Notas iniciais
Eu sei que demorei, e o motivo disso era que eu não conseguia encaixar as coisas como eu queria na estoria, e por isso tive que escrever este capitulo 6 vezes, e acreditem, cada vez que eu o refazia, a estoria tomava um rumo diferente. Enfim, espero que gostem! E boa leitura!

Nos dias que se seguiram, tudo voltou ao normal, Marinette recuperou-se de seu coração partido e agora já havia voltado a ser a mesma de antes, só que desta vez sem aquela típica obsessão pelo modelo.

Adrien saiu do hospital no tempo previsto e sobre rígidas ordens medicas, proibindo o modelo de movimentar o braço ou tentar fazer qualquer esforço com o mesmo por pelo menos um mês, porem mesmo após alguns dias, Nathaniel ainda não havia acordado.

Os médicos tinham medo que a perca de sangue tivesse afetado o cérebro do ruivo, e por isso o mesmo não conseguia acordar, mas Adrien se recusava a aceitar isso, e ele acreditava que em algum momento o ruivo acordaria e sorriria para ele, por isso o loiro ia todos os dias no hospital, e ficava horas a fio ao lado do leito de Nathaniel.

Como estava de férias, poderia ficar basicamente o dia todo ao lado do ruivo, porem seu pai obviamente não permitiria isso, afinal, o loiro possuía uma agenda com diversas atividades extracurriculares e sessões fotográficas, feita a muito tempo.

Porem Adrien cabulava as aulas sempre que podia, indo diretamente para o hospital e ficando lá. Mas suas escapadas não duraram muito, e logo chegaram ao seu pai, que parecia mais decepcionado do que irritado com o filho.

A bronca toda durou míseros cinco minutos, mas para Adrien parece uma eternidade, e apesar de ter sido breve, foi extremamente fria e rígida, porem não foi nada além do que o loiro já esperava.

Era sempre assim, desde o sumiço de sua mãe, seu pai tornou-se algo parecido com um Iceberg, raramente demonstrando emoções e passando o maior tempo possível trancado em seu escritório.

Adrien já havia tentando ter algum tipo de relacionamento com o pai, mais parecia simplesmente impossível, porem, por mais que as atitudes do homem o magoassem profundamente, ele não conseguia ignora-lo, afinal, ele era seu pai, e o loiro o amava, porem não conseguia compreender as atitudes do albino.

Irritado, ele tacou a almofada na parede do outro lado do quarto enquanto observava a porta esperançoso, desejando sair. Porem não podia, havia conseguido duas semanas de castigo, podendo sair do quarto somente para ir trabalhar como modelo ou quando estivesse acompanhado por alguém.

Adrien abraçou as pernas, desejando desesperadamente poder ver Nathaniel, com seu caloroso sorrido e lindos olhos azuis-esverdeados. Enquanto lembrava dos bons momentos que passou ao lado do ruivo, seu celular tocou, despertando-o de seu devaneio cheio de lembranças felizes e melancolicas.

O loiro se levantou e pegou o celular na escrivaninha, voltando a se sentar no chão e olhou para a tela do aparelho com cara de poucos amigos. Porem ao ler o nome de Felix na tela, um largo sorriso apareceu eu seus lábios.

As ligações do irmão para si eram raras, uma vez que Felix dirigia uma empresa de cosméticos, muito conhecida pela sua linha de maquiagens ambientalmente corretas, o que deixava o loiro com pouquíssimo tempo ocioso. Mas por mais que quase não se falassem, os dois possuíam um forte laço, que mesmo com a ida do mais velho para a Europa, o laço ainda se manteve intacto.

Adrien tocou no botão verde e levou o aparelho a orelha, com um sorriso nos lábios.

“-Parece que você anda bem ocupado ultimamente, já que levou meio século para me atender” – falou Felix, com um pouco de sarcasmo na voz.

—Também estou com saudades de você Felix – falou Adrien, rindo levemente e ouvindo um riso leve de seu irmão.

“-Como você esta?” – perguntou Felix.

—Bem – falou Adrien, buscando não transparecer toda a insatisfação, tristeza e raiva que sentia – Recebi alta há duas semanas, e o ombro não esta doendo mais.

Felix suspirou do outro lado da linha, afinal, ele sempre sabia quando algo estava de errado com Adrien, e sempre ligava nos momentos que o garoto mais precisava.

“-Vai me contar de bom grado o que esta acontecendo, ou terei que te ameaçar pra isso?” – falou Felix, e Adrien sentiu um nó em sua garganta.

Sem saber o que dizer, Adrien mantivesse em silencio, pensando se deveria ou não contar o que estava acontecendo. Enquanto pensava, Adrien sentia o medo tomar conta de si, imaginando como o irmão reagiria se contasse que havia se apaixonado por outro garoto, e que agora estava de castigo por que resolveu abandonar as aulas extracurriculares para ir até o hospital, ficar ao lado do menino, que por sinal, estava lá por sua causa.

“E se ele me rejeitar?” Este foi o primeiro pensamentos que passou pela cabeça do loiro quando pensou em contar, e apenas o fato de imaginar a rejeição de Felix foi como se alguém pegasse seu coração e o esmagasse.

“-Adrien?” – chamou Felix, preocupado.

—Não é nada, não tem nada acontecendo – falou Adrien, buscando deixar sua voz o mais normal possível, porem não conseguiu disfarçar muito bem a vontade enorme que sentia de chorar.

“-Adrien, se não me contar o que esta acontecendo, não posso ajudar” – falou o mais velho.

—Se eu contar, você vai me odiar – falou Adrien, com a voz rouca, típica de quem esta prestes a chorar – Nunca mais vai querer falar ou olhar pra mim.

Felix suspirou, tentando achar em sua mente alguma ação ou atitude que o loiro pudesse ter feito para que o mesmo pensasse daquela forma, mas nada lhe veio a mente.

—“Adrien, eu amo você, e vou amar você, independente das suas escolhas ou ações” – falou Felix, calmamente, sentindo um pouco de vergonha ao pronunciar aquelas palavras, já que não era do tipo emotivo – “Não há nada que você possa ter feito, que vá fazer eu te odiar.”

Ao falar isso, Felix pode ouvir o choro de Adrien do outro lado da linha, um choro sentido e repleto de emoções, coisa que Felix não via ou ouvia a muito tempo. Desde que a mãe de ambos desapareceu, Adrien sempre se fez de forte, nunca mostrando a ninguém suas lagrimas ou tristeza.

Demorou quase cinco minutos para o loiro se acalmar e normalizar sua respiração, e quando o conseguiu, começou a contar ao irmão o que havia acontecido, desde o momento que ajudou Nathaniel, retirando-o da rua quando o ruivo estava prestes a morrer por hipotermia até dois dias atrás, que foi quando seu pai o colocou de castigo.

Felix ouviu tudo atentamente, sem compreender no começo o por que de Adrien estar falando sobre um menino ruivo, porem bastou esperar um pouco para perceber, um pouco surpreso que Adrien havia se apaixonado por ele.

O maior sentiu bastante raiva ao ouvir a parte do sequestro, porem ficou feliz com a explicação mais plausível do loiro sobre o tiro que levou. Mais a verdadeira raiva só veio quando Adrien lhe contou sobre o castigo.

—“Pode me explicar uma coisa?” – perguntou Felix, quando Adrien parou de falar. O menor disse um “sim” baixo – “Por qual motivo exatamente eu iria odiá-lo Adrien?”

—Eh...? – falou Adrien, sem compreender.

—“No começo você disse que eu iria odiá-lo e que nunca mais iria querer olhar ou falar com você” – falou o mais velho – “Eu gostaria que me apontasse o motivo, pois até o presente momento, eu não o encontrei”.

—Talvez pelo fato de que alguém esta em coma no hospital por minha culpa? Ou por que eu coloquei pessoas em risco? Ou talvez por que eu tenha me apaixonado por um garoto?! – falou o loiro, aumentando o tom de voz ao dizer a ultima parte.

—“Primeiramente, gostaria de lembrado que o primeiro e segundo motivo não foram culpa sua. Você não é responsável pelas atitudes psicóticas de uma garota mimada” – Falou Felix com um pouco de irritação na voz – “Segundo, o que eu tenho a ver com o fato de você gostar de outro homem? Por que diabos eu o odiaria por isso?”

Adrien permaneceu em silencio, como se absorvesse lentamente cada palavra do irmão.

—“Se você é uma espécie de carrinho do Paraguai...” – falou o loiro, rindo levemente da sua própria e infame piada – “Eu, e nem ninguém, tem nada a ver com isso. Tudo que tem que importar para você é a sua felicidade, por que ninguém pode ser feliz por você”

Felix ouviu um soluço vindo do outro lado da linha, e ele soube que Adrien estava prestes a chorar de novo.

—“Se você é feliz assim, eu vou te aceitar do jeitinho que você é, por que para mim não importa quem você escolha amar, mais sim se você é feliz” – falou Felix, enquanto ouvia os soluços do mais novo, que tentava se controlar – “E se esse menino é a sua felicidade, agarre-o com todas as suas forças, e principalmente, seja feliz.”

Ao terminar de falar, Felix ouviu Adrien chorar, um choro cheio de sentimentos complexos, e ele escutou calmante enquanto o menor deixava suas emoções trasbordarem, desejando ser um ponto de apoio para aquele que sempre o apoiou, mesmo inconscientemente.

A mudança repentina para a Europa não foi fácil para Felix, ainda mais que o garoto só possuía 14 anos quando tudo aconteceu, porem fez fotos e conversar com o irmão mais novo sempre foi o seu ponto de apoio, mesmo que para Adrien parecesse que era Felix que o apoiava. Porem era o sorriso de Adrien ao fim de cada conversa que salvava o mais velho dos dias estressantes na escola e empresa.

Agora, ouvindo o garoto chorando tão fortemente de alivio, o fez sorrir de alegre, porem ele não havia esquecido da atitude de seu pai para com o menor, isso ainda renderia uma boa discussão com o mais velho.

Por hora, ele se contentaria em dizer palavras de conforto para o menor que ainda chorava, possivelmente abraçado ao telefone.

***

Os dias do castigo se arrastavam, porem surpreendentemente seu pai diminuiu o castigo de duas semanas para apenas uma, e como já haviam passado quatro dias, restavam somente três. Durante dois dias, Adrien só podia transitar pela casa e sob a vigilância de Natalie, que não desgrudava os olhos de si nem um único segundo.

Porem naquele dia em especial, havia uma sessão de fotos programada, porem por estar usando uma tipoia, as fotos não poderiam ser de corpo inteiro, somente de seu rosto. Apesar do estranho empecilho, a empresa não desmarcou a sessão, na verdade pareceram estranhamente animados em querer fotografar com o jovem, apesar dos motivos por traz do ferimento tenham sido muito bem abafados, e mesmo após dias do ocorrido, a noticia ainda não havia sido publicada.

Adrien colocou uma roupa comum porem ao mesmo tempo estilosa, digna do modelo que era, e saiu do quarto encontrando Natalie no corredor, a sua espera. Ele a seguiu em silencio, e entraram no carro, e seguiram para a locação em silencio.

Ao chegar lá encontrou o fotografo que fez a sessão sua e do Nathaniel, ele veio cumprimentar o loiro com um sorriso nos lábios Adrien fez o mesmo, por mais aflito que o loiro estivesse. A verdade é que Adrien pediu para Nino visitar o ruivo e lhe passar noticias do mesmo, Nino como um bom amigo, fez o que foi pedido, porem durante a manha, Nathaniel havia sofrido um ataque cardíaco, felizmente os médicos conseguiram estabiliza-lo rapidamente, porem não descartaram a chance do episodio se repetir e por precaução voltaram o ruivo para a UTI.

Porem Nino não soube explicar exatamente o que havia acontecido, e como não tinha como perguntar para os pais do ruivo e nem a ninguém conhecido, acabou que uma forte aflição instalou-se em seu ser.

A sessão ocorreu normalmente, Adrien sorria quando lhe era pedido e fazia as expressões que o fotografo exigia, porem, por mais que estivesse sorrindo, a tristeza em seus olhos não passou despercebida pelo homem.

—Vamos fazer uma pausa! – anunciou ele, chamando a atenção dos assistentes – Arrumem as luzes, pois o sol esta mudando de posição, vocês tem quarenta minutos.

Os assistentes olharam um pouco surpresos, pois a mudança de luzes geralmente era feita em poucos minutos, e os intervalos raramente duravam mais que dez minutos, porem os mesmos não questionaram, e rapidamente começaram a mudança.

O homem se aproximou com passos calmos do loiro, e sentou-se ao seu lado, o que chamou a atenção de Adrien.

—Dizem que os olhos são o espelho da alma – começou o fotografo, soltando um pequeno suspiro – E quando olho nos seus, tudo que vejo é tristeza e aflição.

Adrien olhou para o homem, e deu um sorriso doloroso.

—Desculpe – pronunciou o loiro, fazendo o fotografo sorrir de leve.

—Vejo que seu cão de guarda esta mais atento que o habitual, o que me leva a crer que você esta de castigo – começou o homem, vendo Adrien assentir de leve – E pelo modo como olha para a saída, vejo um forte desejo de fugir.

Um longo suspiro escapou dos lábios de Adrien. O homem se aproximou e sussurrou ao ouvido do loiro, tomando cuidado para que ninguém escutasse.

—Você tem meia hora – Adrien arregalou os olhos e encarou o homem, que apenas deu uma piscadela e seguiu andando até sua equipe.

O homem falou com uma mulher morena que Adrien notou ser a figurinista, esta sorriu e assentiu com a cabeça, chamando a maquiadora para perto e cochichando algo para a mesma. Após os cochichos e algumas falas o fotografo virou para Adrien e disse alto o suficiente para Natalie ouvir.

—Troca de roupa e maquiagem! – falou ele enquanto as mulheres de aproximavam e levavam Adrien para o trailer para poder se trocar.

Assim que entrou as mulheres sorriram cúmplices e apontaram para uma porta escondida dentro do trailer.

—Saia em silencio e vire a direita, vai ver a saída de emergência – falou a maquiadora – E seja rápido!

— Espere! – chamou a figurinista que trazia nas mãos uma boina e um longo sobretudo branco . Adrien vestiu o casaco e colocou a boina, buscando esconder os cabelos loiros – Pronto, agora vá! E boa sorte!

Adrien saiu do trailer e fez como mandado, porem preferiu deixar a tipoia ali, pois com a peça não conseguia transformar-se em Chat Noir corretamente, sem contar que a mesma o atrapalharia em suas acrobacias. E com um sorriso nos lábios, o jovem correu o mais rápido que podia para fora do prédio.

Notas finais
Bem, é isso pessoal, como disse, quase no fim! Já adianto que o próximo vai demorar muito pra sair, porem já estou decidindo como vou fazer as coisas, e espero que agrade a todos! Não esqueçam os comentários! Até o proximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.