançou a cabeça em negação. Lici suspirou profundo.

Não demorou para eles chegarem no hospital. Os médicos correram para a sala de cirurgia, disseram que era necessário fechar o corte. Deixaram para trás uma Alicia apreensiva que não conseguia pensar em mais nada a não ser na segurança dele.

Passaram algumas horas e seus pais ligaram para ela.

— Está tudo bem. — Alicia respondeu depois de sua mãe chorar do outro lado.

Ela havia visto a mancha de sangue na sala e os vizinhos haviam comentado que uma ambulância havia chegado na casa deles. Depois de Alicia explicar que estava apenas acompanhando um amigo que se meteu em uma briga, a mãe se acalmou.

— Não precisa. — Sua mãe queria ir vê-la, mas a jovem negou.

Alicia viu o médico que havia entrado na sala de cirurgia com o Matheus.

— Te ligo depois. — Desligou a chamada.

— Você é a Alicia, acompanhante de Matheus? — O médico perguntou.

Ela concordou com a cabeça. Ele explicou que Matheus já estava bem e estável, haviam fechado o ferimento e ele estava agora fazendo transfusão de sangue, devido a perda. Alicia respirou aliviada e agarrou o colar que sua mãe lhe dará sobre a camiseta.

— Obrigada. Posso vê-lo?

O médico concordou com a cabeça e a guiou pelo hospital até Matheus, que estava deitado em uma maca e ligado a vários aparelhos. Ela entrou na sala e viu o ombro dele enfaixado.

— Ainda bem, que você está bem. — Ela se aproximou e pegou a mão dele apertando com força, ainda estava suja de sangue seco.

— Eu preciso ir embora daqui. — Ele cerrou os olhos para ela.

— Você precisa se recuperar e vai ficar aqui o quanto for preciso. — Alicia apertou sua mão com força.

— Você não entende. Aqui é o local mais propício deles me acharem. — Matheus justificou.

— Não me importa quem está atrás de você. Você quase morreu, se recupere primeiro. Se não, será pego de qualquer forma. — Alicia tocou o rosto dele com as pontas dos dedos.

Matheus sentiu o toque quente dela e olhou os olhos verdes dela, carregavam preocupação e alívio. Alívio de não tê-lo perdido.

— Okay. — Ele se deu por derrotado.

— Jamais me mate de susto assim.

Matheus pegou na mão dela que tocava o seu rosto e a afastou. Havia sentindo saudade daquele olhar, dela.

Notas finais
E ai como será que ficará nosso Matheus? Gostaram? Comentem. Vejo vocês no próximo capítulo ♥