Seus Olhos
1 Capítulo Único
Notas iniciais
História escrita para a Semana Shiryu de Dragão, um desafio promovido pela comunidade Saint Seiya Super Fics Journal. E também se encaixa na minha série Interlúdios, já que continua uma cena do anime.
Foi com o mestre que aprendeu a lutar, desenvolveu as técnicas e conheceu o poder inenarrável do cosmo, mas foi com ela que descobriu a doçura e soube que a vida não era só dureza e aridez.
No orfanato, bastava que fosse um bom menino, obediente e responsável para não perturbar “as tias”, que eram afáveis mas não supriam a falta de amor que sentia. Quando chegou a Rozan, Shiryu percebeu que, apesar dos treinos intensos, a vida também podia ser boa, podia ter aquele cheiro familiar de comida caseira, feita com amor, ao invés dos caldeirões insípidos preparados no refeitório do orfanato. A vida podia ter a calidez de um toque.
Ali, ele imediatamente sentiu-se acolhido por aquele senhor de pele estranha e de quem não podia sequer supor a idade, e por aquela garotinha adorável de cabelo sempre impecavelmente trançado. Tinha ido até lá para ser iniciado na arte de ser um cavaleiro, mas aprendeu também a ouvir os sons da natureza, conhecer o tempo das sementes, a personalidade de cada planta, as peculiaridades de cada estação. E com Shunrei conheceu o poder de um abraço, de um gesto de carinho, de um sorriso.
Ela disse que estava disposta a ficar do lado dele para sempre. Era isso? Ela queria guiá-lo pela vida, ao mesmo tempo em que se esforçava para que ficasse o mais independente possível? Ela não tinha mesmo medo ou era inocente demais para ver a situação como realmente se apresentava? Não seria nada fácil. Será que ela percebia? Isso era... amor?
Nos dias seguintes, Shiryu flagrou-se pensando nisso diversas vezes e chegou à conclusão de que era esse o sentimento dela. Então passou a se perguntar se sentia o mesmo. Aquela ternura que experimentava ao estar perto dela era amor também? A paz que ela lhe transmitia com sua simples presença era amor? A vontade implacável que tinha de protegê-la do mundo? A raiva que sentiu por não ter sido capaz de salvá-la e o consequente alívio por Ohko tê-lo feito?
Shiryu sorriu sozinho. Talvez não precisasse mais de alguém para guiá-lo, começava a adaptar-se à condição de cego, mas de uma coisa tinha certeza: queria Shunrei ao lado para sempre.FIM
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