Seu Mordomo, Amor Secreto
19 Seu mordomo, Devorador de Alma
Notas iniciais
“-- Então foi você mesmo. – fechei os olhos, absorvendo aquela informação por um momento, apoiei meu antebraço sobre a madeira da mesa larga e vazia a minha frente, com meu corpo frágil e pequeno pouco inclinado para frente, o olhei o mais frio e fundo que pude, estava tentando intimidar mais do que eu realmente conseguia para uma criança da minha idade.
–- O que quer, Phantomhive? – com os dedos entrelaçados sobre a mesa, me olhava com a mesma intensidade.
–- Que comece a contar os motivos de acusar o símbolo do nosso país. – minha voz foi firme, a frase saiu rápida, e com isso eu iria começar a descobrir os motivos do albino a minha frente fazer tudo isso.”
–- Motivos não me faltam, pequeno Conde. – o sorriso em seus lábios, uma ironia além dos limites.
–- Sinta-se a vontade para começar por onde quiser. – recostei meu corpo de forma desajeitada na cadeira.
–- Não se apresse, ainda temos muito tempo. A noite acabou de começar, e você... – seus olhos se estreitaram – Não deve estar querendo perder sua alma tão cedo.
Controlei-me para não surtar perguntando-lhe como sabia de tudo aquilo, mas limitei-me a uma pergunta:
–- Como sabe disso? – o tom na minha voz era de no mínimo o autocontrole para a não loucura.
–- Eu sei de muitas coisas. – seu sorriso perfeito dava nos nervos.
–- Bocchan. – Sebastian abaixou ao meu lado, curvando somente seu corpo até meu ouvido. – Essa criatura...
–- Isso mesmo, Michaelis, -- não o deixou completar – sou o ser a qual a sua espécie imunda – enfatizou a palavra – odeia.
–- Um anjo? – meu tom era embargado de surpresa.
Sua face transmutou-se por um momento à forma de uma mulher, a voz acompanhou sua modificação, tornando-se adocicada e o olhar suave, porém firme. Senti a aura do mordomo aumentar, confrontando a outra que crescia em igual proporção.
–- Não vim aqui para discutir que tipo de criatura é você! – estapeei a mesa, sentindo-a latejar depois pela força desnecessária. – Quero uma explicação, uma explicação lógica para tudo isso!
–- Está bem. – sua voz tornou-se robótica, enquanto sua forma antiga voltava. – Irei dizer tudo. Tudo o que você quiser ouvir. -- mantinha o sorriso no rosto.
A tensão em volta da mesa diminuiu, os ânimos estavam amenos, pelo menos era o que eu sentia, mas o olhar desafiador que Ash lançava para Sebastian com toda a certeza era igualmente retribuído. Concentrei-me para ouvir atentamente cada palavra que seria dirigida a mim.
–- A Rainha, o símbolo de seu país, nada mais é do que a pessoa que quer levar o mundo para o buraco.
–- Buraco? Explique as coisas com clareza.
–- A Rainha, ela anda cooperando com certos tipos de trabalho, a fim de acusar outros países de máfia, de tráfico, para com isso começar uma guerra. – seu rosto era sério, acho que pela primeira vez.
–- Como você sabe disso tudo?
–- Sou o fiel mordomo daquela mulher, -- abriu os braços, quase se vangloriando. -- o que eu não saberia sobre ela?
–- E por que está me contando essas coisas? Você deveria a estar acobertando.
–- Phantomhive olhe bem para mim. – seus olhos brilhavam estreitos e intensos. – Sou um anjo, prezo a justiça, a homogeneidade da paz, por que eu colaboraria com isso?
–- Porque você é caído! – Sebastian se interpôs. – Deveria proteger o detentor do contrato.
–- Isso não vem ao caso!! – um tapa na mesa e me assustei, tanto pela notícia quanto pela agressão. – Não detenho um contrato com ela. Apenas me apiedei de seu estado quando seu marido morreu!
–- E por que eu? O Trancy também trabalha para ela. – me intervim na conversa, aquilo com certeza terminaria levando o prédio abaixo se eles se exaltassem.
–- Você quer vingança contra quem matou seus pais. E é isso que estou te dando.
–- A... A Rainha? – meu coração falho uma batida.
–- Sim. Aquela a quem tanto vocês, ingleses, idolatram é a causadora da dor de muitos. Incluindo a sua. E que o levou a pactuar com esse ser.
–- Por quê?! Por quê?! – levantei-me de vez, empurrando a cadeira com as costas dos joelhos. -- Por que os meus pais foram mortos?!
–- Eles eram grandes empecilhos para os futuros planos. TINHAM de ser eliminados. E você NÃO era para ter sobrevivido! Não percebe? Essas missões são para eliminar você. Mas como a Rainha não sabe que você tem a proteção dele fica um pouco difícil concluir com êxito essa simples parte do plano. Ou seja, você é todo o atual empecilho para a futura Guerra que ela planeja. Phantomhive morre, a Rainha vive e o mundo entra em caos completo.
Eu? Empecilho? Guerra? Rainha envolvida em máfia e tráfico? Minha vingança é contra a pessoa mais poderosa do país realmente? Eram tantas informações de uma vez que eu simplesmente sentia como se a minha cabeça estivesse a ponto de explodir. Todos esses anos, eu servi leal e cegamente para alguém que estava tentando me apunhalar pelas costas, o tempo todo?
Eu tinha que absorver tudo, não poderia demonstrar fraqueza quando tudo já está tomando esse rumo sem volta. Agora que sei da verdade como posso simplesmente ignorar os fatos? Não posso apenas levantar dessa cadeira, voltar à Inglaterra no próximo navio e continuar trabalhando como Cão de Guarda da Rainha. Não, isso é definitivamente a pior coisa a ser pensada! Isso tem que ter um fim, logo, o quanto antes!
–- E então, Phantomhive? Como anda a sua cabecinha? É muita coisa para que uma criança possa absorver?
–- Não me subestime, Ash Landers. – um sorriso brotou em meus lábios, rebatendo suas palavras de sarcasmo.
–- Ora, ora, e o que pretende fazer? – sua postura na cadeira tornou-se desleixada, mas nem por isso ele deixava de ter uma bela aparência.
–- O que deve ser feito! A eliminação da Rainha e o cumprimento da minha vingança! -- cerrei meus punhos, sentindo as unhas em minha palma.
Senti o sorriso de Sebastian, ele anseia por esse momento mais que eu. Não porque mais um dos seus “mestres” conseguiu o que queria, mas mais ainda por que ele conseguira o que quer, no final de tudo, apesar de todas as tribulações e jogadas contra. De qualquer forma ele sairá vitorioso da partida. E estava satisfeito com todos os “sacrifícios” que teve de fazer ao longo do caminho que seguimos.
–- Muito bem, muito bem. – bateu palmas de ironia. – E como pretende fazer isso? Eu ainda estou aqui, -- desceu as mãos no ar, mostrando-se. -- ainda sirvo a ela, mesmo que por piedade. -- suas feições eram de curiosidade para minha resposta.
–- Tenho o empregado perfeito para cuidar de suas asas sujas. Obrigado por tudo. O resto do trabalho é comigo. – virei-me de costas. – Prepare-se para amanhã, Anjo. – a palavra escorreu de meus lábios mais como se fosse uma praga a uma benção.
Ouvi o estalar de seus lábios, aquilo o irritara.
–- Boa sorte, Phantomhive. – sua voz soou ao longe.
De volta à minha carruagem, Sebastian a dirigi de volta ao hotel. Minha mente pesa, realmente foram coisas demais para que eu absorvesse, mas estou indo bem... Um suspiro pesado e eu noto que uma criança como eu não deveria estar pensando em uma maneira de matar a pessoa a qual o povo de onde ele vem se agarra, quase a venerando. Quero que tudo seja feito da melhor maneira possível, Sebastian cuidará do anjo caído, e eu com minhas próprias mãos terei a minha tão sonhada e antes tão distante vingança. Aperto com força o short que cobre minhas pernas, a ansiedade percorre meu corpo.
De volta ao hotel. Sebastian me guia em silêncio para o quarto. O corredor vazio somente com as luzes envoltas em pequenas grades douradas o deixa iluminado e com um pesado clima. Ou talvez seja apenas eu, que já não estou mais para graças. Depois de minha repreensão na discussão que iria se iniciar, o mordomo não mais se pronunciou. Talvez assim como eu esteja pensando em estratégias para acabar com seu inimigo de amanhã. Se bem que, isso não me parece ser algo que ele faria.
–- Iremos atacar amanhã à tarde... – sussurrei quando deitei na cama.
–- Como queira.
–- Mantenha o anjo longe dela. – meu olhar era distante, fixo no teto.
–- Sim, Bocchan.
–- E não interfira na minha luta. – olhei para os olhos levemente avermelhados do mordomo.
–- Como achar melhor. – curvou-se levemente.
Tentei pegar no sono, sentia a brisa leve entrar por brechas na cortina. O corpo coberto às vezes tremia de leve por um ou outro vento mais frio. Minha respiração é fraca, e flashes de possíveis acontecimentos de amanhã fazem uma batida minha falhar. Sinto a presença de Sebastian, ao longe, talvez me observando ou apenas com um livro em mãos, perdidos nos próprios pensamentos. Suspiro fundo, evacuando o ar devagar dos meus pulmões, para só então pegar no sono.
A manhã chegou mais rápido do que eu realmente gostaria. Por mais que eu estivesse ansiando por aquele dia, eu não sabia se me sentia confiante e realmente preparado para tudo aqui. Afinal, somente a bomba de saber que o meu inimigo é a Rainha foi algo que passou arranhando fortemente a minha garganta. Mas esse é o meu destino, não posso fugir.
Sebastian estava separando minhas roupas. A comida parecia pesar um pouco, mas eu não me deixava abater. O sol lá fora brilhava, nenhuma nuvem no céu, e uma brisa quente, aquecedora, entrava pela janela agora aberta. À noite não fora das melhores, acordei várias vezes, voltando logo a dormir, talvez a ansiedade estivesse querendo me ferrar o quanto antes, e eu não poderia deixar isso acontecer, claramente que não.
Uma volta por Paris pela manhã. Por que não? Somente por que tenho um assassinato planejado para mais tarde não poderei? Mas é claro que não, tenho que aproveitar os meus dias na Cidade Luz, mesmo que esses não sejam propriamente para lazer. Sebastian me acompanha calado, apenas como uma sombra. Paramos de fronte para a Torre. Olho para sua altura, meus cabelos voando pelo vento que bate, apoio minhas mãos na bengala que se finca ao chão.
–- Sebastian contate Ash Landers, o avise para estar aqui exatamente às 16h.
–- Com queira. -- se curvou lentamente.
Afastando-se a pé. Já que estamos em público exibir seus poderes poderia causar uma massa de pânico.
Me mantive ali, observando aquele belo monumento, até o mordomo estar de volta ao meu lado. Guiando-se junto a mim de volta para o hotel de hospedagem.
Os preparativos começariam.
Um banho, para relaxar os músculos. Seus toques hábeis, acalentando minha pele. Correndo livremente os longos e brancos dedos por ela. Acariciando-me. Certas horas me permitir respirar mais profundamente que antes, acabando por deixar escapar um pequeno gemido ao soltar todo o ar inspirado. Sim, eu sentiria saudades dos seus toques. Mas nada que eu não pudesse ter o prazer de experimentar uma última vez quando isso tudo finalmente acabasse. O pensamento me fez sorrir, sendo afastado quando a toalha cobriu minha nudez.
Sebastian me olhava travesso, sua língua deslizou devagar por sua boca, saboreando antecipadamente minha alma. Acariciei seu rosto, dando-lhe dois leves tapas, para então sorrir.
–- Ainda não, seu banquete somente depois que tudo isso finalmente acabar. -- segui para o quarto, sendo acompanhado por ele.
O coração por um momento apertou. Sabia que Sebastian estava apenas lhe usando como uma forma fácil de se alimentar enquanto se mantinha a um contrato, mas nem por isso deixava de alimentar o pensamento de que era ele a quem o demônio havia se apaixonado, amado, na verdade. Quando dissera a ele. Tinha ainda aquela ponta de esperança acesa lá no fundo, para que fosse ele, e não alguém do passado, mas sabia também que isso não era hora de pensar sobre isso. Limitou-se a apenas pensar no que estava prestes a acontecer, mas também achava que era melhor que mantivesse a cabeça vazia. Porém, estava sendo uma tarefa muito complicada. Eram muitas coisas a se pensar. Lizzy. Mansão. Sebastian. Rainha. O mundo, e o país.
–- À hora chegou. -- no relógio batiam 15h50min.
–- Sim, à hora da sua vingança chegou. -- sorria.
Estávamos parados de frente à porta, ainda fechada. Meus dedos apertavam com força desnecessária a caveira de prata no topo de minha bengala. Ergui-me na ponta dos pés, tentando em vão alcançar o rosto do moreno alto, vendo minha intenção, curvou-se um pouco, deixando seu rosto de frente para o meu. Limitei-me a apoiar uma mão sobre ele, enquanto nossos lábios se uniam docemente.
–- Você tem um anjo para matar, e eu uma Rainha para tirar do trono, vamos. -- abri a porta, seguindo pelo corredor. Olhar decidido e pisar firme.
Logo dos pés do monumento avistei o mordomo de branco e sua Rainha vestida de negro. Olhei para Sebastian, não entendendo o motivo que os dois estavam lá em cima, e não cá embaixo... Não me lembro de ter pedido nada disso, exatamente.
Segurando-me em seu colo, mesmo com todas aquelas pessoas na rua o demônio salta. Quase alcançando em um único pulo o andar em qual eles se encontram, em mais um estamos em um só patamar. Inimigos e aliados.
–- Conde Phantomhive, seja bem vindo. -- Ash se curva lentamente. -- Michaelis. -- seus olhos encontram o do mordomo, que ainda me mantém sobre seus braços.
A mulher se vira. Seu rosto coberto por um véu tão negro quanto seu vestido enfeitado com várias camadas de pano.
–- Ciel, é um prazer revê-lo. -- eu podia sentir o sorriso generoso que ela dava.
Desci do colo do outro.
–- Vossa Majestade. -- meus cabelos voaram, a túnica em seu rosto também acompanhou a rajada.
–- Ash me disse que queria conversar. Eu poderia saber sobre o que se trata? -- a voz doce quase me enganava.
–- Não se faça de tola. Não mais estou leigo aos seus desejos egoístas. O mundo não é o seu brinquedo, Rainha.
–- Ha... Hahahahahaha. -- sua risada era de uma louca psicótica. Seu corpo se curvou para frente, ela ainda ria, segurando a barriga como se seu estômago já doesse pelas contrações. -- Perdoe a minha reação. Não é comum que se dirijam assim a mim.
–- Isso porque eles não sabem as atrocidades as quais você planeja.
–- Atrocidades? Não é bem assim. Estou tentando fazer do mundo um lugar melhor, com o meu governo.
–- Envolvendo-se com máfia e tráfico?
–- Isso é só questão de estratégia, querido Ciel. -- sua mão desceu para baixo do pano que cobria seu rosto, até que eu notasse que ele estava se erguendo, ela o estava tirando.
Meu coração se disparou na expectativa de ver seu rosto. Sua voz não era tão velha, então eu imaginava que sua aparência também não fosse... Mas o que apareceu para mim e o mordomo ao meu lado foi mais do que somente uma senhora de voz doce. Uma criança. E eu diria com firmeza que tem menos idade que eu. Meu rosto foi de puro espanto, eu sei, não nego. E o meio sorriso que a jovem/senhora abriu demonstrou a minha certeza.
–- Não se assuste, Phantomhive. Isso aqui, -- abriu os braços, mostrando o próprio corpo. -- é para que eu possa viver e viver. -- o vislumbre do brilho maléfico que vi em seus olhos não me agradou.
–- Estou cansado disso tudo, não vim aqui para conversa, vim aqui para pôr um ponto final nisso tudo.
–- Ah! Está aqui pelos seus pais também?! -- sua voz meio velha para o rosto puramente infantil estava dando certo trabalho para que tudo fosse compreendido. -- Eles tinham de ser eliminados,–- estendeu a mão para o lado, Ash compreendeu seu pedido mudo, desembainhando sua espada. -- assim como você também será. -- a ponta da lâmina estava apontada para mim.
–- Não tenha tanta certeza, Vossa Majestade.–- foi a minha vez de apontar-lhe a arma. -- Sebastian. -- retirei meu tapa olho com a mão livre.
–- Pois não?
–- Vença a luta contra o Anjo da Rainha. -- desviei meus olhos do dourado para o roxo.
–- Yes My Lord.
Uma última olhada em meus olhos e ele estava a seus postos. A Rainha começou a girar em sentido horário, enquanto eu fazia o sentido contrário de seus passos. Seus olhos nunca deixavam os meus, meio frios, outras horas vibrantes com aquele amarelo ouro intenso.
Meu coração pulsava em meu ouvido, o sangue bombeando forte por todo o meu corpo. À hora da Batalha Final finalmente havia chegado. Eu podia ouvir o som da luta dos mordomos, mas não que eu pudesse desviar os olhos para poder ver o que estava acontecendo. Com ele eu não precisaria me preocupar, a ordem foi curta e clara, e deve ser cumprida com êxito, não importa o que aconteça.
A honra às mulheres e o primeiro ataque foi dela. Seu jeito de brandir a espada em mão me lembrava o Trancy, e isso de fato não me agradou.
–- O desespero o levou a isso, Ciel?! -- mantinha um sorriso irônico em seus finos e infantis lábios. -- Agora entendo o porquê da minha dificuldade em te eliminar.–- o sorriso desapareceu subitamente, tomando lugar uma face séria.
A minha mente estava a mil. Vendo seus movimentos, que eram bastante ferozes para uma mulher com corpo de criança, e por isso eu não poderia facilitar. Tinha que ir para cima também, com tudo, assim como ela estava vindo. Uma batalha de vida ou morte, literalmente. Um momento de distração e senti sua arma correndo próximo ao meu rosto, foi um desvio, mas a senti me cortar, e confirmei isso quando senti o sangue escorrer em minha bochecha. Senti meus olhos se arregalarem quando ela desceu e um pedaço da manga de minha camisa também foi cortado, deixando uma pequena parte de meu braço de fora, e mais um pouco de sangue escorrer por cima do pano retalhado, os ferimentos arderam, mas eu não podia me deixar levar pela dor.
Vamos, Ciel, concentre-se. Minha mente resmungava para mim. Olhei fixamente para seu punho. Procurando a brecha que eu precisava para arrancar a arma de sua mão. Achando o momento certo, girei minha lâmina em uma espiral na dela, enroscando de modo que ela fosse obrigada a soltar seu cabo. Seus olhos acompanharam a acrobacia que foi feita no ar, ouvindo logo o metal se chocar contra o chão em um barulho. Caminhei de costas, com minha espada ainda apontada para ela. Chegando próximo o suficiente a empurrei pelo buraco na plataforma, ouvindo-a se chocar com a estrutura da Torre.
–- Isso acabou. -- caminhei em sua direção.
–- Não, Phantomhive, não acabou! ASH! -- seu grito de ajuda ao mordomo chegou aos meus ouvidos, em um susto o procurei ao redor. Sebastian estava sentado em seu corpo, às asas brancas do anjo, agora tingidas com o vermelho de seu próprio sangue, estava presa a tábua pôr talheres de prata, Sebastian tinha uma faca em mão, com a serra prensada no pescoço do outro, enquanto um sorriso sádico dançava-lhe nos lábios.
–- Sinto muito, minha Rainha. -- ele lhe lançou um sorriso simpático, antes de ter sua jugular serrada pela prata.
–- Sim, isso acabou! -- não dei tempo de reação à mulher, ela estava na beira que cercava o lugar onde estávamos. Não havia como fugir, seus olhos assustados estavam em mim.
Não hesite! Foi o que Sebastian havia me dito antes de chegarmos aqui. Isso não é típico de mim, Sebastian. Recebi um sorriso como resposta.
E cumpri minha palavra. Empurrando a espada através do vestido negro, e assim pela epiderme, derme... Até finalmente eu senti-la chegar ao outro lado. Sua boca se abriu em ‘o’, enquanto ela segurava o cabo da espada em seu corpo. Sua respiração foi profunda.
–- Você, seus pais... -- inspirou mais uma vez. -- Malditos Phantomhive... Sempre estragando meus planos. -- seu corpo deslizou até estar sentado e sem vida, a cabeça baixa, pendendo em seu pescoço para o peito.
Olhei para Sebastian, ajeitava suas luvas que estavam sujas em carmesim. Sua roupa estava pouco retalhada, os cabelos estavam meio fora de lugar. Mas ainda sim estava lindo. Eu ri em meio ao meu pensamento. Por mais que eu não quisesse pensar sobre... Sentir seu corpo no meu faria falta. Mas vou morrer, não vou sentir falta de nada disso...!
–- Acabou. -- falei quando ele se pôs ao meu lado, enquanto olhei para a bagunça que estava ao nosso redor.
–- Sim, acabou. -- seus olhos dançavam com um rosa demoníaco.
–- Vamos para casa...
–- Vamos. -- fui pego no colo, deixei minha cabeça sobre seu peito.
Voltamos lentamente pela multidão que se acumulara debaixo do monumento. Finalmente eu estava leve e livre de tudo isso... Mas ainda sim, estaria eu preparado para morrer? Preparado ou não ele não vai esperar que eu esteja.
Um banho não foi o suficiente para me fazer relaxar. A mente ainda estava trabalhando, datilografando tudo o que aconteceu. Marcando em cada pequeno pedaço de meu cérebro quê: eu havia matado a Rainha da Inglaterra. Simples assim.
As feridas do mordomo já haviam desaparecido, enquanto eu ainda tinha as minhas marcas de batalha. Estou sendo posto na cama, mas dormir não me parece à opção... Não quando está será a minha última noite...
–- Sebastian... -- sua língua deslizou por cima de meu ferimento no rosto.
Um pedido mudo em meu olhar e um beijo caloroso foi depositado em meus lábios. Agarrei seu pescoço, sentindo seu peso ir se desdobrando sobre o meu. O lençol que me cobria fora arremessado para longe, dando lugar para que o cobertor fosse outro corpo, não tão quente quanto, mas que seria mais do que o suficiente para me aquecer.
Um ofego escapou de meus lábios quando seu quadril se moveu contra o meu. Minhas mãos trabalhavam em tentar tirar suas roupas de cima. Movendo-se desajeitadamente, sentindo o sorriso dele contra minha boca por causa disso. Minha pressa o estava divertindo.
–- Tenha calma, Bocchan.
Senti minhas bochechas esquentarem. Não que eu quisesse que tudo fosse extremamente rápido, mas ficar de enrolação e me deixando na vontade não esteve em momento algum em meus planos. Sua mão firme deslizou sobre meu abdômen ainda coberto, seu corpo de quatro sobre o meu, com seu lábio inferior preso em seus dentes. Demônios realmente são seres pecaminosos. Os botões da minha camisa de seda branca foram sendo abertos, um a um, até que meu físico magro e branco estivesse de fora.
Sua língua deslizou calma por cima de seus lábios, sua cabeça se inclinando em minha direção até que senti seu músculo correr em minha pele. Mais um gemido não me foi contido, sua boca aveludada sugando-me a pele, marcando-a em demonstração de possessividade. O cheiro de teu cabelo e corpo já estavam inundando meu nariz, a proximidade e quentura não tão grande de sua pele mesmo que ainda coberta. Sua mão correu, rumando a meu sul, fazendo minhas entranhas se apertarem em expectativa para o toque sútil que viria a seguir. Meus pensamentos foram ouvidos e o deslizar de sua mão suavemente sobre mim fez meu corpo estremecer em resposta.
Sentando sobre minhas finas coxas, as solas de seus pés para cima. O sorriso malicioso estampado na face. Os botões de suas roupas começaram a ser abertos, lentos, na intenção de me torturar com a visão que me ia sendo mostrada aos poucos. Seu abdômen definido foi se mostrando devagar, revelando a pele branca, intacta em marcas. Ergui minha mão na intenção de tocá-lo, e um tapa me tirou dessa atitude. Seus lábios formaram a palavra não, e o indicador balançava de um lado para o outro me negando. Soltei um muxoxo, ele riu com isso. Um riso sexy, que fez com que minha coluna tremesse em resposta. Os botões de meu short começaram a ser aberto. Um por um, mostrando aos poucos o que eu usava por baixo. Se posicionando entre minhas pernas, uma mordida de leve foi depositada em minha coxa.
–- Ah... -- deixei escapar sem querer, arrependendo-me colocando o dorso na mão sobre a boca.
Suas unhas negras deslizam devagar pela extensão, indo até meus tornozelos e voltando.
–- Estamos em um hotel, não no quarto da mansão, evite gritos. -- seu sussurro ao pé de meu ouvido provoca.
Tudo bem que eu não possa gritar, mas controlar as reações aos estímulos em uma hora como essa é algo quase impossível de se acontecer. A concentração para berros não saírem da minha boca foi algo que eu não acreditava poder ter; a respiração completamente errada, os nós dos dedos da mão esquerda completamente branca e os dedos da mão direita dentro de minha boca, para conseguir conter um pouco do meu barulho. Seu rosto de puro deleite ao meu esforço também não estava ajudando. Seus olhos fechados, as mãos em volta de minha cintura, de vez enquando dando leves apertões, deslizando para baixo em prol de apertar minhas coxas, em uma erótica massagem.
Eu queria fechar meus olhos, mas a visão que eu tinha do outro era tão excitante, e também tão vergonhosa, que o corpo simplesmente não obedecia. O olhar faminto estava nos meus, eu podia ver sua língua correndo, subindo e descendo, melecando minha pele. Os gemidos estavam difíceis de ser contido, o volume aos poucos ia aumentando, e os espasmos se tornavam mais fortes a cada sucção mais empenhada. Ah, sim, ele sabe muito bem como usar os lábios. Sua boca escorreu em minha barriga, subindo, passando brevemente por cada um dos meus mamilos. Seus olhos num tom levemente avermelhado não deixavam o meu por um minuto sequer. Até meus olhos se fecharem para aproveitar o gosto de seu beijo com um pouco de meu prazer. Seus dedos enchem minha boca, sua língua deslizava devagar em minha bochecha, uma leve mordida em minha orelha, com sussurros de coisas indevidas.
Aperto suas costas quando a invasão de suas falanges começa. Um gemido fraco escapa de minha garganta. A saliva escorre pelos cantos, minhas bochechas estão vermelhas pela pouca vergonha que ainda tenho de estar fazendo isso, ainda que seja provavelmente a nossa última vez.
–- Chega... -- consigo falar. -- Você. É você que eu quero. -- seguro seu rosto em minhas mãos, encarando firmemente seu olhar de luxuria.
Vejo de relance a surpresa em suas feições pelo meu depravado pedido. Mas não posso negar, estou verdadeiramente necessitado de todos os tipos de toque que ele poder me oferecer. Se for para terminar de corromper meu corpo, que seja da pior e mais prazerosa maneira possível.
O sorriso safado que brotou em seu rosto me fez perceber que ele tinha finalmente capitado a minha mensagem, e tirando a calça de um modo totalmente selvagem e sem jeito, começou a se ajeitar entre minhas pernas. Meu baixo ventre formigou ao começar a sentir sua invasão. Apertei meus olhos, há certo tempo não fazemos isso. Minhas caretas eram para ser alvo de chacota.
–- “Merda! Como dói!” -- Xinguei-me mentalmente, soltando uma arfada de alivio quando senti sua coxa tocar as minhas.
Ambas as suas mãos afundaram o colchão ao lado de minha cabeça. Seus cabelos caiam como cascata ao redor de seu rosto e quase tocando o meu. Um suspiro pesado escorreu de seus lábios quando meu interior se contraiu involuntariamente. Rebolei para seu corpo, novamente um sorriso adornou sua face, acompanhando a primeira investida. Forte e certeira. Minha boca se abriu, som nenhum se projetou para fora dela. Inalei profundamente, soltando minha voz quando ele continuou.
–- Você pedir desse jeito é novidade para mim. -- sussurrou em meu ouvido, as estocadas ainda mais furiosas. -- Está aprendendo a ser devasso com quem, Bocchan?
–- Tenho um demônio como professor...! -- ofeguei com dificuldade.
Seu sorriso fora tirado pelos meus lábios nos dele, um beijo desconsertado pelos gemidos que ainda saiam com toda a força de mim. A cama rangia alto, pelo jeito as articulações da mesma não estão em sua melhor condição de uso, pelo menos não para esse tipo de uso.
Arrastei minhas unhas em suas costas, sentindo seus músculos firmes nas pontas de todas as minhas digitais, o molhado do suor e o pouco de sangue que arranquei dele fez novamente que ele sorrisse um sorriso maléfico, sadomazoquista. Ele estava se divertindo com a situação. Não que eu também não estivesse, mas o significado dessa palavra para ele, é completamente diferente do que é para mim, isso não há duvidas.
Fui bruscamente virado, os cotovelos e joelhos tremendo pelo apoio do corpo e pela forma como aquela situação estava sendo dirigida. O corpo se projetando para frente, com a cintura sendo firmemente segurada, o tronco do outro se alinhou as minhas costas, sua mão serpenteou pela frente de minha coxa, alcançando meu membro até tão pouco esquecido. Tombei minha cabeça para trás, o ponto de deleite dentro de mim sendo tocados várias e várias vezes em consecutividade e o prazer alarmante que me tomou quando novamente meu membro era um dos pontos principais do ato tornou tudo ainda mais nebuloso dentro de minha mente. Minhas palavras só eram gemidos incontroláveis que já saiam sem consentimento e tentativas frustradas de frases completas. Estava tudo acabado para mim, afundando no barco da submissão, eu estava totalmente entregue às garras do demônio que me possuí.
Seu nome já saí de minha boca como um mantra de concentração. Meu peito toca no colchão, com os braços caídos ao meu redor, porém meu quadril continua firme para cima, mas já teria tombado se não fossem as mãos do moreno ao redor dele. Meu braço fora segurado quando seu vai e vem frenético parou de repente. Meu corpo novamente foi posto de frente, encarei seu rosto, minha boca estava aberta em surpresa, enquanto a dele buscava ar.
–- Cansado? -- toquei seu rosto, desgrudando pouco do cabelo que estava em sua testa pelo suor.
Empurrei seu peito, sentindo-o sair de mim enquanto caía sobre as próprias pernas. Engatinhei na cama, olhando para seus olhos semicerrados. Beijei de leve seu pescoço, sem jeito em saber o que fazer, meus cabelos foram segurados firmemente e meus lábios tomados com fervor. A base da minha coluna fora segurada e fui puxado de vez para colar contra seu corpo, senti seu membro me roçar e desci vagaroso até estar sentado sobre suas coxas. Sua mão permaneceu lá embaixo, apoiando minhas costas, as minhas ao redor de seu pescoço, segurando firmes seus cabelos da nuca.
–- Você tomou a atitude de ficar nessa posição, vamos, mostre a atitude de começar a desenvolvê-la também. -- seu sussurro foi fraco, arrastado com a voz extremamente sexy.
Arrepiei-me, deixando um gemido sem querer escapar. Abracei seu pescoço, apoiando meu rosto sobre o antebraço em seu ombro. Suas duas mãos escaparam para minha cintura, a abraçando como faço. Subi devagar, descendo na mesma pressão.
A cama parou de ranger alto, passando a somente estralar cada vez que meu quadril se chocava com suas pernas. O suor cobre metade de meu corpo, assim como o rosto do outro também brilha com o líquido corporal.
Meu corpo todo treme perante o orgasmo que está prestes a chegar. A fricção de meu peito no dele, apertando minha barriga, friccionando meu membro entre nós. Agarro a seus cabelos com força, enquanto um gemido desesperado se liberta de mim, fazendo-me pintar-nos com o prazer que se esvai. Descanso minha cabeça em seu ombro, apertando-o com os dentes, não parando de movimentar minha traseira. O mordomo geme fraco com a cabeça também apoiada em meu ombro. Aperto-lhe as costas com as unhas quando sinto seus jatos quentes me preencherem o interior, com um gemido rouco e pouco mais alto do moreno em meu ouvido.
Eu apenas pude rir, quando os espasmos de ambos os corpos pararam. Olhando em seu rosto, tocando os formatos de sua mandíbula e nariz. Ele me dá um sorriso, e por um momento eu vejo a fome de minha alma em sua íris. Nada que não seja o que ele espera.
Satisfeito estou para uma última noite. Mas ainda permaneço agarrado a seu corpo. Aspirando seu cheiro. Tocando carinhoso seu cabelo.
–- Você precisa de um banho. -- carregou meu corpo, gemi em desaprovação sentindo uma leve pontada quando ele se retirou. -- Temos um longo caminho de volta para fazer amanhã.
–- Sim, temos.
(...)
O adeus a Paris já foi. A minha mansão desaponta em vista. E estou de volta em casa. De volta para então partir novamente. Suspiro, sentindo o incomodo do trepidar da carruagem no chão.
–- “Apesar da dor, valeu a pena.” -- um sorriso satisfeito brota os meus lábios.
Os comprimentos aos meus empregados e parto direto para meu escritório no intuito de escrever uma breve carta à Lizzy. Nada de despedidas com ela, seu falatório sobre o porquê da minha partida, e o porquê do nosso rompimento assim de uma hora para outra seria insuportável de se aguentar.
“Querida Lady Elizabeth Middleford,
Optar por uma carta ao encontro corpo a corpo pode provar o quão covarde sou de enfrentar-lhe. Porém, para poupar-lhe o sentimento de tristeza de me ver partir, creio que assim seja melhor.
Espero que encontre alguém que consiga ao menos corresponder-lhe os verdadeiros sentimentos de seu coração. Sabendo que esse alguém não sou eu. Recusei a todas as suas investidas de romantismo para não terminar de enganar-te.
Aqui me despeço com um grande pesar, para nunca mais encontrá-la novamente.
Conde Ciel Phantomhive.”
Nada de mais. Apenas algo para que ela possa saber que não mais me encontrará em casa. As ordens aos empregados já foram dadas. Perguntas cortadas e respostas curtas. As chaves ficarão nas mãos de Tanaka, o mais responsável por tudo. Creio eu que mesmo para os outros a mansão estará em boas mãos. Assim como eu estarei em um bom corpo.
–- Tanaka, entregue isso à Lizzy, por favor. -- dei em suas mãos o envelope com a pequena carta.
Nem malas, e nem roupas para sobreposição de peças. Assim me despeço novamente de minha casa, e daqueles que sempre estiveram comigo. Meirin tem lágrimas aos olhos, enquanto os outros apenas se seguram para não demonstrar a tristeza.
É noite. E a silhueta da mansão e das pessoas que a compõe vai ficando cada vez mais distante e difícil de distinguir.
Finalmente tudo aquilo acabou. Meu pesadelo ou sonho finalmente se realizou, e devo dizer que fazê-lo com minhas próprias mãos foi algo mais do que satisfatório. E agora navego em direção à morte, em uma pequena canoa, empurrada por um remo que Sebastian desliza sobre as minhas memórias no rio. O vento é calmo e um pouco frio, a lua cintilante, um céu estrelado. Uma bela noite para morrer. O silêncio é cortado pelo assobio dos ventos aos meus ouvidos, mas meus lábios permanecem cerrados para a passagem de palavras. Minhas memórias se dissipam quando meus dedos correm sobre elas, memórias de ontem, de hoje e de dias que eu não me recordo à existência.
Uma forma escura e disforme se encontra ao horizonte totalmente sombrio. Encaro o moreno que de queixo erguido continua a nos guiar, sem ainda nenhuma palavra pronunciar. Suspiros e suspiros sem de mim. Não me sentia assim há tempos, preparado para o que vem a seguir, foi o caminho que eu escolhi e que devo aceitar, acolher de braços abertos.
A canoa encalha na areia de cor clara. Me levanto, tendo meu corpo tomado pelo outro em seu colo. Entramos por meio de uma um pequeno bosque, rochas pontiagudas e um único banco em meio ao que parece uma antiga casa desmoronada. Sou posto delicadamente, enquanto o outro se prostra de pé pouco longe, encarando-me. Um corvo de prontidão no topo de um pedaço da ruína.
–- Este é o último lugar? -- olho ao redor.
–- Sim.
–- Então... O resto da minha alma é sua.
–- Como esperado do Bocchan, sempre gentil.
–- ... -- fico em silêncio por um tempo. -- Irá doer? -- toco o tapa olho em meu rosto.
–- Sim, um pouco. -- seu olhar era piedoso. -- Eu serei gentil o quanto possível.
–- Não. Faça ser doloroso o quanto puder. Crave a dor em minha vida... Em minha alma...
A surpresa tomou seu rosto, para logo depois um sorriso simples, como se já esperasse por esse pedido.
–- Yes, my lord. –- ajoelhou-se onde estava.
Recostei minha cabeça no concreto, enquanto suas luvas eram retiradas e iam ao chão. Caminhando a mim, a mão sem contrato tocou minha bochecha, acariciando-a até retirar o tapa olho. Meus olhos caídos encontraram os dele, vividos em um rosa demoníaco.
Respirei fundo, enquanto via seus lábios aproximando-se em um sorriso aterrorizante...
E a última coisa que senti... Foram seus doces lábios sobre os meus.
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