Setsugetsuka
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Um suspiro escapou de seus lábios ao sentir o macio par de mãos distribuírem delicados toques por todo o seu corpo. Um sorriso desenhou-se no rosto do mais velho, divertindo-se com os sons feitos pelo outro. Este se vingou depositando um beijo suave no seu ombro descoberto, e arrematou envolvendo o pescoço alheio com seus braços, diminuindo o espaço entre eles dois.
Foram interrompidos por uma batida na porta:
— Len-chan, você já pode ir embora; Luka-chan acabou de chegar. — informou a voz.
Olhos azuis foram abertos ao escutar o seu nome ser chamado. Com certa relutância, afastou o homem de si:
— Sim, obrigada, Meiko-san. Terminarei de verificar o estoque e irei para casa. — confirmou. Um estalar de língua foi-se escutado em resposta:
— Gackpo-san, eu sei que você também está aí. — mesmo separados pela porta da dispensa, o casal foi capaz de ver sua chefe revirando os olhos. — O seu turno ainda não terminou, volte ao trabalho. — disse, autoritária, e o salto das suas sandálias denunciou a sua saída.
Len levou as mãos até a boca, tentando, em vão, reprimir uma risada.
— Bom, acho que eu devo ir... — Gakupo passou os dedos por entre os longos fios do seu cabelo roxo, parecendo estar sem graça. O loiro deu um sorriso afetuoso diante da sua falta de jeito:
— Vejo você mais tarde. — essa não era uma suposição, e sim uma certeza. Len ajeitou o quimono de Gakupo, que estava deslaçado e torto. Braços puxaram-no junto ao corpo do mais velho: — Até mais. — assentiu para o loiro, depositando um leve beijo em sua testa.
— Até. — o garoto permitiu-se fazer uma careta, seu rosto tornando-se momentaneamente infantil. O homem de cabelo roxo riu com a visão, e, antes de separarem-se, deu um beijo naquele par de lábios tão desejáveis.
* * * * *
Kago no naka no tori wa itsu itsu de au?
Quando irei conhecê-lo, pássaro engaiolado?
* * * * *
Observou, ao longe, as ondas arrebentarem sobre a areia. Len adorava isso — assistir o mar —, por mais que tivesse certa aversão a praias. Agora, sentado sobre o banco de pedra com vista privilegiada para a praia, não podia impedir-se de apreciar tal beleza.
E então mãos cobriram-lhe os olhos.
— Kaito. — identificou, mostrando que não fora pego de surpresa pelo susto.
— Tsc, você está sempre atento, nee? — o garoto de cabelos azuis fingiu fazer uma careta de desaprovação.
— Claro — revirou os olhos. —, e se não fosse você? E se fosse uma pessoa com más intenções? — implicou, levantando as sobrancelhas desafiadoramente. Logo ele teve sua cintura envolvida pelos braços do outro.
— Eu nunca deixaria alguém encostar um dedo em você. — declarou em um sussurro quente contra seu ouvido.
— Então trate de me vigiarbem de perto. — o loiro deu um sorriso maldoso.
— Certamente irei. — e com isso, colocou o menor sobre o seu colo, ambos sentados no banco.
Pequenos sons de euforia vinham da garganta de Len, em resposta os beijos que eram distribuídos por toda a extensão do seu pescoço.
— Len-kun... — suspirou, inebriado com o perfume doce do mais novo.
— Kaito, não ouse me tocar aí. — seu tom era ameaçador, e ele notou que a mão alheia não parou de trilhar um caminho até a sua cintura. — Nós estamos em público. — lembrou-lhe, sério.
— Mas não tem ninguém por perto. — contestou o outro, enquanto enterrava seu rosto nos fios do cabelo dourado à sua frente.
— Idiota. — resmungou, por mais que aquela tivera sido uma clara tentativa de reprimir um gemido. Virou parcialmente o tronco para conseguir ver Kaito. Sua fisionomia tornou-se petulantemente autoritária: — Faça valer a pena.
* * * * *
Anata no kokoro ni tadori tsuku michi ga hoshii
Eu desejo um caminho ao seu coração
Dare nimo shirarenu youni kokoro no oku made
Um caminho que mais ninguém conheça, que leve direto ao seu coração
* * * * *
Encostou suas costas na parede mais próxima, vendo pela fresta da porta da cozinha Gakupo e seus outros colegas de trabalho preparando os chás pedidos pelos clientes. Eram 17h55min — em outras palavras, em breve o turno terminaria.
Sentiu um toque educado em seu ombro:
—Len-chan! — sorriu Miku, cumprimentando-o. — Como vai?
— Vou bem. — deu de ombros, indiferente. Algo no dedo anelar da mão esquerda da garota de cabelos azuis lhe chamou a atenção: — Quem foi o sortudo?
Hatsune olhou para o anel ornamentado com um rubi antes de responder:
— Akaito. — corou — Len-chan, ele é tão... Tão perfeito para mim. Sei que é clichê dizer isto, mas eu acho que ele é a minha alma gêmea. — confessou, com um sorriso amarelo nos lábios. — O casamento será no inverno, e é lógico que conto com a sua presença. — acrescentou.
— Eu estarei lá. — garantiu o loiro, feliz de ver sua amiga tão entusiasmada. Miku então abaixou o tom de voz, forçando Len a aproximar-se mais para escutá-la:
— Mas vamos parar de falar sobre mim. — começou — E você, acha que ganhará um anel de safira em breve? Ou ele será de ametista? — seu tom pensativo foi dissimulado.
— Miku-chan, por favor. — reprimiu o impulso de revirar os olhos. — Casamento? Não, muito obrigada.
— Len-chan. — agora ela estava séria. — Uma moça não pode ficar solteira por muito tempo, você sabe muito bem disso. Ainda mais você, que está brincandocom dois ao mesmo tempo. As pessoas vão começar a fazer fofoca.
— Elas já fazem. — Len deixou sua frustração transparecer em sua voz. — E eu não ligo. — seu sorriso era falso. Um braço envolveu seus ombros:
— Vamos, Len-kun? — Gakupo perguntou hesitantemente, sem saber se fizera o certo ao interromper a conversa.
— Sim, Gakupo. — assentiu. — Até mais, Miku-chan. — foi educado.
— Até mais, Len-chan, Gackpo-san. — Hatsune parecia estar um pouco desnorteada enquanto despedia-se deles.
* * * * *
In the place where violet and blue intersect
No lugar onde violeta e roxo se encontram,
A yellow thing was dyed in red
Algo amarelo foi tingido de vermelho
* * * * *
Um sorriso maldoso desenhou-se em seus lábios enquanto observava-se no espelho. Dois hematomas.
Duas marcas púrpuras em lados opostos do seu pescoço. Quem as fizera? Ametista e safira, claro, Len pensou, reprimindo uma risada.
Curvou-se para lavar o rosto, e sentiu seu corpo relaxar ao entrar em contato com a água quente. Apertou o nó no obi do seu yukata branco antes de entrar no seu quarto — não, no quarto delestrês.
Parou em frente à cama, sorrindo com a visão de Kaito e Gakupo dormindo lado a lado. Gakupo, por ter sono muito leve, logo acordou com o barulho da porta sendo aberta. Ao ver Len em pé, deu um chute não tão delicado na pessoa com a qual dividia a cama:
— Kyte? — chamou, e foi respondido por um grunhido sonolento. — Chegue para o lado, não há espaço para Len-kun. — informou calmamente, sabendo que o outro não ficava de bom humor quando era acordado.
— 'Tá bom, Gackpo. — suspirou, afastando-se alguns centímetros de Kyte. Len acariciou-lhe o pé, agradecido:
— Boa noite. — desejou, deitando-se entre eles.
— Boa noite. — Kaito respondeu, apoiando sua cabeça sobre seu peito. Len afagou os cabelos azuis com delicadeza.
— Boa noite. — Gakupo murmurou, envolvendo a cintura do mais novo. Este retribuiu-lhe o carinho encaixando a cabeça em um de seus ombros.
— Obrigado, Kaito, Gakupo. — Len sussurrou antes de dormir.
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