Seus Olhos

6 Capítulo V


Notas iniciais
Olá, espero que gostem desse capítulo. O que será que vai acontecer com Alicia agora que voltou? Do que o pai dela estava falando?

Maio de 2020

Alicia estranhou a forma como o pai a abraçava e o que ele havia dito, mas ela apenas aceitou o abraço e retribuiu. Ele a afastou e olhou para ela com cuidado, analisando cada parte do rosto e do corpo dela.

— Onde você estava, Ali? Lena venha até aqui. — Ele gritou pela esposa.

— Eu sai com um amigo, desculpa não avisar. — Ela falou confusa.

— Saiu com um amigo? Por um mês? — O pai se exaltou.

— Que!?

Alicia olhou para ele mais confusa do que estava antes. Um mês? Como assim um mês? Ela olhou para o calendário que ficava na parede perto da porta e marcava dia 17 de maio, um mês exato desde do dia que ela havia viajado no tempo. Ele não havia trago ela para o tempo certo dela. Ela perdeu um mês da vida dela. Um mês que ficou fora. Como os pais dela deveriam estar sem saber onde a filha estava? A cabeça de Alicia estava a mil, sem conseguir se concentrar em único pensamento e com um monte dúvidas. Ela se sentia cansada, sua cabeça doía.

— Pai… — Ela suspirou e desmaiou.

Antes que ela pudesse cair no chão, seu pai a pegou.

Elena chegou amarrando um robe na cintura, ela chorou quando viu a filha caindo nos braços do marido.

— O que aconteceu com ela? — Perguntou desesperada.

O marido apenas balançou a cabeças sem saber responder. Levou a filha para o sofá. A mulher pegou uma cadeira e ficou sentada ao lado da filha, segurando sua mão e checando que ela ainda respirava. Gustavo decidiu ligar para o médico da família e logo depois ligou para polícia. Eles haviam chamado a polícia há um mês quando chegaram no quarto da filha e viram que ela não estava lá e o chão estava sujo de sangue. Eles nunca conseguiram encontrar nada, mas agora Alicia estava de volta pra casa.

Depois das ligações ele largou o celular sobre a bancada da cozinha.

— O médico já vem, assim como a polícia. — Explicou o marido.

A esposa apenas concordou com a cabeça e voltou a olhar para filha. Sua querida menina, sua filha, que ela imaginou que nunca mais veria e teve inúmeros pesadelos com o que poderia acontecer com ela. Mas agora ela estava ali, aparentemente bem, mas ela só teria certeza quando conversasse com a própria filha.

O médico chegou rapidamente, ele afastou Elena da filha e começou a analisar Alicia.

— Ela está bem, aparentemente. Só estar cansada e por isso o desmaio. Acho necessário levá-la ao hospital para um exame geral, para ter certeza que nada foi injetado nela, assim como para saber se não teve sinal de abuso sexual. — O médico se afastou da jovem.

Ele começou a rabiscar algumas coisas no papel e entregou aos pais. Era o endereço da clínica que faria todos os exames. Logo depois disso a polícia chegou na casa, eram duas policiais mulheres. Ambas altas, uma mais cheia que a outra e os cabelos estavam presos em um coque bem feito no alto da cabeça. Elas sorriram ao ver os pais da meninas e se dirigiram até Alicia que ainda permanecia desacordada no sofá.

Alicia começou a piscar os olhos e os abriu com um pouco dificuldade no começo, mas logo se acostumou com a luz. Ela se ajeitou no sofá, ficando sentada e viu a sua frente duas polícias. Ai merda! Pensou consigo mesma, ela estava realmente encrencada.

— Alicia, eu sou a policial Ana e essa é minha colega Julia. — Disse a mulher mais magra. — Gostaríamos de fazer algumas perguntas a você, tudo bem?

Alicia olhou surpresas paras duas. O que ela faria? Mas não tinha para onde correr também. Ela apenas concordou com a cabeça. E a policial Ana se sentou na cadeira que antes estava sendo ocupada pela sua mãe e a colega dela puxou um pufe que ficava ali perto para sentar.

— Primeiro, você lembra o que aconteceu com você? — Perguntou Julia

Óbvio que ela lembrava, havia acontecido horas atrás e era apenas uma dia para ela se lembrar. Mas para aquele povo inteiro havia se passado um mês. O que ela diria para todos? Ninguém acreditaria em viagem no tempo e mesmo assim ela havia prometido ao Matheus que não contaria.

— Mais ou menos. — Ela começou a formular uma mentira em sua mente. — Eu lembro de alguém mascarado invadir o meu quarto, mas ele estava armado e mandou eu não gritar. Logo depois ele colocou um pano no meu nariz e eu apaguei.

As policiais anotavam tudo em um caderno pequeno.

— E depois, você se lembra? Se lembra se teve alguma violência física, sexual? — Perguntou Ana.

— Não, eu não lembro de mais nada depois disso. Apenas lembranças vagas de eu comendo alguma coisa e de alguém injetando algo em mim. — Mais mentiras.

— Lembra de alguma coisa do agressor que possa identificá-lo?

— Não.

— Se lembra como chegou até aqui?

— Lembro de acordar em uma rua próxima daqui e só caminhei até a minha casa. Meu pai disse que passou um mês. — Ela fingiu está perdida. — Mas na minha cabeça não parece tudo isso, foi só alguns dias, não?

A policial Julia fez que não com a cabeça. As polícias se levantaram e guardaram os cadernos em seus bolsos. Alicia se encolheu no sofá, imaginando o que poderia acontecer com ela por está mentindo para policia.

— Mais uma pergunta. Você se lembra do porque está com essa roupa? — Perguntou Ana.

Alicia analisou as roupas e ainda usava um vestido velho de uma época atrás. Mais mentiras que precisava inventar. Droga! Mas a jovem apenas balançou a cabeça em sinal de que não. E as polícias se afastaram indo até os pais dela. Ela se virou e viu todos conversando.

— Provavelmente o agressor a drogou. Por isso ela não lembra de nada e parece está tão perdida. É necessário ir fazer exames de corpo de delito, então ela precisa ir conosco agora. — Disse a policial Ana.

Os pais concordaram. Ele foi trocar de roupa e voltou segundo depois. Ela se aproximou da filha.

Lici, vamos precisar ir até a delegacia, tá bom?

A jovem apenas concordou com a cabeça e se levantou seguindo a mãe até o carro da família. Eles seguiram a viatura da polícia. Alicia só queria que aquele pesadelo acabasse e teria certeza que se caso visse Matheus outra vez na vida ela mataria ele.

Na delegacia foi bem constrangedor para Alicia, devido a todos exames que ela fez, os quais ela achou bem invasivo, principalmente considerando que nada havia acontecido. Mas ela respirou fundo e tentou não focar naquilo naquele momento. As polícias disseram que o resultados dos exames sairiam o mais rápido possível. A mãe pegou os remédios que eram necessários serem tomados por contas de DST’s. Eles voltaram para casa.

Alicia correu para o banheiro assim que chegou em casa e passou quase uma hora de baixo do chuveiro pensando em tudo que acabava de acontecer na sua vida. Sua mãe apareceu batendo na porta.

— Lici. — Ela chamou. — Posso entrar?

Lici desligou o chuveiro e se enrolou na toalha abrindo a porta para mãe. Elena se sentou na cama da jovem, enquanto Alicia escolhia um pijama para dormir, mas percebeu que tinha apenas camisetas velhas para dormir. Ela acabou escolhendo uma calça de moletom e uma blusa de manga longa.

— Como você está? — Perguntou a mãe.

Alicia olhou para ela com atenção. Seus cabelos ruivos desbotados estavam amarrado em um coque e pareciam não ver um pente há algum tempo. Havia olheiras profundas embaixo dos olhos cor de mel. Alicia se lembrou de Matheus ao olhar para os olhos da mãe.

— Não sei, perdida. — Mentiu.

— Se lembrar de qualquer coisa pode contar para gente e se precisar de qualquer coisa estamos aqui. — Sua mãe estendeu as mãos para filha.

Alicia se aproximou e pegou as mãos da mãe, a abraçando.

— Vai ficar tudo bem. — A mãe disse.

Alicia se afastou do abraço e disse que precisava dormir. Assim sua mãe saiu do quarto dizendo que se ela precisasse de qualquer coisa eles estariam lá embaixo.

O quarto dela estava como ela havia deixado. A cama bagunçada, o celular já não estava mais lá, mas provavelmente a polícia deveria ter levado. As roupas para dobrar ainda estava em cima da cadeira da escrivaninha e a escrivaninha ainda estava com tudo no local, a única diferença era que agora havia muito pó sobre as coisas.

Um mês. Pensou ela. Aquilo era muito loucura, como a vida dela podia ter mudado tanto e ela nem sequer estava ali e só havia passado um dia para ela. Ela acabou por pegar no sono pensando em tudo que havia mudado e todas as outras questões que teria que responder, em todas as mentiras que teria que contar.

Notas finais
Obrigada. Vejo vocês no próximo capítulo ♥