Seus Olhos

13 Capítulo Doze


— Não! Fora daqui! — Draco deu um tapa no ar e errou por pouco o nariz de Chris. O menino sorriu maliciosamente e correu para fora da multidão.

Eu olhei incrédula. — Quer ir ao baile?

— Por que a festa de minha mãe soa muito divertida. — Ele zombou.

Certo, isso provavelmente não fora uma coisa boa. Virei-me e, com a mão firmemente entrelaçada ao redor de seu braço, fiz nosso caminho através dos grupos restantes das famílias. Alguns dos pais levantaram o olhar e assentiram com a cabeça para mim enquanto passava. Tentei devolver a eles o sorriso, enquanto minhas bochechas ficavam mais quentes. Detectei um grupo de estudantes saindo do ginásio, comecei a segui-los na distância.

Os segui pelos corredores alinhados para a cafeteria. Na verdade, quase não podia dizer que era uma cafeteria. Grandes ramos de balões com as cores da escola, azul marinho e marrom, coroavam a entrada. Os pisos de madeira de cerejeira brilhavam com os fluxos de pequenas luzes brancas que estavam penduradas no teto. A sala estava na penumbra, com um toque de névoa para o cenário. A minha esquerda tinha mesas cobertas com toalhas e, a minha direita estava a pista do baile, onde a maioria das garotas mais velhas e alguns dos garotos estavam lotados, enquanto que Fall Out Boytocava.

Pareceu-me ouvir um barulho, pelo que recorri a Draco e gritei por cima do som. — O quê?

— Podemos ir nos sentar?

— Claro!

Levei-o a uma das mesas. Draco sentou-se rigidamente a meu lado. Falou em voz baixa, como se fosse para si mesmo, e tive que fazer um esforço para ouvir. — Essa deve ser a cafeteria...

Fiz uma careta, mal conseguindo imaginar como seria não saber onde eu estava. Minha voz traiu meus pensamentos, e disse com voz tremula. — Sim, está certo.

A cabeça de Draco sacudiu-se bruscamente. — Eu já sabia, estava dizendo... — suspirou e levantou-se. — Vou ao banheiro.

Um garoto alto, ruivo, com uma morena sorridente em seu braço apareceu atrás de Draco. Ele deu um tapa nas costas. — Oi, amigo, parabéns! Desculpe por não sairmos há um tempo.

Um sorriso falso propagou-se pelo rosto de Draco. — Obrigado, Blasio.

A garota sacudiu a cabeça. — Draco, é realmente uma lástima.

Blasio deu uma cotovelada, enquanto sussurrava. — Luna.

— Quis dizer sobre o fato de não ter saído com ele! — sussurrou ela de volta.

Com um rápido movimento de sua cabeça, Draco deu um passo para frente. — Na verdade, estava a ponto de ir ao banheiro.

— Claro, cara, é ali. — assinalou Blasio inutilmente e deu a Draco um empurrão na direção do banheiro, que estava na esquina da cafeteria. Gritou a suas costas. — Talvez eu te ligue quando tiver outra festa! Talvez no lago! – olhou para mim. — Vai ao lago?

Franzi a testa. — Que lago?

— Wind Song. É em Wisconsin. — explicou. — Se está com Draco, tenho certeza de que ficará na cabana dos Malfoy.

— Blasio, ela é assistente dele.

— Oh. — Ele deu de ombros. — Bom, que seja. Vemos-nos.

— Tchau. — Disse rodando meus olhos enquanto o casal voltava para a pista de dança.

Olhando ao redor da sala, percebi — para dizer sem rodeios — que Hogwarts tinha poucos garotos atrativos. Não é de se estranhar que muitas garotas quiseram sair com Draco. Em primeiro lugar, só tinha uns vinte e cinco homens em toda a classe, em segundo lugar, bom, na realidade não tinha segundo lugar, mas provavelmente eram ricos, isso ajudava. De fato, um dos poucos garotos lindos estava caminhando para mim. Eu ri de mim mesma. Provavelmente não estava caminhando para mim, provavelmente caminhava para a soda italiana importada na mesa atrás de mim.

— Oi. Hermione Granger, certo?

Ou não.

Engasguei-me. — Oi. — e aturdida apertei sua mão.

Era alto, de cabelo ruivos e espesso e uns olhos azuis sem fim. Toda sua face era clara e ele tinha aspecto londrino, muito agradável. Não é que me desse conta. Ele sorriu com um sorriso imaculadamente branco, dizendo. — Ronald Weasley. É um prazer conhecer-te.

Ronald Weasley, Ronald Weasley, por que esse nome me soava familiar? Oh, sim.

— Parabéns por ser o Valedictorian. Ótimo discurso, por sinal.

Ronald abaixou a cabeça e disse formalmente. — Obrigado. E eu gostei de sua... Demonstração. Draco merecia formar-se, sem importar as circunstâncias.

Portanto, eu tinha razão; os Alunos tinham se negado a aplaudir a causa da corrupção. Assenti com a cabeça.

De repente, ofereceu suas mãos e perguntou. — Você gostaria de dançar?

Olhei com incerteza para a porta do banheiro. Bom, uma dança. Eu sorri e peguei sua mão. — Sim, claro.

Ele levou-me para a pista quando a música mudava para uma mais lenta, não só uma música lenta, uma brega música lenta. Honestamente. As músicas clichês e com tenores tentando ser impressionantes com suas vibrações que me deixavam louca. Sustentando minha mão, Ronald sorriu e deu um passo para mim. Coloquei minha outra mão em seu ombro à medida que começamos girar lentamente em um círculo. Surpreendi-me quando ele falou em meu ouvido. — Pode apoiar a cabeça, se você quiser.

Sim, eu estava ciente dessa opção, mas estava vendo nesse momento a porta do banheiro dos homens, em busca de Draco. Tinha que mudar continuamente minha cabeça enquanto nos transladávamos para manter em minha vista.

No momento em que Draco saiu do banheiro, Astoria aproximou-se. Ele negou com a cabeça quando ela falou e permitiu que o levasse de novo a mesa. Imaginei que ele perguntara onde eu estava, por que ela apontou para a pista de dança enquanto falava. Ronald voltou a girar-me e tive que praticamente girar completamente ao redor de minha cabeça para ver. Pela linguagem corporal de Draco, percebi que ele sabia onde eu estava. E, de improviso, a realização era como uma ferida de faca em meu estômago.

Isso não estava bem, eu não podia abandoná-lo.

Afastei-me do Valedictorian, desculpando-me por cima do ombro, — Desculpa. Tenho que ir, — enquanto me precipitava para a mesa. Quando cheguei a Draco, Astoria falava em seu assento junto a ele. Eu disse sem fôlego. — Oi. — Ele virou a cabeça para um lado interrogante. — A música não acabou.

— Eu sei.

Um sorriso cruzou o rosto de Draco e Astoria olhou furiosa. Ela disse. — Você não é de muita ajuda para ele na pista de dança, não é?

Introduzi uma mecha de cabelo atrás de minha orelha e disse. — Tem razão, deveria estar...

— Dançando comigo. — concluiu Draco, surpreendendo tanto a mim como a Astoria, pela expressão de seu rosto. Ele ficou de pé e meu estômago retorceu. — Hermione?

Astoria levantou-se em um salto, tirando da bainha de seu curto vestido, e tentando buscar as palavras, — Você... Tem certeza de que pode dançar?

Draco manteve a cabeça focada em mim e disse com desdém. — Tive três anos de formação formal, enquanto estava na escola primária. Não tive que olhar meus pés desde que tinha seis anos. Acho que posso fazer isso.

Pegou meu braço e movemo-nos para a pista de dança, longe de uma Astoria com a boca aberta. Oh, sim, muitas cabeças viraram-se em nossa direção. Juntei as mãos ao redor de seu pescoço e suas mãos encontraram-se na parte baixa das minhas costas. A música tinha mudado para outra música lenta, uma de Josh Grobran que sempre fazia Gina chorar, embora nunca admitisse. Fiel a sua palavra, Draco não pisou em meus pés. De fato, percebi que estávamos dançando quase a um pé de distância. Isso não era o ensino médio!

Eu sabia que Draco continuava pensando em como eu o tinha traído no ensaio. Com muito cuidado inclinei-me para seu ouvido e sussurrei. — Desculpe, por ontem.

Sempre tão sutil, senti-o relaxar. Ele respondeu. — Você não tinha que fazer aquilo no pódio.

— Sim, tinha.

A mão de Draco pressionou contra minhas costas e senti me aproximar até que minha cabeça estava apoiada em seu peito quente. Fechei os olhos e senti sua constante subida e descida. Respirei profundamente e meus braços apoiaram-se com mais segurança ao redor de seu pescoço. O mundo de repente era simplesmente de canela e sândalo. Eu não me lembrava de ter me sentido tão contente. Muito rapidamente, a música acabou. Gemi quando Draco deu um passo para trás e agarrou meu braço. — Talvez devêssemos ir. — talvez as pessoas não devessem se mover quando a outra pessoa se sente... Oh, que seja.

O trajeto através da noite foi pacífico, mas quando desliguei o motor do carro, estendeu-se de novo em um silêncio incômodo. Fiquei sentada, sentindo-me estranhamente nervosa, perguntando-me por que ele não se abaixava, perguntando-me se achava que eu diria alguma coisa e perguntando-me todas essas coisas que se pergunta no final de um encontro – não que fosse um encontro! De repente, Draco rompeu o silêncio. — Quero que entre, mas tenho que te advertir sobre minha mãe. Nesse tipo de coisa, pode ficar... Embriagada.

Honestamente, quão bêbada poderia estar? Ela tinha ido, talvez, uma hora antes. Dei de ombros. — Ei, minha mãe tem estado num piquenique na maior parte de minha vida.

Ele franziu a testa como se não entendesse e logo abriu a porta. — Está bem.

Deslizei-me para fora do carro e logo fiz uma pausa. Espere, por que estava convidando-me para entrar? Isso era parte do trabalho, certo? Eu não podia, nós não podíamos... Sair. Ignorando meu cérebro, caminhei com ele até a porta. Ele perguntou. — Está pronta? — E pressionou a campainha. Desde dentro, pude ouvir o som de bate-papo e de música clássica. Houve um estrondo, seguido de risos, e então a porta de abriu de repente.

A Sra. Malfoy estava parada na entrada, seu cabelo ligeiramente despenteado e seus olhos brilhando. No vestíbulo atrás dela pude ver um garçom de joelhos, limpando fragmentos de um copo quebrado. Um jovem garçom pressionou uma taça de champagne na mão da anfitriã, enquanto ela em grande medida nos sorria.

Ela ressumou, — Oh, que encantadores vocês dois parecem, — e eu tentei devolver o sorriso. Ela moveu a cabeça, presumivelmente para o garçom que se afastava, e continuou articulando errado. — Essa é a babá de meu filho.

Bom, definitivamente estava bebendo.

Vários dos administradores, que reconheci na formatura, estavam parados em grupos ao redor do estúdio e viraram-se em nossa direção. Sentindo-me envergonhada por Draco, tentei mover-me para as escadas. — Tudo parece maravilhoso, Sra. Malfoy.

— Obrigada, querida. É tudo obra do provedor, oops! — a taça caiu de seus dedos e fez-se em pedaços contra o piso. Ela franziu a testa. — Oh, essas coisas são tão escorregadias. — elevou uma das mãos e tentou sussurrar para mim. — Fico nervosa quando sou anfitriã.

— Não se preocupe. — disse enquanto começávamos a subir as escadas. — Talvez se tomasse um pouco de café?

Quando chegamos ao segundo piso, Draco suspirou. — Não foi divertido?

Apertei seu braço. — Ei, está bem. Quando eu tinha quatro anos, minha mãe decidiu que devíamos tentar liberar todos os animais do zoológico. Eu fui a garota mais jovem em passar um tempo na cadeia de Grayfield. Papai estava furioso.

Draco sorriu. — Parece que realmente tens uma família.

Entramos em seu quarto e fechei a porta para manter o barulho fora. Deixei-me cair sobre a borda da cama junto a ele e alisei meu vestido. Draco tirou a gravata e sacudiu a cabeça. — Que noite.

Minhas bochechas ruborizaram-se quando me lembrei do baile. — Sim.

Estava tão ocupada recordando que quase perco suas palavras seguintes. —Quero te ver.

— O quê? — Ofeguei, as batidas de meu coração dispararam como um foguete.

— Quero te conhecer, saber como se parece. — Disse fracamente e estendeu sua mão.

Eu respirei. — Oh. — e guiei sua mão a meu rosto. As pontas de seus dedos descalçaram delicadamente contra a pele de minha testa e lentamente roçaram a linha de meu cabelo. Não pude reprimir o calafrio que percorreu minha coluna. Fechei os olhos e senti seus dedos sentindo seu caminho para baixo, traçando os arcos das minhas sobrancelhas. Suavemente se moveram sobre meu nariz para os ossos das minhas bochechas. Mal podia respirar, mas uma pergunta incomodava no canto de minha mente. Murmurei. — Por que saíste com todas essas garotas?

— Algumas vezes, você está só procurando alguém certo.

Oh, era uma frase. É só uma frase. Mas que frase.

Por um momento, sua mão afofou contra minha bochecha. Estava me afundando em seu contato, antecipando seu movimento seguinte enquanto ele... descobria-me. Na escuridão atrás de minhas pálpebras, estava intensamente consciente de cada barulho, o som de suas exalações. Na maior parte, enquanto seu polegar acariciava meus lábios, eu estava invadida pelo desejo de saber tudo sobre ele. Se eu só pudesse vê-lo sem seus óculos. Se só... Sua respiração era uma tíbia em minha pele e sua mão tinha estava contra meu cabelo. Queria olhar, mas...

— Ahh!

Com meus sentidos aumentados, o som da maçaneta girando causou-me pânico. Afastei-me de Draco com um pulo justamente quando a porta abriu-se. Chris parou ali com seus braços cruzados. Vestia seu pijama, embora estivesse bem acordado. Franziu a testa enquanto olhava de mim, e eu provavelmente estava branca como um fantasma, para Draco. Sua voz era de suspeita. — O que vocês dois estão fazendo aqui?

Draco franziu a testa. — Nada. Deveria estar na cama.

— Papai sempre te disse para manter a porta aberta.

— Bem, papai não está aqui agora, não é? — respondeu bruscamente.

Os olhos do garoto abriram-se e sua boca formou uma linha dura.

— Escuta, eu... — Draco suspirou e explicou. — Desculpa. Não sabia que estava fechada.

Chris olhou o tapete. — Está bem... Mamãe só... É barulhento.

— Ela pode ficar bastante... entusiasmada nas festas, sabe? — Draco deu de ombros. – Às vezes os grandes jogam ruidosamente.

O rosto de seu irmão iluminou-se. — Você quer jogar?

O sorriso de Draco foi amargo. — Não sei se sou muito competente ultimamente.

— Podemos jogar juntos. – eu disse rapidamente. — Como soa isso?

Chris assentiu avidamente e correu para fora do quarto para buscar o jogo. Respirei profundamente para acalmar-me, estava tremendo por todos os lados. Se ele não tivesse entrado antes, nós teríamos nos beijado? Tentei não pensar nisso. Estava aqui trabalhando para conseguir dinheiro para a universidade. Não estava me apaixonando — não. Traguei forte e olhei Draco, que parecia estar perdido em seus próprios pensamentos. Não tinha razão para meus tremores. Nenhum.

Chris entrou correndo no quarto com uma caixa nas mãos. Deslizou-se pelos joelhos ao pé da cama e orgulhosamente armou o jogo no chão. Sorriu para mim brincalhão e desafiante proclamou. — Batalha naval.