Seu sorriso de olhos fechados
1 Capítulo Único - Seu sorriso de olhos fechados
Notas iniciais
Essa é a primeira história que escrevo para este fandom, então... prazer, gente, eu sou a Yuki! =)
Apenas duas coisinhas pra dizer antes de fechar a matraca:
1) a história é um presente pra linda da AmayaYue! ♥
2) a leitura vai bem com "Toothpaste kisses", The Maccabees.
É isso, agradeço imensamente por escolher ler a história e espero do fundo do coração que goste!
^^
Seu sorriso de olhos fechados
Sugawara Koushi sorria como guardasse o sol no céu da boca. Os olhos fechados bem juntinhos e os dentes alinhados, a pinta pequenina a esconder-se nas rugas suaves das curvas nas bochechas e o silêncio absoluto de riso que era total entrega, como se mais de quem o via do que dele próprio.
E foi por ele, exatamente por aquele sorriso – de olhos bem fechados e lábios bem abertos – que se apaixonou.
Não de imediato. Devagarzinho. Sem pressa. Lento o bastante para que sequer percebesse que se apaixonava.
Olhares que se demoravam. Vigias ansiosas aos ponteiros do relógio. Escalas de limpeza da quadra involuntariamente montadas em ordem alfabética. Comemorações de pontos com os pulmões cheios de suspiros. Desenhos rabiscados nos cantos das folhas do caderno. Borboletas no fundo do estômago a dançarem no mesmo ritmo da música no fone de ouvido compartilhado.
E sorrisos.
Sorrisos para o despertador de manhã. Sorrisos durante o lanche mesmo que de boca cheia. Sorrisos nos jogos mesmo que durante saques. Sorrisos nas aulas mesmo que durante provas.
Sorrindo como bobo só porque, do seu lado, Sugawara Koushi sorria. Seu sorriso orbitando sem resistência ao redor do sorriso de sol.
Sempre.
Um sorriso de Koushi era sempre um sorriso seu.
Sempre.
Não foi, contudo, também de imediato que notou os próprios sorrisos.
Seus lábios mal haviam-se acostumado a dobrarem-se por Koushi quando ouviu pela primeira vez um “Sawamura-san, está me assustando. Qual é a dessa riso estranho pro nada?”
Não era para o nada. Mas isso não era algo que ele podia tão facilmente ceder.
Precisou ouvir ainda um
“Daichi-san, é sua vez. Espera... O que aconteceu? Me conta! Quero rir também”
e um
“Sawamura, vamos ver se continuará com esse rosto quando entregarmos as notas”
e um
“Hinata boke, o capitão tá com aquela cara de novo. Larga essas bolas e coloca a rede no lugar!”
antes de perceber que a única desculpa que conseguia encontrar para o riso que já há algum tempo nascia em seu rosto sem que percebesse era “Calem a boca, eu só estou rindo porque o Suga está rindo”.
Então sim, lento o bastante para que pudesse dar-se ao luxo de pensar que acontecera de repente, Sawamura Daichi percebeu que apaixonara-se por Sugawara Koushi.
Fez de tudo o que podia, em reação. Encantou-se. Culpou-se. Demorou-se. Negou-se. Afastou-se. Desculpou-se.
Perdeu noites.
Perdeu notas.
Perdeu jogos.
Só o sorriso, apenas o sorriso reflexo ao de seu vice capitão, não perdeu em momento algum. E, com seu sorriso permanente, sem desculpas válidas ou sem saídas possíveis, Daichi finalmente percebeu que estava completamente perdido por Koushi.
Então, caído de joelhos diante do egoísmo suave do amor primeiro, desejou que todos os sorrisos de sol tornassem-se seus. Que quando os olhos castanho-claro fechassem-se e os lábios curvassem-se até esconder quase por completo a pequena pinta que arrancava impiedosamente de seu peito todo o ar, fizessem apenas para si e que, de alguma maneira, de qualquer maneira, os seus próprios sorrisos também pudessem iluminar Koushi.
Egoísta, ele sabia. Egoísta o bastante para que, em punição, passasse a cerrar os próprios olhos. Se o sorriso não podia ser contido, se não era forte o bastante para impedi-lo de escapar, que ao mesmo sorrisse de olhos fechados. Punição justa. Sorria junto a Koushi sem poder vê-lo sorrir. Em seu peito apenas a imagem do riso e a fé transbordada em esperança de que compartilhassem algo. Ele o Suga. Sorrindo juntos.
O que Daichi não entendia, perdido no escuro de suas pálpebras cerradas, era que os sorrisos não eram tudo o que compartilhavam.
Na segunda vez em que fechou os olhos para o sorriso de sol, um par de olhos castanho-claro abriu-se surpreso, de imediato. E enquanto em inocência cega Sawamura continuava a sorrir de olhos bem cerrados junto à esperança, o sorriso astro apagava-se murcho e abriam-se como duas luas cheias os olhos presos em seu rosto.
Mas ele não soube disso. Se soubesse talvez – talvez – teria sabido o que fazer quando num piscar de olhos seu vice capitão dispensou o restante do time e o acuou na sala de materiais com o olhar opaco nublado em dúvidas e os lábios apertados tão juntos que pareciam nunca mais poderem sorrir.
— Você não me olha mais!
Era uma acusação, e isso ele soube de imediato. “Eu te olho o tempo todo. Eu quero te olhar o tempo todo. Eu quero ser o único a te olhar tanto. E te quero olhando só pra mim.”, era o que gostaria de retrucar, ainda que tão egoísta, ainda que acabasse por entregar tão fácil o que tão fundo mantinha guardado. Não disse nada, contudo. A cegueira anterior descendo até seus lábios e fazendo-o mudo. As desculpas fajutas todas embolando-se dolorosamente em seu peito.
— Eu não posso mais... não consigo mais se você não estiver me olhando... Você tem que me olhar, Daichi! Você tem quê!
Olhos sérios, postura rígida, mãos espalmadas firmes na cintura, palavras tão, tão egoístas quanto as que guardava na garganta.
Uma bronca.
E talvez devesse ter se tornado também sério. Devesse ter espelhado a postura dura. Devesse ter espalmado nos quadris as mãos enquanto recitava seus próprios desejos egoístas.
Mas Sawamura Daichi já havia refletido tantas e tantas vezes o riso do rapaz parado a sua frente que não conseguia lembrar-se de como entregar a ele uma reação diferente de um sorriso.
Sorriu, então, grande como se fosse agora ele quem tornasse-se sol.
E ainda maior – tão maior que lutou para que seus olhos não fechassem-se – quando percebeu, aos poucos, devagarzinho, que os olhos sérios de lua cheia minguavam, a postura rígida suavizava-se, as mãos espalmadas rumavam à procura das suas e as palavras egoístas adoçavam-se nas brandas “Que injusto, Daichi”.
Pela primeira vez, tão devagar que quase poderia julgar súbito, Sugawara Koushi orbitava em seu sorriso. E também pela primeira vez, pouquinho antes de fechar os olhos, Daichi descobriu que não era apenas para sorrir que Koushi cerrava bem apertados os olhos.
Notas finais
muito obrigada por ter lido e espero que tenha gostado!
Daisuga é um shipp muito amorzinho, tanto que eu hesitei centenas de vezes antes de escrever a história. Rs! Eu praticamente só escrevo Shizaya, o que significa que eu sou movida a tretas enormes e sofrência. Daí fiquei meses pensando em como conseguiria escrever algo que não fosse extremamente conflituoso e buscando alguma tempestade imensa para eles. No fim, depois de pensar um tempão, cheguei a conclusão mais óbvia do mundo: a coisa mais conflituosa do mundo pra fazer com dois personagens é colocá-los apaixonados! Hahahahhaha... Quer problema maior e mais cheio de conflitos pros dois lindos do que um primeiro amor?!
Enfim, espero que tenha curtido, e, se sim, me deixe saber! =)
Críticas são mais do que bem-vindas. (mesmo que seja um xingamento por ter aumentado a taxa de açúcar em seu sangue)
obrigada, mais uma vez,
beijo, beijo, =*
Yuki
ps. Yue, mil desculpas pela demora! Mas finalmente - finalmente!!! - saiu a história que há meses quero te dar! Espero que goste!
ps2. Agradeço imensamente, também, as lindas da Bex e da Mizzu, que me incentivaram imenso a escrever. ♥ Obrigada, gente! Vocês são tão lindas que vou morrer!
Fale com o autor