Seus Gatos
1 Seus Gatos
Seus Gatos
Ah, os gatos da primavera eram terrivelmente arteiros. Eu nunca vi gatos mais irascíveis com espírito de porco como aqueles! Eles viviam correndo atrás das soberbas rosas do jardim. Estavam sempre correndo, rolando e as despedaçando como se fossem ervas daninhas que precisavam ser extintas daquela estação tão saborosa e cheia de vida.
Os gatos do verão são inquietos, eles não podem ver o sol que já saem correndo para parodiar. Eles não param um segundo, eu não consigo segurá-los por entres minhas mãos ávidas por seus corpinhos tão pequenos e cheios de carisma. Nessa estação eles são independentes, e acham que podem saltitar para qualquer recinto, excluindo-me nesse canto cavo. O verão me fazia sentir-me solitária.
Os gatos do outono são preguiçosos, ou melhor, eles eram desanimados, pois os ventos mais frígidos haviam baixado na Terra. Eles brincavam um pouco nas folhas mortas espalhadas pelos campos, no entanto logo se aconchegavam, fazendo-as de cobertor e era nesse instante furtivo que eu me aproximava, deitava-me de costas e colocava um deles em cima de minha barriga, vendo como ele se acomodava. A contração que fazia com a respiração, fazia com que o bichano subisse e descesse lentamente, acompanhando meus suspiros.
Os gatos do inverno, se eu não conseguia alcançá-los nas outras estações, nessa com certeza eles eram meus! Todos ficavam juntos e próximos às árvores sem frutos, tentando capturar o calor do outro por entre os narizes frios e úmidos. Nesse momento eu podia me sentir verdadeiramente acompanhada e amada. Agora sim eu sentia o calor deles através de meu corpo e o leve ronronar que faziam enquanto dormiam.
Minha felicidade, assim como tristeza vinha e partia de acordo com as estações, assim como acontece com todos os seres vivos com consciência desse planeta. Os sentimentos vêm e vão com a mesma facilidade que as estações suavemente entram no nosso dia-a-dia. Para mim, observar os gatos era uma tradição que foi adquirida com minha falecida mãe que me deixou de herança seus catorze gatos. Eles eram velhos e gordos e a cada estação, infelizmente um deles me deixava para ir ao abraço daquela que me criou.
Perdão, mãe, mas eu acho que eles precisam de seu calor. A cada estação um deles parte, porém eu estou criando meus próprios animais agora e ensino a minha filha o verdadeiro sentimento de cada estação e lhe digo também que tudo que vai, volta, assim como os sentimentos e as pessoas que fazem parte de nossas vidas.
Pessoas, gatos, todos vão partir um dia, mas o sentimento estará para sempre nos nossos peitos. Assim como as estações que para sempre permanecerão nessa Terra povoada por tantos ensejos.
Outra narrativa curta sobre sentimentos e animais tão independentes assim como amados e odiados, como os gatos.
Uma crítica sobre essa narração é necessária para meu aprendizado. Obrigada pelas garotas que me trataram tão bem no site. Dedico esse conto de sentimentos a todas elas.
Um big beijo!
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