Seu Mordomo, num Encontro.
1 Capítulo único
Seu mordomo, num encontro.
Após cumprir com todo seu trabalho, Grell sentia-se entediado; não havia mais trabalho algum durante aquele fim de semana que viria. Era uma quarta-feira quando terminou seu último trabalho numa data mais avançada, que apenas o Shinigami estiloso possuía o direito de escolher.
- Araann... Sinto-me tão entediado... – soltando um suspiro longo, continuou em seguida – Aqui no século XXI é tudo tão agitado, tudo tão moderno! Deve haver algum tipo de diversão por aqui.
O ruivo caminhava pelas ruas, procurando por algo a fim de distrair a cabeça. Andou, andou, e parou apenas para observar um grupo de garotas fazendo barulho, agitadas por algum motivo; pareciam animadas.
- Bah, irritantes. O que será que as fazem tão contentes assim? – aproveitando sua invisibilidade aos olhos humanos naquele instante, aproximou-se por pura curiosidade.
- Kyaan, deu, deu!! 100% “paixão” com o darling!!
- Ooown, vocês tem mesmo que ficar juntos... se amam; isso sempre dá certo, SAPINO é muito legal!
Arqueando uma das sobrancelhas ruivas, Grell escutava de canto o que as garotas diziam, bem de perto. Tombando levemente a cabeça e esticando o pescoço, notou um papel riscado nas mãos de uma delas, não compreendendo o que seria. Um teste de amor? Aquilo o animou completamente, e acabou permanecendo ainda mais algum tempo curiando a conversa das estudantes.
- Me ensina como faz? Quero fazer comigo e com o Ti.
- Claro, é fácil! – E aproximando-se da amiga, começou a riscar um papel – Sabe o que é SAPINO, né?
- Sim, claro! Saudades, Amor, Paixão, Ilusão, Namoro e Ódio, não é?
Grell permanecia atento o tempo todo. Faria aquele teste com Sebastian! Com certeza daria 100% paixão também, era o que imaginava. Ouviu toda a explicação, chegando a anotar o que viria no seu livro dos Shinigamis. Começando por seu próprio nome, colocando um “e”, e na outra coluna colocar o nome de quem ama... a data de hoje... dia, mês, ano, e por fim a semana.
- OH, YEAH! Farei agora mesmo com Sebas-chaaa~n! – rapidamente apanhou sua caneta de trabalho, vermelha, com um pequeno crânio “delicado” na ponta, riscando o papel conforme seguiu o que foi explicado, rebolativo.
Decidiu colocar a data em que “seu Sebas-chan” estava, já que em seguida correria para lá. Dia 24 de Novembro de 1889. “Cortar as letras juntas iguais... contar.”
- EH? 130% de paixão? OOH, YEEAAH!! O dia especial será... hmm... cortar as letras que sobraram... dia 28!! OOH! Será domingo! Dia de folga! Sebas-chaaa~n, aí vou eu!! ~
Grell havia feito as contas, e dera exatamente como queria. O dia perfeito param que o amor deles desse certo! Agora o Shinigami se preocupava em como ter o domingo inteiro junto de seu amado.
- Moo~...aquele garoto pestinha poderia mandá-lo... pelo jeito, esta é ma única forma de passearmos sem Sebas-chan se preocupar com o moleque. – então, repetinamente, lembrou-se de como comprar Ciel facilmente – Ah! Aquele pirralho adora doces! Só pode ser isso! Como qualquer criança normal, vou comprá-lo com doces daqui, que são diferentes e ainda mais gostosos... hohoo~!
Rapidamente, o Shinigami afeminado correu até a melhor doceria que conhecia, pegando e comprando os mais caros e os melhores dos melhores doces que ali havia.
Enquanto isso, Sebastian, como um mordomo e tanto, cuidava dos afazeres da Mansão, enquanto Ciel lia seu jornal diário sozinho e quieto em seu quarto. Com uma feição mais emburrada do que o comum, recordava-se do acontecido, à poucos instantes atrás.
- Como ousou zombar de minha pessoa, mordomo imprestável...? – socando repentinamente a escrivaninha de mogno, irritado – Preciso de algo que o irrite ao extremo para me vingar...
Alguns minutos antes...
Sebastian havia servido o chá da tarde a Ciel, e apreciava calmamente este saborear o lanche preparado com tamanho esmero. Até então notar uma leve distração de seu jovem mestre, ao segurar sua xícara frente ao rosto, com o cotovelo apoiado na escrivaninha. O pequeno Conde permaneceu imóvel por alguns instantes, e um quase imperceptível sorriso no canto dos lábios finos tomou-o naquele momento. O mordomo não pôde deixar de sorrir ao presenciar aquela cena, então logo inclinou-se na direção do menor, aproveitando-se daquele momento de “fraqueza”.
- Bocchan, o que lhe causa tamanha felicidade a ponto de fazê-lo sorrir, hm? – abria lentamente um sorriso irônico em seus lábios largos, prosseguindo ao notar que Ciel agora lê prestava atenção – Seria devido à visita inesperada de lady Elizabeth ontem à tarde, ou ao casaco que ganhou dela, ou até mesmo ao precioso beijo que recebeu na face após a valsa...?
Sebastian fizera questão em dar maior ênfase à palavra “beijo”. Naquele momento o que mais queria era ver seu mestre se aborrecer, e ver sua face corar de vergonha; de fato, achava aquilo adorável. Irritando-se ao extremo, o pequeno soltou um grito, ordenando seu mordomo.
- Saia já daqui, mordomo inútil!
- Como quiser... – retirando-se a passos curtos e lentos, antes de sair, voltou os olhos ao jovem Phantomhive, fitando-o maliciosamente, pronunciando sutil e rapidamente uma onomatopéia de beijo – Chu!
Irritadiço, Ciel arremeçou a xícara que segurava na porta, errando o alvo e bufando em seguida. Pôde ouvir extremamente baixo um riso do mordomo, e grunhiu.
- Mattaku... Sebastian Michaelis, me vingarei com todas as minhas forças.
Após permanecer longos instantes resmungando sozinho ao terminar de comer, ouviu alguns barulhos no telhado. Estranhou, mas não se preocupou em saber o que seria, não teve o mínimo de curiosidade. Mal pôde imaginar que fosse Grell, saltitando alegremente pelo telhado, empolgado por ter certeza de que teria um dia “encantado” com o mordomo sedutor no dia 28, como havia dado no teste. Iria fazer aquela proposta com os doces a Ciel, tinha certeza de que o pivete aceitaria e mandaria Sebastian fazer tudo o que quisesse. Um dia inteiro com seu amado! Seus sonhos finalmente se realizariam. Saltou do telhado e apoiou-se na janela do quarto de Ciel, no andar de cima, logo se apressando e entrando pela janela, onde notou que Sebastian não estava. Aproximou-se rapidamente do menor, pegando-o de surpresa pelas costas, dizendo baixo:
- Shi-e-ru-kuu~n!
- AH! – com o susto, permaneceu estático, mas não sentia medo algum daquele Shinigami – O que quer aqui, Grell Sutcliff?
- Tenho uma proposta para você, queridinho~...
- Proposta...?
O garoto logo estranhou. Que proposta seria, e para quê? Teria a ver com aquele mordomo irônico? Aquele Shinigami poderia ajudar com a vingança que Ciel teria. Grell, sorrindo maliciosamente, desceu os dedos pelo rosto de Ciel, fazendo desenhos aleatórios ali, como uma sutil carícia.
- Preciso de sua ajuda para ter um dia perfeito junto de Sebas-chan! Araan...~ — o Shinigami forçava uma voz fina, um tom agudo que chegou a doer os ouvidos do menor.
- Tsc, que bobagem. Mas... qual seria a proposta? O que eu ganho com isso?
- Maravilhosos doces de um século mais avançado! O que acha, hmm~? – e abriu um sorriso ainda maior , fitando-o com sede no olhar – Seria uma ótima proposta! O que me diz, pirr... digo, benzinho?
Ciel permaneceu um curto instante pensando. “Um dia inteiro junto de Grell seria péssimo para Sebastian... seria o pior dia da vida dele; é exatamente isso o que eu precisava. Sem contar que tais doces de um século avançado seriam realmente irresistíveis.” Finalmente cessando seus “cálculos” sobre como Sebastian se sentiria, sorriu internamente, e logo voltou os olhos ao Shinigami, interrogando-o:
- E quais seriam as regras?
- Sebas-chan deverá fazer tudo o que eu pedir, hmm~? Exatamente TUDO! ~
- Hmm... aceitarei sua proposta. Qual dia escolherá para tal?
- Dia 28 deste mês.
- Até o pôr-do-sol. Não terei nenhum compromisso neste dia, por sua sorte.
- Oh, Shieru-kuu~n! Tens realmente um bom coração, ooh, sim! Terei um dia perfeito junto de Sebas-chan! Trarei no mesmo dia os seus doces, sim?
- Hm, então está feito. Daqui a quatro dias quero sem falta os meus doces, e então Sebastian será seu, até o pôr-do-sol. De acordo?
- De acordo, com toda a certeza!! Até logo, meu benzinhoo~!
“Sebastian será seu, até o pôr-do-sol”. Isso já deixava o ruivo excitado. Enquanto preparava-se para sair do quarto de Ciel da mesma forma como entrou, recordava-se alegremente de uma das últimas coisas que o pequenino havia dito. Aceitara a proposta tão rápido, nem parecia ser tão chato como sempre imaginou, pelo contrário! Dali em diante não o odiaria como sempre, iria recordar deste favor pelo restante de sua existência. Mas antes que saísse dali, Sebastian adentra o quarto de Ciel, e acaba por deparar-se com Grell ainda no recinto, prestes a sair.
- Bocchan...!?
- Obrigadinha, querido! Tenho que me retirar agora! – dizia Grell ao pequeno conde, e logo que notou Sebastian entrando, acenou também para ele – Oh, até logo, meu amado!
A expressão do mordomo mudara completamente naquele instante. O que aquele Shinigami queria com seu jovem mestre? Aproximou-se rapidamente de Ciel após Grell sair pela janela, pedindo desculpas.
- Bocchan, perdoe-me por não vir logo, ouvi incomuns ruídos vindos deste cômodo, vim o mais rápido que pude, eu...
- Sebastian.
- Sim, jovem mestre.
- Você terá um encontro com aquele Shinigami daqui a quatro dias.
Um encontro com Grell Sutcliff? Pasmo, Sebastian não sabia ao menos como reagir com aquela situação. Por qual motivo teria que fazer algo assim? Mudou sua expressão para uma chocada, suando frio.
- M-mas, bocchan...
- Sebastian! – interrompendo-o, Ciel seguiu o que ordenava, engrossando ainda mais seu tom de voz – Isso é uma ordem.
- Y-yes, my lord...
O que houve? Por qual motivo seu jovem mestre o daria uma ordem tão absurda? Sebastian permaneceu aflito, ainda mais por imaginar como Grell Sutcliff havia convencido Ciel para conseguir algo para si próprio.
- Bocchan, deveria ter me chamado, caso fosse uma ameaça... – estranhava, ao mesmo tempo que caminhava, seguindo temeroso para seus afazeres.
Aqueles quatro dias de temor e desespero passaram extremamente rápidos para o mordomo. Desejava tanto para que este dia nunca chegasse, porém o contrário aconteceu. Quanto a Grell, que tanto queria que se aproximasse o quanto antes, os dias demoraram mais do que o comum.
Ao chegar o dia tão esperado, Grell gastou quase todo o seu rímel nos cílios postiços para ficar belo o bastante para seu amado mordomo e tanto. Aproveitou a ocasião para usar sua sombra nova vermelha, mesclando com a preta para dar um efeito sedutor. Vestiu roupas do século XXI, já que ambos passeariam por lá, onde havia mais movimento e locais bem mais divertidos do que no século XIX. Vestia-se com uma blusinha de ombro caída vermelha, com o ombro esquerdo à mostra em partes, pois debaixo ainda vestia uma regata colada, combinando perfeitamente com a de tecido mais leve por cima; a calça jeans Cigarrete preta sem detalhe extravagante dava apenas ainda mais ênfase à blusa. Grell havia pensado muito nesses quatro dias, ambos precisavam de não só roupas como também locais à altura para ter um dia perfeito. Também comprou roupas para Sebastian, afinal, este também deveria usar roupas para um século avançado, “na moda”.
Seguiu alegre e ansioso até a Mansão do garotinho, saltando de telhado em telhado até lá, causando barulhos mais intensos nas calhas com o salto de sua bota estilizada de cano curto.
Adentrando à Mansão da mesma forma como a anterior, entrou pela janela do quarto de Ciel, não encontrando nem ele e muito menos Sebastian. Saiu do quarto, a procura de ambos, deixando os doces próximos à cama do pequenino, logo encontrando o mordomo no corredor.
- SE-BAS-CHAAA~N!!
- Mattaku, realmente veio, Grell...
Saltando até perto de Sebastian, Grell ajeitava seus cabelos atrás das orelhas após alisá-los delicadamente, em seguida se aproximando ainda mais dele e entregando-lhe uma sacola.
- Fiz questão de lhe trazer roupas à altura para você, Sebas-chaa~n! Seremos um casal tão liii~ndo!
- Vá se trocar, Sebastian. – aproximava-se Ciel, ajeitando sua gravata por ter acabado de se levantar, dirigiu-se ao Shinigami, sussurrando – Chegou muito cedo, Grell, tens o dia todo pela frente. Trouxe como o combinado, sim?
- Claro, meu benzinho, sem falta! – abaixando-se à altura do pequeno Conde, cochichou também – Estão no seu quarto, próximos à sua cama. Não deixe que meu Sebas-chan veja os doces, hm? Ah, espero que ele não demore para trocar as roupas! AWN! Ele ficará tão lindo nelas!
Sebastian havia obedecido a ordem de seu mestre, fora para seu quarto, e analisou as roupas estranhas, completamente diferente das que já havia visto anteriormente; mas ainda assim, as vestiu. Colocou a camisa preta, até um pouco simples, sem detalhes exagerados, fechando-a até o último botão do colarinho, e também os botões do punho, por cima do bracelete de espetos pequenos.
- Ao menos nas minhas vestes ele não exagerou... – enquanto olhava-se no espelho de seu quarto, analisando as vestimentas no próprio corpo – Acertou até mesmo na cor, ao menos nisso ele tem bom gosto.
Tirando calmamente sua calça social, dobrou-as com perfeição, deixando-a juntamente com seu fraque e sua camisa. Pegou a calça que Grell havia comprado, observou-a, analisando-a também. Era mais pesada, o tecido era bem mais grosso do que suas calças sociais; não reconheceu o jeans pelo motivo de não haver no século em que vivia. Detalhada com “rasgos”, era larga, quase caía; logo que fechou o zíper, colocou o cinto estilizado, exatamente como o bracelete. Em seguida, vestiu as botas com fivelas nos lados dos tornozelos, dando um laço perfeito no cadarço. Voltando a se olhar no espelho, ainda estranhava as vestes, mas não achava que era uma má aparência; era lógico que aquele estilo não combinaria com a época na qual estava, mas deveria ser um bom estilo para uma época mais elevada. Tudo combinava perfeitamente, todas com tons de preto, e os acessórios detalhados em prateado; fora um pouco do agrado do mordomo perfeccionista. Por fim, o mordomo vestiu uma luva sem dedos apenas na mão esquerda, escondendo o contrato. “Até nisto Grell pensou antes. Não fez mais do que a obrigação.” Colocou também a corrente no passante da calça jeans, junto dela o seu relógio de bolso.
- Preciso ficar atento ao horário... – dizia Sebastian, após vestir-se por completo, retirando-se dali em seguida.
- Sebas-chan~! Sabia que esta roupa cairia perfeitamente no seu belo corpo! – dizia o Shinigami ao se aproximar tão animado, dando passos rápidos em direção ao amado.
- Não se aproxime.
Antes que Grell o agarrasse, parou-o com sua mão esquerda, evitando que se aproximasse ainda mais e fizesse coisas desagradáveis consigo; afastou-se o quanto antes, sem tirar a mão do rosto de Grell, forçando distância.
- Uuuhr, assim vai borrar minha maquiagem! Shieru-kuu~n!
- Sebastian! – aproximava-se o jovem Conde, forçando uma expressão “amigável” a Grell, como um pedido de desculpas, em seguida voltando os olhos ao seu mordomo – Neste encontro, terá que fazer tudo como Grell desejar, começando desde agora. Entendido? – já voltava com sua expressão comum, emburrado.
- Yes... my lord...
Lento e provocativo, o ruivo se aproximou de Sebastian, alisando todo o seu tórax, acariciando-o vagarosamente, subindo os dedos até o colarinho com uma pequena arranhada, com suas unhas longas e vermelho-sangue. Desabotoando os três primeiros botões, aproximou seu rosto do de Sebastian, tocando seu pulso ao mesmo tempo.
- Começando por esta camisa completamente fechada...
Sebastian permaneceu quieto, não o olhava nos olhos por um instante sequer, sem dizer absolutamente nada. Apenas deixava que Grell fizesse o que quisesse nele, afinal, estava apenas obedecendo às ordens de seu mestre. Fitava um canto qualquer, com o olhar parado e frio. Grell aproveitava o momento para alisar seu amado, e também ajeitar a sua roupa, desabotoando o punho e arregaçando as mangas do moreno, deixando aparecer os braceletes.
- Agora já podem ir, se divirtam o quanto puder, mas apenas até o pôr-do-sol, não se esqueçam deste detalhe. Bom passeio. – Ciel, enjoado de ver toda aquela ação do Shinigami, decidiu tomar a palavra, não queria ter que presenciar toda aquela tortura, mesmo que chegasse a ser engraçado.
Sarcasmo. Ironia. Ditério. Sebastian nunca sentira tamanha aversão por seu próprio jovem mestre quanto naquele instante. Por qual motivo Ciel havia feito aquilo com ele? Sebastian se perguntava, enquanto ia descendo as escadas ao lado do ser que mais odiava no mundo, ainda tendo que aturar sua voz irritante e sua proximidade a mais do comum, para piorar, de braços dados.
- Aproveitarei muito bem este dia, Shieru-kun! Obrigado! – se dirigindo a Ciel, lhe mandava uma piscadela, enquanto descia os últimos degraus da escadaria, abraçado ao braço de Sebastian.
- Aproveite como bem quiser... – dizia Ciel, mais para si mesmo do que para o Shinigami, deixando escapar um sutil sorriso nos lábios de pura zombaria com seu mordomo.
Seguindo em direção a seu quarto, pôde notar uma quase pirâmide de grandes pacotes de doces. Adentrando no seu cômodo, tocando em alguns deles, reparou que eram completamente diferentes uns dos outros. “Devem ser um mais gostoso que o outro!” Rapidamente pegou um deles, retirando o plástico à sua volta; já ia levar à boca, mas lembrou-se que poderia haver algum tipo de veneno, ou qualquer poção, se tratando daquele Shinigami, faria qualquer coisa para ter Sebastian só para ele. Simplesmente arremessou pela janela para Pluto, que cheirou e rapidamente abocanhou e saboreou o doce, sem sofrer nenhum dano.
- Hm, parece que dá para confiar.
Pegou mais um deles, abrindo-o aos poucos, levando-o até os lábios. Mordendo um pedaço, acabou por deixar escorrer o delicioso recheio de licor pelo seu queixo; mastigou-o com prazer, saboreando o delicioso gosto que possuía o bombom. Abrindo os olhos, mudou sua expressão para uma surpresa, ao apreciar tamanho prazeroso sabor.
-É realmente delicioso! Hmm, tenho que escondê-los antes que eu coma todos de uma só vez... – dizia o pequeno, enquanto fitava a irresistível montanha de doces – Acho que valeu a pena ter me vingado desta forma de Sebastian...
Aos risos, Ciel sentou-se à escrivaninha, pegando mais um daqueles doces, comendo-o e saboreando-o; mal terminou de mastigar um, já pegou outro, aproveitando enquanto Sebastian não estava por perto para proibir a quantidade de doces de si.
Enquanto o jovem Conde se “divertia” com sua montanha de doces, Grell já planejava com Sebastian onde iriam primeiramente, um local que fosse de diversão; esse era do agrado do Shinigami, pois do agrado de Sebastian, seria estar o mais longe possível dele.
- Sebas-chan, onde iremos primeiro? Tenho tantos planos para nós dois, meu beee~m!
- Escolha você.
- Hmm~, tão romântico de sua parte deixar para eu escolher um lugar perfeito, não? – abrindo aquele sorriso serrilhado, o Shinigami abraçava ainda mais forte o braço de seu amado, dando-lhe um ligeiro beijo no ombro – O que acha de irmos a um parque do século XXI?
- Tanto faz.
- Moo~, Sebas-chan! Por que não fala direito comigo? – fitava-o, com expressão aborrecida – Vou contar tudo para o pivetinho!
Sebastian permaneceu com a mesma expressão, sem mover ao menos um músculo sequer, apenas desta vez fitava o rosto do ruivo, ainda com frieza no olhar. Aos poucos, notou uma sutil aproximação de Grell, mas antes que ele visse, sem ele notar, deu um passo para trás, afastando-se dele.
- Vamos, Sebas-chaa~n... me dê um sorriso... – Grell aproximava-se aos poucos novamente de Sebastian, tocando levemente o seu rosto, pronunciando pausadamente – Sor-ri-aa~!
Sebastian parou no mesmo instante de andar. Grell olhava-o ansioso, esperando pelo sorriso tão esperado, que havia pedido com tanto carinho. Sebastian, ainda fitando o nada, primeiramente fechou os olhos e respirando fundo, pegando um pouco de fôlego, soltando suavemente o ar pelos lábios. Fitou os olhos de Grell, ainda frio, forçando o máximo que pôde, dois milímetros de cada lado, forçadamente. Grell, saltando alegremente no pescoço do amado, gritou de alegria:
- OH, YEAH! Assim eu me apaixono ainda mais, Sebas-chaaa~n!! – após apertá-lo com carinho, logo o livrou, mas permaneceu segurando em seu braço – Agora vamos, querido, não podemos perder nosso precioso tempo! Vamos para um parque num século mais avançado, já decidi.
O Shinigami logo tomou a iniciativa e puxou o mordomo demoníaco pela mão, e com sua mão desocupada abria um portal no ar, que os levaria para o século XXI. Sebastian não se impressionou com o feito, não se sentia interessado por nada vindo de Grell. Enquanto entravam nele, Sebastian pensava consigo “Quantas horas ainda faltam para acabar esta tortura...? Ainda há muito para o pôr-do-sol...”
Após atravessarem aquele portal feito pelo ruivo, chegaram finalmente no século avançado, saindo em um beco escuro, sem saída, apenas para que ninguém visse ambos saírem de uma “coisa”; afinal, aos olhos humanos, aquilo não seria nada comum. Mas para Grell, o motivo de chegarem exatamente naquele beco, não era apenas aquele...
- Aaahn, aqui, longe do olhar de todos, num beco estreito e escurinho... Ooh, Sebas-chan... Local perfeito, não acha? Humm~? – dizia o Shinigami num sussurro, enquanto aproximava-se lentamente de Sebastian, ficando com o rosto próximo ao dele – Numa hora perfeita, época perfeita...
Sebastian suava frio. Nunca sentira uma sensação parecida. Como reagir naquela situação? Seu rosto tão próximo ao dele, chegava a causar náuseas. Como fugir dele? Como escapar? Se dissesse algo, se tentasse qualquer coisa, iria mandá-lo voltar; não por Grell, mas sim por seu mestre, não queria desobedecê-lo. Uma ordem de seu mestre deveria ser cumprida do começo ao fim, sendo o que fosse. Só não precisava chegar à tamanha tortura... Não tendo outra escolha, simplesmente foi obrigado a segurar em sua mão, querendo ou não, puxando-o para fora dali, desviando sua atenção para outro lugar.
- Oh, aquele não seria o tal parque que mencionou antes, Grell-san?
- Eh...? Ah! – sendo puxado por Sebastian, não pôde dar continuidade ao que havia planejado – E-espere um pouco, Sebas-chaa~n!!
Sendo puxado até lá, Grell por fim guiou Sebastian até a entrada, pagando os ingressos e em seguida seguindo até dentro do parque. Antes de esperar em qualquer fila, olhou-o com o rosto levemente corado, ainda segurando em sua mão.
- Sebas-chan... Você tem uma pegada tão forte, me puxando daquele jeito para fora do beco... Hmm~! Quero que toda vez que segurar em minha mão, segure com esta sua pegada forte! Oo~h! – abrindo um enorme sorriso nos lábios finos, mudou um pouco de assunto – Bem, Sebas-chan, estamos aqui! Nunca viu um parque de diversões antes, não é, querido?
- Nunca.
- Nada como ir a um lugar divertido ao lado de quem realmente ama, não acha...?
- É.
-Sebas-chan! Pare de ser tão frio comigo!
- Estou apenas respondendo às suas perguntas.
- Muito frio! Quero você mais carinhoso comigo... – e, pegando em seu braço, continuou – Vamos naquela montanha russa!
Apenas seguiu o Shinigami, obrigado a fazê-lo. Foram à montanha russa, à torre, ao carrinho bate-bate, aos brinquedos aquáticos. Tediante. Sebastian nunca teve tamanho desejo para que o dia chegasse logo ao fim. Ainda era tão cedo, a hora parecia não passar nunca, para Sebastian era uma eternidade. Todo instante olhava em seu relógio de bolso. Não se animava em nenhum dos brinquedos que iam, não via graça alguma naquilo tudo. Queria apenas que chegasse logo o pôr-do-sol. Quanto a Grell, não parava de gritar dentro dos brinquedos, ria, sentia a diversão, a aventura, e tentava chamar a atenção do amado, que de nada adiantou.
- Sebas-chaa~n! Você não se animou em nenhum dos brinquedos! Sorria um pouco maa~is! – agarrado ao braço do moreno, falava alto – No carrinho bate-bate você foi muito cruel! Bateu com o carrinho muito forte no meu!
- Estava participando da brincadeira, como você mesmo pediu, apenas.
- Participando da brincadeira? Eu quase capotei do carrinho!! Queria me matar, é?
- Sim.
- Moo~! Não fale assim comigo! – fazia uma expressão emburrada, mas logo a mudou para uma extremamente contente – Sebas-chaa~n!! Vamos à roda gigante!
O mordomo tão temido por tantos assassinos, e tão bem-visto por nobres, estava tão desanimado naquele dia de tortura. Estar ao lado de quem mais odeia num lugar extremamente indiferente para ele, era motivo para depressão. Mas não chegou a isso, quis demonstrar-se forte, persistente, não desobedeceria a seu mestre por um motivo de desgosto próprio. Teria alguma graça para alguém girar até sentir tonturas num brinquedo incôndito como aqueles que foram? Ir a um carrinho veloz que dê voltas e voltas? Molhar-se à toa por causa de um brinquedo? Quem chamaria algo assim de diversão? O mordomo ainda estava incrédulo por ainda haver tantas pessoas tolas num local tão insípido. Agora o que Grell queria, ir à roda gigante. Onde as pessoas acham diversão em coisas banais assim? Apenas o seguiu, sem esperar na fila, como nos outros brinquedos, para um instante de felicidade para Sebastian. Mas ele não imaginava o que o esperava...
- Oo~h, Sebas-chan!! A roda gigante é o brinquedo que os casaizinhos mais adoram! É tãã~o romântico!
- Romântico?
Ao entrarem no brinquedo, Sebastian sentou-se após Grell, à sua frente, por pedido do Shinigami. Grell parecia estar tímido, sem jeito, acanhado. Arqueando uma sobrancelha, o mordomo desconfiava o que o ruivo queria fazer; ficou atento o tempo todo. Sentia o brinquedo se mover, conforme subia vagarosamente. Sebastian olhava o lado de fora pelo vidro, evitando olhar nos olhos do ruivo. Repentinamente, sentiu o toque das mãos de Grell, seus dedos enormes deslizando-se pela palma da sua mão. Sentiu um horrível arrepio na espinha, suando frio. O Shinigami aproximava-se conforme o carrinho subia. Até o instante que o brinquedo parou, e o carrinho em que estavam ficou exatamente no local mais alto da roda gigante.
- Sebas-chan... meu coração está tão acelerado... Sinta, sinta! – erguendo a mão de Sebastian, Grell fazia com que ele sentisse seus batimentos no coração, timidamente.
- É.
- Sebas-chan me ama, não ama? Diga que sii~m...
- Amo. – respondeu, frio, ainda olhando o lado de fora, forçando uma mentira.
- Não, não, fala direito! Olhando nos meus olhos, diga “Eu te amo, Grell”, sem frieza!
Sebastian nunca mentia. Não gostava de mentir, não era de seu feitio. Soltando um suspiro de desprazer, desviou os olhos do lado de fora, olhando nos olhos de Grell, evitando ser menos frio o possível. Estreitou os olhos, inclinado, com seu rosto próximo ao dele. Tomou fôlego, e apenas repetiu o que Grell queria que dissesse, “roboticamente”.
- Eu te amo, Grell.
- OOOOO~H!!!! Sebas-chaaa~n!!! – dando um salto, o Shinigami comemorava, fazendo o carrinho balançar, tombar de um lado para o outro – Nunca estive tão feliii~z!!!
- ...
O Shinigami afeminado não parava um instante de chacoalhar loucamente o carinho que estavam. Sebastian não mudava sua expressão, permaneceu da mesma forma o tempo todo. Aquilo que havia repetido não significou absolutamente nada para ele, já que, afinal, não fora dito com veracidade. Voltou a fitar o lado de fora, já que o que estava dentro não era de mínima importância para si.
Grell sentia-se tão contente, saltava, chacoalhava o carrinho de tanta alegria e amor que sentia. Nunca imaginara que seu tão amado Sebastian se declarasse para si. Sentia tanta vergonha, mas ao mesmo tempo era louco para saltar para cima de Sebastian e enchê-lo de beijos e carícias, dizer e demonstrar o quanto o amava. Mas havia aprendido com as humanas que uma dama não pode ser tão atirada, se não era mal vista aos olhos dos homens. Não era apenas pela timidez que evitava agarrões.
Então, antes que o carrinho começasse a andar novamente, Grell cessou com suas comemorações, e inclinou-se em direção ao mordomo, aproximando-se lentamente. Levou uma das mãos até o rosto dele, fazendo-o olhar novamente em seus olhos. Aproximando-se um pouco mais, fechou os olhos vagarosamente. Nada os atrapalharia naquele momento, estavam sozinhos, no alto. Um momento de coragem e iniciativa, o coração do Shinigami estava acelerado. Sebastian, ao ser tomado de surpresa, suava frio novamente. Grell Sutcliff iria beijá-lo? Como escapar daquela situação novamente? Não poderia usar a mesma tática. Mas o ruivo havia soltado o rosto de Sebastian, isso já era o suficiente para fugir de alguma forma. Teria que sacrificar-se de outro jeito para poder escapar de uma tentativa de beijo. Mexeu-se dentro do carrinho, fazendo-o balançar e forçando uma queda de Grell, mesmo que fosse ao seu próprio colo. Planejado e calculado com tamanha perfeição, Grell caíra exatamente como Sebastian havia imaginado: o ruivo tombou para frente, caindo com o rosto no peito do mordomo.
- Ooh...!
- Parece que o carrinho está com algum problema.
- Não vai perguntar se estou bem?
- Está bem?
- Sim, sim, estou bem... Ao menos caí sobre seu peito, Sebas-chan...~!
- É.
Grell timidamente aconchegou-se ao peito de Sebastian, passando agora a sentar-se ao seu lado. Com o rosto levemente corado, o ruivo ergueu o rosto, fitando Sebastian novamente, com olhar pedinte.
- Sebas-chan, acaricie meus cabelos...?
O desejo de Sebastian era de enfiar um soco com sua força máxima na cabeça daquele Shinigami, e assim demonstrar os seus sentimentos, os verdadeiros sentimentos, claro, o ódio que tanto sentia por Grell. “Um dia, apenas um dia... Apenas mais algumas horas, não mais do que isso.” Levando as mãos até os longos cabelos do Shinigami, passou os dedos por eles, fazendo-lhe carícias, desgostoso.
Após saírem da roda gigante...
- Sebas-chan~! Agora quero que faça uma coisa para mim!
- O que quer agora? – perguntava Sebastian, frio, com tom irônico na voz.
- Quero que pegue um daqueles ursos de pelúcia para mim!
Aproximaram-se da barraquinha de jogos, da preferência de Grell, dos jogos de “bola na lata”.
- Você tem três chances! Será que irá acertar? – dizia o homem da barraquinha dos jogos, duvidando de Sebastian – Poucas pessoas conseguem e...
- Me dê a bola.
Enquanto Sebastian se preparava para arremessar a bolinha nas latas empilhadas, algumas garotas se aproximavam, fazendo barulho; duas delas cochichavam entre si, admirando a enorme beleza de Sebastian. Ele, claro, fez questão te prestar sua atenção a elas, olhando-as discretamente.
- Olha só que gato!
- Ele é mesmo lindo!
Após olhar bem para as garotas, mordomo decidiu se exibir um pouco para as garotas, para se “distrair” um pouco daquela tortura. Tomou posição, com sua mão esquerda para trás ao segurar a bolinha, e num instante de segundo arremessou a bolinha para exatamente o meio das latas, derrubando todos num só tiro. Logo após o arremesso, olhou para trás, voltando os olhos para as garotas que gritavam loucamente ao admirarem seu talento e sedução. Grell, logo que notou que Sebastian havia acertado e ganho o prêmio, rapidamente abraçou-o por trás, beijando seu ombro seguidas vezes, subindo ora ou outra para a nuca, causando arrepios desagradáveis ao mordomo.
- Sebas-chan, você conseguiu! Kyaaa~hn!
- Eu nunca erro. – dizia Sebastian sorrindo, enquanto fitava as garotas agitadas.
- Ele é tão lindo... pena que já é comprometido... – dizia baixo para sua amiga, num tom suficiente para Sebastian poder ouvir.
- Olha, olha, ele está olhando para cá!
- Kyaahn! É para a gente mesmo!
Enquanto o Shinigami escolhia o maior prêmio, um gato enorme de pelúcia que lá havia, Sebastian sorria enquanto olhava as garotas agitadas e saltitantes. Grell estava todo sorridente, até o momento em que se virou para agradecer seu amado; mudou completamente sua expressão ao notar as garotas se engraçando com Sebastian, e sentiu uma rajada de ciúmes.
- Hey, hey, piranhinhas!
- Pira...nhinhas? – Sebastian desconhecendo o termo, confuso ao fitar Grell.
- Parem agora mesmo de olhar meu Sebas-chan! Ele não é para o bico de vocês! – no mesmo instante o ruivo abraça Sebastian por trás, e, ainda se dirigindo às garotas, prosseguiu – Não notaram ainda que estamos tendo um encontro? Diga a elas, Sebas-chan.
- Estamos tendo um encontro. – respondeu Sebastian, frio como sempre, apenas “obedecendo” a Grell.
As garotas se pasmaram. Ao ver o rosto frio de Sebastian, pensaram que ele agia desta forma por causa da presença delas ali, e ficaram entristecidas; afinal, ele havia ficado bravo por seu namorado ter sentido ciúmes de si, era o que pensavam elas. Conversaram entre si tristemente algo sobre “um amor proibido” e também “vamos embora”. Rapidamente Grell virou-se para Sebastian, orgulhoso:
- Sebas-chan foi tão mau com as garotinhas irritantes! A-do-reee~i seu tom de voz bravo com elas!
- Hm.
- Aaawn, Sebas-chaa~n... – desviando os olhos de seu amado, Grell olhava para uma outra barraquinha, onde vendia vários tipos de doces, e logo virava-se para Sebastian novamente – Vou pegar um daqueles doces para mim, vai querer, meu bem~?
- Não, coma você.
- Humm~, vou pegar uma maçã do amor!
- Vá.
Antes que fosse pegar sua maçã, o Shinigami abriu um portal, pouco diferente do que usaram para atravessar séculos, um menor, apenas para mandar seu prêmio para o mundo dos Shinigamis, após tanto apertá-lo; era realmente uma graça, e havia sido do agrado até mesmo de Sebastian. Após o feito, mesmo com tamanha frieza do mordomo, o Shinigami foi contente pegar uma maçã do amor, o mais rápido que pôde para que não perdesse seu precioso tempo ao lado do seu amor. Logo que voltou, aproximou-se aos poucos do mordomo, em uma das mãos a maçã e a outra ocupada em fazer carícias nos cabelos negros de Sebastian.
- Sebas-chaa~n...
- Diga logo o que quer.
- Humm~... – aproximando-se ainda mais de Sebastian, estendeu-lhe a sua maçã, oferecendo – Vamos dividí-la?
“Se não irá conseguir comê-la inteira, por que comprou?”, pensava o moreno, enquanto fitava a maçã do amor, impacientemente. Já Grell permanecia fitando Sebastian nos olhos, esperando que se aproximasse, ansioso. Sebastian, mesmo temendo o que o Shinigami faria, aproximou-se vagarosamente. Não poderia negar um pedido dele, estaria negando um pedido de seu jovem mestre. Aproximou-se um pouco mais, abrindo os lábios e, sem perceber, deixou que seus caninos aparecessem, o que deixou Grell ainda mais excitado. Ao notar que o mordomo se aproximava para morder a maçã, Grell logo se aproximou também, para que mordessem ambos ao mesmo tempo. Os lábios abertos tocaram rapidamente a maçã, para que desse uma mordida de um tamanho suficiente para que Grell não tocasse seus lábios do outro lado. Separando-se rapidamente dali, mastigou o pedaço da maçã sem saboreá-la, e logo o engoliu. Mesmo sem saber o significado daquilo, não foi de seu agrado.
- AWN, SEBAS-CHAA~N! Isso foi tão romââ~ntico! Agora ficaremos juntos para sempre!
- Mattaku...
Mesmo após se afastar, Grell continuava persistente, aproximando-se novamente e agarrando-se ao braço de Sebastian, animado. Logo o abraçou, permanecendo alguns instantes se “afofando” no peito do amado, o apertando fortemente contra seu corpo.
- Sebas-chaa~n, o que acha de irmos ao cinema...? Assistiremos a um filme bee~m sangrento, um ao lado do outro... Assistir a um filme assim ao seu lado seria tãã~o maravilhoso! – aproximando seus lábios da orelha de Sebastian, continuou, aos sussurros – Vamos...?
- Vamos logo.
Ao dizê-lo isso, deu um passo rápido e largo para frente, deixando que o ruivo tombasse para o lado, completamente sem equilíbrio, apoiando-se na parede para não cair. Gritando por seu nome, emburrado, chamou-o para que o ajudasse e o desse o braço novamente.
- Sebastian, seja mais delicado! Moo~!!
Após forçar a voz aguda para chamar o mordomo, Grell correu até Sebastian, puxando-o brutamente para perto de si, com um pequeno ar de aborrecimento, caminhando ao seu lado. Queria estar com ele, ao menos aquele dia. Queria ter apenas um dia perfeitamente romântico ao lado do homem que tanto ama. Caminhavam em direção ao cinema, e Grell, desta vez, não segurava o braço de Sebastian. Timidamente, aos poucos o ruivo se aproximou de Sebastian, tocando-o em sua mão vagarosamente, deslizando-se numa carícia das costas até os dedos da mesma. Seu coração estava batendo tão forte! “Oh, o amor...”, pensava o Shinigami enquanto, tímido, recostou suavemente a cabeça sobre o ombro do moreno. Bufante, Sebastian virou seu rosto para o lado contrário a Grell; não poderia fazer nada contra ele, afinal. Mesmo enraivecido com tudo aquilo, apenas permaneceu andando em direção ao cinema, cansado de tamanha tortura que passava, e ainda passaria.
Após entrarem no Shopping e comprarem os ingressos para o filme “Sangue para todos os cantos”, Grell pediu para que Sebastian comprasse uma pipoca grande para dividirem, e acharia um lugar perfeito para sentarem. Procurando pelo local onde vendia tais pipocas mencionadas pelo Shinigami, Sebastian resmungava sozinho, reclamando daquele fatídico dia.
- Mattaku... este é o pior dia de minha existência.
Ao encontrar um balcão, aproximou-se, logo avistando a atendente, e sorriu maliciosamente, tocando o queixo da mesma de surpresa.
- Com licença, poderia trazer-me a maior porção de pipoca? – e, aproximando-se do rosto da garota, dizia em tom baixo – A maior porção, absurdamente quente, por gentileza...
- SE-BAS-TI-AAAN!! – ao longe, Grell logo que viu aquela cena berrou irritadiço, apressando-se e ficando próximo a Sebastian – Mas será possível? Está querendo me fazer ciúmes, é? – e, dirigindo-se à atendente, que não entendia mais nada, berrando novamente – E você aí, me dê logo essa pipoca! JÁ!!
Completamente aborrecido, o Shinigami puxou Sebastian pelo braço, pegando a pipoca com grosseria após pagar, seguindo até a sala onde assistiriam ao filme, em seguida. Sentaram-se no local onde Grell havia escolhido com carinho, sentando-se um ao lado do outro, esperando pelo filme.
Já no meio do filme, Grell fitava Sebastian ao assistir o filme. Estava tão bonito, mesmo tão sério daquela maneira. O perfil perfeito, o nariz, os lábios, os olhos... Grell não conseguia tirar os olhos de seu amado, não cansava um instante de apreciar cada detalhe de seu belo rosto. Tímido, o Shinigami levou sua mão até a do mordomo, tocando-a com carinho, alisando-a suavemente. Sebastian, logo que sentiu a mão masculina deslizar-se pela sua, logo olhou em direção ao Shinigami, que ainda o fitava, com os olhos levemente estreitos; o mordomo temia qualquer ação de Grell. Aquela situação estava sendo extremamente romântica, apenas para o ruivo. Corado, aproveitou o momento e se aproximou ainda mais de Sebastian, fechando os olhos lentamente ao se ver olho no olho com ele. Aproximou-se um pouco mais, prestes a beijar seu amado, fechando de vez os olhos, e deixou apenas o seu coração falar. Já Sebastian, logo que percebeu a aproximação a mais do comum do Shinigami, arrepiou-se por completo, dos pés à cabeça, por puro entojo. Não podia inclinar-se para trás para desviar do ruivo, a cadeira era estreita. Suando frio, pensava pavorosamente em algo para que Grell não se aproximasse ainda mais. Não hesitando em fazer como planejado, rapidamente pegou uma porção de pipocas, depositando-as brutamente o mais rápido que pôde dentro da boca do outro.
- N-não quer um pouco de pipoca, Grell-san? – forçando um sorriso, Sebastian tentava ser “amigável”.
- Eh...? – engoliu de uma vez aquele monte de pipocas, logo em seguida continuando – Sebas-chan foi tão romântico me dando pipoca na boca... Oh, assim eu fico sem jeito, Sebas-ch...!
- Vamos assistir ao filme.
Após permanecer o restante do filme agarrado no braço de seu amado, o Shinigami não via a hora de conseguir outra boa oportunidade para dar seu tão esperado beijo apaixonado em Sebastian. Precisava apenas de uma oportunidade! Apenas mais uma. Não iria pedir, de forma alguma; pedir por um beijo seria algo “sem magia”. O que Grell realmente queria era uma “aproximação por acaso”, num cenário romântico, com uma música de amor fazendo uma trilha sonora. E então, finalmente, o encontro tão esperado de lábios e de línguas, se acariciando, sentindo uma a outra, os corações acelerados. “Um beijo de Sebastian Michaelis seria lento, romântico, suave, num ritmo perfeito, com carícias delicadas; como numa valsa, onde o casal se deixa levar pelo ritmo lento da música? Ou também poderia ser um beijo bruto, jogando-me na parede com fervor, juntando seu corpo ao meu com fome excessiva, quente e sedutor; como num tango, o ritmo proibido, onde o homem leva a dama a delírios ao apenas levá-la num passo quente?” Só de pensar, o ruivo se arrepiava de prazer, animando-se ao imaginar como seria a próxima oportunidade que teria.
Então, caminhando em direção à saída, Grell avistou uma lanchonete do próprio Shopping, e animou-se; no mesmo instante virou-se para Sebastian, com um enorme sorriso nos lábios, com um ar meigo.
- Sebas-chan, vamos ali tomar um Milk Shake juntinhos?
- Vamos.
Deram as mãos e correram até lá, aproximando-se da lanchonete, e logo pedindo uma taça grande para que ambos tomassem juntos, cada um em seu canudo, na mesma taça. Sentaram-se numa mesa estreita, um de frente para o outro; Grell estava mais calado, já não falava tanto o tempo todo como o comum. O que mais fazia era apreciar as belas pupilas vermelhas que o moreno possuía naquele instante. Sebastian, a todo momento, desviava os olhos para outro lugar, evitando ter que olhar o Shinigami nos olhos, irritantemente amarelo-esverdeados. Não era nem um pouco de seu agrado olhar para a cara daquele homem afeminado o dia todo, principalmente tão próximo daquela forma. Precisava de algo para, ao menos por alguns segundos, estar longe de Grell Sutcliff... Olhou para a lanchonete ao longe, e notou um garçom trazendo o que haviam pedido. Olhou nos olhos de Grell e sorriu falsamente.
- Grell-san, irei buscar para nós.
- Iiaaa~n, deixe que o garçom traga, e...
- Estou sendo gentil, meu bem.
“Meu bem”? Ele havia de fato chamado o tão apaixonado Grell de “meu bem”? O que houve? Sebastian havia finalmente aceitado os seus sentimentos, guardados há tanto tempo, e gora passava a o tratar com o carinho que merece? Oh, tolos pensamentos do Shinigami apaixonado. Aquela simples frase que não teve significado algum para o mordomo era apenas uma “desculpa” para poder se safar daquela situação que parecia ficar cada vez mais intensa a cada vez que seus olhos se encontravam aos dele. Chamá-lo de “meu bem” foi de fato um custo, mas teve que se sacrificar de alguma forma, já que não houve outra para escapar por alguns instantes dali; ao menos aquilo havia funcionado. Grell ficou estático, com um sorriso bobo nos lábios, enquanto Sebastian erguia-se e retirava-se dali. O Shinigami o seguiu com os olhos até que o perdesse de vista...
- Faltam poucas horas para o pôr-do-sol. – falava o mordomo já irritado com aquilo tudo, averiguando seu relógio de bolso, e logo em seguida direcionou-se para o garçom – Deixe que eu mesmo leve.
Pedindo licença ao garoto, apanhou das mãos pequenas dele a bandeja com a grande taça com o Milk Shake, já virando-se para ir até Grell novamente, mas foi interrompido pelo garçom; Sebastian virou-se para ele novamente, olhando-o curioso de certa forma. O garoto o olhava estranhamente encantado, com os olhos brilhando. Nunca vira um homem tão gentil assim antes. Seria Sebastian um homem ideal?
- O-o senhor é tão gentil com seu par... Admiro muito isso. – respondeu o garçom com uma voz afeminada, um tanto acanhado – Você e seu par formam um lindo casal homossexual!
- Shitsurei...
O mordomo sentiu um repugnante arrepio gelado percorrer por todo o seu dorso ao ouvir a última frase dita pelo garoto. “Você e seu par formam um lindo casal homossexual!”... “... você e seu par...” “... um lindo casal homossexual...”... “... lindo casal...”... “... homossexual...”... “... HOMOSSEXUAL...”... Palavra por palavra latejava e rebatia-se dentro da cabeça de Sebastian. Já não bastava ter que aturar um dia inteiro junto de um Shinigami afeminado? Já havia chegado ao seu limite. Como alguém acharia algo assim bonito? Se não fosse por seu mestre, já teria arrancado a cabeça de Grell há muito tempo... Ao erguer os olhos, desgostoso ao procurar a mesa em que estava sentado junto ao ruivo, escolheu o caminho mais demorado para se chegar até lá. Grell o esperava ansiosamente...
- Sebas-chan... obrigado!
Sentou-se sem dizer nada, à frente de Grell novamente, evitando olhá-lo nos olhos; logo depositou a bandeja na mesa, ajeitando-se na cadeira em seguida. Sentiu um breve calafrio ao notar as pernas do ruivo roçarem suavemente nas suas, gelando no mesmo instante; o mordomo preocupava-se com o que o Shinigami tramaria desta vez, desviando rapidamente suas pernas dentre as pernas do outro. “Mattaku...” Sebastian não conseguia pensar em mais nada, apenas temia o que aconteceria dali em diante. Grell logo depositou os lábios no seu canudo, olhando o moreno nos seus olhos vermelhos, dando indícios para que eles tomassem ao mesmo tempo. Após o ruivo sugar uma boa porção do Milk Shake, revirou os olhos e logo se direcionou a Sebastian.
- Nii~n! É maravilhoso! Tome um pouco, Sebas-chan~! Está delicioso, tome junto comigo, hmm~?
O espaço entre os canudos era realmente estreito demais. Presenciou Grell colocar a boca ali novamente, o chamando, sendo obrigado a obedecê-lo, de qualquer forma. Agiu naturalmente, depositando seus lábios grossos no canudo, sugando o mínimo possível daquela bebida, frente ao rosto do Shinigami, ainda mais próximo do que anteriormente. O coração de Grell rebatia-se dentro de seu peito, acelerando-se novamente. Ao reparar que uma das mãos de seu amado repousava-se sobre a mesa, atreveu-se, entrelaçando seus dedos por entre os dele, juntando ambas as mãos vagarosamente, acariciando-a. O ruivo apreciava os lábios de Sebastian ao sugar o líquido consistente, envolvendo totalmente a ponta do canudo. Teve um breve sonho daqueles mesmos lábios grossos tomando brutamente os seus, num beijo quente e molhado. Terminou rapidamente o Milk Shake, separando os lábios do canudo, olhando firmemente nos olhos do mordomo. Aproveitando a inclinação de ambos os corpos para se aproximar ainda mais dos lábios de seu amado, virando levemente a cabeça para um dos lados ao se aproximar lentamente, com os lábios entreabertos e o coração acelerando-se cada vez mais dentro de seu peito. Sebastian suava frio, sentindo arrepios várias vezes seguidas na espinha, aturando o rosto daquele Shinigami se aproximando cada vez mais do seu. Engoliu seco. Já não sabia mais como agir, desta vez não havia como escapar; se ninguém o salvasse daquela situação, o jeito era “deixar levar”. Teria que sentir os seus lábios se tocarem aos de Grell Sutcliff, não havia mais jeito. Só de imaginar algo assim, desanimava ainda mais, e não se via mais como o mesmo Sebastian de antes. Não tinha escapatória. Apertou os olhos, não queria ver os lábios do outro se aproximar ainda mais dos seus. Aquilo era de fato uma tortura... Inclinava-se para trás, mas Grell aproximava-se ainda mais, inclinando-se a cada instante. A mesa na qual estavam era pequena, não havia como fugir. Já sentia a respiração do ruivo em seus lábios, não queria aquilo, de forma alguma. Quanto mais tombava para trás, mais o Shinigami se inclinava para cima de si. Sebastian sentiu seu corpo inteiro gelar completamente ao sentir um breve roçar dos lábios do ruivo aos seus, foi então que tombou ainda mais seu corpo junto à cadeira para trás, e...
- AH~!
Ambos caíram ao chão. O mordomo apenas teve tempo para jogar o Shinigami para o lado, evitando que caísse por cima de si e causasse uma situação ainda pior, mesmo ainda estando de olhos fechados. Ao finalmente abri-los, Sebastian rodou os olhos por todo o seu redor, vendo todos olhando para eles, ali caídos. O mordomo sentiu-se tonto após tamanha pressão, tamanho asco de Grell querer beijá-lo.
- V-vocês estão bem? – aproximava-se o mesmo garçom de antes, preocupado.
- Estamos bem.
- Sebas-chan, ajude-me a levantar! Me pegue no colo, eu machuquei o tornozelo na queda quando caí para o lado...
Com todos olhando, Sebastian ainda teria que levá-lo no colo? Já chegava a ser abuso demais! Infelizmente não podia dar um cascudo naquele Shinigami e muito menos desobedecê-lo, de qualquer forma. Fitou-o com olhar frio e desgostoso, arqueando uma das sobrancelhas, abaixando lentamente e pegando-o nas pernas, preparando-se para ajeitá-lo em seu colo.
- Ah-ai... cuidado com esta perna, meu tornozelo... pode massagear para mim~?
- Aqui, não.
- Ah, Sebas-chan, pague o garçom, aqui o dinheiro...
Rapidamente o ergueu no colo, tendo que deixá-lo recostar-se sobre seu peito. Ao olhá-lo, parecia constrangido, tímido também. De fato, Sebastian estava certo. Em primeiro lugar, estava descontente por não ter conseguido novamente um beijo de seu amado; em segundo lugar, o constrangimento que passaram ao caírem da mesa, no meio de tanta gente que os olhavam assustados. Mas, na realidade, quem se sentia pior era o moreno. Além de passar por tudo isso, quase ser beijado, cair no meio de tantos humanos e passar vergonha, ainda teve que pegar aquele Shinigami nos braços. Mas o pior mesmo era ficar o dia todo ao lado do homem o qual mais odeia...
Depositando o dinheiro em outra mesa para que o garçom pegasse, ajeitou o homem nos braços, e olhou ao seu redor novamente. Que deprimente. Em vez da maioria das pessoas se assustarem com algo assim, sorriam, e alguns até achavam “bonito”. No século XXI as pessoas já estão acostumadas com casais do mesmo sexo, ao menos a maioria? Ao voltar os olhos ao garoto garçom, notou que seus olhos brilhavam, parecia estar apreciando aquela cena. O mordomo deu as costas, logo em seguida ouvindo o mesmo garoto dizer “bom passeio”, “aproveitem bem” e “voltem sempre”. “Aproveitem bem”. Esta frase servira como ironia para Sebastian. Nunca poderia aproveitar um dia ao lado de um Shinigami, principalmente por ser Grell Sutcliff. Saíram do Shopping e seguiram para um parque, também cheio de gente, para que não ocorresse mais nenhuma situação “perigosa”. Deitando Grell no gramado macio, o mordomo sentou-se frente a ele e o fitou, friamente.
- Eh...? – encolhendo-se, prestes a se sentar, Grell também fitava Sebastian.
- Deite-se e relaxe, Grell-san.
- EH? S-SEBASTIAN MICHAELIS, O QUE VAI...?? OOO~H, NO! AQUI NA FRENTE DE TODOS, SEBAS-CHAA~N!!!
- Não queria que massageasse seu tornozelo dolorido?
- Ah...? Tornozelo...? Oo~h, sim! Meu tornozelo dolorido, hahaa~... – riu sem graça, compreendendo finalmente, tristonho – Use suas mãos fortemente, Sebas-chan...
“Ah, ele havia se esquecido...”, pensava Sebastian, furioso. Se soubesse disso, não o lembraria daquela forma, ou melhor, não o lembraria. Que terrível tortura ter que massagear os pés de Grell... Pegou o pé do ruivo com delicadeza, para que não berrasse novamente feito um bezerro desmamado; passou a massagear aleatoriamente na região do tornozelo, estava pouco inchado, não precisava de tanto drama. Fitou-o com olhos estreitos, tocando fortemente em uma região afetada.
- Aqui dói?
- Aaa~wn, um pouco... OH! Aí dói, dóó~i!!
Sebastian apertava-o nas regiões exatas. Cada ponto que o mordomo tocava era um grito diferente que Grell soltava. Ora eram gritos de cócegas com risadas exageradas em seguida, ora eram gritos de dor. Sebastian permaneceu massageando-o tempo o suficiente para que o ruivo melhorasse daquela dor pouca; tocou nos pontos certos do tornozelo dele, colocando de volta sua bota de cano curto em seguida.
- Moo~, Sebas-chaa~n... fez massagem em tão pouco tempo... eu queria um pouco mais, subindo um pouco mais pelas minhas pernas, minhas coxas, Sebas-chaa~n...
- Grell-san, havia pedido por massagem e eu a fiz, em tempo suficiente para que ficasse bem.
- Hmm~... Obrigado! – ria-se timidamente o Shinigami, enquanto olhava Sebastian nos olhos.
- Então vamos para outro lugar. – erguendo-se do gramado, levantava-se calmamente o mordomo.
- Espere...!
Grell segurou-o pelo braço, pedindo para que esperasse um pouco mais. Da mesma forma como havia mandado seu gato de pelúcia para o mundo dos Shinigamis, abriu um portal, pegando duas camisetas rosa, com desenhos e escrituras estranhas. Timidamente, o Shinigami estendeu uma delas para o amado.
- Fiz isto para nós... como as orientais fazem para seus namorados! Vista, vistaa~!
- Irei a algum banheiro me trocar.
- Não, não!! Sebas-chaa~n, pode se vestir aqui mesmo, não faço questão!
O mordomo fitou estranhamente o rosto corado e animado de Grell. Teria que se despir na frente de tantas pessoas, e principalmente na frente dele? Para Sebastian, aquilo era um absurdo. Não era nem um pouco de seu agrado que vissem seu corpo sem vestes, mesmo que fosse apenas o peito; era constrangedor. De qualquer forma, teria que atender ao pedido do ruivo. Retirou a camisa, e rapidamente pegou a camiseta bordada por Grell, desdobrando-a com facilidade. Enquanto vestia-se, Grell observava atentamente cada detalhe do corpo à mostra do moreno, o peito, os músculos tensos por culpa da timidez, o abdômen encolhido, estendendo-se brevemente para vestir a camiseta. Uma cena raramente visualizada com tamanho prazer, o Shinigami deveria aproveitá-la o máximo que pudesse. Após vestir a camiseta, voltou os olhos para o Shinigami, presenciando-o com os lábios entreabertos, com um sutil sorriso no canto, admirando o peito, agora vestido, de Sebastian. Indecoroso. Poderia ter sido um pouco mais discreto, mas Grell media descaradamente os belos contornos que formavam graças à camiseta que havia ficado um pouco justa; mesmo Sebastian tendo o corpo magro, os músculos levemente torneados marcavam na camiseta bordada de corações tortos, pelas mãos pouco delicadas do Shinigami apaixonado. “Uuuh! Valeu mesmo a pena ter errado o tamanho da camiseta! Oh, yeah~!” Só após longos segundos admirando cada parte contornada do corpo do moreno, Grell finalmente acordou daquele transe, e começou a tirar suas vestes também, vestindo sua camiseta, com os bordados iguais aos de Sebastian.
- Oo~h, Sebas-chan! Somos um par tão perfeitinho agora~! Vamos, vamoo~s! Agora quero tirar fotos com você ali!
- Fotos?
Grell, entusiasmado, puxou Sebastian pelo braço, fazendo-o erguer-se do gramado rapidamente, guiando-o até o local onde tirariam fotos para adesivos. Correram até lá, e entraram; o ruivo logo escolheu como queria as fotografias, pegando no braço do amado em seguida, sorrindo charmosamente para a foto.
- Sebas-chan, sorria, por favor! ~
Cliques e cliques. Foram mais de dez fotos que tiraram, sem contar as tremidas e com as que o Shinigami não havia gostado. De qualquer forma, o ruivo amou todas as fotos, por serem de um dia tão especial; as guardaria por toda a eternidade. Logo que saía e pegava cada uma, ria, tanto de timidez, quanto das expressões ainda não preparadas para a foto. O mordomo não via graça naquilo, para ele as fotos eram quase todas iguais. Quanto mais queria sair dali de dentro, mais o ruivo tinha ideias para fotos com posições nada agradáveis, como beijos no rosto um do outro e abraços, tendo que ser obrigado a forçar sorrisos em cada foto; já quase sentia câimbras. Mas algo o animava, de fato: faltava apenas uma hora para o pôr-do-sol.
- Aaa~in, eu amee~i essas fotos! Vou guardá-las com muito carinho!! – rebolativo, o ruivo guardava no bolso as fotografias, logo se aproximando de Sebastian novamente, pegando em seu braço – Agora podemos ir à praia, Sebas-chaa~n... Assistiremos ao pôr-do-sol lá, o que acha?
- Tanto faz.
- Hihii~! Então vamos, benzinho, não podemos perder nosso precioso tempo, ele está se esvaindo~!
O Shinigami saltitava e puxava Sebastian pelo braço, guiando-o até uma praia mais próxima. O seu dia estava chegando ao fim, passou tão rápido para ele; queria que aquele dia nunca acabasse. Não havia conseguido ainda uma boa oportunidade para um beijo romântico com seu amado. Sempre que conseguia uma oportunidade, algo os atrapalhava!
Ao finalmente chegarem à praia, Grell tirou suas botas e suas meias, pisando com os pés nus na areia quente e macia, uma sensação inexplicável. O mordomo acabou fazendo o mesmo, para não sujar de areia as suas botas de cano longo; havia realmente se apegado a elas. Arregaçou as bocas de suas calças jeans e caminhou pela areia, junto do Shinigami. Grell parou um instante, admirando o horizonte, o sol laranja-avermelhado, uma visão tão apreciada por tanta gente.
- É tão linda a visão do pôr-do-sol daqui da praia... – dizia o Shinigami, enquanto ajeitava seus cabelos vermelhos atrás da orelha.
- Realmente.
Repentinamente, Grell começou a correr alegremente pela praia, soltando risos divertidos. Sebastian apenas o observava, era bom que se distanciasse um pouco, podia assim respirar por alguns poucos instantes. Grell ria-se divertidamente, e passava a chamar Sebastian para que corresse consigo, que o pegasse, e fizessem aquela típica cena romântica dos filmes...
- Venha me pegar, se conseguir! Hahaa~n!
Era um pedido do ruivo, teria que obedecer, já que um pedido de Grell era uma ordem de seu bocchan. Porém, o Shinigami havia duvidado do tão admirado “mordomo e tanto”. Mesmo desgostando daquela situação, abriu um pequeno sorriso convencido. “Tão lento...” Colocando uma mecha de seus negros e lisos cabelos atrás da orelha esquerda para que não o atrapalhasse, tomou impulso e correu atrás do ruivo, aproximando-se aos poucos. Nunca imaginaria algo assim, nunca que Sebastian Michaelis correria atrás daquele Shinigami por conta própria, afinal. Aproximando-se o suficiente, puxou-o para perto de si e o jogou na areia em seguida, olhando-o nos olhos, vendo-o gargalhar-se contente ao rolar pela areia.
- Hahahaa~n! Ooh, Sebas-chan, é tão bruu~to! Huhuhuu~... – permanecendo deitado na areia, olhou nos belos olhos vermelhos do demônio, sorrindo – Vem aqui, por cima de mim...
“Oh, não...”. O mordomo não deveria tê-lo jogado na areia. Agora teria que atender ao seu pedido e deitar-se sobre ele? Como poderia lidar com uma situação daquelas? Grell estava excitado demais, e esperava ansiosamente por Sebastian. No entanto, não poderia negar um pedido do Shinigami; era como trair seu próprio mestre. Agachando-se vagarosamente, ajoelhou-se, “engatinhando” até ficar totalmente por cima do ruivo. Apoiou as mãos uma de cada lado da cabeça de Grell, olhando-o friamente nos olhos amarelos, sem emitir emoção alguma. O peito do Shinigami saltava a cada milímetro de aproximação de seu amado, seu coração não cessava um instante sequer de rebater dentro de si; parecia que a qualquer momento saltaria pela boca. Enquanto o corpo de Grell arrepiava-se por puro prazer, amor e ansiedade, Sebastian arrepiava-se por puro entojo, asco e raiva.
- Sebas-chan... Obrigado por este dia tão maravilhoso... – dizia o Shinigami ao mesmo tempo que acariciava lentamente o rosto macio de Sebastian – Meu tempo está chegando ao fim, então tenho um último pedido... Beije-me antes do pôr-do-sol? Um beijo bem romântico...
Grell não pôde aguentar. Não queria pedir, implorar por um beijo de Sebastian; porém aquela era a única maneira de conseguir o que tanto queria. Seu tempo realmente estava se esvaindo, teria que aproveitá-lo o máximo possível. Sebastian por cima de si ali na praia, naquela areia macia e quente, prestes a juntar os seus lábios com os seus. Permaneceu com os olhos abertos, fitando ansiosamente o rosto do moreno. A maré baixa, as ondas ora ou outra roçavam as longas madeixas ruivas espalhadas pela areia quente, eram umedecidas e resfriadas sutilmente. Era o momento ideal. Mesmo contra toda a sua vontade, o mordomo teria que conceder o pedido de Grell. Aproximando um pouco mais seu rosto do dele, afastou uma das mechas que repousava o rosto corado do Shinigami, olhando fixamente em seus olhos. “Desta vez não há como fugir; terei que beijá-lo de qualquer forma” Beijar Grell Sutcliff. Esta era a tarefa mais difícil de cumprir. Jamais beijara ninguém, e também nunca que sentira desejo algum para tal. Mas não era necessário entrar em desespero, era apenas um beijo, um simples beijo, sem sentimento algum. O seu dever era apenas obedecer às ordens, e nunca desejar o contrário. Mãos e joelhos apoiados na areia macia, ambas de cada lado do corpo do Shinigami, separadas pela largura do mesmo.
Faltavam exatos trinta segundos para o pôr-do-sol.
Sebastian usava o máximo de romantismo que possuía dentro de si. Tocou suavemente os cabelos ruivos do outro, presenciando-o fechar seus olhos vagarosamente, parecendo gostar da breve carícia, esperando pelo beijo que logo receberia.
Quinze segundos.
Aproximou seus lábios do de Grell, sentindo uma sutil e rápida respiração dele trocando com a sua aflita.
Dez segundos.
Fechou os olhos, apertando-os fortemente; não veria o rosto de quem mais odeia enquanto é obrigado a beijá-lo.
Cinco segundos.
Sentiu um breve roçar de seu nariz ao do Shinigami, e no mesmo instante sua espinha dorsal gelou-se e arrepiou-se por inteiro.
Três segundos.
Repentinamente veio em sua mente uma imagem de sua língua deslizando-se pelos dentes serrilhados e pela língua do outro, as salivas se misturando com o deslizar; no mesmo instante suou frio e engoliu seco. Estavam tão próximos...
Dois segundos.
Apagou de seus pensamentos aquela cena tão deplorável, tomando coragem e depositando um beijo rápido na testa do Shinigami, no último segundo que restava daquele longo dia de tortura. Abrindo os olhos no mesmo instante, Grell, confuso, voltava a fitar os olhos vermelhos e frios do mordomo, tentando corrigí-lo.
- E... Eh? S-Sebas-chan, era um beijo de líng...
- Acabou o seu tempo.
- M-mas, eu... – triste, o ruivo não desviava um instante dos olhos do amado.
- Você não especificou lugar nem modo como desejava. Agora seu dia chegou ao fim, e seu pedido já foi concedido. – dizia, enquanto interrompia a fala de Grell, estando prestes a dar as costas – Abra o portal.
- IIIIAAAA~N! Não vou abrir portal nenhum enquanto não ter um beijo de língua seu, Sebastian!
Tranquilamente, Sebastian pegou seu relógio de bolso, abrindo-o e erguendo-o até a altura do rosto do Shinigami, mostrando-o o horário; em seguida guardou-o com o mesmo temperamento, depositando-o no bolso juntamente à sua corrente, finalmente dando-lhe as costas. Grell estava inconformado! Como poderia tratá-lo desta forma? Irritadiço, esperneava e gritava feito um bebê recém-nascido.
- Você me enganou! Mooo~!!!
Sebastian não deveria ter-lhe enganado assim, isso acabou causando enorme revolta no Shinigami, tão apaixonado e tão rejeitado. Permaneceu um longo instante fitando o mordomo de pé, parecendo estar tão calmo em meio àquela situação tão dolorosa para Grell. Estava tão enraivecido, que sentia vontade de arrancar uma enorme quantidade de sangue do corpo belo do moreno à sua frente, até que implorasse pela própria vida. Num instante de segundo, um estalo lhe fez pensar por um instante, ficando alguns segundos em silêncio para refletir o que vinha à sua mente. Subiu sua mão até o queixo, coçando brevemente o queixo ao mesmo tempo em que abria um sorriso de orelha a orelha, acalmando-se de uma hora para outra. Precisava causar-lhe algum constrangimento forte como vingança, e o que havia pensado era maravilhoso o suficiente para sair satisfeito do século XXI junto de Sebastian, ao mesmo tempo causando o constrangimento perfeito em Sebastian. Logo o chamou pelo nome apenas para chamar sua atenção, correndo até ele, abraçando-o e lhe roubando um beijo no canto dos lábios, infelizmente desviados rapidamente. O que havia planejado seria praticado apenas mais tarde, quando fosse agradecer o pequeno conde... No mesmo instante Sebastian, enraivecido, empurrou-o para a areia, pisando-o no peito em seguida.
- Não ouse tentar fazer algo relativo novamente! Ou lhe arranco os cabelos e lhe encho de hematomas na face!
- Aa~hn! Ok, ok, Sebas-chaa~n!
- Ande logo e abra este portal, preciso preparar o jantar para o jovem mestre.
Logo que o mordomo retirou seu pé de cima de seu peito, Grell ergueu-se e abriu o portal logo em seguida, deixando com que Sebastian entrasse antes de si, indo atrás do moreno após este o fazer. Finalmente o longo e desesperante dia de tortura havia se dado ao final. Um alívio tomava seu peito, ao apenas lembrar que não precisou dar nenhum beijo sequer sem desejar, ou qualquer outra aproximação extrema. Soltou um sorriso pequeno ao pensar nisto, mesmo por ser obrigado a aturar o Shinigami que tanto enoja o dia todo agarrado a si. Carregando sua camisa negra consigo Sebastian, logo ao chegar ao século XIX, deu as costas a Grell e se apressou, correndo com sua velocidade demoníaca, em direção à Mansão Phantomhive. O Shinigami permaneceu fitando-o até que o perdesse de vista. “Ahh, Sebas-chan... nosso dia foi maravilhoso, mesmo eu não conseguindo um beijo seu de língua... Uuf~...” Só então pôde dar as costas e seguir seu rumo, afinal, no dia seguinte, teria que trabalhar em dobro.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Finalmente adentrando a Mansão pelo jardim, Pluto, em sua versão humana, veio ao encontro de Sebastian, recebê-lo com um forte abraço e com lambidas molhadas.
- Ah, Pluto.
Não reagiu, apenas permaneceu parado e bufante, deixando-se ser abraçado e lambido pelo cão-demônio, mesmo contra sua vontade, para fechar seu dia com chave de ouro, ironicamente falando. Caminhando até próximo à porta de entrada dos fundos da Mansão, com Pluto dependurado em si, sentia um estranho cheiro de doce por perto, de uma enorme quantidade. Virou o rosto em direção ao de Pluto, que o olhava alegremente. O mordomo permaneceu fitando-o por um longo instante; parte do cheiro doce que sentia vinha dele. O canto dos lábios do albino estava ainda levemente borrado de castanho, e um pequeno cheiro adocicado vinha exatamente dali. Ergueu sua mão direita até os lábios do outro, limpando o canto dos lábios do outro com o indicador, e em seguida levando-o até os lábios, lambendo o dedo, experimentando e logo decifrando o sabor do que seria.
- Chocolate. – dizia ao mesmo tempo em que estranhava, desvencilhando-se do cão-demônio – Já chega, Pluto. Vá se deitar.
Logo lhe deu as costas, seguindo em direção à Mansão, pensativo. “Pluto nunca come doces, a não ser que alguém lhe dê...” Pluto realmente comia apenas sua ração e Inukko como aperitivo, quando lhe era conveniente; os empregados nunca dariam de seus próprios doces para um cachorro. Precisava checar isto, antes de incriminar alguém, até mesmo o próprio cão-demônio, já que, ele sozinho, era quase impossível. Adentrou calmamente o Hall de entrada após percorrer um pequeno corredor da entrada dos fundos, logo se deparando com Ciel. Aproximando-se de seu jovem mestre, inclinou-se perante ele, permanecendo com o tronco abaixado por alguns segundos.
- Bocchan, perdoe-me se tardei a chegar.
- Ah, não se preocupe quanto a isso, Sebastian. Acho até que chegou bem cedo. Divertiu-se bem?
- Não. – olhou-o nos olhos, estreitando ligeiramente as pálpebras, só então se reerguendo – Irei me trocar, bocchan. Com sua licença...
- Gostei da camisa rosa, combina perfeitamente com seus olhos. – dizia o garoto com tom irônico, rindo em seguida – Hahaha, vá se trocar. Isto é vergonhoso para um mordomo da família Phantomhive.
Pediu por licença novamente, saindo daquele cômodo e seguindo para seu quarto para trocar suas vestes. Rápido como sempre, vestiu seu fraque rotineiro e seguiu até a cozinha, encontrando-se com os empregados reunidos por acaso.
- Oooh, Sebastian-san está de volta! – Finnian se principiando.
- Preciso ter uma séria conversa com todos vocês.
Todos ficaram aflitos, congelados. O que seria e o que havia acontecido? Sebastian os olhava mais frio do que o comum. Ficaram todos de pé, tremendo as pernas, temendo o que poderia ser. O mordomo fitou cada um nos olhos, até mesmo Tanaka, que tomava seu chá tranquilamente. Afastou-se alguns centímetros de todos, ainda os fitando friamente.
- Por um acaso vocês comeram algum tipo de doce?
- N-n-não, senhor Sebastian...!! – Maylene tomava a palavra, defendendo-se, mesmo estando um tanto desesperada – P-podemos jurar, Sebastian-san, se o senhor quiser, não c-comemos doce algum!!
Todos eles pareciam não saber de nada. Apenas ao olhá-los nos olhos dava para saber se estavam mentindo ou não; mesmo desesperados daquela maneira, pareciam de fato inocentes naquela situação.
- Deram algo parecido para Pluto?
- De jeito algum! Não se pode alimentar cachorros com doces, Sebastian-san... – Finnian, preocupado com Pluto, juntando os indicadores.
- S-Sebastian-san está preocupado com o PluPlu??? Whoooa, o que houve com ele?? – Maylene dizia em meio a gaguejos, segurando o nariz para que não sangrasse.
- Nada demais. Bem, se não foi nenhum de vocês, quem mais poderia ter sido...? – dizia o mordomo dando as costas, falando consigo mesmo em tom baixo.
Enquanto Sebastian investigava o estranho caso de Pluto ter comido chocolate, Grell finalmente chegava ao mundo dos Shinigamis. Imaginando estar despercebido por entre tantos Shinigamis ali presentes, saltitava alegremente por lá, até então ser pego pelo colarinho por Willian, repentinamente. Soltou um grito estridente ao sentir-se enforcado, esperneando em desespero.
- Onde estava este tempo todo, Sutcliff?
- Iiaaa~n, Will~!! Calma, caaa~lma!! — tentando se desvencilhar do outro Shinigami, Grell virava-se para ele – Estava me divertindo um pouco, não posso?
- Deveria ter feito sua hora-extra hoje, já que ontem não a fez, correto?
- Nãã~o, deixe minhas horas-extras para os novatos, vaa~i... Eu nunca posso me divertir!
Enquanto o Shinigami afeminado dava suas desculpas, Willian ainda o segurava pelo colarinho, analisando suas vestimentas cautelosamente, supondo que seriam do século XXI. Chacoalhou por alguns instantes o ruivo, fazendo com que caísse tudo o que havia em seus bolsos: ingressos do parque de diversões e do cinema, dinheiros, o papel que havia rabiscado de SAPINO, e as fotos que tirou ao lado de Sebastian. Ajeitando os óculos no rosto, fazendo-os brilhar sinistramente, analisou tudo o que havia caído, com mais precisão às fotos.
- Saindo com aquele demônio Sebastian Michaelis? – já alterando a voz, irritadiço.
- Hai, haa~i! Não fazemos um belo par de namorados, Will~? Você precisava vê-lo, como estava carinhoso comigo...!
Grell contava aos poucos suas proezas do dia tão amável ao lado de seu amado, mas Willian não queria ouvi-lo, então não se preocupava em prestar o mínimo de atenção, mas permanecia com uma expressão irritadiça, fitando os papeis. Repentinamente sentiu a mão de Grell deslizar sobre seu peito, e guiou os olhos em direção ao outro, com olhar enraivecido.
- Nee, Will~... Não está com ciúmes de mim, estáá~?
- Aqui, trabalho seu para amanhã. – soltando um largo bloco de papeis na cabeça de Grell, continuando em seguida – Todas estas pessoas estão prestes a morrer. Cuide disso o quanto antes.
- EEE~H? TUDO ISTO??? – gritava o Shinigami reclamão.
De fato, era um enorme trabalho para Grell. Teria que matar tanta gente assim, sendo que tantos Shinigamis novatos precisavam de experiência? “Antes disso, preciso ir até a Mansão do garotinho...”, pensava Grell, enquanto aborrecia-se com a papelada, e seguia Will com os olhos enquanto saía, folheando outros papeis. Estaria realmente com uma pitada de ciúmes? Era o que imaginava o ruivo, sorridente. Correu para seu cômodo, ajeitando-se para voltar à Mansão. Enquanto isso, Sebastian ainda procurava pelos doces que, apenas pelo aroma que se espalhava ligeiramente por toda a residência, sabia que ali havia em grande quantidade; o cheiro estava realmente próximo por onde estava, ou seja, pelo corredor do andar de cima, próximo ao quarto de seu mestre. O cheiro aumentava a cada vez que se aproximava do quarto de Ciel, certamente estariam lá. O mordomo se apressou o quanto antes, adentrando rapidamente o quarto do jovem conde, agora chegando até a decifrar o aroma de cada um, diferenciando-os. De fato, estavam lá; só poderia ser isto...
- SEBASTIAN!
Era a voz de Ciel, que o chamava. Exatamente no momento certo onde estava tão próximo aos estranhos doces. De qualquer forma, apressou-se e saiu do cômodo, seguindo em direção ao Hall de entrada novamente, onde estavam Grell e seu jovem mestre. Deparando-se com ambos, fitou nos olhos primeiramente do Shinigami, voltando seus olhos para o garoto em seguida; a mesma cena se repetia à de quatro dias atrás. Um longo e pavoroso calafrio percorreu lentamente por toda a sua espinha dorsal.
- Sebas-chaa~n... Vim primeiramente agradecer este garoto tão meiguinho! Neh, Shieru-kuu~n?
- Hm, claro.
- Já agradeceu? Ótimo. Agora já pode se retirar, Grell-san.
O Shinigami fitava fervorosamente os olhos avermelhados e irônicos de Sebastian. Havia conversado com Ciel poucos instantes do garoto tê-lo chamado; havia mais uma coisa que havia conversado além do agradecimento. O ruivo sarcástico não iria embora antes de ver o garoto ordenar seu mordomo, e ele não ter mais saída...
- Shi-e-ru-kuu~n... Poderia dizer ao Sebas-chan neste instante? Estou ansioso... Preciso presenciar! ~
- Eh, agora? Bem, o momento não importa, de fato. Sebastian...
Ora, mas o que aquele Shinigami atrevido desejava tanto presenciar, excitado daquela maneira? O que o jovem mestre iria dizer, de tão importante? Sebastian estava, de fato, muito aflito. De certa forma, ao mesmo tempo em que temia o que fosse, sentia uma enorme curiosidade. Já chegava a desconfiar de onde os doces vieram; Grell havia feito uma proposta a Ciel, propondo dar-lhe doces se ordenasse que saísse com ele, até o pôr-do-sol. Possuía certeza absoluta, Grell era atrevido o suficiente para provocar Ciel Phantomhive com doces. Teria sido de suma importância mais o doce do que a proteção de um mordomo demoníaco? Ciel teria realmente “vendido” Sebastian por doces, supostamente bem piores do que os que o mordomo faz? Descendo as escadas vagarosamente, aproximou-se de seu mestre, inclinando-se frente a Ciel, repousando a mão direita em seu peito esquerdo.
- Como queira, bocchan...
- Sebastian, tenha outro encontro com Grell Sutcliff, porém, desta vez, será à noite, até o nascer do sol. – e, após um breve sorriso sarcástico provocador, continuou – É uma ordem!
Fim!
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